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American Horror Story: Asylum – Freak, chic porém agora em uma versão bastante melhorada

Fevereiro 8, 2013

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De tanto todo mundo comentar em relação as melhoras da segunda temporada de American Horror Story quando comparada com a primeira, que foi uma total decepção, principalmente falando sobre todas as suas resoluções, me senti tentado a pelo menos dar uma conferida para ver se essa melhora era realmente tão notável assim, a ponto de conseguir me fazer ter pelo menos vontade de assistir a nova temporada.

No cenário atual, agora chamado “Asylum”, logo de cara já era possível perceber maiores possibilidades para a trama em meio àquele ambiente de loucura. Freiras impiedosas, serial killer travestido de bom moço, as vezes de papai noel (rs), exorcismos medonhos, o médico nazista totalmente sem limites e ou escrúpulos, criaturas bisonhas rondando pelos corredores pouco iluminados daquele lugar, alienígenas e abduções executadas muito bem. Realmente, a proposta dessa vez parecia ser bem diferente em relação a preguiça da primeira temporada, principalmente a parte onde eles acabaram praticamente culpando um só personagem para justificar quase tudo de ruim que acontecia naquela casa medonha. Em um cenário tão repleto de possibilidades distintas como o de agora, repetir o erro do passado me parecia impossível, ou bem difícil de acontecer e por isso, resolvi dar uma segunda chance à segunda temporada da série.

Se o que precisa melhorar encontrou o seu caminho para o melhor e isso já era possível de se notar facilmente, o que já estava bem bacana havia sido mantido, com a série permanecendo muito bem editada, com cara de terror moderno (sem grandes inovações mais reconstruindo clássicos do gênero), cenários extremamente bem cuidados, com uma beleza fácil de ser reconhecida em tamanha estranheza. A começar pelas imagens promocionais da série, que já anunciavam que esse fundamento, repetido da Season 1, havia sido mantido e esse tipo de detalhe e cuidado nós sempre achamos bem bacana e pelo menos isso nunca pareceu ser um issue dentro dessa história.

O elenco da vez também foi outro acerto do nosso querido e perturbado (porque ele deve sim ser bem perturbado e talvez por isso nós o amamos ainda mais, rs) uncle Ryan Murphy, boa parte dele também encontrado na Season 1, os melhores deles pelo menos (e quem aguentaria ver a Connie Britton totalmente cluelles novamente, heim? , que permaneceram para ajudar a contar essa nova história.

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Lindo ver uma mulher como a Jessica Lange deixando todo mundo de boca aberta, encarando lindamente uma lingerie vermelha por baixo dos seus trajes religiosos, em uma das cenas mais sensacionais em termo de magia e sedução da temporada e tudo isso por culpa do seu talento, que praticamente sobrou durante essa temporada. Agora vivendo a Sister Jude, novamente uma mulher ambígua e com mais chances de ser uma das vilãs da vez do que qualquer outra coisa, ela novamente roubou a cena sendo totalmente impiedosa com os pacientes que se encontravam sob seus cuidados, mantendo um amor proibido pelo Monsignor Timothy Howard (Joseph Fiennes, que estava em um papel super pequeno e eu já até estava aguardando que ele fosse divulgado como um dos principais para a próxima temporada, algo que não aconteceu ainda e talvez não aconteça), isso até o jogo virar e ela se encontrar como uma das pacientes da próprio hospício, onde ela foi perdendo o controle aos poucos até se tornar apenas mais um deles. E diga-se de passagem, essa foi uma excelente transição. Clap Clap Clap!

Zachary Quinto também esteve ótimo como Bloody Face, o serial killer da vez que se travestia de doutor bom moço, tentando ajudar os pacientes da clínica. Um papel que nós já vimos ele fazer muito bem, por isso nenhuma surpresa, exceto pelos excessos de estranhezas que o próprio personagem carregava, cheio de mommy issues e um vício que nós preferimos não comentar para não deixar ninguém com enjoo. Sua parceira em cena por grande parte da temporada foi a atriz Sarah Paulson, dessa vez em um papel bem maior do que a sua participação durante a Season 1, vivendo uma jornalista lésbica (Lana Winters) que em busca da história da sua vida, acabou se encontrando como uma das pacientes daquele lugar pavoroso, sendo torturada a todo tempo e tendo a chance de conhecer de perto a cabeça do personagem que havia a atraído àquele lugar, que vinha a ser exatamente o Bloody Face do Zachary Quinto. (e os dois são super amigos na vida real, além de gays assumidos e ativistas bacanas do tipo não pedantes como o modelo antigo e preguiça que não devemos seguir, nova geração!)

Saindo um pouco do lado maluco da coisa e partindo para uma questão mais sobrenatural, encontramos o Evan Peters, dessa vez bancando o bom moço antigo na pele de Kit Walker, casado com uma mulher negra em uma época em que as pessoas não estavam preparadas para esse tipo de situação. Resumindo, uma época ainda mais estúpida do que a que vivemos, obviamente, porque esse tipo de crime/ódio jamais deveria ter sido tolerado e ou existido. Enfim. Nesse cenário, tivemos a proposta da abdução, executada muito bem por sinal, mas que ao mesmo tempo acabou ficando meio que de lado durante a temporada, mesmo que a sua história tenha ganhado começo, meio e fim. Achei que nessa hora, faltou um pouquinho de coragem para abordar mais sobre o tema, que ao mesmo tempo, se tivesse ganhado mais atenção dentro da proposta da vez da série, teria acabado destoando completamente de todo o resto e por isso, no final das contas acabou aparecendo na medida exata.

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Ainda do lado sobrenatural da vez, tivemos ótimos momentos começando com um exorcismo daqueles, com direito a muita blasfêmia e aquela voz de #CREDINCRUZ que nós bem conhecemos do gênero. Dentro desse plot, ganhamos outro grande personagem para essa Season 2 de American Horror Story, com a Sister Mary Eunice (Lily Rabe, também em um papel muito maior do que o da temporada anterior e a cara do Benedict Cumberbatch de peruca loira. Sério) ganhando um habitante novo para o seu corpinho até então livre de pecados, ninguém menos do que o diabo himself. WOO. Sério, essa mulher esteve literalmente diabólica durante essa temporada e por isso acabou sendo um dos grandes destaques da mesma. Como esquecer aquela cena ótima dela cantando “You Don’t Own Me” olhando diretamente para o crucifixo pendurado na parede do seu quarto? Excelente!

Outra que esteve diabolicamente sensacional durante essa segunda temporada, foi a Frances Conroy, dessa vez bancando o anjo da morte, em cenas quase poéticas, além de também terem sido todas executadas dignamente em termos de efeitos, com a grandiosidade de suas asas pretas e uma caracterização sensacional, do figurino dramático ao make seguindo a mesma linha. E fazendo participações especiais, tivemos o Adam Levine, que até que esteve OK dentro do seu papel (melhot que no SNL, por exemplo…) e a Chloë Sevigny, em uma participação quase afetiva, sem grande destaque. (na verdade, essa segunda foi quase um desperdício)

Apesar de todos esses pontos altos da temporada, preciso dizer que embora tenha gostado muito mais dessa nova temporada do que da anterior, a qual me fez inclusive prometer não ver mais a série (e eu não sou bom com promessas, portanto), a sensação que fica ainda é a de que o Ryan Murphy sabe muito bem criar um ambiente tentador, que atraí a nossa atenção e consegue nos prender facilmente dentro do seu cenário, mas ainda não aprendeu muito bem como finalizar suas histórias, encerrando algumas delas de forma bem simples, quase que de forma desleixada até. Mas digamos que pelo menos dessa vez, eles pelo menos conseguiram acertar mais e apesar de ter achado que algumas criaturas e personagens bacanas dentro daquele ambiente foram deixados de lado para encerrar a história que mais interessava e ou era mais importante, podemos dizer que pelo menos uns 80% da história da vez foi encerrado de forma bem bacana e com uma variedade muito maior de culpados do que aquela preguiça toda da temporada anterior.

Cenas ótimas como o médico nazista se dispondo a ser cremado vivo ao lado da sua freira amada, assim como o surto da Sister Jude ao som de “The Name Game” que trouxe um pouquinho do lado Glee do uncle Ryan para esse cenário completamente diferente ao que encontramos no McKinley High (apesar de que, bem que poderiam mandar pelo menos a Rachel para lá, hein? Sugestão a ser considerada…), foram apenas alguns dos excelentes momentos da temporada, até chegarmos a sua resolução, com um episódio final ainda mais especial do que tudo que já havíamos visto até aqui.

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Lana Banana se tornando uma jornalista de sucesso e extremamente arrogante, completamente vendida, aproveitando o momento para vendar o livro da sua história para o mundo, uma história que ela mesmo havia vivido porém havia também dado aquele incrementada para deixar tudo ainda mais interessante para o seu lado, é claro, tendo que encarar o filho (interpretado pelo Dylan McDermott, sem a parte da magia antiga mas em um papel menor, do tipo que ele consegue dar conta) fruto de um estupro do grande serial killer da vez, ele que seguia os passos do pai e segundo ela mesmo, havia herdado o pior de ambas as partes. Apesar desse ter sido o grande finale de American Horror Story: Asylum, devo confessar que pelo menos essa parte eu acabei achando bem previsível e tinha certeza que aconteceria, para dar a chance da personagem principal encerrar aquele ciclo da sua vida, que precisava encontrar um fim. O que não chegou a tirar o mérito do seu encerramento, que foi muito bem executado, mas que acabou desviando as atenções para o final da outa grande personagem dessa temporada, a Sister Jude.

Esse sim, acabou me deixando bem mais surpreso, ainda mais encontrando o Kit como seu acolhedor, resgatando aquela mulher que no passado não havia sido nada bacana com ele ou com seus amigos, mas passando por cima de toda essa mágoa e trazendo a Sister Jude para perto da sua família, tentando recuperar uma mente que acabou se perdendo dentro daquele ambiente horrroso e que teve a sua situação piorada quando a igreja resolveu vender a clínica para o estado e nesse momento, as coisas acabaram se perdendo por completamente. Um final bem bacana para uma personagem excelente, que acabou tendo a sua chance de também se redimir em relação a suas maldades do passado e de quebra nos deixou com a sensação de que o Kit havia sido abduzido com um propósito e talvez os seus filhos tenham seguido esse mesmo caminho ainda tão misterioso.

E com essa grande mistura de temas e personagens, American Horror Story: Asylum acabou conseguindo atingir o que parecia impossível, abrindo os horizontes para novas e numerosas possibilidades e nos entregando uma temporada que em nada nos lembrava o que não havia sido tão bom durante a Season 1. A partir disso, comecei a imaginar os possíveis cenários para uma próxima temporada, onde já não me parecia mais pertinente um cenário reduzido, focado em um ambiente com menores possibilidades, como o da sofrível Season 1. Desde o começo, cheguei a pensar em uma prisão, ou em um campo de concentração ou de guerra para os cenários da já confirmada Season 3. Ryan MUrphy disse que um detalhe perto do fim da temporada foi uma de suas pistas para  o cenário que encontraremos durante a Season 3 e ao que tudo indica, a chegada das novas pacientes ao hospício, vestidas como prisioneiras e com a Frances Conroy chegando deliciosamente possuída e toda banhada no diesel para caminhões naquele local, para total desespero da Sister Jude, com quem ela “dividiria” o quarto naquele momento, talvez tenha sido a deixa para o que encontraremos no próximo ano da série.

Por esse motivo, nada me tira da cabeça que devemos caminhar dentro do cenário de uma prisão durante a próxima temporada, algo que apesar de ser uma saída semelhante em termos de possibilidades e quantidade de personagens bem parecido com o que encontramos no cenário atual, seguindo essa fórmula muito mais bacana da Season 2 do que qualquer coisa a respeito da  temporada anterior, temos tudo para ganhar uma Season 3 excelente de American Horror Story: Prison Break versão Girlie. E para você que se animar em assistir a série a partir de agora, esqueça a Season 1 (i wish), fingindo que ela nunca existiu e se aventure a partir dessa Season 2 que vale muito mais a pena.

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A nostalgia em preto e branco de The Artist

Fevereiro 24, 2012

Um filme lindamente nostálgico. Talvez não tenha melhor definição para descrever “The Artist”, produção independente francesa, dirigida por Michel Hazanavicius, em preto e branco e quase inteiro mudo, e que se não fosse por esse detalhe, o de ser um filme quase que inteiro mudo, “The Artist” seria apenas um outro filme qualquer seguindo a linha do fundamento antigo do cinema.

Mas será possível fazer cinema hoje em dia, sem utilizar dos grandes recursos tecnológicos de Hollywood?

E a resposta é SIM (em caixa alta + bold), é possível fazer cinema com qualidade abrindo mão de todos os recursos tecnológicos que nós temos hoje em dia,  e sapateando lindamente na nossa cara, “The Artist” chega dando muito bem o seu recado e de cera forma até acaba colaborando para que todo mundo comece a pensar, pelo menos um pouco, na velocidade dos avanços que hoje nós enfrentamos quase que diariamente. (…)

O filme se passa entre as décadas de 20 e 30 e com isso ganhamos todo o charme e o romantismo de uma época que não vivemos (mas adoraríamos dar umas voltinhas por lá, não é mesmo Woody Allen? 20’s, junto com os 70’s,  sempre foram as minhas décadas preferidas). Figurinos sensacionais, extremamente românticos, chapéus deliciosos e um tipo de beleza feminina que hoje em dia quase que não se é mais valorizada. Algo que eu pelo menos considero uma pena.

No longa, temos o personagem George Valentin, interpretado maravilhosamente pelo ator Jean Dujardin, que já vem de fábrica francesa com essa cara pronta de galã antigo (Höy!) e todo o seu talento demonstrado no longa justifica e muito todas as suas indicações aos grandes prêmios do cinema desse ano. No longa, Valentin é um ator do cinema mudo em bastante evidência durante os anos 20, cercado do sucesso e dos benefícios que a fama de ser um grande astro naquela época pode lhe trazer.

Ao final da década, um grande avanço acontece na indústria do cinema com a chegada do som, uma novidade que viria para acabar inevitavelmente com o cinema mudo. O ator, conhecido por ser o grande representante dessa arte agora já considerada obsoleta pelos grandes diretores e investidores do cinema, acaba rejeitando completamente a novidade, tirando sarro do assunto e não aceitando nada bem essa novidade e com isso, acaba também se tornando um ator decadente entrando em esquecimento por não ser mais nenhuma novidade, encarando o fato do seu tempo já ter passado.

No meio desse drama todo de encarar a evolução, o que nunca é fácil para ninguém (e para isso, podemos pensar um pouco em como os nossos avós se sentem vivendo no mundo cada vez mais eletrônico de hoje em dia, por exemplo…) temos ainda uma personagem em destaque, Peppy Miller (Bérénice Bejo), uma aspirante a atriz que acaba entrando sem querer na vida de Valentin, com quem ela acaba trabalhando uma única vez no cinema. Entre inúmeros takes e ensaiando uma coreô animada de charleston nesse único trabalho dos dois juntos, eles acabam se envolvendo e se apaixonando, mesmo sem se declarar abertamente uma para o outro, além do que, Valentin é um homem casado.

E enquanto George Valentin continua insistindo em não se render ao poder do som da indústria do cinema, Peppy Miller acaba ganhando espaço na nova forma de se fazer filmes, fechando contrato com o antigo estúdio de Valentin, tendo o seu nome subindo aos poucos nos créditos dos filmes, de extra a coadjuvante a atriz principal  (detalhe que eu achei delicioso) e se tornando em pouco tempo, a nova queridinha da america antiga.

Bacana que para mostrar esse evolução, eles acabam utilizando o recurso do sonho (pesadelo na verdade), para mostrar que o mundo todo agora pode ser ouvido. Para isso, a trilha sonora que é tão presente no longa quase todo (como na maioria dos filmes do cinema mudo) acaba ficando de lado, dando espaço para o barulho do vidro tocando a mesa, o latido do cachorro, gargalhadas de bailarinas que circulam pela vizinhança ou até mesmo o barulho de uma pena caindo do céu. Outro detalhe importante para determinar a passagem do tempo no filme, são os cartazes da atriz Peppy Miller em suas produções, capas de revistas e outdoors que vão surgindo para demonstrar como ela está fazendo um grande sucesso naquele período, o que é uma delícia para quem estudou um pouquinho que seja de história da arte, do design ou tipografia por exemplo.

Peppy é uma mulher a frente do seu tempo, ousada, focada em sua carreira, ela acaba conseguindo todo o sucesso que merecia, com uma pequena ajudinha de Valentin até (brilhante essa ajuda, que acaba trazendo a tona uma lenda antiga que nós conhecemos), mas não sem antes magoar o seu grande amor, mesmo sem ser essa a sua intenção, com um entrevista dizendo que os velhos atores deveriam abrir espaço para a nova geração.

Valentin por sua vez, apesar de ser cabeça dura em relação as mudanças e insistir no seu fundamento, acaba tentando resistir bravamente as novas técnologias e passa a escrever, dirigir e atuar em suas próprias produções, tentando manter viva uma arte que já estava sendo esquecida.

Mas é claro que o interesse das pessoas já não é mais o mesmo e encarando os cinemas cada vez mais vazios para os seus filmes ainda mudos, o ator agora também diretor, acaba se afundando em dívidas e consequentemente vai se tornando uma pessoa amarga em relação a vida e suas próprias frustrações. Em casa, por exemplo, sua relação fria com a mulher acaba se esgotando por completo e Valentin se vê sozinho, sem dinheiro, tendo que se desfazer dos seus bens para sobreviver e tudo isso sem muito reconhecimento por seu trabalho no passado, mostrando como tudo sempre foi tão efêmero (beijo Professor Tarcísio!, que é sempre de quem eu lembro quando uso essa palavra, rs) dentro dessa indústria que sempre movimentou milhões. O que nos faz lembrar de grandes atores que enlouquecem do dia para a noite por encarar o declínio em suas carreiras.

E sutilmente a expressão do ator vai ganhando mais peso, o seu corpo também, vai ficando mais pesado e o olhar de galã de antes, dá espaço para um homem enlouquecido e desesperado por não conseguir viver de suas paixões. Paixões dito no plural, por ele manter em segredo o seu interesse por Peppy, mesmo depois de estar separado da esposa, além do seu amor pelo cinema mudo, é claro.

O engraçado é que “The Artist”, apesar de ser uma produção francesa, conta também com atuações de atrizes e atores veteranos do cinema americano, como o John Goodman, Malcolm McDowell, Beth Grant e James Cromwell, esse último que aliás, tem um papel excelente de lealdade  na pele do motorista Clifton, que permanece ao lado do ator mesmo estando sem receber nada por mais de um ano. E a cena em que ele é despedido e mesmo assim, aparece no outro dia pronto para trabalhar, é uma das mais sensíveis do filme.

Outra das minhas cenas preferidas do filme é quando ainda no começo da sua carreira, durante o primeiro trabalho ao lado de George Valentin, Peppy Miller acaba invadindo o seu camarim e ensaia uma espécie de “mímica” com um de seus tux pendurados no cabideiro.

Discutindo um pouco agora sobre o tipo do filme, não deve ser nada fácil interpretar no cinema mudo, onde todo o trabalho está na linha dos olhos, na expressão corporal, onde vc não tem um recurso natural para se comunicar. E ambos os atores principais fazem um ótimo trabalho nessa área, onde em companhia da trilha sonora perfeita para cada cena, vc pouco sente falta da fala nesse caso, que é substituída vez ou outra por legendas. Algo que funciona também como um ótimo exercício de leitura labial, rs.

Mas como eu cheguei a esse ponto do filme sem mencionar a participação mais do que ilustre  e fundamental do grande coadjuvante em cena, o cachorro Uggie da raça Jack Russel Terrier em “The Artist”?

O cachorro realmente rouba a cena em diversos momentos do filme, com uma química fora do comum até, como o ator Jean Dujardin. Em um determinado momento do longa, ambos mantém a mesma expressão e gestos, de uma forma encantadora. Ele que tem um importante papel na vida do ator, que acaba funcionando com um dos seus grandes heróis nessa história, salvando a vida do seu dono no momento de um incêndio quase que fatal para ele.

A reta final do filme caminha para o desespero de um homem disposto a tudo, menos dar o braço a torcer, enfrentando o novo desafio em sua carreira, mesmo ganhando pelas mãos da Peppy Miller a possibilidade de voltar a atuar, desde que ele aceitasse as novas possibilidades no cinema. Nesse momento, eu já estava até cansado de pensar no porque que ele não aceitou entrar para o cinema com som e o porque de tanto terror em aceitar a evolução da arte que ele dizia amar? Não seria possível que todo esse drama fosse apenas para bater o pé e sustentar algo que ele acreditasse…até que, BANG!

Com um detalhe sensacional e que eu não vou contar aqui, tudo é explicado sutilmente no final 9talvez algumas pessoas nem percebam), após uma coreografia maravileeeandra de sapateado e o único momento com a voz dos atores no filme se fazendo presente. Sencacional! Clap² Clap² Clap²! (dessa vez duplos, pq são palmas e eu sapateando ao mesmo tempo, rs)

Com uma história simples, deliciosa e reflexiva, usando de uma técnica esquecida de se fazer cinema, “The Artist” se consagra como um filme audacioso, capaz de levar as pessoas as salas de cinema para assistir um filme mudo, isso em 2012 e todo o excesso de Kinoplex e sistemas de som super potentes  que nos cercam e tomaram conta de todos os cinemas antigos e de rua que hoje quase que já não existem mais (aqui em SP pelo menos, eu só conheço uns 2 que são do tipo que  passam filmes fundamento e não de sacanagem, rs), mostrando que é possível sim fazer cinema de qualidade sem recorrer aos recursos facilitadores e preguiçosos de Hollywood.

Ainda assim, preciso dizer que “Midnight In Paris” continua sendo o meu favorito ao Oscar do finde, mas confesso que se “The Artist” acabar levando o prêmio, embora a armação preta e grossa dos meus óculos entregue a minha torcida para o Woody Allen (armações que poderiam ser confundidas também na torcida do Scorsese), eu vou ficar bem feliz se o filme mudo e em preto e branco acabar levando o grande prêmio da noite.

Vou me sentir no mínimo vingado, por todos os outros filmes preguiça que ocupam espaços na salas de cinema o tempo todo, onde hoje em dia está cada vez mais difícil encontrar uma sala em horário descente para se assistir um filme sencaional como “The Artist”. Humpf!


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