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Frankenweenie + Wreck-it Ralph + ParaNorman

Março 8, 2013

Frankenweenie

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“Frankenweenie” tem cara de um sonho realizado do Tim Burton e quando um amigo realiza um sonho qualquer (e sim eu me sinto próximo daqueles que eu gosto, mesmo que eles não saibam exatamente da minha existência), a gente acaba ficando feliz por ele de qualquer jeito e muitas vezes, esse sentimento acaba contando muito mais do que a realização em si.

Um curta que estava adormecido desde 1984, querendo se tornar gente grande e que finalmente acabou ganhando essa chance. Somos apaixonados por ele desde os extras de “The Nightmare Before Christimas”, onde encontramos pela primeira vez, Victor e seu melhor amigo, um cachorro moribundo dos mais adoráveis possíveis.

Primeiro, é preciso dizer que não tem como não se apaixonar pelo universo do Tim Burton e toda a sua estranheza em cada um de seus trabalhos e o filme é exatamente mais um convite à sua imaginação (que é como eu gostaria que fosse todos os meus pesadelos). Tudo é muito bem cuidado, inclusive as esquisitices todas e peculiaridades de cada um daqueles personagens, assim como todo o universo que o diretor sempre acaba criando em seus projetos, que são todos lindíssimos e sempre nos despertam o sonho de viver no seu pesadelo. Sem contar o detalhe do filme ter sido realizado todo em preto e branco, utilizando características bem oldschool para o tipo, algo que certamente colaborou e muito para o fundamento do próprio. (e o time de dubladores ainda conta com nomes como a Catherine O’Hara, o Martin Short e a Winona Ryder)

E quem não gostaria de poder trazer de volta a vida aquele cachorrinho da infância, que acabamos nos despedindo em uma fase da vida onde normalmente ainda não estamos preparados ou pouco entendemos sobre o assunto? Nem vou contar para vocês sobre a morte do meu primeiro cachorro, porque ela foi bem trágica e poderia acabar facilmente com esse sonho em stop-motion. Mas esse na verdade poderia ser facilmente o sonho de qualquer criança que tenha perdido seu animal de estimação e por isso a ideia do filme funciona muito bem. Ainda mais que sabemos que todo esse fundamento “Frankenstein” não é de hoje que é sucesso garantido.

De qualquer forma, preciso dizer que apesar de ter ficado bem empolgado com tudo em relação ao filme (sempre quero todas as miniaturas de tudo do Tim Burton e ou de quase todas as outras animações), não cheguei exatamente a me empolgar na hora de assisti-lo. Acho que não preciso nem dizer o quanto eu gosto do diretor a essa altura para justificar qualquer coisa que eu venha a falar daqui para frente, mas fato é que “Frankenweenie” não conseguiu despertar muita coisa em mim.

Pensando em uma justificativa para tal, eu creditaria essa “decepção” inicial pelo fato do filme não se tratar de uma prequel do que vimos em “Corpse Bride” por exemplo, mesmo com todas as coincidências entre ambos (semelhanças físicas entre os personagens, seus nomes e inclusive alguns de seus animais). Até cheguei a imaginar que seria algo do tipo, mas na verdade essa não era a ideia de “Frankenweenie”, algo que pode ser justificada se pensarmos que essa provavelmente tenha sido uma das ideias mais antigas do diretor.

Mas mesmo assim, toda essa semelhança entre personagens e cenários acabou prejudicando seriamente o novo filme para o meu olhar. Não que eu não tenha conseguido enxergar os pontos altos dele, mas a sensação que fica é a de que já vimos e por mais de uma vez, algo muito semelhante com aquilo tudo e essa sensação consegue acabar facilmente com parte da graça. Tudo bem que tudo isso é uma questão de identidade e não é de hoje que nós somos completamente apaixonados por esse universo do próprio Tim Burton, mas talvez o filme funcionasse melhor se não fosse tão semelhante com algo que nós já conhecemos.

E entendam que eu sou do tipo que acha lindo quando reconhece que a cidade de plano de fundo de “Frankenweenie” é bem parecida com a que conhecemos em “Edwards Scissorhands” por exemplo ou aquelas árvores retorcida bem no estilo “The Nightmare Before Christimas” e esse tipo de referência ao próprio repertório do diretor eu acho sensacional. Mas manter algo tão semelhante soa como se o Tim Burton estivesse rodando atrás do próprio rabo, sem aquela vontade de nos introduzir um universo realmente novo (como ele fez lindamente em “Alice In Wonderland”) ou pelo menos revisitando tudo aquilo que já saiu da sua cabeça no passado, só que de outra forma.

Mesmo assim, vale a pena assistir por todo o seu fundamento (e acho sensacional como as crianças adoram esse tipo de universo e nem chegam a se assustar com tamanha esquisitice, tão pouco com a experiência de assistir algo em preto e branco por exemplo, que em nada faz parte da realidade ou costume deles) e como eu bem já disse no início dessa review, se o nosso amigo está feliz, é isso que importa.

 

 

Wreck-it Ralph

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Aceito doações de Kit Kats e M&Ms de pasta de amendoim e ou coco (meus preferidos. AMO!) para construir o meu próprio carro de corrida e me mudar imediatamente para Sugar Rush. Sério, podem começar a me enviar!

Eu não sei onde é que eu estava com a cabeça que não tinha assistido “Wreck-It Ralph” ainda (do diretor Rich Moore, que já trabalhou em Os Simpsons, Futurama). Shame on me. Na verdade, eu bem sei e a minha cabeça estava ocupada com a dificuldade de se encontrar animações em versões legendadas por aí, mesmo em sessões a noite e em uma cidade cheia de opções como SP.

O filme que traz o vilão de um jogo de videogame tentando ser bonzinho, é realmente umas das animações mais bacanas dos últimos tempos e eu acho uma pena ele não ter feito tanto sucesso por aqui como se imaginava. (não sei se em todo mundo aconteceu a mesma coisa, mas o que eu sei é que já foi confirmada uma sequência e na qual dizem que teremos a participação do Mario. Que Mario? Aquele que… que é encanador mesmo, rs)

Na verdade, até imagino que isso tenha acontecido devido a uma questão simples do público vs suas várias referências a jogos de outras épocas que nós, jovens mais velhos e adeptos de um bom console (ok trocamos uma letra nessa última line e partimos para uma conversa totalmente diferente, hein? rs), conhecemos bem. Certamente, quem tem algum conhecimento ou vivência dentro desse universo, deve ter aproveitado muito mais a experiência, que de qualquer forma, funciona muito bem de qualquer jeito, pelo volume de coisas brilhantes, saltitantes e linguagem gamer que o filme carrega deliciosamente.

Da reunião dos vilões que estão “cansados” de ser apenas os malvados da história até as aventuras do grandalhão ruivo (mais um para a nossa coleção de ruivos queridos do ♥) tentando provar a todos que apesar do seu trabalho dentro do jogo, ele também era uma cara bem bacana e merecia ser da turma como todos os outros mocinhos da história.

Nessa hora inclusive, eu achei que o roteiro do filme acabou fazendo toda a diferença, porque a história é realmente encantadora, não só por tudo que eu já descrevi até agora mas também porque ela é muito bem escrita, cheia de reviravoltas e uma profundidade que não estamos muito acostumados a encontrar dentro do gênero. Pelo menos não dessa forma intensa e leve mesmo tempo. E tudo fica ainda mais especial quando Ralph, que é um brutamontes de mãos e pesadas, vai acabar em um mundo colorido e todo fofinho (onde eu poderia morar facilmente) e nessa viagem, ele acaba ganhando a companhia da adorável Vanellope, que nada mais é do que um bug do jogo e que por isso não é muito bem aceita pelas mean girls da região açucarada, que são todas umas foufas totalmente amargas por sinal.

A relação que ambos vão criando é adorável, uma identificação quase que imediata por se tratar exatamente de dois underdogs que não são nada bem vindos dentro de seus próprios universos. Universos esses que são sensacionais, com o Raplh vivendo em um game oldschool no melhor estilo 8-bit e Vanellope fazendo parte de um jogo mais contemporâneo de corrida de carros dentro de um universo que mais parece um sonho de coisas gostosas e fofinhas. Sério, tudo dentro desse universo é muito foufo e poderia ser um item de decoração da minha própria casa. Sério mesmo, rs. (gosto muito mais desse tipo de jogo. Porque será? rs)

Com uma referência visual absurda, o filme embarca em uma excelente proposta dentro do mundo dos games, criando um universo próprio por trás das telas, seguindo uma escola bem “Toy Story” de ser, daquele tip que a brincadeira nunca termina e que todos os seus personagens tem uma vida própria quando não estão em suas funções, divertindo quem quer que seja. Eles viajando de um game para o outro, entrando em territórios que não pertencem, encontrando jogos poderosos e ultra modernos, outros já descontinuados e na sarjeta (muito triste, tadinhos!) e morrendo de medo de apresentar algum defeito para que seus jogos não acabem na manutenção ou sejam desligados de uma vez por todas, também são detalhes super bacanas para esse universo que além de ser um novidade, foi realmente muito bem construído e é uma delícia deliciosa de ser ver.

Isso sem contar o time de dubladores oficiais da animação, como nomes como John C. Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Jane Lynch, Mindy Kaling, Ed O’Neill, todos eles uma delícia de ir reconhecendo aos poucos enquanto seus respectivos personagens vão fazendo suas entradas no longa. Me disseram que na versão dublada, a voz da Vanellope acabou ficando por conta da Mari Moon e eu só não lamento que as crianças tenham sido obrigadas a viver essa experiência porque elas não sabem exatamente de quem se trata, mas desde já me solidarizo com seus pais. #StayStrong! (rs, embora o Felix tenha ficado por conta do excelente Rafael Cortez)

O final do filme também é bastante especial e eu juro que cheguei a ficar comovido (tá, eu chorei mesmo ou talvez fosse o meu corpo expulsando todo o açúcar ingerido de uma forma mais criativa. Vai saber…) com todas aquelas resoluções, principalmente com a história de ambos poderem se ver de dentro dos seus jogos durante o dia e tudo mais. E vale a pena assistir até os créditos finais, que tem todo um fundamento baseado na tipografia de games que nós bem conhecemos e que é uma delícia a parte. (até o logo da Disney entra com defeito e se mistura com o Pac-Man no final, howcoolisthat?)

Embora tudo isso, devido a todas as referências de jogos antigos e o mundo do fliperama não ser mais como as crianças estão acostumadas a encontrar seus jogos atualmente, talvez o filme acabe agradando muito mais os próprios pais mesmo. Mas tenho certeza que todo aquele visual maravileeeadro, com todas aquelas luzes e aquela quantidade de coisas fofinhas na tela deve ter deixado toda uma nova geração encantada ou no mínimo hipnotizada.

Eu terminei de assistir o filme tendo praticamente a minha own Sugar Rush. Sério. #YOUWIN

 

 

ParaNorman

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Uma animação infantil paranormal e que ainda é recheada de zombies por todos os lados. #TEMCOMONAOAMAR?

Não, realmente não tem como não amar “ParaNorman” (dirigido por Chris Butler – que trabalhou em “Coraline” e “Corpse Bride” e Sam Fell- que trabalhou em “Flushed Away” e “The Tale of Despereaux”) que apesar de ser uma animação infantil, traz alguns temas de forma bastante corajosa para um público que não está acostumado a receber esse tipo de opção.

O filme gira em torno do menino Norman, que é uma paranormal que consegue ver e se comunicar com os mortos. Sim, começamos o filme já levando esse susto, com ele conversando normalmente com a avó (que tem a voz da atriz Elaine Stritch, que para quem não se lembra, era a mãe do Jack em 30 Rock e a animação ainda conta com a nomes com o da Anna Kendrick, Casey Affleck e o John Goodman) sentada no sofá da sala da família e que logo na sequência, descobrimos tratar-se de um fantasma. BOO!

Dentro desse universo e brincando de forma bem bacana com o lado de lá, passamos a observar o dia a dia desse garoto, que obviamente não é dos mais fáceis, por todos de sua cidade estarem ciente desse seu dom e a sua própria família não conseguir entender muito bem esse seu pequeno issue. Muito bacana aquela cena de transição, onde observamos o garoto caminhando sozinho pela rua, falando sozinho, cumprimentando pessoas que não podemos ver (quer dizer, eu pelo menos não consigo e isso graças a Cher, porque esse seria um pesado demais para mim. Amém) e logo em seguida, ganhamos uma visão do mundo através do olhar do próprio Norman, com fantasmas aparecendo por todos os lados, se comunicando e inclusive fazendo piadas ótimas com os motivos de suas mortes.

Nesse detalhe, o filme emprega uma honestidade absurda, ainda mais tratando-se de um universo infantil, onde os mortos vivos no mundo de Norman são vistos exatamente da exata forma que morreram e não simplesmente como eram enquanto vivos. Lindo que dentro desse universo, até os animais acabaram ganhando o seu espaço. Em um determinado ponto do filme, eles inclusive chegam a dar uma pequena explicação, do tipo fácil de se entender (pensando em uma fácil compreensão para as crianças), sobre o assunto do porque apenas alguns dos mortos estarem perambulando pelos quatro cantos.

Aficionado pelo universo dos mortos vivos, o quarto do menino é repleto de detalhes sensacionais e tudo dentro da temática zombie. Pantufas, luminárias, escova de dentes, posters forrando uma parede quase que por completo, tudo é sensacional e tem alguma informação desse universo. E encontrar isso tudo dentro de uma animação, acabou deixando esse universo ainda mais especial (e foufo) para o próprio longa.

Acostumado a viver sozinho porque ninguém vê com bons olhos a paranormalidade do garoto, Nornam acaba ganhando um amigo para compartilhar suas esquisitices, Neil, que é um gordinho ruivos dos mais foufos ever (mais um ruivo para nossa coleção e até agora eu estou querendo uma miniatura dele vestido de árvore. Alguém sabe onde vende? rs). Sério, o personagem é infinitamente adorável e em determinado momento do filme, faz um discurso super bem humorado sobre bullying, apresentando uma forma mais leve e bem humorada de se aprender a lidar com ele.

A animação também foi toda feita em stop-motion, mas nesse caso, diferente do que encontramos em “Frankenweenie” e a opção por aqui provavelmente foi a de dar uma modernizada no modo de se fazer algo do gênero. Detalhes, texturas, cabelos, tudo é absurdo dentro desse contexto em “ParaNorman”, além de lindo visualmente. Sem contar que por se tratar de uma história que circula dentro de um universo “assustador”, apesar de ter seus momentos de pequena tensão ou susto, tudo na verdade acaba sendo adorável, inclusive os próprios zombies.

Outro detalhe importante no longa além da história (que gira em torno da tarefa de Norman de quebrar uma maldição dentro da sua cidade), é o tipo de humor encontrado no filme, que realmente é bem especial e divertidíssimo. Acho sensacional a naturalidade  com que o irmão do Neil acaba revelando que é gay no final do filme por exemplo, um detalhe que acaba emprestando uma honestidade ainda maior para o seu tom, que conversa muito bem sobre assuntos não tão comuns para o universo infantil e isso com a maior naturalidade possível, sem rodeios e falando diretamente para crianças. (inclusive na questão sobrenatural, que é o plot central da história)

E todo essa honestidade encontrada na animação além do assunto nada comum para o gênero, “ParaNorman” acaba se destacando facilmente das demais animações mais recentes, mostrando que com criatividade e histórias novas, ainda conseguimos nos encantar com universos que já visitamos outras vezes e ou de outras formas. (sem querer mandar recado para ninguém, mas já mandando um especialmente para o Tim Burton)

Isso sem contar que a animação ainda terminada de forma super divertida, com os créditos em uma tipografia bem trash, velha conhecida do gênero do terror antigo e ao som da excelente “Little Ghost” do The White Stripes. Eu não consegui me conter e já fui logo sacando as baquetas da bolsa. Sempre acabo achando que esse tipo de situação é um típico convite para um dueto, rs (para todos os pais baterem o pé no ritmo da música no final, rs)

 

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Argo

Fevereiro 22, 2013

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Ben Affleck rises.

Irã em conflito, interno e externo (sempre), americanos em pé de guerra com o mundo, sempre envolvidos com questões relacionadas ao petróleo do lado de lá (também sempre), morrendo de medo dos soviéticos e dependendo única e exclusivamente do Canada para livrar a sua pele dessa vez. Aparentemente, “Argo” pode até parecer um filme politico como qualquer outro do gênero, mas ele vai muito além disso e caminha livremente dentro do drama, do suspense e até da comédia, surpreendentemente sem fazer feio em nenhum deles e acreditem, Ben Affleck conseguiu nos entregar uma excelente história através do seu olhar de diretor, talvez realmente a melhor delas esse ano, da forma certa e com a turma certa para contá-la.

Ben que quase nunca foi levado a sério e já apanhou muito em sua carreira desde o começo, algumas vezes merecidamente devido a suas escolhas ou entregas do passado, sejamos justos, mas outras vezes por pura implicância ou intolerância. Sim, o mundo torce o nariz para o bonitão que resolve provar que pode ser mais que apenas isso ao invés de encorajar os que aparentemente tem algum talento para isso ou frear aqueles que parecem ter perdido o controle de suas próprias limitações (rs). As portas se abrem facilmente para o rostinho bonito da vez, mas para mantê-las abertas, algumas vezes chega a ser duas ou três vezes mais difícil e apenas os mais fortes sobrevivem. Fortes no sentido de talento e isso acabamos descobrindo com o tempo que aquele jovem garoto que já ganhou um Oscar como roteirista tem de sobra, ainda mais chegando nesse ponto da sua vida, calmo, agora pai de família, uma família linda por sinal para a qual ele faz questão de dedicar o seu melhor trabalho nos créditos finais do mesmo. (#TEMCOMONAOAMAR?)

Sim, “Argo” é um filme excelente e por diversos motivos diferentes. A começar pela sua história verídica com ares de ficção, como se estivéssemos de fato assistindo apenas a mais uma criação de Hollywood para o mundo do entretenimento. Hollywood que se faz presente de um jeito importante no filme, de forma deliciosa, extremamente debochada, rindo da sua própria desgraça e é parte fundamental para o desenrolar desse plot do espião que acabou fazendo história devido ao seu talento (e muita coragem quando necessário, algo que naturalmente esperamos desse tipo de perfil, mas que nem sempre pode ser a realidade) e mais do que isso, imaginação para bolar um plano tão sensacional e ao mesmo tão fantasioso como esse.

Retirar seis reféns de um pais como o Irã, naquela época (e talvez até hoje) odiando os USA como nunca, não seria tarefa fácil para nenhum país. A princípio, surge uma ideia ridícula da força tarefa da CIA responsável pelo caso de tentar fazer com que eles cruzem a fronteira de bicicleta, como se fosse muito simples pedalar por quilômetros em um território onde rostos americanos nunca foram muito bem vistos. Até que Tony Mendez (Ben Affleck), o grande e verdadeiro herói dessa história toda, em uma simples conversa com o filho ao telefone enquanto eles assistiam a distância a “A Batalha do Planeta dos Macacos”, tem a brilhante ideia de envolver Hollywood para tornar aquele fuga possível, planejando um  filme de Sci-Fi de mentira, que serviria como o disfarce perfeito para garantir a liberdade daquelas pessoas. Claro que nessa hora, é possível pensar que o próprio Ben Affleck poderia ter deixado seu ego de lado ao optar por interpretar o grande herói da história, mas ao mesmo tempo, colocar-se naquela posição talvez seja a sua forma de dizer que ele não está querendo abandonar isso para seguir com aquilo e pretende manter os dois enquanto houver espaço. Sem contar que a sua atuação no filme está bem correta e ultimamente (talvez desde sempre), temos visto atores muito, mas muito piores, se tornando nomes de destaque em Hollywood, por isso não temos do que reclamar e talvez a crítica tenha sido megabitch demais com eles ao longo desses anos.

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Mas é claro também que um plano mirabolante como esse precisava das pessoas certas para ter alguma chance de dar certo, profissionais reais da industria do cinema que estivessem dispostos a colaborar secretamente com o plano de resgate cinematográfico, forjando toda uma produção em nome de uma tentativa super arriscada que tinha tudo para não dar certo desde o começo. E é claro que nessa hora, Hollywood se deixou ser usada para contar mais essa história sensacional, ainda mais tendo ela personagens reais que poderiam encontrar nessa a sua única chance de se verem livres novamente.

Nesse momento ganhamos dois ótimos personagens para o filme, o responsável pela criação das mascaras utilizadas em “Planetas dos Macacos”, o artista John Chambers (especialmente interpretado pelo ator John Goodman) e o produtor de sucesso Lester Siegel, que ganha vida através da interpretação deliciosa do ator Alan Arkin, que está impossível no filme, com seu texto afiadíssimo e um humor extremamente de bom gosto e exatamente na medida para o alívio cômico da trama.

E para contar essa história tão bem, Ben Affleck precisava do elenco certo, algo que ele consegui acertar em cheio, trazendo alguns rostos bem conhecidos de todos nós das séries de TV para se juntarem a esses grandes veteranos do cinema, como o Bryan Cranston (Breaking Bad), Victor Garber (participação sempre afetiva e que nós AMAMOS desde Alias e exatamente por Alias), Tate Donovan (Damages), Clea DuVall (Carnivale), Kyle Chandler (Friday Night Lights) Zeljko Ivanek (True Blood e também Damages), Titus Welliver (Lost), Chris Messina (The Newsroom, The Mindy Project e segundo o BuzzFeed, quase tudo na TV ou no cinema atual, rs) além de vários outros em participações menores.

Principalmente através desses dois personagens envolvidos com a indústria do cinema, acabamos ganhando momentos excelentes de puro cinismo, recheado com o que podemos chamar de “Hollywood talk”, com ambos debochando de um indústria que conhecem como ninguém, algo que acaba dando um certo toque especial para “Argo”, que apesar de todo o clima de suspense e tensão do filme, consegue ser leve e até mesmo bem cretino ao mesmo tempo, quando decide não se levar muito a sério e debochar de quem comanda isso tudo. #TEMCOMONAOAMAR quando em uma conversa com o personagem de Goodman, Affleck questionando se é possível transformar qualquer um em diretor do dia para a noite, temos o próprio Goodman respondendo que não só é possível, como Hollywood faz isso o tempo todo. Ou quando Affleck pede para que o seu personagem seja feito de produtor dentro do plano e Goodman responde que com aquela cara, no máximo ele passaria como um co-produtor e nada mais que isso. Sério, um cinismo sensacional!

E o equilíbrio que eles conseguiram encontrar dentro do longa para passar ambos os lados da situação, tanto quanto os absurdos de um mundo de mentiras em Hollywood até a parte séria daquela situação toda, como o conflito se agravando cada vez mais no Irã no final da década de 70 e começo de 80 (com uma caracterização bem bacana, inclusive), em um mix de imagens reais cedidas pela TV com as produzidas para filme, também acabou sendo super importante para dar maior credibilidade para aquela história, que apesar de se tratar de uma fantasia dentro de uma outra fantasia, também precisa encontrar alguma dignidade para ser contada de forma interessante.

Um ótimo exemplo de como eles conseguiram isso foi aquela cena em que uma mulher no Irã estava fazendo uma declaração para a imprensa em inglês, afirmando que eles não serão mais tolerantes em relação àqueles americanos mantidos como reféns por lá e ao mesmo tempo, em um cenário luxuoso das festas e eventos típicos de Hollywood, os envolvidos no projeto estão fazendo um grande teatro, exibindo as fantasias do tal filme Sci-Fi para atrair a imprensa em uma leitura aberta do script (que é negociado de forma brilhante pelo diretor, novamente mostrando um lado do business dessa indústria que nós não estamos acostumados a ver). Entre as fantasias encontramos de tudo, de heróis a mocinha indefesas com pouca roupa (sempre aquela preguiça que se repete mesmo quando elas não são mocinhas indefesas e sãos as heroínas  Humpf!), até um wannabe Chewbacca e um robô possivelmente inspirado no Cybermen de Doctor Who. (sério, achei igual)

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Aliás, esse lado Sci-Fi da história também é tratado de foma decente, com uma série de referências e inclusive menções aos clássicos Star Wars e Star Trek, que naquela época, estavam dominando quase que completamente a industria cinematográfica. Sem contar as action figures vintages que acabam aparecendo no filme, no quarto do filho do Tony Mendez, que são todas altamente desejáveis, além dos detalhes dos storyboards do filme dentro do filme, “Argo” (título de um dos roteiros que eles encontraram que tratava de um plot Sci-Fi em pleno Oriente Médio, que era exatamente do que eles precisavam), que são excepcionais e tem uma função bacana dentro da história acima de tudo. (e OK Tony, eu também teria guardado um deles, só não sei se seria para o meu filho, rs)

Enquanto tudo isso acontece na parte fictícia da história, os seis fugitivos que conseguiram escapar do ataque violento a embaixada (ilustrado no começo do filme com uma narração lenta, mas que lembra muito o estilo adotado na época), que resultou em uma série de vítimas feitas como reféns pelo povo local, esses seis conseguiram ganhar refúgio através de um diplomata canadense, que acaba arriscando a própria cabeça ao acolher aquelas pessoas que passaram dias na sua casa, sem poder colocar a cara para fora. Eles que até então achavam que ninguém sabia da sua existência no pais e não contavam com uma equipe gigantesca de homens e mulheres e principalmente crianças locais, montando um verdadeiro quebra cabeças de papel picado (que eles mesmos tentaram destruir antes da invasão na embaixada, para não deixar nenhum vestígio ou prova do que faziam por ali), na tentativa de identificar quem eram aquelas pessoas e quais eram as suas intenções. Sério, uma operação assustadora de tão minuciosa e simplesmente deixada nas mãos de crianças, que não poderiam ser figuras melhores para resolver aquele grande quebra cabeças.

“Argo” também conta com um ritmo interessante para contar essa história, que apesar do conflito político, não chega a ficar nada arrastado ou qualquer coisa do tipo. Isso além da praticidade com que eles resolveram explorar todos os seus plots, porque o filme tem apenas quase duas horas de duração, o que não poderia ser mais adequado, umas vez que eles conseguiram se resolver muito bem sem se complicar dentro da sua proposta. E a visão do Ben Affleck como diretor também começa a ficar mais forte, com planos mais interessantes dos cenários, principalmente quando em outras terras, como na Turquia por exemplo ou no próprio Irã, quando ele faz questão de mostrar um corpo enforcado em praça pública, além de mostrar que a questão cultural apesar de extremamente diferente, também pode ser bem próxima, mostrando pessoas locais comendo no Kentucky Fried Chicken (naquela época, ainda não era apenas KFC e teve uma piada bem boa sobre esse assunto recentemente em uma série qualquer que eu não me recordo bem qual agora…). Isso sem contar os cortes do filme, a forma de ilustrar uma conversa com frames de storyboards (simples, mas ainda eficaz e apropriada para a época em que o filme se passava), assim como as cenas de conflito, todas muito bem realizadas e ou encaixadas (no caso das cenas reais). E tudo isso somado a todos os outros atributos do filme (a história, o ritmo, o elenco certo) faz com que a sua qualidade se torne indiscutível.

Apesar de tudo isso, é preciso lembrar que “Argo” é um filme de suspense e isso eles fazem questão de refrescar a nossa memória perto do final, quando essa sensação de suspense vai se agravando, exatamente quando chega a hora de enganar o mundo com a tal equipe de filmagens fictícia e ao mesmo tempo o cerco vai se fechando em relação as suspeitas de que os seis fugitivos estavam na casa do diplomata. Aquela caminhada da equipe no grande mercado local para dar credibilidade ao plano é extremamente apavorante, principalmente quando um dos comerciantes resolve criar caso por conta de uma simples foto, algo que acaba gerando uma confusão que poderia ter tomado grandes proporções devido ao calor humano e ódio em relação aos americanos encontrados por lá.

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Claro que perto do fim, algo precisava acontecer para tentar acabar com aquele plano mirabolante e nesse caso, tudo acabou quase não acontecendo graças as ordens vindas diretamente dos USA, com medo de serem ridicularizados devido ao plano envolvendo uma grande mentira como essa e resolvendo assumir o risco de colocar aquelas 6 pessoas para morrerem como heróis, pura e simplesmente por uma história melhor para contar para o resto do mundo. Em pensar que isso deve acontecer a todo momento, não só com eles, e nós nem ficamos sabendo. (esse caso inclusive era confidencial até pouco tempo e só se tornou público através do mandato do ex presidente Bill Clinton)

Mas em termos de tensão e agonia, nada supera aquela reta final da história, com Tony Mendez contrariando suas ordens e se arriscando mesmo assim a tentar trazer os seis de volta à America antiga seguindo seu plano, algo que não teria dado certo se o seu chefe, Jack O’Donnell (Bryan Cranston), não tivesse comprado a ideia de qualquer forma, contrariando as ordens de seus superiores e assumindo o risco. Aquela sequência com todos eles encarando a inspeção no aeroporto, não sendo tratados muito bem, colocados naquela salinha de espera pavorosa, tendo que se comunicar em uma língua que muitos não conheciam (aliás, um detalhe importante no filme é que eles não fazem questão de traduzir outros idiomas, justamente para dar uma impressão mais próxima do desespero que é esse se encontrar envolvido em uma situação com esse tipo de falha de comunicação) até o momento em que finalmente todos eles conseguem embarcar, ouvindo já no avião que agora que não estavam mais em solo do Irã, as bebidas estavam liberadas. (sem contar aquela corridinha dos carros de polícia e milicia vs avião em plena pista de voo, que foi sensacionalmente aflitiva até o momento em que vimos o avião finalmente deixar de tocar o solo)

Um final espetacular, digno de Hollywood e acima de tudo, digno de toda essa atenção que o filme acabou recebendo recentemente, sendo indicado em todas as premiações (levando quase todas elas) e consagrando o Ben Affleck como o grande diretor do ano, que ele, mesmo com uma concorrência de nomes fortíssimos e consagrados como Spielberg, Ang Lee, David O. Russell vem conseguindo surpreendentemente roubar a cena de todos eles durante as últimas premiações do cinema, algo que Affleck não vai ter a chance de fazer no Oscar 2013, pelo menos não como diretor, porque acabou não sendo indicado em mais um daqueles casos de pura implicância/injustiça. É claro que no final do longa, todos eles acabaram recebendo as mais altas condecorações do serviço secreto americano, isso sem poder fazer nenhum alarde, por se tratar de uma história extremamente confidencial e tendo que amargar o Canada recebendo todas as honras de grande herói da vez, além da libertação das vitimas mantidas como reféns após 444 dias de cativeiro.

Por todos esses motivos, “Argo” pode e deve ser considerado como um grande filme, o melhor deles para esse ano, porque com uma reunião tão bacana entre elenco e uma história sensacional como essa, não temos como contestar a grandeza do filme, que consegue te prender facilmente do início ao fim, sem o menor custo. Claro que em meio a tudo isso, temos que ressaltar o trabalho de diretor do Ben Affleck, que apesar de ter o ouro nas mãos nesse caso, poderia não ter escolhido a melhor forma de retratar essa história, mas isso ele não fez e acabou assim conseguindo a sua grande redenção, entregando paro mundo do entretenimento o seu melhor trabalho, esse que talvez seja e merecidamente, o melhor trabalho do ano nessa industria que não costumava lhe tratar muito bem. E ao que tudo indica, essa situação está prestes a mudar ainda mais. Clap Clap Clap!

E por esse motivo, ficaremos todos felizes caso seja você quem suba naquele palco no próximo domingo (todos live no Twitter comigo, sim e ou com certeza), com as mãos rabiscadas pelas filhas e tudo mais. (♥)

A propósito, preciso dizer antes de encerrar que howcoolisthat que exatamente esse filme tenha sido realizado (ainda mais dessa forma) pelo marido da  Sydney Bristow, hein? Coincidência?

Argo fuck yourself! (nesse caso significando boa sorte)

 

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Mr White mostrando que também sabe ser adorkable

Outubro 18, 2012

#TEMCOMONAOAMAR o atrevimento do Bryan Cranston para cima do Mr White John Goodman na premiere de “Argo” em London?

Não, não tem. (♥)

 

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Argo, o trailer

Maio 10, 2012

Filme novo com direção do Ben Affleck, que tem muita gente boa no elenco viu? (Bryan Cranston, John Goodman)

Acho que está na hora do povo parar um pouco de pegar no pé dele… sabe deixar o preconceito de lado?

Achei o trailer bem bom. Vou ver!

A nostalgia em preto e branco de The Artist

Fevereiro 24, 2012

Um filme lindamente nostálgico. Talvez não tenha melhor definição para descrever “The Artist”, produção independente francesa, dirigida por Michel Hazanavicius, em preto e branco e quase inteiro mudo, e que se não fosse por esse detalhe, o de ser um filme quase que inteiro mudo, “The Artist” seria apenas um outro filme qualquer seguindo a linha do fundamento antigo do cinema.

Mas será possível fazer cinema hoje em dia, sem utilizar dos grandes recursos tecnológicos de Hollywood?

E a resposta é SIM (em caixa alta + bold), é possível fazer cinema com qualidade abrindo mão de todos os recursos tecnológicos que nós temos hoje em dia,  e sapateando lindamente na nossa cara, “The Artist” chega dando muito bem o seu recado e de cera forma até acaba colaborando para que todo mundo comece a pensar, pelo menos um pouco, na velocidade dos avanços que hoje nós enfrentamos quase que diariamente. (…)

O filme se passa entre as décadas de 20 e 30 e com isso ganhamos todo o charme e o romantismo de uma época que não vivemos (mas adoraríamos dar umas voltinhas por lá, não é mesmo Woody Allen? 20’s, junto com os 70’s,  sempre foram as minhas décadas preferidas). Figurinos sensacionais, extremamente românticos, chapéus deliciosos e um tipo de beleza feminina que hoje em dia quase que não se é mais valorizada. Algo que eu pelo menos considero uma pena.

No longa, temos o personagem George Valentin, interpretado maravilhosamente pelo ator Jean Dujardin, que já vem de fábrica francesa com essa cara pronta de galã antigo (Höy!) e todo o seu talento demonstrado no longa justifica e muito todas as suas indicações aos grandes prêmios do cinema desse ano. No longa, Valentin é um ator do cinema mudo em bastante evidência durante os anos 20, cercado do sucesso e dos benefícios que a fama de ser um grande astro naquela época pode lhe trazer.

Ao final da década, um grande avanço acontece na indústria do cinema com a chegada do som, uma novidade que viria para acabar inevitavelmente com o cinema mudo. O ator, conhecido por ser o grande representante dessa arte agora já considerada obsoleta pelos grandes diretores e investidores do cinema, acaba rejeitando completamente a novidade, tirando sarro do assunto e não aceitando nada bem essa novidade e com isso, acaba também se tornando um ator decadente entrando em esquecimento por não ser mais nenhuma novidade, encarando o fato do seu tempo já ter passado.

No meio desse drama todo de encarar a evolução, o que nunca é fácil para ninguém (e para isso, podemos pensar um pouco em como os nossos avós se sentem vivendo no mundo cada vez mais eletrônico de hoje em dia, por exemplo…) temos ainda uma personagem em destaque, Peppy Miller (Bérénice Bejo), uma aspirante a atriz que acaba entrando sem querer na vida de Valentin, com quem ela acaba trabalhando uma única vez no cinema. Entre inúmeros takes e ensaiando uma coreô animada de charleston nesse único trabalho dos dois juntos, eles acabam se envolvendo e se apaixonando, mesmo sem se declarar abertamente uma para o outro, além do que, Valentin é um homem casado.

E enquanto George Valentin continua insistindo em não se render ao poder do som da indústria do cinema, Peppy Miller acaba ganhando espaço na nova forma de se fazer filmes, fechando contrato com o antigo estúdio de Valentin, tendo o seu nome subindo aos poucos nos créditos dos filmes, de extra a coadjuvante a atriz principal  (detalhe que eu achei delicioso) e se tornando em pouco tempo, a nova queridinha da america antiga.

Bacana que para mostrar esse evolução, eles acabam utilizando o recurso do sonho (pesadelo na verdade), para mostrar que o mundo todo agora pode ser ouvido. Para isso, a trilha sonora que é tão presente no longa quase todo (como na maioria dos filmes do cinema mudo) acaba ficando de lado, dando espaço para o barulho do vidro tocando a mesa, o latido do cachorro, gargalhadas de bailarinas que circulam pela vizinhança ou até mesmo o barulho de uma pena caindo do céu. Outro detalhe importante para determinar a passagem do tempo no filme, são os cartazes da atriz Peppy Miller em suas produções, capas de revistas e outdoors que vão surgindo para demonstrar como ela está fazendo um grande sucesso naquele período, o que é uma delícia para quem estudou um pouquinho que seja de história da arte, do design ou tipografia por exemplo.

Peppy é uma mulher a frente do seu tempo, ousada, focada em sua carreira, ela acaba conseguindo todo o sucesso que merecia, com uma pequena ajudinha de Valentin até (brilhante essa ajuda, que acaba trazendo a tona uma lenda antiga que nós conhecemos), mas não sem antes magoar o seu grande amor, mesmo sem ser essa a sua intenção, com um entrevista dizendo que os velhos atores deveriam abrir espaço para a nova geração.

Valentin por sua vez, apesar de ser cabeça dura em relação as mudanças e insistir no seu fundamento, acaba tentando resistir bravamente as novas técnologias e passa a escrever, dirigir e atuar em suas próprias produções, tentando manter viva uma arte que já estava sendo esquecida.

Mas é claro que o interesse das pessoas já não é mais o mesmo e encarando os cinemas cada vez mais vazios para os seus filmes ainda mudos, o ator agora também diretor, acaba se afundando em dívidas e consequentemente vai se tornando uma pessoa amarga em relação a vida e suas próprias frustrações. Em casa, por exemplo, sua relação fria com a mulher acaba se esgotando por completo e Valentin se vê sozinho, sem dinheiro, tendo que se desfazer dos seus bens para sobreviver e tudo isso sem muito reconhecimento por seu trabalho no passado, mostrando como tudo sempre foi tão efêmero (beijo Professor Tarcísio!, que é sempre de quem eu lembro quando uso essa palavra, rs) dentro dessa indústria que sempre movimentou milhões. O que nos faz lembrar de grandes atores que enlouquecem do dia para a noite por encarar o declínio em suas carreiras.

E sutilmente a expressão do ator vai ganhando mais peso, o seu corpo também, vai ficando mais pesado e o olhar de galã de antes, dá espaço para um homem enlouquecido e desesperado por não conseguir viver de suas paixões. Paixões dito no plural, por ele manter em segredo o seu interesse por Peppy, mesmo depois de estar separado da esposa, além do seu amor pelo cinema mudo, é claro.

O engraçado é que “The Artist”, apesar de ser uma produção francesa, conta também com atuações de atrizes e atores veteranos do cinema americano, como o John Goodman, Malcolm McDowell, Beth Grant e James Cromwell, esse último que aliás, tem um papel excelente de lealdade  na pele do motorista Clifton, que permanece ao lado do ator mesmo estando sem receber nada por mais de um ano. E a cena em que ele é despedido e mesmo assim, aparece no outro dia pronto para trabalhar, é uma das mais sensíveis do filme.

Outra das minhas cenas preferidas do filme é quando ainda no começo da sua carreira, durante o primeiro trabalho ao lado de George Valentin, Peppy Miller acaba invadindo o seu camarim e ensaia uma espécie de “mímica” com um de seus tux pendurados no cabideiro.

Discutindo um pouco agora sobre o tipo do filme, não deve ser nada fácil interpretar no cinema mudo, onde todo o trabalho está na linha dos olhos, na expressão corporal, onde vc não tem um recurso natural para se comunicar. E ambos os atores principais fazem um ótimo trabalho nessa área, onde em companhia da trilha sonora perfeita para cada cena, vc pouco sente falta da fala nesse caso, que é substituída vez ou outra por legendas. Algo que funciona também como um ótimo exercício de leitura labial, rs.

Mas como eu cheguei a esse ponto do filme sem mencionar a participação mais do que ilustre  e fundamental do grande coadjuvante em cena, o cachorro Uggie da raça Jack Russel Terrier em “The Artist”?

O cachorro realmente rouba a cena em diversos momentos do filme, com uma química fora do comum até, como o ator Jean Dujardin. Em um determinado momento do longa, ambos mantém a mesma expressão e gestos, de uma forma encantadora. Ele que tem um importante papel na vida do ator, que acaba funcionando com um dos seus grandes heróis nessa história, salvando a vida do seu dono no momento de um incêndio quase que fatal para ele.

A reta final do filme caminha para o desespero de um homem disposto a tudo, menos dar o braço a torcer, enfrentando o novo desafio em sua carreira, mesmo ganhando pelas mãos da Peppy Miller a possibilidade de voltar a atuar, desde que ele aceitasse as novas possibilidades no cinema. Nesse momento, eu já estava até cansado de pensar no porque que ele não aceitou entrar para o cinema com som e o porque de tanto terror em aceitar a evolução da arte que ele dizia amar? Não seria possível que todo esse drama fosse apenas para bater o pé e sustentar algo que ele acreditasse…até que, BANG!

Com um detalhe sensacional e que eu não vou contar aqui, tudo é explicado sutilmente no final 9talvez algumas pessoas nem percebam), após uma coreografia maravileeeandra de sapateado e o único momento com a voz dos atores no filme se fazendo presente. Sencacional! Clap² Clap² Clap²! (dessa vez duplos, pq são palmas e eu sapateando ao mesmo tempo, rs)

Com uma história simples, deliciosa e reflexiva, usando de uma técnica esquecida de se fazer cinema, “The Artist” se consagra como um filme audacioso, capaz de levar as pessoas as salas de cinema para assistir um filme mudo, isso em 2012 e todo o excesso de Kinoplex e sistemas de som super potentes  que nos cercam e tomaram conta de todos os cinemas antigos e de rua que hoje quase que já não existem mais (aqui em SP pelo menos, eu só conheço uns 2 que são do tipo que  passam filmes fundamento e não de sacanagem, rs), mostrando que é possível sim fazer cinema de qualidade sem recorrer aos recursos facilitadores e preguiçosos de Hollywood.

Ainda assim, preciso dizer que “Midnight In Paris” continua sendo o meu favorito ao Oscar do finde, mas confesso que se “The Artist” acabar levando o prêmio, embora a armação preta e grossa dos meus óculos entregue a minha torcida para o Woody Allen (armações que poderiam ser confundidas também na torcida do Scorsese), eu vou ficar bem feliz se o filme mudo e em preto e branco acabar levando o grande prêmio da noite.

Vou me sentir no mínimo vingado, por todos os outros filmes preguiça que ocupam espaços na salas de cinema o tempo todo, onde hoje em dia está cada vez mais difícil encontrar uma sala em horário descente para se assistir um filme sencaional como “The Artist”. Humpf!

Damages volta amanhã…mas o que nós já sabemos sobre essa aguardada volta de Patty Hewes?

Julho 12, 2011

Essas são as fotos promocionais da Season 4 de Damages, que volta amanhã para uma temporada inédita na america antiga. Mas o que esperar dessa volta de Damages?

Espero que pelo menos uma Patty Hewes bem magoada com o cancelamento da sua série no ano passado, sendo salva de última hora por outro canal, sem contar todo o fundamento de Damages, que chega a ser até covardia para as demais séries do gênero…

Só eu fico arrepiado da cabeça aos pés com esse promo?

Além disso já temos a sinopse: dois anos após o caso Torbin, Ellen vai estar trabalhando de volta com o seu mentor do começo de tudo, aparentemente feliz com a sua nova vidinha pacata. Até que ela se encontra com um amigo do passado (Chris Messina), que ela descobre ter sofrido uma experiência traumática trabalhando para a High Star, uma empresa de segurança privada contratada pelo governo americano para tratar de “missões especiais” no Afeganistão. Enxergando que essa história pode ter algo mais, Ellen  acaba pedindo ajuda para a nossa queridíssima Patty Hewes, que percebe que esse pode ser o grande caso da vida de Ellen, mas que pode também arruinar com a sua carreira. Dra-ma

Animados?

Eu estou, ainda mais depois dessas fotos promocionais da Season 4, onde descobrimos que o vilão da vez é ninguém menos do que o Fred Flinstone (John Goodman), rs.

E se vc não se lembra muito bem de tudo de importante que já aconteceu na série, talvez esse vídeo bem humorado possa ajudar com pelo menos o que aconteceu durante as duas primeiras temporadas…(mas só assista se vc já viu as 2 hein?)

Ansioso mil!


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