Posts Tagged ‘Jonathan Groff’

Keep looking

Julho 24, 2014

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Looking começou com a promessa de ser a nova Girls em uma versão gay mais para Queer As Folk, como bem discutimos por aqui no passado. Rapidamente em seu piloto, e depois observando a sequência de seus 8 episódios para a sua temporada de estreia, percebemos que a história não era exatamente essa, tanto para a comparação com a série das meninas, quanto para a série antiga com a mesma temática.

Digamos que não foi fácil se manter interessado nessa história a princípio, mesmo com a cena gay de San Francisco colaborando para que a gente continuasse no mínimo de olhos bem abertos, nem que fosse apenas pela vista (rs). Além da trilha sonora da série, que também é bem boa e vale a pena deixar o Shazam ligado para descobrir o que está tocando em cada cena.

E grande parte dessa dificuldade em se manter interessado na série pode ser creditada a superficialidade de seus personagens, que pelo menos a principio, foi bastante evidenciada e quase a fez se perder dentro do caminho fácil de mais um pouco do mesmo do mesmo. Mas antes de apontar dedos, é preciso dizer que parte da falta de credibilidade de Looking, pelo menos durante os primeiros episódios da temporada, acabou se dando pelo fato da série não tratar de gays recém descobertos, ou jovens demais, ainda em fase de descobrimento e experimentação, como acompanhamos recentemente na deliciosa Please Like Me, que consegue te conquistar logo de cara, sem fazer muito esforço e meio que pela “inocência” de seus personagens, mas nesse caso, talvez isso tenha acontecido mesmo pela falta de apego com a própria vida sem muito propósito de cada um deles, algo que demorou a ser estabelecido ao longo da Season 1, que teoricamente, teria exatamente essa função de nos apresentá-los e digamos que nisso talvez ela tenha falhado, pelo menos no começo.

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Mas tudo ficou muito melhor a partir do momento em que fomos descobrindo mais de cada um de seus personagens principais, descobrindo suas forças e fragilidades e assim, conseguimos descobrir quem de fato eram aquelas pessoas, além de personagens gays aproveitando as possibilidades de uma cidade como San Francisco (uma vida local bastante explorada por sinal, com espaço até para a famosa Folsom Street Fair), que todos nós sabemos que não devem ser poucas. A partir desse momento, de quando eles foram se permitindo mais e mostrando mais suas fragilidades, eles obviamente foram ficando muito mais interessantes, suas histórias foram crescendo e com isso o nosso nível de interesse por cada um deles acabou sendo estabelecido de vez. Por isso ficamos e é possível garantir a essa altura que valeu bem a pena.

Patrick (Jonathan Groff) por exemplo, acabamos descobrindo que apesar de estar com 20 e poucos anos e ter se vendido no começo da temporada como alguém já bastante envolvido com a cena gay local, nada mais era do que um jovem adulto nerd ainda em fase experimental, vivendo pela primeira vez relações mais complicadas e ou duradouras, como observamos durante a construção da sua relação com sue amante latino Richie (Raul Castillo), além de como todo mundo, também enfrentar alguns problemas familiares (e quem não tem os seus, não é mesmo?) e uma série de questionamentos quanto suas preferências sexuais (isso em relação ao sexo em si mesmo e não dúvidas sobre “que sexo gostar” ou qualquer coisa do tipo), que apareceram de forma bastante realista (a cena da primeira vez dele com o namorado foi de um realismo importante de se ver na TV, porque nem tudo é tão fácil assim, não é mesmo?) e funcionaram justamente para demonstrar que apesar de Looking falar sobre a temática gay, ela trata também de questões que todos nós temos que enfrentar quando nos relacionamos com alguém, gay ou não gay. Ou seja, todo mundo sabe que as primeiras vezes são sempre terríveis e acredite, ao longo da vida, você vai enfrentá-las assim mesmo, no plural.

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Como personagem principal da série, Patrick ganha força a medida em que vamos descobrindo mais da sua personalidade, que apesar de fofa, se revela também um tanto quanto “preconceituosa”, como ele bem deixa transparecer em algum momento já no piloto, isso tanto em relação a questões de níveis sociais e diferenças culturais entre ele e o seu boy magia latino, quanto sobre questões de etnia e algumas outras coisas bem específicas e do mesmo gênero. E vamos falar a verdade, uma série que consegue fazer uma episódio inteiro sobre a temática da “gola rolê”, merece no mínimo o nosso respeito, mesmo que o assunto não seja exatamente nenhuma novidade para ninguém (apesar de ter ficado surpreso recentemente em conversas com amigas não acostumadas a esse tipo de variedade). E apesar de soar um tanto quanto preconceituoso, podemos dizer que a série não deixa de ser honesta em relação ao levantamento desse tipo de questão, que querendo ou não, são questões que aparecem facilmente em conversas soltas de qualquer grupo de amigos, sejamos honestos, vai?

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Outro ponto a favor do seu personagem é a relação deliciosamente deliciosa que ele acaba construindo com o seu chefe, que começa de forma absolutamente constrangedora, mas que depois vai se transformando facilmente em um dos maiores atrativos da série. Claro que parte disso acontece por total culpa do carisma inglês indeed do Russell Tovey (#CRUSHANTIGA por diversos motivos, sendo o maior deles esse aqui ó), que a gente sabe que é quase irresistível, mas também porque fica claro que entre os dois existe uma tensão sexual absurda. Não que isso também não tenha acontecido em sua relação com Richie, mas digamos que talvez por conta de todos os obstáculos (e novamente, todo o carisma do Russell), o fato dos dois terem um outro alguém e se relacionarem de uma outra forma entre si, essa talvez tenha sido a minha relação preferida ao longo dessa Season 1. A boa notícia é que o Kevin do Russell Tovey volta para a já confirmada Season 2, então acho que podemos esperar mais dessa relação deliciosa.

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E apesar de Patrick ser o personagem principal da série, quem acaba facilmente se destacando entre os demais é Dom (Murray Bartlett, o mais magia dos magias da série. Höy!), o personagem mais velho de Looking, que vive outros tipos de conflitos até mesmo por conta da sua idade (e o fato de fazer 40 anos é claro que também trouxe alguns issues para o mesmo). Querendo trilhar o caminho dos seus sonhos na construção do seu restaurante, é dele a maior expectativa da série, onde passamos a torcer para que seu projeto enfim dê certo. Claro que para que isso aconteça, ele acaba se aproximando de alguém bem mais experiente no ramos dos negócios, Lynn, interpretado lindamente pelo ator Scott Bakula, que é do time magia antiga e com quem Dom acaba vivendo uma história de amor “não correspondido”, bem bacana e quase cármica, porque Dom não é o tipo de homem acostumado a ouvir muitos nãos.

A verdade é que ao longo da Season 1, Dom se mostra o mais fragilizado de todos eles, muito provavelmente pelos anos de vida e experiência que ele carrega a frente dos outros dois personagens principais. A forma distante como ele se relaciona com estranhos (e super real, diga-se de passagem… tisc tisc), apenas para satisfazer suas necessidades momentâneas e ou a forma “compensatória” que ele acaba achando ideal para retribuir a ajuda de Lynn, isso tudo demonstra claramente o quanto o personagem, mesmo sendo o mais velho entre eles, também carrega suas inseguranças e ainda está a procura da sua verdadeira identidade. E parte disso fica mais claro ainda quando conhecemos o antigo amor de Dom, um ex namorado super cretino, com quem ele mantém uma dívida e não tem como julgar o personagem no momento em que após a humilhação de ter que pedir de volta o que já era seu, ele opta por fazer um escândalo, mesmo que isso não o tenha levado a alcançar o seu objetivo. Sério, e quem não faria o mesmo? Outro ponto alto da série é a sua relação com a melhor amiga Doris (Lauren Weedman), que é bastante honesta e também muito especial.

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Representando o elo mais fraco de Looking, temos Agústin (Frankie J. Alvarez), que é visivelmente o personagem menos interessante do grupo. Preso em uma crise em busca de criatividade, apesar de ser o único personagem apresentado como parte de uma relacionamento estável, fica claro que aquela relação tinha tudo para afundar a medida em que ambos os envolvidos não evoluem ao longo da temporada a não ser pelo fato de passarem a morar juntos, algo que já foi vendido desde o começo com um grande erro para o casal. E tudo só piora quando Agústin tenta levar a própria relação como seu novo projeto artístico, não exatamente pelo que esse projeto representa e sim pela superficialidade de toda a sua trajetória. Vazio e completamente sem sentido, seu personagem acaba preso em um ciclo vicioso de experimentos fadados ao fracasso e verdades ditas de forma totalmente inconveniente, principalmente quando elas foram direcionadas para os amigos, algo que talvez tenha sido perdoado (de forma bem fácil inclusive) por conta do seu vício ou pelo seu estado diante de todas essas situações.

Em um comparativo cretino com Please Like Me, por exemplo, é nítido que a série acabaria perdendo diante de tanta fofurice australiana, mas como na vida nem tudo é uma grande competição, já deu para perceber que a a nova série também tem seus atrativos e eles não são poucos (mas preciso reconhecer que em relação ao que foi a Season 1 de Girls, a série também perderia. Sorry!). O que fica bem claro durante essa Season 1 de Looking, apesar de ter demorado um tempinho para aparecer de forma mais clara, é que todos os personagens realmente estão a procura de algo, sejam seus sonhos, suas identidades ou simplesmente um propósito e a partir do momento em que conseguimos enxergar isso dentro da  nova série da HBO, ela se torna cada vez mais atrativa, por isso eu digo que apesar das notáveis derrapadas no começo, vale a pena ficar de olho em Looking.

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Looking e o seu começo morno que definitivamente afirma que a série não é a nova “Girls”

Janeiro 29, 2014

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Assim como aconteceu no piloto de Girls, quando percebemos que definitivamente, além de um poster na parede no quarto da Shoshanna e NYC como o quinto personagem da mesma, a nova série não tinha muita relação com Sex And The City a não ser essas inevitáveis semelhanças, em Looking também foi possível sentir logo no começo que a série ainda está bem longe de ser a versão gay de Girls, como muitos estavam especulando e até mesmo divulgando, praticamente da mesma forma que aconteceu no passado em relação a própria SATC com a criação da Lena Dunham.

Seja para se promover ou por qualquer outro motivo, a verdade é que ambas as novas séries acabaram sendo beneficiadas de alguma forma com essas comparações (prejudicadas também, para ser mais honesto), mas fato é que ambas também conseguiram se distanciar do estereotipo que de certa forma já era esperado para os dois projetos. Nesse cenário, Girls conseguiu se dar melhor logo de cara, se distanciando rapidamente de algo que com o tempo, poderia acabar sendo prejudicial para a série, que descobrimos rapidamente ser tão bacana e porque não dizer até que bem original, focando em quatro personagens de uma faixa etária que não estamos muito acostumados a ver na TV. Pelo menos não com tamanha honestidade, como desde sempre encontramos no excelente texto da nova série.

Mas em Looking, a coisa foi um tanto quanto diferente, apesar de até agora termos assistido apenas os primeiros dois episódios da série. De forma lenta, pouco interessante e extremamente morna, fomos apresentados aos seus personagens, que já se diferenciam das meninas de Girls logo de cara pela questão da faixa etária do grupo, sendo dois deles mais jovens, também na faixa dos 20 e poucos anos e encarando os anos pós faculdade e um deles mais velho, ainda decepcionado pelo fato de não ter se tornado quem ele gostaria de ser, quase como se representando um possível futuro para os outros dois.

Como personagem principal temos Patrick (Jonathan Groff), que trabalha com algo do tipo design de games (na verdade, parece que ele só cuida do design dos personagens, se é que isso é um detalhe relevante, rs), que apesar da idade, de já ter se formado e estar com a sua vida financeira aparentemente em dia (diferente da Hannah em Girls, por exemplo), ainda parece ter pouca prática em relação a suas aventuras amorosas. Algo que fica um tanto quanto confuso, porque durante o piloto por exemplo, é dito que ele não é do tipo que já namorou por muito tempo e todos os seus relacionamentos duradouros na verdade não duraram quase nada, mas já no segundo episódio, eles voltam atrás e tentam pintá-lo como o “virjão” da turma, ainda em fase de crescimento e aprendizado, sem muita intimidade com o tipo “gola rolê” (rs), em uma espécie de laboratório com seus outros dois amigos que demonstram ter muito mais experiência no assunto do que ele.

Dividindo apartamento com Patrick, pelo menos até o segundo episódio, onde ele acaba se mudando para a casa do namorado, temos Agustin (Frankie J. Alvarez), que tem uma alma de artista mais livre, do tipo que gosta de experimentar e talvez por isso, não tenha acontecido o menor drama quando ele e seu atual namorado resolveram encarar um ménage com um personagem qualquer que acaba aparecendo na série. Sem a menor culpa e sendo acordado e bom para os dois lados, ambos seguem vivendo juntos durante a sequência do piloto e é possível imaginar que para o casal sobre a dinâmica da dificuldade de dividir a vida, seu espaço e sua rotina as vezes (o equivalente a quase sempre para pessoas normais) não tão interessante assim com o outro.

Dom (Murray Bartlett) é o terceiro elemento desse trio, mais velho (e muito, mas muito mais magia. Höy!), ele que atualmente ainda se encontra trabalhando como garçom na cidade de São Francisco (que é a NYC nesse caso), estando ainda completamente distante do seu sonho de ser uma outra pessoa, principalmente profissionalmente, além de continuar repetindo os mesmos erros do passado, usando o sexo como sua maior arma para tentar fugir dos seus problemas. Em casa, o personagem vive ao lado de uma ex, com a qual ele mantém uma relação bem bacana de cumplicidade e intimidade.

Até aqui tudo bem, os personagens podem até não ser dos mais curiosos, pelos menos a primeira vista, mas ainda assim não são o maior problema da série para justificar a temperatura tão morna desse começo de temporada. Talvez o maior problema nesse caso tenha sido mesmo a questão do texto, que não é dos mais surpreendentes ou animadores e em determinados momentos, apesar de também carregar uma honestidade bacana, acaba soando bastante como arrogante e até mesmo preconceituoso, apesar de não fugir muito da realidade do que se conversa entre amigos normalmente. Nesse momento, não estamos falando de uma falsa moral ou qualquer coisa do tipo, mas é preciso reconhecer que essa talvez não tenha sido a maneira mais eficaz para a série nos apresentar seus personagens, que além de tudo, ainda não apresentam grandes dramas, frustrações e ou qualquer coisa do tipo e parecem estar apenas mesmo “a procura”, inclusive da sua linguagem, que ainda não conseguiu ficar bem clara nessa introdução a série. Ou talvez ela só não seja tão bacana mesmo…

Nesse caso, Looking acabou se prejudicando ao se distanciar tanto assim de um produto como Girls, de onde poderia até retirar algumas referências sem transformar a série em um pouco mais do mesmo e até mesmo de suas antecessoras na temática gay, como Queer As Folk, que a essa altura já pode até parecer meio datada (estava assistindo um dia desses, e realmente, a série ficou super datada), mas mesmo assim tinha uma volume de linguagem sexual bem parecido com a nova série (que até nisso ficou devendo, vai?) e conseguia ser bem mais interessante, assim como Will & Grace, essa segunda, de onde eles poderiam ter se inspirado um pouco mais na questão da linguagem do humor da série, embora Looking tenha mais aquela cara de dramédia do que qualquer outra coisa.

De qualquer forma e apesar de ainda conhecermos pouco de seus personagens, a sensação que fica é a de que Looking ainda está nos devendo alguma coisa e para facilitar, isso não poderia ser creditado a esse ou àquele problema. Para a nova série realmente se tornar interessante, ainda falta profundidade, um pouco mais de honestidade e menos superficialidade, talvez. Sexo, uma linguagem explícita, liberdade sexual, tudo isso nós já sabemos que faz parte da vida de muitas pessoas, sejam elas gays ou não. O que falta mesmo aqui é algo mais, é conseguir despertar o interesse para uma série nova que poderia entregar muito mais do que personagens que estão apenas “a procura”, algo que pode muito bem acabar apenas no limbo da diversão e se distanciar muito de uma procura por eles mesmos, algo que poderia ser bem mais interessante e que poderia ajudar um pouco a fugir de um estereotipo gay já até ultrapassado, ainda mais se tratando de uma série que não nos traz o conflito de personagens saindo do armário e coisas do tipo e sim uma série real sobre a vida de personagens homens gays que vivem em São Francisco.

Veremos…

 

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