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F**king Crisp!

Novembro 27, 2011

How To Make It In America chega a ser quase que uma série conceito, de tão sensacional e fundamento que ela consegue ser. E tudo isso de forma simples até, aproveitando o lifestyle da cidade de NY, o que nos faz lamentar que suas temporadas sejam sempre tão curtas, com apenas 8 episódios cada. Humpf! ( o que pode funcionar como motivação para quem ainda não assiste a série, vai lá!)

Durante a Season 2, tivemos Ben e Cameron encarando as consequências de terem sonhado tão alto com a sua marca, a Crisp NYC. Com a história do sucesso no Japão, que foi o que nós começamos a ver no final da Season 1 e no começo dessa temporada, com os dois voltando quase que como muambeiros de lá (euri), a dupla conseguiu ganhar alguma atenção do mercado da moda, não ainda como eles gostariam, com a mágoa do Ben de querer ver as suas roupas na Barney’s (rs), mas tudo indicava que eles estavam no caminho certo.

E é sempre bacana na série como eles mostram o business da coisa toda, com a marca começando do zero, meio que entre os hipsters da cidade e assim começando a ganhar o seu espaço, aos poucos e com muita dificuldade, algo bem mais próximo da realidade do que vem acontecendo por ai. Quando todo o romantismo de um sonho acaba esmagado pela realidade, mais ou menos o que todo estudante de moda acaba aprendendo logo no primeiro ano de faculdade, ou trabalhando dentro desse mercado. (os mais espertos pelo menos, tisc tisc)

Sempre gostei também da forma como eles encaram o mundo da moda, sem todo o glamour e afetação que nós estamos acostumados a ver por ai (e que nós também adoramos, como eu já disse). Em HTMIA o negócio é mais real, mostrando que para se ter uma marca de sucesso, são necessário vários fatores para que isso de fato aconteça. E depois de acontecer, é preciso uma nova séries de outros fatores para permanecer no mercado.

E dessa vez ambos os personagens estão mais maduros, menos inocentes. Ben (Bryan Greenberg, Höy!) deixando um pouco de lado a mágoa da ex namorada e se aventurando com outras meninas, não querendo se apegar muito a nenhuma delas, talvez ainda pelo trauma da sua relação anterior com Rachel. Relação essa que Ben deixa bem claro que embora esteja com a cabeça em outro lugar nesse momento, ele claramente ainda não superou, e isso fica evidente quando o personagem tem que encarar o fato de sua ex estar investindo em uma relação com um de seus amigos, o que é sempre uma barra, diga-se de passagem. Humpf!

Cameron também resolveu dar um passo a frente e sair de sua zona de conforto, procurando um lugar para morar sozinho. O engraçado foi ver ele procurando um imóvel na cidade de NY, o que historicamente não costuma ser muito barato (se bem que, esses dias eu acabei lendo uma matéria dizendo que alugar o apartamento antigo da Lady Gaga em NY era bem mais barato do que alugar um imóvel equivalente no Leblon. Ou seja, blame a Globo e as novelas de Manoel Carlos), e tendo que encarar que talvez o seu bolso continue vazio demais para bancar o sonho de ter o seu próprio lugar com vista privilegiada. O que ele acaba conseguindo depois, só que de uma forma bem mais humilde da qual ele estava imaginando, mas garantindo assim o seu sonho de criança de ter a sua vista para o rio, tudo isso é claro que as custas de suas horas extras vendendo dorgas em parceria com Domingo (Kid Cudi), que além de dealer, também é passeador de cachorros. Howcoolisthat?

Agora, uma que começou a temporada meio perdida e terminou da mesma forma, essa foi a Rachel (Lake Bell). Procurando um sentido para a sua carreira e tentando encontrar um trabalho que ela realmente goste, Rachel caminhou durante essa temporada por diversas direções, sem conseguir se encontrar em nenhuma delas. Tentou escrever para uma revista e acabou frustrada por eles já terem interesses pré definidos e nenhuma vontade  de encontrar histórias alternativas em uma cidade tão rica como NY (tisc, tisc, pura preguiça do mercado, tisc tisc), tentou também engatar um romance rápido como Domingo, que estava ali disponível no elevador, e além de tudo é o dealer do pedaço, o que para ela poderia ser bem lucrativo naquele momento da sua vida (euri), mas no final das contas também não era exatamente o que ela queria.

O final da temporada talvez tenha colocado a sua personagem em um lugar mais interessante, trabalhando para a concorrente direta da Crisp, o que talvez possa render um plot mais interessante para ela na próxima temporada, ainda mais com o seu envolvimento com o seu novo chefe. E ela terminou a temporada reencontrando a sua ex chefe que voltou para uma participação especial, ela que é interpretada pela Martha Plimpton, de quem a gente tem saudades, mas que se encontra muito bem em Raising Hope, para a nossa sorte. Preciso dizer também que eu acho a Lake Bell uma das atrizes mais maravileeeandras da tv no momento e parece que ela andou descobrindo isso, tanto na série, como em suas recentes participações por ai com pouca roupa. Höy!

Outro que ganhou o seu merecido plot foi o Kappo (Eddie Kaye Thomas), o amigo rico que acha que não consegue conquistar ninguém a não ser que ele acabe bancando tudo. Tolo! E aquele momento na limo, com ele tentando comprar o Ben com o seu relógio caro, morrendo de medo de ser esquecido pelos amigos caso acabasse na prisão, foi um dos meus preferidos dessa temporada, ainda mais com a finalização da história daquele episódio, com o telefonema amigo do Ben no meio da noite, só para ver se estava tudo bem com o amigo. Awwwnnn! Um desespero foufo. Além da sua despedida dramática no final da temporada é claro, para os seus pouco mais de 40 dias na cadeia de segurança média, da qual ele esta morrendo de medo de acabar morto na hora do chuveiro (imaginem como ele não deve voltar de lá?). #TEMCOMONAOAMAR?

E How To Make It In America é uma série que se divide entre o mundo da moda e o mundo do crime, representado pela força latina de Rene Calderon, o dono da Rasta Monsta. Confesso que eu nunca fui assim um grande fã desse outro lado da história, da parte “gangster” da série, mas parece que nessa temporada eles conseguiram acertar essa parte da história, colocando o Rene tendo que encarar a fúria da comunidade jamaicana de NY, logo agora que tudo o que ele queria era vender o seu energético e construir uma família feliz, rs. (lembrei também que o Luis Gusmán, o ator que interpreta o Rene, fez uma participação deliciosa em um dos melhores episódios da temporada atual de Community)

O grande plot dessa temporada foi mesmo o sucesso da Crisp, ganhando a atenção do mercado e conseguindo algum destaque no mundo da moda. Não que isso tenha acontecido de forma simples, onde a dupla Ben e Cameron tiveram que investir pesado na cara de pau para conseguir os contatos necessários para seguir com a sua marca.

Nesse caminho, Ben foi investindo pesado demais nesses contatos e acabou cometendo o erro de muitos que é o de deixar se envolver com parceiros de negócio, algo sempre arriscado demais. Mas a história acabou ficando muito mais complicada do que uma rapidinha que começou dentro de um táxi (com uma trilha sensacional diga-se de passagem), e acabou dentro de uma outra empresa, a de Yosi, que convenientemente viria a ser comandada pelo marido da mulher que ele estava pegando e isso já indicava que essa nova parceria não teria um final feliz.

É claro que o Ben é mais honesto do que isso e acabaria se entregando em algum momento, mas foi bacana ver o desconforto do seu personagem saindo um pouco do estereótipo do bom moço sonhador, mostrando que ele também tem outros interesses, mesmo que eles continuem inocentes, pelo menos da sua parte.

E esse é outro fato importante que a série acabou levantando, que é a história dos investidores que ficam de olho em marcas que tem o potencial de ser tornarem grandes e que muitas vezes no meio desse caminho acabam destruindo sem piedade o sonho da mente criativa por trás daquilo tudo, para transformar o sonho em negócio e lucrar muito mais com isso, o que eu sempre acho uma pena e trazendo esse modelo para a realidade, nós já vimos muitas marcas se perderem nesse mesmo caminho.

Grandes injeções de dinheiro, uma mão de obra garantida para a fabricação e distribuição do produto é o sonho de todo mundo nesse mercado. Ainda mais se vc contar que hoje em dia tudo acaba sendo terceirizado, e esse simples jeans que vc esta usando agora, pode ter passado por 37 empresas diferentes antes de chegar até o seu closet. Mas nenhum investimento grandioso desses vem de graça, e muitas vezes o preço dessa conta é a sua própria marca, golpe que os meninos de HTMIA quase caíram e que é cada vez mais comum no mercado da moda atual.

O que para eles acabou acontecendo precocemente até, porque transportando essa história para a realidade do nosso país, esse tipo de business acaba acontecendo para quem tem já tem sucesso, ou um nome conhecido e desejado no mercado. Mas como NY é um mundo a parte, uma cidade  com a sua velocidade própria, é possível que por lá eles já estejam todos esses passos a nossa frente, como quase sempre.

Embora a história da série seja relativamente simples, o segredo de How To Make It In America é realmente como ela é contada. Nela eles tiram sarro dos lugares frequentados por aqueles que se acham hipsters na cidade (com a piada sobre a Boom Boom Room), mostrando que o que é legal mesmo naquele lugar, ainda é desconhecido da maioria ou ainda não foi super valorizado como o hype do momento.

E fundamento é o que não falta para eles, que vai desde a fotografia da série, que é maravileeeandra, aquela abertura sensacional que continua sendo uma das mais bacanas da tv ever (talvez a que mais represente o seu tempo), até a trilha de cada episódio, que é sempre uma grande fonte de novidades e delícias a cada semana. Além disso, eles conseguem mostrar o fundamento da cidade de NY como ninguém, com todo aquele lifestyle que a gente assiste de longe e fica morrendo de inveja. Pode não ser tão diferente assim para quem vive em uma grande cidade como SP por exemplo, mas mesmo assim, estamos falando de NY, neam?

Até o meu bicicletismo que eu venho insistindo tanto esteve presente nessa temporada, em uma das cenas mais deliciosas da série. Sabe aquele conceito do “slow” que a gente esta precisando cada vez mais com essa velocidade toda dos dias de hoje? Então…

Eu sei que ao terminar de assistir qualquer episódio de HTMIA eu só consigo pensar: o que é que eu ainda estou fazendo por aqui? (humpf…ainda faço uma locura e começo a escrever  o Guilt de lá, rs). Aliás, cheguei a conclusão de que se o Guilt fosse uma série, ele seria a How To Make It In America. Tipo aquela série que não é vista por todo mudo e esta longe de ser a mais popular do momento, e que mesmo assim, ainda é a nossa queridinha? Então, é assim que eu enxergo o Guilt, ou seja: Confirmou! (além de todas as coincidências do personagem do Ben com o meu próprio personagem na vida real, rs)

Aliás, queria muito um dos hoodies da Crisp e a famosa t-shirt preta do Ben da temporada anterior que aparecem na série e facilmente se tornaram objetos de desejo. Artigos que estão a venda na loja da HBO, o que é sempre tentador (se isso funcionar como propaganda, aceito o pagamento em produtos da ludjeeenha, hein HBO? rs). Além do DVD é claro, que eu gostaria muito que saísse por aqui, mas como a série não é muito popular, eu duvido um pouco que isso aconteça (uma pena…).

Preciso falar também que como esse é um blog declaradamente apaixonado por ruivos, eu me sinto na obrigação de dizer que a magia ruiva vem sendo muito bem representada na série também, para todos os públicos. Höy!

A temporada terminou com o acerto de contas entre Ben  e o Cameron, que estavam meio que brigados porque o Cameron  não etava nada feliz com os rumos do negócio de sua dupla. No final, Ben desistiu da ideia de vender precocemente a Crisp e perder o controle do seu maior sonho, mesmo que um cheque de $200.000 na sua cara seja sempre tentador, ainda mais para um duro como ele. Mas por enquanto, muito mais do que o dinheiro, a satisfação de fazer aquilo que ele gosta e acredita ainda fala mais alto.

Na verdade essa satisfação não fala,  ela grita: Fuckin’ Crisp!


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