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A pergunta que não quer calar não é mais quem matou Rosie Larsen e sim o que matou The Killing?

Junho 26, 2012

Não, eu não me decepcionei com The Killing. Acho bom já começar essa review da segunda temporada dizendo que eu fiquei satisfeito com o desenrolar da série, que demorou uma temporada a mais do que a original para nos revelar quem de fato foi o assassino de Rosie Larsen. Me encontro tão satisfeito com a série que pra mim já deu e considero esse caso totalmente encerrado na minha vida. #CASECLOSED

Por isso, se a pergunta durante a Season 1 da série foi “mas afinal, quem matou Rosie Larsen?“, agora, ao final da Season 2, me parece mais adequado que a pergunta seja: mas afinal, o que matou The Killing?

Sim, The Killing  foi muito bacana. Sim, a série tem a Seatle chuvosa como plano de fundo e uma investigação policial bem boa, com recursos limitados e tudo bem diferente do que costuma acontecer “magicamente” em um CSI da vida e nós já sabemos de tudo isso a essa altura, porque acredito estar falando apenas com os poucos sobreviventes da audiência nesse momento. E sim, nós finalmente descobrimos quem foi (ou quem foram…) o assassino de Rosie Larsen e a resolução dessa história foi super bem feita e amarrada, com a emoção necessária para esse momento que todo mundo estava aguardando faz tempo, do tipo bem bacana de se ver. Mas sinceramente falando, precisávamos mesmo de duas temporadas para isso? …

Desde que a série começou, eu me peguei encantado com essa nova forma de se fazer uma série policial, que nunca foi o meu gênero preferido, confesso. Cheguei a achar bem bacana que nada se resolvia de forma tão simples dentro daquele cenário e tudo era muito mais profundo do que a gente imaginava, que foram os detalhes que acabaram me conquistando logo de cara. Fomos descobrindo que todos os suspeitos dessas história tinham o seu lado B muito bem escondido, o que tornava tudo muito mais interessante para cada um deles.

Mas ao mesmo tempo que eu entendia que The Killing seguia um outro padrão de série policial e mantinha aquele ritmo que nós já nos acostumamos de certa forma a ver no canal AMC (que faz escola dentro desse padrão), algumas coisas me deixavam bastante irritado com a série também, como os suspeitos todos que foram levantados durante a primeira temporada e que eram descartados logo em seguida, ainda no mesmo episóio, ou quando toda a sujeira da vida de diversas daquelas pessoas embora tivessem sido descobertas e estivessem relacionadas a vida da vítima em questão por um motivo ou outro, pouco serviram para a conclusão do caso em si, como a história das garotas de programa, por exemplo, que de certa forma só serviu para Rosie levar alguma fama. E é claro que uma das coisas que mais me incomodou na série desde o começo, foi a apatia da protagonista Sarah Linden, com quem eu nunca simpatizei muito (apesar de admirar sua competência até a página 7) e que de tão gélida, ficava cada vez mais difícil da gente se importar ou pelo menos se relacionar de forma amigável com a personagem.

E se a brincadeira durante a Season 1 foi levantar um suspeito por episódio e depois descartá-los logo em seguida, durante essa Season 2 a história foi bem diferente, onde acabamos conhecendo um pouco mais profundamente cada um dos personagens principais e que realmente importavam dentro daquela história.

Tivemos a família Larsen se desfazendo, com a mãe vagando em um hotel de beira de estrada, saindo com desconhecidos, tentando salvar a vida de jovens perdidas e doppelganger de sua filha morta e tomando um golpe logo em seguida, o que a fez voltar para casa, finalmente (só eu achei que ela só voltou pq foi roubada?). O pai, cada vez mais revoltado com o pouco caso que a polícia local o tratava, muitas vezes com razão e se sentindo injustiçado com o abandono da mulher, voltando a se relacionar com a máfia na tentativa de fazer justiça com as próprias mãos e ainda sendo explorado por gente sem a mínima compaixão por toda a sua dor naquele momento de fragilidade. Sem contar o plot do seu envolvimento com a cunhada, que por sua vez, sempre pareceu nutrir uma certa inveja da família que a sua irmã conseguiu construir e que para ela parecia ser tarde demais. Ela que além de tudo, sempre foi bem da esquisita…

Ainda dentro do cenário da família Larsen, descobrimos que Rosie na verdade não era filha biológica de Mitch Larsen, mas eu achei mais do que injusto a sua mãe usar isso como arma para dizer que fugiu porque ela era a sua mãe de verdade e por isso sentiu mais a dor da sua morte. Sério, quanta insensibilidade, hein dona Larsen?

Na ala política da série, Richmond, o político preso pela morte da garota, além de ter sido preso injustamente, acabou perdendo os movimentos devido ao tiro que acabou levando do Belko na cena que encerrou a temporada anterior, personagem que também sempre foi bem esquisito e não poderia ter tido um final melhor. Claro que com esse plot de homem injustiçado e preso a uma cadeira de rodas levaria o então candidato a vencer a eleição no final das contas, que foi o cenário inclusive para parte da resolução do caso e a gente tinha certeza que alguma parcela de culpa eles precisavam ter no lado político para conectar os dois núcleos dessa história. Bingo! Foi quando nós descobrimos que um dos assassinos de Rosie se encontrava realmente dentro daquele núcleo e estava entre os dois assistentes da campanha de Richmond: Jamie ou Gwen? Mas afinal, quem matou Rosie Larsen?

E enquanto isso, na sala da justiça, tivemos a certeza do que nós já desconfiávamos quando o Holder ganhou ares de suspeito ao final da temporada anterior, onde descobrimos que ele realmente só foi usado dentro dessa história toda, que envolvia outros interesses muito maiores dentro da própria polícia. Aquele jogo de poderes de sempre. Já a Linden, essa parece ter aceito as críticas em relação a sua expressão única durante a temporada anterior e aprendeu uns dois tipos de sorrisos diferentes para tentar dar uma compensada e desperdiçou um bom tempo dessa Season 2 desconfiando a toa do seu parceiro. Nesse meio tempo ela ainda quase perdeu a guarda do filho por maus tratos e passou a encarar uma batalha na justiça com o ex marido magia (Helo, que saiu diretamente de Battlestar Galactica e que merecia ter tido mais espaço. Höy!) por conta da guarda do próprio. Custava ter alugado um quarto e sala Linden? Nó sabemos que Seatle não é NY…

Holder continuou sendo Holder, o policial que não segue regras e que parece pertencer mais ao outro lado da força do que qualquer outra coisa. Mas ele permaneceu sendo o mesmo foufo de sempre de cabelo ensebado, seja com o seu sobrinho com quem ele mantém uma relação adorável e fundamentada na linguagem das ruas (Yo! Wassup Bro? rs), até o momento em que ele chegou a levar uma surra daquelas do núcleo indígena, tentando colaborar como freelancer ao lado da Linden na solução do caso. Surra essa que para o estado em que ele foi encontrado, até que ele conseguiu se recuperar muito bem não? Estamos de olho AMC…

Como em The Killing é comum que a gente acabe descobrindo algo mais profundo em cada um de seus personagens, nessa caso, descobrimos que Linden teve um passado mais complicado do que a gente imaginava, tendo passagem em clínicas para tratamento psiquiátrico e tudo mais, com o plot sensacional dela ter mantido um caso com o seu terapeuta (o mesmo homem com quem ela iria se casar no começo da temporada anterior) o que a garantia uma certo “passe livre” para a liberdade. Esperta, não? Ou seja, fria my ass e a desconfiança que a gente tinha de que aquela não poderia ser uma mulher “normal” se confirmava nesse exato momento. Linden tinha sim probleminhas.

Mas é triste reconhecer que tudo isso acabou acontecendo em um ritmo pra lá de devagar, onde em vários episódios ficou quase impossível continuar interessado nesse drama todo sendo levado nesse ritmo tão lento. ZzzZZZ. Tenho certeza que muita gente só permaneceu por conta  da curiosidade em relação a identidade do assassino e nada mais, o que não foi exatamente o meu caso, porque apesar de todas as minhas reclamações, continuo achando The Killing uma série muito boa. Recomendo até que quem não tenha resistido até o final da segunda temporada, que veja pelo menos o último episódio, que eu garanto que vc não vai se sentir muito perdido dentro da história, pode acreditar!

Algo que eu considero uma falha enorme na série, onde toda essa grande investigação do caso, apesar de interessante em alguns momentos, acabou sendo um detalhe mínimo para a resolução do caso em si, mais ou menos como se a gente tivesse assistido o passo a passo dessa investigação, conhecido coisas que pouco interessavam da história de cada uma daquelas pessoas durante esse percurso, quando a resolução final pouco tinha alguma relação com essa trajetória toda e se encontrava escondida no último passo dessa história, simples assim.

E praticamente como detetives freelancers, Linden e Holder conseguiram resolver esse mistério, nos revelando o verdadeiro nome do assassino de Rosie: Jamie. Ele que acabou a matando apenas por ela estar no lugar errado e na hora mais errada possível (fumando e apreciando a vista). Mas ele não foi o único colaborador desse crime e disso nós também já desconfiávamos…

Acho até que se não fosse o grande peso na consciência da Linden de ter tido um homem condenado no passado por um crime que ele não cometeu, quando ela ainda tinha um outro parceiro e acabou levando o crédito por isso, que foi algo que nós descobrimos no decorrer da temporada, isso não teria acontecido (ainda mais com o final da história do Jamie. BANG!) e talvez o medo de repetir o mesmo erro do passado, mesmo que dessa vez um dos assassinos pelo menos já tivesse confessado a sua participação no crime, ainda faltava uma peça desse quebra-cabeças na mente dela, que não poderia lidar com mais um caso resolvido de forma porca.

Que foi quando ganhamos o segundo nome, ela que sempre nos pareceu ser bem estranha e certamente escondia alguma coisa: titia Terry. Sempre “tão controlada (só que ao contrário e a base de muito antidepressivo), estava na cara que aquela mulher escondia alguma coisa, mas a gente só não imaginava que ela teria sido a grande responsável pela morte da sobrinha. Jamie deu uns catiripapos, perseguiu a menina no parque no meio da noite, deu mais uns catiripapos, amarrou e prendeu ela dentro do carro, mas a finalização do crime ficou por conta de sua própria titia. Detalhe que ela fez isso sem saber de quem se tratava (apesar de saber que havia alguém presa dentro do carro…), apenas por estar magoada por ter que  continuar sua vida infeliz ao lado de um homem casado e segundo a própria, ela “apenas” jogou o carro no rio, sem saber quem estava dentro dele. Que ironia do destino não?

Confesso que nessa hora, cheguei a ficar bastante emocionado com todas as atuações dentro daquela cena, que foram todas primorosas, não só nesse momento de grande importância para a série, como em todo o caso (exceto pela Mireille Enos, sorry), principalmente no caso dos Larsens. Engraçado que quando titia Terry estava chorando, dizendo que ninguém a entenderia e que ela não sabia quem estava dentro daquele porta-malas, ninguém conseguiu sequer assimilar toda aquela história e dizer na cara dela” mas e daí, vc continua sendo uma assassina sua crazy bi-a-tch, porque alguém estava dentro da mala daquele carro e morreria de qualquer forma, sendo sua sobrinha ou não, só por vc ter essa sua vidinha infeliz e disso vc sabia, assassina”. PÁ! (e dava até para ouvir os gritos da menina enquanto o carro se afundava… #DRAMADRAMATICO)

Sendo assim, terminamos a série tendo o caso finalmente resolvido, com a família Larsen tentando se refazer naquela casa antiga que o seu patriarca havia comprado, tivemos o núcleo político dando continuidade a sua politicagem escrota, sem nenhum ato heróico de desistir da eleição por conta de todo o seu “envolvimento” com o assassinato em si e ainda se relacionando com o pessoal do cassino (que a gente sabe de que não são gente boa) e Linden abandonando o carro do Holder no momento em que eles estavam sendo chamados para uma nova investigação, deixando em aberto se aquele seria mesmo o fim da sua carreira, pelo menos dentro da polícia de Seatle.

Nesse momento, apesar de me encontrar satisfeito com a conclusão do caso e até mesmo emocionado com aquele vídeo lindo da Rosie entregue “de surpresa” na casa de sua família, que nesse momento ganhava uma despedida mais apropriada da filha, confesso que chegou a hora de admitir que esse foi o fim de The Killing pelo menos para mim, que eu aceito de bom grado mas declaro já ter sido o suficiente. Até agora, o canal AMC ainda não disse nada em relação a uma possível renovação da série, mas eu diria que essa história, apesar de que com muito custo e de forma extremamente lenta, conseguiu ser encerrada muito bem, com um ponto final importante, onde apesar de conseguir enxergar todas as suas qualidades, não sinto a menor vontade de voltar para assistir uma próxima temporada com um caso diferente, por exemplo. Mesmo porque, nem isso eles se propuseram fazer nesse season finale.

Com isso, respondendo a pergunta do título do post, encerro essa review dizendo que considero que a morte de The Killing tenha acontecido por meio de um suicídio (além de todos os pontos negativos que eu já comentei), que aconteceu quando eles resolveram estender para mais um temporada algo que poderia sim ter sido encerrado ainda durante a Season 1. Vou ter saudades? Vou, mas o que eu posso fazer para mudar essa história? Na-da. Portanto, esse é o fim da série para mim,  sem sentir a menor culpa, sem me arrepender de ter assistido suas duas primeiras temporadas (que foram sim bem bacanas, mas também tiveram suas falhas e foram bem lentas) me sentindo apenas satisfeito e aceitando que esse tenha sido de fato o seu fim.

Vcs querem que eu fale outro erro antes de me despedir de vez? Com eu disse, eles encerraram essa história sem deixar um gancho suficientemente bom para que despertasse pelo menos a nossa curiosidade ou o desejo de voltarmos para mais uma temporada de The Killing, se é que essa possiblidade ainda existe e esse não tenha sido um sinal bem claro de que a série encontrou o seu fim. Se Linden vai voltar para a polícia? Quem se importa? Sério? Talvez seja a hora mesmo dela voltar para a casa, recuperar seu filho e parar de viver em quartos xexelentos de hotel barato com direito a luz do corredor que pisca igual em filme de terror bem vagabundo preguiça porém medonho. Boa sorte Linden, aprenda a sorrir mais para a vida (rs) e Yo Holder, vamos sentir falta da sua magia, mesmo tendo a impressão que vc passou 26 dias (sim, só se passaram 26 dias nessas duas temporadas) sem tomar banho = Höy!

R.I.P The Krilling (sim Krilling, que me lembra o barulho dos grilos, rs)

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt


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