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Laure/Mickäel

Julho 20, 2012

Quando a sua imagem não reflete a sua alma.

Imaginem a dificuldade de se olhar no espelho e não conseguir enxergar exatamente aquilo que vc é. Imaginem o conflito de não se sentir adequada ao seu próprio gênero e corpo, o que no mínimo deve ser uma tortura diária, em diversas situações. Agora imaginem esse cenário dentro da vida de uma criança de apenas 10 anos, ainda descobrindo as suas preferências, prestes a conhecer uma parte importante de quem ela será para o resto de sua vida.

(…)

E com uma sensibilidade fora do comum (apesar do título que já carrega um certo “peso”) esse é “Tomboy”, um filme delicadíssimo da diretora Céline Sciamma, que empresta todo o seu olhar especial para nos contar a história de Laure (Zoé Héran), uma garota de 10 anos em conflito com a sua sexualidade. Um conflito diário, físico e psicológico, exaustivo e quase cruel demais para uma menina que não se enxerga exatamente com o sexo que ela carrega.

Mas apesar desse “quase cruel demais”,  no qual eu me refiro a situação em si e não da forma como ela foi retratada no filme, com muita sutileza por sinal, mesmo sem fugir do foco, a diretora conseguiu nos transmitir exatamente essa sensação da grande dificuldade de não pertencer ao seu próprio corpo. Uma sensação quase que claustrofóbica e muitas vezes desesperadora.

E “Tomboy” além de ser um filme extremamente bonito de se ver (poderia ser irmão de “Le gamin au vélo”, filme que nós também AMAMOS), com uma plástica delicada e bem simples, é também um filme que não faz rodeios sobre o assunto, indo diretamente ao ponto e por isso se torna quase que como um material educativo. Um longa que eu acho praticamente obrigatório para pais e filhos (e todo mundo), independente de suas idades.

Apesar do conflito estar presente no filme desde o seu começo, com Laure claramente se diferenciando da imagem girlie e delicada da irmã mais nova, não existe por exemplo um conflito interno dentro da sua casa, onde ela não encontra o menor problema na relação com os seus pais, que respeitam a sua identidade e entendem que aquele processo seria importante para que aquela garota acabasse se descobrindo (o pai com uma sensibilidade até maior do que a mãe, nesse caso). Contrariando uma maioria que poderia se encontrar na mesma situação, em sua casa não existe drama em relação a sua sexualidade, mas ao mesmo tempo, não é também um assunto discutido na mesa do jantar, tão pouco a noite, na intimidade dos seus pais. Algumas famílias preferem não falar sobre o assunto e esse é um cenário tão comum quanto o anterior, onde filhos são reprimidos quanto as suas descobertas nesse campo.

A problemática do filme começa quando em uma nova vizinhança, Laure aproveita a nova situação para se apresentar como Mickäel, assumindo de vez uma postura masculina diante das demais crianças. E a partir desse momento, em alguns pontos dessa review, vou passar a me referir sobre a garota com o nome escolhido por ela no filme, respeitando a identidade que nos foi apresentada durante o mesmo.

E como nada é tão simples na vida, Mickäel precisa se adaptar a sua nova realidade, buscando saídas criativas para que a sua nova identidade ganhe alguma credibilidade e isso ele consegue fazer até que bem, sempre com uma saída alternativa para que possa se safar dentro da sua nova identidade. O cordão cor de rosa da chave de casa dado por sua mãe é trocado por um cadarço de tênis velho para evitar qualquer tipo de contradição. Ou quando olhando de longe, ele aproveita para observar os outros meninos, tentando entender aquela anatomia que não o pertence, ficando atento a maneira como eles se comportam, quase como se estivesse fazendo uma espécie de laboratório para o seu “personagem”. E tudo isso para ganhar maior credibilidade com os demais e até mesmo para que ele possa se identificar com o modo como se sente.

Aos poucos, Mickäel vai se enturmando com as crianças da vizinhança, fazendo novos amigos e ganhando assim alguma companhia. A primeira delas é uma garota chamada Lisa (Jeanne Disson), que acaba entregando gentilmente ao Mickäel o convite para fazer parte da turma. No jogo ela deixa ele ganhar propositalmente, apenas para que as demais crianças gostem dele e finalmente  ele seja aceito. Mas logo de cara, fica bem visível que Lisa não enxerga apenas um amigo em Mickäel, o que mais tarde acaba complicando ainda mais a situação.

Apesar de boa parte do filme se passar dentro desse cenário bastante infantil entre brincadeiras de crianças, a todo momento fica bem claro o tremendo esforço que ela está fazendo o tempo todo para se tornar Mickäel. O peso no olhar distante e melancólico, a forma como ela precisa observar os demais meninos para conseguir se misturar, como se ela estivesse o tempo todo “disfarçada” de Mickäel, pronta para ser descoberta a qualquer momento, algo que enquanto platéia, vai nos deixando cada vez mais tensos (eu pelo menos fiquei torcendo para que Mickäel não fosse descoberto em diversos momentos). Cenas lindas também dela em casa, observando o seu corpo, reparando nas diferenças entre o corpo de uma mulher e o de um homem, tudo com a maior sutileza, detalhe mais do que importante para o assunto, colaborando ainda mais para o nível de delicadeza do filme e a sua importância falando de um tema tão delicado e pouco discutido, ainda mais dentro dessa faixa etária.

Para quem observa o problema de fora pode até parecer fácil o que aquela garota está enfrentando em sua vida, ainda mais considerando toda a leveza do filme. Mas a situação é realmente muito delicada e todo esse esforço para tentar encontrar a sua identidade, algo que é seu e de mais ninguém mas que vc acaba dividindo com o mundo, só pode ser uma tarefa das mais difíceis para quem enfrenta esse tipo de situação na vida e isso é possível perceber no personagem a todo momento. Ser gay e descobrir isso quando criança já não é uma situação muito simples, onde a descoberta desse desejo que não somos preparados desde pequenos para aceitar (infelizmente) pode ser um peso grande demais para alguém que ainda está começando a sua vida. E se essa situação já é bastante complicada, deve ser multiplicada por 1000 no caso de vc além de tudo não se encaixar dentro do seu próprio corpo e imagem.

Por isso, acho importante que as pessoas que criticam esse tipo de comportamento, julgando quem é capaz de transformar o seu próprio corpo para se sentir mais completo, que essas pessoas reflitam um pouco mais sobre o assunto, que não é simples e tão pouco fácil. Imaginem o tamanho da coragem que é necessário para uma transformação como essas, encarando sozinho toda uma sociedade pronta para te julgar o tempo todo, por serem capazes de enxergar apenas aquela imagem antiga de vc no espelho, que muitas vezes eles nem conheceram anteriormente mas não conseguem enxergar a coragem que está além disso tudo. Imaginem o constrangimento, imaginem o que deve ser se olhar no espelho e enxergar uma outra pessoa no seu próprio reflexo. Certamente, um peso de proporções desconhecidas para quem se encontra de fora disso tudo.

Bacana também é que o filme faz um contraponto lindo entre o lado masculino e feminino, usando as duas irmãs para ilustrar a diferença entre esses dois universos, que nesse momento se colidem. Jeanne (Malonn Lévana), a irmã mais nova é a menininha da casa, feminina ao extremo, totalmente girlie em seu mundo cor de rosa e roupa de bailarina, enquanto Laure se interessa mais pelo universo masculino, sempre acompanhada do seu pai, com quem ela mantém uma relação ótima por sinal, ele que parece ser capaz de compreender e aceitar a postura da filha como ela realmente é. E apesar de Laure não se sentir adequada ao seu lado feminino, ela não o rejeita completamente e divide alguns bons momentos mergulhando dentro desse universo na companhia da irmã. Aliás, que relação adorável essa entre as duas, hein?

De uma cumplicidade sem tamanho, uma cuidando para o bem da outra da forma mais pura e natural possível. E a irmã caçula embora seja bem menor e sem entender exatamente o porque da irmã mais velha se identificar como um garoto, acaba comprando aquela ideia e defendendo a irmã, mesmo sem fazer a menor ideia do porque de tudo aquilo, apenas por instinto de querer bem e proteger a quem se ama. LINDO!  Um excelente exemplo de como as crianças são adaptáveis a qualquer tipo de situação, desde que elas sejam apresentadas para elas desde cedo e não sejam ignoradas, como muitos pais ainda preferem agir em uma situação como essas.

Quase morri de rir quando no jantar em família, Laure pede para Jeanne não falar nada sobre o segredo que elas dividem e ela fica completamente imóvel à mesa, sem saber o que fazer, até que não se aguenta e resolve contar sobre o “novo amigo” que conheceu no seu primeiro dia do lado de fora da casa, brincando com as demais crianças da vizinhança. Em Jeanne, ela além de uma irmã encontrava também a cumplicidade necessária para seguir em frente com a sua própria aceitação, algo que certamente seria importante para o seu crescimento. Inclusive para o crescimento de ambas em sua individualidade.

Outro momento bem foufo do longa é o diálogo entre as personagens mais novas, com Jeanne e sua amiguinha no parque, onde a irmã fala com orgulho do irmão Mickäel, sobre o fato dele ser o mais corajoso e o mais forte dentre as demais crianças. #TEMCOMONAOAMAR? E ambos dividem bons momentos de cumplicidade que vão além de um estar sempre disposto a proteger o outro, como quando a irmã mais nova ajuda Mickäel a cortar o seu cabelo, ou com as duas no banho, ou simplesmente brincando na sala de casa com super massa. (aliás, adorei o plot da super massa, rs)

O problema é que não é possível se viver uma mentira por muito tempo, ainda mais em um caso como esses. Sendo cercado por todos os lados, Mickäel vai se vendo sem saída, com o início do ano letivo se aproximando e a sua história prestes a vir a tona. Além disso, ele está cada vez mais envolvido com as demais crianças, em uma turma onde agora ele é aceito, dividindo até um primeiro beijo (creio eu pela idade dos personagens) com Lisa, que revela as suas reais intenções com Mickäel.

E toda essa problemática nos leva ao momento onde Mickäel é descoberto em sua mentira pela própria mãe, que tem uma reação humana, apesar de pouco sensível. Digo isso porque aquele tapa na cara (literalmente) não foi nada perto do que ela fez a menina passar no dia seguinte, obrigando a filha a usar um vestido e batendo de porta em porta para esclarecer a história de uma vez por todas, a obrigando de certa forma até que bem violenta, a revelar a sua verdadeira identidade para todos os envolvidos.

Desde o começo do filme é notável que a mãe é quem tem mais dificuldades em se relacionar com aquela questão. Talvez pelo fato dela estar grávida, com hormônios a flor da pele, ou talvez simplesmente por ela ser mulher, algo que eu acredito que seja bem comum, quando o pai divide o mesmo gênero do filho que ele descobre ser gay, talvez por confrontar a sua própria imagem… (não sei exatamente o porque, mas tenho essa impressão, tipo quando o pai descobre que o filho homem é gay, por exemplo). Ou talvez ela simplesmente fosse assim mesmo.

Até que ela tem um momento de redenção e vc passa a entender a sua postura naquele momento, onde a mãe de Laure/Mickäel deixa bem claro que ela não tem problemas em aceitar a filha daquela forma, mas ela só não consegue imaginar uma outra saída para aquele problema todo, o qual ela chega até a questionar a garota a respeito de uma ideia que ela possa ter para desfazer aquela mentira de uma outra forma. Tudo bem que apesar de aceitável, tudo poderia ter sido conduzido de outra forma, sem ser forçado, sem ter colocado a garota naquela situação visivelmente desconfortável, mas vamos acreditar que aquela reação se deu devido o calor do momento. Concordo que a verdade precisava aparecer, mas talvez uma conversa antes em casa tivesse preparado melhor esse caminho, do que a forma possivelmente traumática que ele teve como resolução.

Com a “farsa” descoberta (não consigo chamar de farsa porque na verdade, ela era o Mickäel), Laure tem que enfrentar as outras crianças, que em uma hora como essas, podem ser muito cruéis (e foram). Achei bacana também que mesmo nessa hora, os diálogos entre os adultos não se tornaram prioridade, deixando em primeiro plano o pânico/vergonha da garota em ter que lidar com aquela situação. Fiquei com o coração partido no momento em que ela teve que ir até a casa da Lisa, se encontrando extremamente aflita para aquele momento que com 10 anos de idade, ninguém pode estar preparado para enfrentar.

Mas nada como o tempo para fazer tudo seguir o seu curso e após todo esse drama, Mickäel apesar de permanecer por um tempo sozinho, longe das demais crianças por vergonha de toda aquela situação constrangedora para qualquer um, acaba recebendo da própria Lisa (♥) a segunda chance de construir uma relação de amizade entre as duas, onde dessa vez, a amiga prefere conhecê-la por seu verdadeiro nome: Laure. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

Assim fica visível que se Laure/Mickäel teve toda a liberdade e educação correta para descobrir a sua própria sexualidade, mesmo com algumas limitaçães em sua casa, Lisa também foi uma garota muito bem educada, entendo a situação que a possível nova amiga estava passando naquele momento tão delicado da sua vida. Go girls! (só amor)

Um filme dos mais lindos possíveis, que como eu disse anteriormente, deveria ser obrigatório, ou melhor, deveria ser lição de casa para pais e filhos (e quem não é pai ainda, já foi filho, então…). Para preencher até o mais duro dos corações.

ps: para mim, foi impossível assistir a “Tomboy” e não acabar fazendo uma viagem a minha própria infância antiga. O que me fez rever de certa forma muitas coisas da minha própria educação e na forma dos meus próprios pais se relacionarem tão bem comigo, mesmo com todo e qualquer conflito que sempre tenha existido ou que tenha sido ignorado, aos quais eu só tenho que agradecer a liberdade de ter podido encontrar a minha própria identidade desde sempre e por mim mesmo. Thnks!

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

The Modern Guilt Awards 2011, a premiação mais aguardada do ano!

Dezembro 31, 2011

Nada é mais tradicional no universo das premiações do que o nosso The Modern Guilt Awards, na-da.

Esse ano em sua 3ª edição, a melhor premiação de todos os tempos vai contar com a apresentação do Ricky Gervais, porque o seu humor é o que mais se aproxima ao humor cretino e ácido do Guilt, por isso, nada melhor do que ele para ser o nosso hostess, não?

E como o The Modern Guilt Awards é uma premiação pouco democrática, recheada de favoritismos, coisas que nós sempre levamos pelo lado pessoal, além de ser completamente parcial,  preparem-se, porque esse ano nós estamos UNFIRAH!

Então prepare o seu tux (meninos e meninas), segure o seu cosmo e vamos mostrar de uma vez por todas para o Oscar, o Tonny, o Emmy, o Grammy e o Golden Globe, como é que se faz uma premiação sensacional.

 

Höy do ano> Ryan Gosling, o boy magia do momento

Já vamos abrir a premiação com o que importa, não é mesmo? Höy!

Depois de dois anos consecutivos da categoria seguir para o nosso representante máximo da magia sueca, chegou a hora de aceitar que temos um novo boy magia e 2011 foi o ano dele: Ryan Gosling. Höy!

O ator figurou inúmeros posts no Guilt durante esse ano, seja com suas caretas foufas e a pose que já ganhou oficialmente o seu nome, seja dando um beijeeenho invejável no diretor do seu filme em Cannes, apartando brigas em plena NY, figurando lindamente ao lado do seu George, ou no que realmente importa, que são as suas atuações deliciosas, como em “Drive”, “Blue Valentine” ou na surpreendente comédia romântica “Crazy, Stupid, Love” e até mesmo no filme que eu assisti tardiamente, “The Notebook”. Ryan conseguiu tomar o posto de boy magia do ano para ele mesmo, provando que é muito mais do que um simples “HÖY” em caixa alta e bold.  Realmente, não teve quem não se rendeu a magia do Ryan Gosling em 2011.

Mesmo tendo nos decepcionado de um certo tempo para cá com suas escolhas meio assim no amor, não tem como negar que foi dele o maior feitiço do Guilt no ano de 2011 e que ele foi quem nos deu mais motivos para gritar Höy durante esse ano todo.

Portanto, vamos lá leitores, todos juntos no 3…1, 2, 3 : Höy!

 

Maravileeeandra do ano> Michelle Williams

O cabelo curto bem curto mais lindo do ano. Sem contar que em 2011, ela usou os melhores looks de red carpet e realmente deixou a concorrência morrendo de inveja com todo o seu fundamento.

Maravileeeandra!

 

Maravileeeandro do ano> Rick Genest

E o zombie boy foi outro que roubou a cena surpreendentemente, fugindo completamente de qualquer esterótipo de beleza e provando que mesmo assim, sem ser nada óbvio, o seu fundamento é sim um dos mais lindos do momento.

Maravileeeandro!

 

Listen Up do ano> Adele, 21

A gente leva um pé na bunda e vai para o shopping gastar o que não deve no cartão de crédito, se joga na buatchy com as amigas ou escreve um post magoado no próprio blog cheio de mensagens subliminares (não que eu faça isso, tisc tisc). No entanto, quando a Adele passa pela mesma situação que é sempre meio assim para todo mundo, ela faz um álbum sensacional como o seu “21”, bem mais maduro do que o seu “19″, muito mais profundo e super magoado, que a gente cansou de ouvir durante 2011, faixa por faixa. Músicas que tocaram em tudo quanto é lugar, fizeram parte das nossas mixtapes do ano, tocaram nas nossas séries preferidas e até cometeram o crime inafiançável de colocar uma das melhores faixas do “21” em uma novela de horário nobre, algo que eu considero imperdoável!

E eu bem acho que parabenizar a Adele pelo seu álbum sensacional é algo que todo mundo já fez apenas ouvindo e amando o seu trabalho, mas o que a gente precisa mesmo fazer agora é agradecer o canalha responsável por toda a mágoa da nossa muse, que se não fosse ele e suas canalhices, talvez nós não tivéssemos tantas músicas deliciosas para nos acompanhar em 2011. Por isso: Thnk U Asshole!

Como o prêmio de álbum do ano é dela sem a menor dúvida, nada melhor do que aproveitar esse momento para o primeiro musical do nosso The Modern Guilt Awards 2011, com a minha versão preferida de “Someone Like You” direto da casa da própria Adele, de quem a gente adoraria se tornar íntimo de Oliveira, a ponto de tomarmos chá das cinco juntos nessa sala, dividindo todas as nossas desilusões no amor, que não são poucas, hein? rs

 

Coffee And Tv do ano> Breaking Bad vs Homeland

Tudo bem que eu decidi declarar empate nessa categoria, ou mais ou menos isso.

Realmente a Season 4 de Breaking Bad foi bem sensacional, com toda a série até agora. Continuo achando que o Aaron Paul reinou durante essa Season 4 com o seu Jess que todos nós amamos e não consigo entender como seu trabalho dessa vez não foi reconhecido em nenhuma premiação de séries de tv. E conseguir o feito de aparecer mais que o Bryan Cranston em uma série como Breaking Bad, não é para qualquer um.  Sem contar que a temporada ainda terminou de forma explosiva, literalmente e agora só nos resta esperar pela última temporada de uma das melhores séries de todos os tempos, que encerra definitivamente suas atividades em 2012.

Até que, perto do fim do ano me chega a novata Homeland roubando completamente a cena, com uma Claire Danes enlouquecida, bipolar, competente  e totalmente sem limites, na pele de uma agente da CIA, contracenando com um inimigo terrorirsta tão bem construído, que vc chega ao final da temporada torcendo para ambos os lados, sem ter o menor peso na consciência. Uma temporada tensa, no melhor estilo Breaking Bad de sempre, cheia de surpresas e reviravoltas, além de um final para deixar qualquer um com o coração saltando pela boca de tão tenso que foi.

Por isso a Season 4 de Breaking Bad fica com o prêmio de série dramática do ano, mas Homeland vem no empate quase técnico, como a melhor série dramática porém estreante do ano de 2011.

ps: vale dizer também que Grey’s Anatomy, do alto da suas Season e com altos e baixos por todo esse caminho, recuperou totalemte o fôlego e tem feito uma temporada digna e que merece ser lembrada porque está realmente muito boa. E esse ano ainda tivemos Game Of Thrones, uma série grandiosa, corajosa e também deliciosa.

 

Euri do ano> Parks And Recreation

A série que começou com o status talvez injusto de “o novo The Office” (embora seja dos mesmos criadores/produtores) vem provando que é realmente uma das melhores comédias no ar atualmente, sem a menor dúvida.

Atualmente em sua Season 4, que ainda não está encerrada, Parks And Recreation vem conseguindo fazer uma constante de episódios sensacionais, sempre muito engraçados e ainda com um toque a mais de foufurice.

Sem contar que aquela cidade de Pawnee é recheada de figuras divertidíssimas e todos os personagens, por menores que sejam, tem os seus momentos pra lá de especiais, com piadas fora do comum.

E a Amy Poehler é a minha comediante do momento, enlouquecida, boba e apaixonante na pele da sua Leslie Knope, por quem eu torço que um dia chegue a posição de Presidente dos EUA!

Fora isso, tivemos uma Season 3 praticamente colada com a atual Season 4, outra temporada tão sensacional quanto essa e por isso, acho que nenhuma outra série me fez rir em tantos episódios praticamente seguidos entre uma temporada e outra como Parks And Recreation.

ps: mesmo tendo escolhido P&R como melhor comédia, vale dizer que Community continua ótima, Modern Family voltou a boa forma e tem feito uma temporada igualmente excelente e Raising Hope continua que é pura foufurice. 

 

Relação de amor do ano> I ♥ Doctor Who

Esse ano eu resolvi fazer algo de diferente…brincadeira, eu resolvi mesmo é deixar a preguiça de lado e fazer uma maratona em uma das séries que eu sempre tive vontade de assistir, mas que sempre acabava deixando para depois.

E essa série era “Doctor Who”, que eu comecei a assistir a partir da Season 5, até o final da Season 6 (que encerrou esse ano) e descobri a minha paixão do momento, em uma espécie de relação de amor a primeira vista.

Sério, nunca fiquei tão apaixonado por uma série como fiquei por Doctor Who e o seu 11° Doctor, interpretado pelo ator Matt Smith (AMO, Höy!), na pele to doutor mais foufo de todos os tempos, a bordo da sua TARDIS, a máquina do tempo mais sensacional ever e na companhia do casal magia dos Ponds, personagens por quem eu também sou completamente apaixonado.

E a nossa relação de amor é tão grande, que eu morro de ciúmes do Doutor, fico todo arrepiado com a música de abertura (que é o toque do meu celular) e acho a série apaixonante, em todos os sentidos. O tipo de série que eu tento viciar todo mundo que eu gosto, fato.

AMO tanto Doctor Who, que já estou até me preparando psicologicamente (com um ano de antecedência pelo menos) para a despedida do 11º Doutor, que por mim, ficaria no seu posto para sempre.

Talvez eu goste tanto do Matt Smith como o Doctor Who porque foi com ele que eu conheci a série. Mas só sei que para mim, ele será para sempre o meu Doctor Who. (só meu, rs)

ps: e gravatas borboletas são muito cool! (piada interna)

 

Decepção da temporada> A Season 2 bem meio assim de The Walking Dead, humpf…

Todo mundo esperou muito por essa nova temporada de The Walking Dead, mesmo depois daquele final meio assim da temporada anterior, que já poderia ser um sinal do que viria por ai…

Até que a Season 2 começou, lenta, arrastada e foi ficando cada vez mais devagar…

Quase nada de importante aconteceu, ou personagens acabaram se tornando insignificantes ou pouco importantes e eles ainda insistem em fazer episódios com poucos ou nenhum zombie. Humpf!

Assim não dá, não?

Detalhe…a Andrea, a personagem mais odiosa de toda a série, continua viva. Vi-va! Dá para acreditar? (rs)

Mesmo salvando tentando salvar (e quase conseguindo, porque aquele final foi bem bom) essa primeira metade da Season 2 nos últimos 5 minutos, The Walking Dead ainda precisa melhorar e muito, ou muita gente vai acabar abandonando a série, porque está ficando cada vez mais puxado.

 

<Pausa para o comercial>

Que nesse caso é melhor do que o vídeo de “The Edge Of Glory” da própria Lady Gaga, sem a menor dúvida.

Voltando à premiação…(rs)

 

Popcorn do Ano> Não consegui me decidir apenas por um nome. Sorry!

Esse ano eu acabei assistindo tanta coisa boa, que eu não consegui chegar a nenhuma conclusão quanto ao melhor do ano. Mesmo assim fiquei com bastante orgulho de mim mesmo, que perdi pouco tempo com coisas tolas durante 2011 e acabei fazendo ótimas escolhas no cinema.

Por isso, separei 3 filmes, que foram os que mais me deixaram emocionado (por motivos diferentes) em 2011:

 

Tree Of Life

Porque eu amei a narrativa de “Tree Of Life”, a forma como a história nos foi contada e aquele banho de imagens sensacionais e inspiradoras das quais a gente não vai se esquecer tão cedo, mesmo achando que o longa poderia ser mais curto. Um filme extremamente sensível, que me deixou com os olhos cheios, em todos os sentidos.

 

Midnight In Paris

Porque uma viagem aos anos 20, guiada pelo Woody Allen e em meio a figurões das artes e da literatura antiga, não é para qualquer um. Sem contar que “Midnight In Paris” é um filme leve, divertido e sensacional, em todos os sentidos e que mesmo assim ainda vai te fazer pensar, o que é sempre bom.

 

Submarine

Porque eu achei “Submarine” um dos filmes mais deliciosos que eu assisti durante esse ano, mesmo com o IMDB dizendo que o longa é de 2010, humpf!

Uma história foufa sobre o primeiro amor de um garoto, com trilha do Alex Turner do Arctic Monkeys e um perfume de Amélie Poulain. E qualquer semelhança entre o meu personagem na vida real e o Oliver Tate é mera coincidência, rs.

E vamos aproveitar o assunto, para mais um momento musical da nossa premiação, agora com um clipe direto do filme “Submarine”, com “It’s Hard To Get Around The Wind”, que faz parte da trilha do filme.

ps: mas esse ano, ainda tivemos delícias deliciosas como “Beginners”, “Like Crazy”, “Melancolia”, “Drive”, nos despedimos do Harry Potter, além de “Last Night”, que eu também AMEI e “Blue Valentine”, que também é do ano passado, mas nós só vimos esse ano, humpf!. Isso sem contar as nossas deliciosas voltas de bicicleta ao lado do Cyril ultimamente e o fato de fecharmos o ano muito bem acompanhados do delicioso novo filme do Almodóvar.

 

Foufurices do ano> Kingston + Zuma +Violet + Seraphina +Archie + Abel

Sempre eles não? E esse ano, tivemos duas novas aquisições de foufurices, com a entrada do Archie e do Abel para essa turma dos nossos querideeenhos.

Todos eles estão crescendo e todos estão ficando cada vez mais foufos.

E enquanto eles vão crescendo, nós vamos torcendo para que quando chegar a nossa hora, que os nossos babys sejam tão foufos quanto todos eles juntos.

 

Da série de casais que nós amamos do ano> Kate Moss & Jamie Hince

Não bastava eles serem o casal magia que são, mas eles ainda tinham que fazer o casamento mais recheado de fundamento dos últimos anos, neam?

Confesso que mesmo sendo o casamento dos sonhos de qualquer um, eu fiquei muito mais feliz pela Kate do que com inveja (mesmo da boa), rs.

Tipo covardia!

O que nos traz a mais um dos momentos musicais da nossa premiação, com o The Kills e a sua deliciosa “Baby Says”

 

Delírios de consumo de Essy Bloom do ano>  Velorbis, as bicicletas dinamarquesas poder + tudo da Rodarte

Porque não teve nada que eu mais desejasse durante esse ano do que uma bicicleta dinamarquesa dessas do tipo poder e na cor cyan (que eu também aceitaria em vermelho, só para constar para os representantes da marca no Brasil, rs). Humpf!

Outro desejo de consumo que me atormentou o ano todo foi essa coleção sensacional para meninos da Rodarte. Totalmente Maravileeeandra!

 

Capa do ano> Harry Potter para a Entertainment Weekly

E não teve melhor capa nesse ano de 2011 do que a capa foufa da Entertainment Weekly com o Daniel Radcliffe no começo de tudo.

(Suck it Vogue!)

 

<Pausa para mais um comercial>

Que dessa vez te desafia hein Kyle Minogue? Vc acha mesmo que sabe dançar? (tisc tisc…sou ótimo no Kinect…tisc tisc)

Só sei que depois desse vídeo, toda vez que eu vou na Starbucks e faço o meu pedido,  eu dou o meu nome como Kylie Minogue, ou Princesa Beyoncé, e se algum dia vcs ouvirem eles chamando por um desses dois nomes, saibam que eu estarei por perto, rs.

 

Catwalk do ano> o desfile da Louis Vuitton que deixou todo mundo emocionado

Simples, clean e maravileeeaandro!

 

Eu sou ricah do ano> A moda e o seu bom humor

Porque não tem nada mais cafona do que marca sem humor que continua apostando na postura esnobe, em um momento que todas sabem que todo mundo esta quebrado, não é mesmo?

Reforçando esse conceito, esse ano tivemos a Lanvin, com o Alber Elbaz ensaiando uma coreô bem animada em uma das campanhas da marca poder

Uma Marion Cotillard enlouquecida pelas bolsas da Dior

E a Donatella provando que além de tudo ela é muito bem humorada, mas na casa dela manda ela hein? rs

 

Uncategorized do ano> R.I.P Amy Winehouse

Sabe aqueles momentos que vc se encontra sem palavras.

Um dia triste, mas não como outro qualquer…

E agora vamos a mais uma apresentação do nosso The Modern Guilt Awards 2011, onde dessa vez ficamos com a Lana Del Rey e a a sua “Video Games”, outra das nossas músicas preferidas durante esse ano de 2011.

 

Prontofalei do ano> Easy A+

Que foi o dia em que eu me tornei um jovem pós-graduado e mostrei um pouco do meu own fundamento para vcs (como se eu já não fizesse isso todo dia neam? rs), o que não deve ser interessante para muita gente, mas importa pra mim, rs.

 

Post com o título mais cretino e que eu mais AMEI desse ano> Grifinoria, Corvinal, Sonserina ou Lufa-Lufa

Juro que as vezes eu fico com vergonha de mim mesmo, rs. (mas logo passa e eu morro de rir)

 

Xoxo do ano> A propaganda nova da Coca-Cola

Porque a propaganda pode ser linda, mas todo mundo sabe de onde veio esse fundamento.

E agora mais uma apresentação, de outro hit aqui no Guilt em 2011, que foi “Call It What You Want It” do Foster The People, que todas amam!

 

Trucão do ano> Vem para o mundo Adam Levine!

Porque o que a gente não é capaz de aguentar nessa vida por uma chance na capa da Vogue ou para tentar descobrir o segredo de Victoria, hein?

 

Toda cagada do ano> Katy Perry no VMA 2011

Porque falar da Riwanna já ficou até chato e com a Vanessa Hudgens ninguém se importa e só por isso, o prêmio de toda cagada desse ano de 2011 vai para a Katy Perry.

E não teve quem não tenha ficado constrangido por ela dutante o VMA 2011, onde a nossa Katy resolveu fazer a Lady Gaga (quando nem a Lady Gaga fez questão de fazer a Lady Gaga) apostando em várias trocas de figurino de gosto completamente duvidoso e sem personalidade alguma.

Ainda falando desse ano, ela foi ficando cada vez mais pavorosa, com cabelos exóticos e outfits medonhos.

E o prêmio de toda cagada do ano também vai para a Katy Perry com todo o merecimento do mundo, porque além de tudo ela ainda carrega por ai o acessório mais horroroso dos últimos tempos, que é esse aqui ó:

BOO! 

Tem acessório mais pavoroso do que um boy magia negra?

E como última apresentação nessa 3º edição do The Modern Guilt Awards, para a nossa despedida, ficamos com o pai e a filha mais adorável de 2011, cantando um dos nossos mantras durante esse ano que foi “Home” do Edward Sharp And The Magnetic Zeros.

E assim (para quem resistiu bravamente e não dormiu no meio da nossa premiação, algo que eu não admitiria e expulsaria gentilmente da minha festa jogando um cosmo na cara, rs), depois desse nosso flashback pelo ano de 2011, terminamos mais um The Modern Guilt Awards. Mas fica, que em 2012 tem mais! Smacks!!!

ps: e obrigado a todos os leitores do Guilt pela companhia em 2011 hein? AMEI!

O garoto de bicicleta – um filme simples sobre o afeto e a falta de

Dezembro 21, 2011

Com ou sem coração, como vc prefere?

Vira e mexe, em meio aos lançamentos mais esperados do ano, dos inúmeros blockbusters preguiças ou filmes cults do momento, me surge algo surpreendentemente simples vindo direto da Europa antiga no meio disso tudo, como dessa vez aconteceu com o sensacional “Le gamin au vélo”, ou “O Garoto de Bicicleta”, um filme deliciosamente simples dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, que dessa vez chega com sotaque francês porém,  com perfume de chocolate belga, simplesmente o melhor chocolate do mundo.  Sério.

O filme fala de uma relação de afeto, da busca ou da falta desse sentimento tão natural, ainda mais se vc pensar em ambiente familiar, de uma relação entre pais e filhos e tem como protagonista o encantador Cyril (Thomas Doret), um garoto inconformado por ter sido abandonado em um orfanato pelo seu pai, com a promessa de que ele voltaria depois de um mês para buscá-lo, algo que obviamente não acontece porque seu pai tem outros planos para a sua vida, planos que não incluem o garoto. (glupt)

Cyril é aquele tipo de  garoto que tem um olhar todo especial que consegue se comunicar como ninguém, mesmo usando poucas palavras. Doce, mas ao mesmo tempo perturbador, um olhar de uma criança inquieta tentando entender o que de fato estava acontecendo na sua vida naquele momento. Como o seu pai poderia tê-lo abandonado sem sequer dizer nada? E pior, ainda ter vendido a sua bicicleta? (rs…mas é triste)

E essa inquietação acaba levando Cyril à alguns surtos de rebeldia em busca de encontrar o seu pai fora do orfanato e em um deles, quando ele finalmente consegue chegar ao apartamento antigo do pai, que ele encontra vazio e sem a sua bicicleta, que a princípio era a sua desculpa para ir até o local, nesse exato momento, ele acaba entrando na vida de uma jovem cabeleireira, Samantha (Cécile de France), que por coincidência ou não, estava na hora certa e no lugar certo. E com o abraço de desespero do garoto, ela acaba sendo despertada para tentar ajudá-lo de alguma forma. E aquele abraço passa ser uma ponta de esperança na vida de Cyril, que antes de tudo precisa entender o que de fato realmente aconteceu com o seu pai e o porque dele ter sumido sem dar a menor explicação.

Em Samantha ele encontra uma amiga, disposta a ajudá-lo a encontrar o seu pai. Ela que compra de volta a bicicleta do garoto, que logo descobrimos que seu pai vendeu antes de desaparecer, alegando problemas financeiros (bitch) e juntos, eles começam uma viagem buscando pistas sobre o paradeiro do pai do garoto. Assim, ela passa a buscá-lo no orfanato para passar os findes em sua companhia, a pedido do garoto,  gerando um vínculo forte entre os dois, mesmo com alguns contratempos no meio disso tudo e tendo que enfrentar e entender o temperamento difícil do garoto.

Para a nossa surpresa (eu pelo menos fiquei, porque imaginei que ele pudesse ter morrido ou algo do tipo), não demora muito até que de fato eles acabam encontrando o pai do garoto e é nesse momento que a história começa a ganhar um peso ainda maior. Cyril é um garoto carente e praticamente chega a implorar no olhar um pouco do carinho do seu pai, que não parece estar nem um pouco interessado em retribuir esse sentimento depois de passar um certo tempo longe do filho. Logo, seu pai acaba revelando a Samantha, longe do garoto, que ele não tem o menor interesse em cuidar do seu filho, que precisa recomeçar a sua vida e que não tem a menor intenção de buscá-lo no orfanato novamente. (simples assim e completamente sem coração – glupt)

Uma situação de uma frieza absurda, que eu sinceramente não consigo entender como uma pessoa é capaz de chegar a esse ponto de falta de amor, de afeto, ainda mais por um filho. Eu não consigo entender como isso é possível, mesmo sabendo que acontece. E é de dar um nó na garganta gigantesco (GLUPT) quando a própria Samantha obriga aquele pai a falar a verdade para o garoto e ter coragem pelo menos uma vez na vida, para que aquele homem pavoroso não alimente mais nenhuma esperança naquela criança. Uma situação super triste, mas que acontece, seja na França, na Bélgica ou na casa do vizinho. (…)

Agora já sem esperança de que seu pai irá buscá-lo um dia, Cyril volta a passar mais tempo com Samantha, mas aquele desprezo todo, aquela falta de amor ou afeto que o garoto sente em relação ao pai, acaba refletindo em um comportamento agressivo, onde muitas vezes ele acaba descontando toda aquela sua revolta em quem foi a única pessoa que esteve ao seu lado nesse tempo todo, mesmo quando confrontada pelo seu namorado em relação a permanência do garoto naquela relação. Uma atitude que muitas vezes, até mesmo uma mãe de verdade não consegue tomar, o que eu classifico como o pior tipo de pessoa possível.

Nesse meio do caminho o garoto começa a se envolver com outras crianças da vizinhança e se vc acha que aliciadores de menores é um problema apenas do nosso país, vc está muito enganado e parece que lá na Europa antiga as coisas também estão puxadas para todo mundo. Com isso, entra na história o traficante do bairro, aquele cara que parece ser o mais bacana, gentil, que te faz sentir dentro de um grupo, de certa forma até protegido. Um perfil que nós brasileiros conhecemos muito bem. Sua intenção com Cyril é que ele vire uma espécie de soldado trabalhando a seu favor, diferente do que eu cheguei a imaginar quando ele levou o menino para a sua casa (ainda bem), e assim ele passa a treinar o garoto para um assalto.

Treinamento pesado, com direito a simulação e tudo mais. Novamente, vc chega a pensar que talvez na hora o menino acabe repensando no que está prestes a fazer e assim acabe não realizando o assalto. O que não acontece e Cyril acaba obedecendo as ordens do seu novo mestre, o vilão da história e concluí o plano que os dois ensaiaram por diversas vezes antes, mesmo tendo que improvisar e atingir um segundo alvo, o filho da vítima que também estava no local naquela noite.

Sem julgamentos de valores ou qualquer coisa do tipo, fica claro que o garoto estava ciente de que aquilo estava errado, mas de uma certa forma ele sentia a vontade de realizar aquela tarefa para retribuir um “favor” que o tal traficante acabou fazendo para ele antes disso tudo. Além do mais, fica também bem claro que Cyril é um garoto completamente inocente e além de tudo, ainda tem um raiva contida dentro dele por todo esse histórico do abandono, o que apesar de não ser uma justificável, é algo pelo menos compreensível.

Não fica bem claro quais foram as intenções daquele traficante com o garoto e a história do roubo, se ele praticava aquilo por esporte, se foi um momento de desespero, ou ele simplesmente acabou sentindo algum peso na consciência depois que o garoto foi capaz de obedecê-lo, uma vez que ambos tinham um certo passado em comum no orfanato. Fato é que depois do crime bem sucedido, o traficante acaba abandonando Cyril no meio da estrada e com todo o dinheiro do furto, outra vez para a nossa surpresa.

O pior é que aquele garoto começa a correr desesperadamente pela cidade, a noite, no meio do nada e a gente não consegue imaginar para onde ele está seguindo, até que ele chega ao seu destino. Sem pensar duas vezes, Cyril volta onde encontrou seu pai depois do sumiço, para entregar o dinheiro que ele acabou de roubar (afinal se aquele era o problema para ele tê-lo abandonado, agora com a grana que ele roubou, esse problema estava parcialmente resolvido – isso na cabeça do garoto), em uma tentativa desesperada de tentar comprar de volta algum tipo de afeto daquela relação, o que não tem como não deixar qualquer um com um nó enorme bem no meio da garganta (G-L-U-P-T). Mas mesmo assim, aquele pai mais uma vez coloca o garoto para correr, praticamente jogando o menino do outro lado do muro, com o dinheiro roubado e tudo mais, novamente demonstrando não ter o menor interesse no filho, o que talvez tenha sido o ponto final da história entre aqueles dois. Algo que esse garoto certamente acabaria agradecendo um dia no futuro.

Se por um lado a violência está presente em todos os continentes, do outro, em alguns lugares a justiça ainda funciona e Cyril ao voltar para a casa de Samantha naquela mesma noite, imediatamente já tem que se reportar para a polícia e responder pelo que fez. Um exemplo de como as coisas deveriam funcionar em todo os lugares do mundo, mas a gente por experiência própria pode afirmar que infelizmente isso ainda não é um bem para todos, mas poderia ser facilmente transformado em um alternativa de solução para o tipo de violência que acabamos sofrendo no nosso dia a dia nas grandes cidades cada vez mais violentas por aqui, no Brasil antigo. Deixamos esse FIKDIK em bold e caixa alta.

Perto do final do filme, temos Cyril pedindo desculpas para Samantha, pelo seu comportamento meio assim ultimamente e por tudo que aconteceu, desde os seus surtos violentos com ela, até o roubo que acabou rendendo uma multa para a moça por ela ser a responsável legal pelo garoto naquele momento (novamente, algo que seria uma ótima ação por aqui, não?). E com isso, ele acaba fazendo o pedido que talvez ela estivesse esperando por todo esse tempo, de que ele realmente gostaria de viver com ela, algo que sem ter a menor dúvida, mesmo com todos os dramas dessa história até aqui, ela acaba aceitando e ambos passam a fazer deliciosos passeios de bicicletas em meio as paisagens maravileeeadras da cidade.

Um ótimo exemplo de uma historia onde essa relação de afeto acaba sendo construída entre esses dois até então estranhos, que estão dispostos a se ajudar. Quando naquele momento em que o garoto acabou agarrando a Samantha, demonstrando todo o seu desespero em pouco mais do que alguns segundos, a ponto de até derrubá-la da cadeira, ela poderia muito bem ter simplesmente levantado do chão, arrumado a sua roupa amassada e começado a reclamar sobre o absurdo daquela situação com os demais presentes naquela sala de espera (o que certamente a maioria das pessoas fariam…fato), sobre um problema que não era dela, então porque se importar? Mas ao contrário disso, ela resolveu se importar e assim tentar recuperar uma vida do que poderia não ser uma das melhores opções de futuro para ninguém. Ou seja, por mais clichê que possa parecer, não deixa de ser um belo de um exemplo a ser seguido. Clap Clap Clap!

Fico me perguntando se eu teria feito o mesmo e com isso vou torcendo para que a resposta seja positiva. E caso isso ainda aconteça algum dia na minha vida no futuro, só desejo mesmo que eu seja capaz de me importar, ou certamente eu vou acabar decepcionado comigo mesmo nesse tal futuro.

E quando a gente imagina em um final feliz para o longa, com os dois andando juntos e felizes de bicicleta, acontece algo inesperado, para o desespero de todos. Cyril acaba encontrando o garoto que estava ao lado do seu pai no dia do assalto e que também foi vítima do crime, que nessa hora resolve fazer justiça com as próprias mãos e começa a perseguir e agredir o garoto (fiquei morrendo de pena dele chutando o Cyril, que tentou não reagir, até que precisou se defender), até que em uma tentativa de fuga, Cyril acaba despencando do alto de uma árvore e cai imóvel no chão. CATAPLOFT!

Juro pra vcs que nessa hora eu fiquei paralisado, completamente sem reação, tipo du-ro. Não conseguia aceitar de forma alguma que aquele fosse o final do filme, não para essa história, não para aquele garoto, não para aquelas pessoas. Mas que esse fato, nesse momento serviu para levantar um outro questionamento, quando pai e filho, que no paasado estiveram em uma posição de vítima, dessa vez encontravam-se do outro lado da história, nesse momento como os vilões da vez, o filho por ter sido o agressor do garoto que eles suspeitavam estar morto e o seu pai por ter sido cúmplice.

É nessa hora que a gente percebe o quanto não adianta vc ter uma casa bonita, um emprego bacana, dinheiro no banco, a família perfeita, se te falta caráter. É não adianta. E sendo assim, se vc se reconhecer como esse tipo de pessoa, vc já pode reconhecer que vc falhou como ser humano e nesse caso é ainda pior, pq aquele pai acabou estragando também um outra pessoa, que dependia da sua educação para ser alguém melhor, ou pelo menos  alguém OK.  Algo a se pensar.

Cyril encarou os seus problemas quando foi necessário, correu atrás do pai e da sua bicicleta, ouviu o que ele não imaginava ter que ouvir na vida do seu próprio pai, enfrentou seus bullys, respondeu pelo crime que acabou cometendo, se arrependeu, pediu desculpas. E agora que chegou a vez da “família perfeita” encarar os seus issues? O que seria o melhor a se fazer? Hein?

Obviamente que a “família perfeita” não comete erros e sem perder tempo, pai e filho naquela posição de vilões já começaram a arquitetar um plano infalível para escapar da culpa da morte do garoto, se desfazendo da arma do crime, planejando até jogar essa culpa para o próprio garoto, afinal era a palavra de um jovem órfão, delinquente (na cabeça deles, que fique bem claro) contra a palavra de um trabalhador local e seu filho com um futuro promissor pela frente, então em quem a polícia acreditaria? Hein?

Sinceramente, se o filme tivesse acabado nesse exato momento (e estava muito perto do fim, tipo no minuto final), eu ficaria muito puto. Imagina? Cadê o senso de justiça? Cadê a Cher mexendo os seus pauzinhos e colocando cada um no seu devido lugar? Cadê o final feliz para quem fez por merecer? Precisamos acreditar de que ser uma boa pessoa ainda vale a pena, não?

Mas para a minha surpresa, Cyril acabou levantando daquele chão (e nessa hora eu devo confessar que eu fiquei mais do que feliz. Yei!), sacudiu a poeira e deu a volta por cima, voltando para a casa da Samantha para o churrasco em família que eles estavam preparando antes do acontecido, sem sequer aceitar a ajuda do seus agressores e provando que por pior que seja a sua situação ou o tamanho da sua queda, se vc tiver outra chance, vale a pena se reerguer e continuar a sua volta de bicicleta pelo vizinhança. Maravileeeandro!

Um filme simples, que eu tenho a impressão de não ter custado quase nada para ser feito, mas que com um bom roteiro e atuações impecáveis, certamente vai te deixar com vontade de dar aquele volta de bicicleta que eu tanto venho falando aqui no Guilt para vcs durante todo esse tempo e talvez esse final de ano seja inspirador para esse momento. (Ou seja: Confirmou! Bicicletismo é tendência!)


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