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A temporada deliciosa e até mesmo educativa de The New Normal

Abril 26, 2013

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The New Nornal chegou vendida como uma nova comédia sobre um casal gay encarando a chegada do primeiro filho por meio de uma mãe de aluguel. Apesar das caricaturas, com personagens deliciosamente adoráveis e um texto excelente (no melhor ritmo “Gilmore Girls” de ser no que diz respeito a velocidade de seus diálogos), mas que logo de cara eles conseguiram provar que eram muito mais do que apenas isso. Me lembro até hoje da cena de abertura da série, com o Bryan começando aquele vídeo extremamente foufo gravado para o filho, que até então não passava de uma ideia e que com poucas palavras e de forma bem simples, acabou me levando facilmente às lágrimas. Reação que não seria diferente para qualquer outro tipo de casal que estivesse passando por algo semelhante, algo que eu acho importante de se destacar.

A partir do piloto, ficou bem claro que The New Normal não seria apenas uma nova comedia comum, do tipo que estamos acostumados a ver o tempo todo, acompanhando o dia a dia de uma “clássica” família americana com condições, encarando as dificuldades encontradas no ainda desconhecido caminho quando um casal decide se tornar pais. Nesse novo cenário, a clássica família americana contava com alguns ajustes que foram necessários para levantar um pouco mais a discussão sobre as novas famílias, que de uns tempos para cá se tornaram cada vez mais comuns e precisam ser discutidas, porque na maioria das vezes o que ainda falta para entender essas novas questões são exemplos ou simplesmente uma boa discussão sobre o assunto.

Dois homens gays que decidiram ter um filho por meio de uma barriga de aluguel. Até aqui, podemos dizer que não encontramos nada de tão inovador assim no tema, que já foi discutido em diversas outras séries de TV e até mesmo no cinema. O que podemos dizer é que talvez o assunto nunca tenha sido discutido dessa forma, levantando questionamentos que quase nunca fazemos a não ser quando estamos passando por uma situação semelhante. E tudo isso de forma bem clara e objetiva, sem fantasiar demais ou ignorar aqueles que seguem na contramão fazendo cara feia para essas novas possibilidades de famílias. Não que elas também sejam tão novas assim, porque nós bem sabemos que elas sempre existiram, mas talvez agora elas tenham aparecido com mais coragem de assumir as nomenclaturas cabíveis para tal, sem se apoiar no disfarce de “tios” ou coisas do tipo e assumindo que são novas famílias compostas por dois pais ou duas mães, sem o menor problema.

E talvez nesse detalhe esteja a maior diferença da temática de The New Nornal, que durante toda essa Season 1, conseguiu nos arrancar boas risadas, mas ao mesmo tempo, sempre houve espaço para aquele aperto no coração também com os plots mais dramáticos da série, que eu prefiro acreditar que não seja necessário pertencer ao mesmo “grupo” para conseguir se emocionar com todas essas questões que eles nos mostraram de forma tão sensível e absolutamente honesta.

Impossível não se emocionar com o casal tendo que lidar com o preconceito a todo instante, seja na simples tarefa de comprar as primeiras roupinhas para o bebê ou em uma situação mais extrema qualquer, quando chega a hora de enfrentar o problema que nem sempre podemos evitar, com as famílias se envolvendo naquela situação, cada uma de sua foram e trazendo suas próprias bagagens e issues para lidar com toda aquela nova situação na vida de todas aquelas pessoas. (sem contar outros momentos memoráveis, como aquele pai se vestindo de fada para encorajar o filho a ser quem ele é. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

The New Normal - Season 1

Mas seria ela tão nova assim? Casais tem filhos o tempo todo e apesar de ser sempre uma preocupação para todos os envolvidos, não deixa de ser algo extremamente natural, que acontece o tempo todo e para boa parte das pessoas que conhecemos. Então, porque tanta dificuldade e obstáculos quando encontramos exatamente o mesmo cenário, só que com personagens do mesmo sexo? Realmente, fica difícil de entender e talvez a melhor forma seja mesmo encarar tudo com naturalidade, mostrando que existem sim outros tipos de família, que apesar de possuírem algumas diferenças, não deixam de ser absolutamente normais.

De qualquer forma, é bacana encontrar hoje uma série como The New Normal, que tenha encontrado um equilíbrio bacana entre o “novo normal” e os questionamentos que essas novas possibilidades ainda geram na cabeça de todo mundo. Alguns precisam lidar com suas próprias inseguranças, seus preconceitos e tudo mais e outros, os envolvidos diretamente nessa nova questão, precisam lidar com uma série de decisões a serem tomadas, como nesse caso a questão do doador de esperma e até os menores detalhes dessa questão toda. Mantendo esse equilíbrio, a nova série do Ryan Murphy (que nós por aqui AMAMOS) conseguiu além de tudo ser também extremamente educativa sem se estereotipar e só funcionar para um determinado grupo de pessoas porque essa nova educação, todo mundo precisa ter. Todo mundo mesmo.

Mas deixando um pouco de lado toda a questão política e social da série (que mesmo que pareça um assunto entediante, acreditem que foi levada até o final da melhor forma possível), The New Normal além de uma excelente história, nos trouxe também uma série de personagens adoráveis, do tipo que é impossível não se envolver e passar a torcer para que eles consigam atingir tudo aquilo que desejam. A começar pelo casal Bryan (Andrew Rannells) e David (Justin Bartha), que nada mais são do que um retrato da relação do próprio Ryan Murphy, que estava passando recentemente por exatamente essas mesmas questões ao lado do seu boy magia para a vida . Estava lendo uma matéria mostrando a casa do uncle Ryan um dia desses em uma revista e acabei percebendo que até a casa do casal dentro da série é bem fiel a sua verdadeira casa. Ou seja, nesse caso, a questão além de tudo era bem pessoal para o seu criador e talvez por isso tenha conseguido facilmente atingir esse nível de sensibilidade importante para a história, sem perder o humor ou a intenção de ser uma série de comédia.

E esse tiposde detalhe somado ao humor que sabemos que o Ryan Murphy tem, tornaram a série ainda mais especial, ainda mais para quem acompanha o seu trabalho em Glee, por exemplo. Sério, aqueles momentos do Bryan em seu ambiente de trabalho com o elenco de “Sing” (sim, Glee se chama “Sing” dentro da série, #TEMCOMONAOAMAR?) foram todos sensacionais e entregam muito dessa delícia que é o humor do criador de ambas as séries. Mas são pequenas pitadas de humor que obviamente fazem muito mais sentido para quem está mergulhado dentro desse universo, mas que ao mesmo tempo conseguem ser divertidas até mesmo para quem não costuma acompanhar nenhuma dessas referências que funcionam de forma excepcional também como piadas internas. (sério, ele declarando todo o seu ódio pela Quinn e não perdendo a chance de provocar o Cory dizendo que ele não conseguia chorar de jeito nenhum em cena, foram momentos impiedosos e ao mesmo tempo hilários. #STAYSTRONGCORY)

The New Normal - Season Pilot

Na série, é preciso reconhecer que boa parte do carisma do Bryan certamente foi emprestado pelo ator Andrew Rannells , que não poderia estar em uma melhor fase. Isso e toda a personalidade do próprio Ryan Murphy, que aproveita o personagem para se entregar dentro da série. O único problema nesse caso é que com Bryan, Ryan talvez tenha criado um monstro, porque em pouco tempo o personagem acabou ganhando uma força assustadora, sendo capaz de engolir cada um dos demais facilmente. Algo que de certa forma acabou prejudicando o David, personagem do Justin Bartha, que é aquele que sempre fica em segundo plano, funcionando na maioria das vezes apenas como escada para o lado megabitch do Bryan, que perde o marido mas não perde a piada. Mesmo assim, o personagem conseguiu se sustentar por ser extremamente adorável, doce e quase infantil, um nerd incontrolável, o certinho da turma, que tem a profissão dos sonhos e é o responsável do casal. (além de lindo)

Apesar das diferenças, juntos, ambos os atores mantiveram um química importante para os personagens, nos revelando aos poucos quem eram e quem na verdade gostariam de ser aquelas pessoas, deixando transparecer seus próprios medos e inseguranças, ainda mais agora que estavam prestes a deixar de ser uma dupla para se tornarem um trio. E nessa hora, esse enorme contraste entre os personagens acabou sendo importante para a história, com um completando perfeitamente e naturalmente o outro, revelando inclusive até mesmo alguns preconceitos encontrados dentro desse universo em particular. E todos os momentos em que ambos enfrentaram suas diferenças como tipos diferentes de gays (e por “gays” leia-se apenas uma diferença que poderia ser a mesma para qualquer tipo de casal, que nesse caso tratava-se de um casal gay) foram extremamente delicadas e tiveram resoluções super foufas, como se nossos corações tivessem ganhado cachecóis tricotados na aula de arte da Shania.

Shania (Bebe Wood) que se tivesse ganhado mais espaço durante a segunda metade dessa primeira temporada (bem mais focada no casal), teria facilmente roubado a cena. Agora falando bem sério, que menina adorkable, não? Ela que chegou àquela família por conta da sua mãe, Goldie (Georgia King), que era a mãe de aluguel do casal, na verdade, acabou se tornando um dos membros mais bacanas daquela nova família que inevitavelmente acabou surgindo entre todos eles. E tudo isso merecidamente, porque a personagem era um sonho de criatura, altamente politizada (o episódio meio “Mean Girls” onde ela virou a Queen B da escola foi excelente e teve uma das melhores resoluções EVA!), inteligente, cheia de personalidade e dona de um carisma absurdo, Shania na verdade era a filha que todo mundo gostaria de ter. OK, dizer todo mundo talvez seja injusto, mas falando por mim e pelo casal Bryan e David, com certeza ter uma filha como a Shania seria um sinal de missão cumprida, pelo menos no que diz a respeito de seus “alicerces”, rs.

The New Normal - Season 1

Além de ser praticamente impossível não amar aquela garotinha, todos os seus momentos dentro da série foram apaixonantes, desde a sua relação super próxima com a mãe, a qual ela conseguia entender perfeitamente, até suas participações na casa do casal, Shania foi uma das peças fundamentais para que The New Normal se tornasse essa série tão especial. Isso sem contar seus momentos de imitações e cosplay, onde ela conseguia assumir diferentes personalidades e personagens com talento de gente grande, como a sua Edie de “Grey Gardens” ou a sua excelente fase Maggie Smith, revelando o seu vício em Downton Abbey. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

Mas não só grandes personagens encontramos na série e a Goldie por exemplo, foi um dos que não conseguiu se destacar em quase nada durante essa primeira temporada. Apesar da não ser nenhuma ofensa e dela até ter ganhado seus bons momentos, a maior parte deles por conta da sua proximidade com a filha, Goldie realmente não conseguiu emplacar. Mas talvez esse não tenha sido exatamente o foco. Outra que ficou no meio do caminho foi a Nana, ela que a princípio tinha a tarefa de representar os odiosos preconceituosos que ainda encontramos infelizmente por aí, mas que com o tempo acabou se transformando em outra coisa e por esse motivo, foi também perdendo a força.

Não que essa sua transformação e ou redenção não tenha sido importante para a personagem e para a história, que começou com ela não reconhecendo uma reação simples do próprio corpo ligada ao desejo e terminou com ela sendo humilhada após ter se ariscado em um sexo casual com um homem que além da idade menos avançada que a dela, pouco tinha para se sentir tão superior assim e a partir disso, Nana precisou entender que era hora de seguir adiante e encarar que o fato do mundo estar diferente atualmente, apesar de assustador, também poderia ser algo surpreendentemente positivo para uma mulher da sua idade.

Do polêmico corte de cabelo (que ficou moderno mas não ficou nada bom) até a sua libertação enquanto mulher, ela que passou anos casada com um homem gay (o que explicava parte da sua aversão), é óbvio que tudo isso foi importante para demonstrar também que esse tipo de transformação é necessária e pode acontecer com todo mundo, tendo você carregado mais bagagem na vida ou não, mas fora isso, essa mudança radical da personagem acabou sendo prejudicial para a própria, que acabou sumindo dentro dela mesmo, como se estivesse agora muito mais ocupada em se redescobrir do que com tempo sobrando para cuidar da vida dos outros. De todos os episódios em que Nana ainda era aquela megabitch, o que mais chegou a me incomodar foi aquele com o fato do casal Bryan e David não terem nenhum amigo gay, exceto pela Rocky (NeNe Leakes), algo que eles poderiam até ter justificado pelo acaso, por nunca ter ocorrido naturalmente uma relação desse tipo e não ter caído na segregação, o que nunca é muito bacana. Algo que o Ryan Murphy inclusive já fez no passado, em Nip/Tuck, quando o Doutor Troy ao ser questionado por uma de suas namoradas o fato dele nunca ter mencionado que tinha uma filho negro (e ela também era negra), a mesma acabou ganhando como resposta uma das melhores lines da TV, com ele dizendo e surpreso pela questão, que nunca havia pesando no filho assim, dizendo que esse tipo de detalhe não fazia a menor diferença para ele e por isso nunca lhe ocorrido.

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Falando nela, Rocky que nós também já conhecemos e nos apaixonamos em Glee, foi outra das boas personagens da série. Sempre com aquele humor ácido que nós amamos, referência fantásticas para os mais diferentes assuntos e uma visão bem peculiar para determinados plots, Rocky também esteve sensacional durante essa primeira temporada, sendo o pior pesadelo na Nana enquanto ainda em sua fase extremamente preconceituosa ou até mesmo sendo a assistente linda dura e braço direito do Bryan. Ela que de quebra ainda acabou adotando uma menininha super foufa perto da reta final da série (algo que foi justificado de forma meio assim, ainda mais porque o casal também acabou demonstrando interesse naquela adoção e não foi muito bem recebido) e que inclusive teve o seu grande momento quando finalmente foi promovida pelo chefe Bryan, em reconhecimento ao seu talento, em uma das cenas mais adoráveis da temporada.

Alguns pequenos detalhes ainda me incomodam na série, como aqueles pensamentos que são meio que uma viagem na imaginação de cada um deles (David e o Ryan fantasiados de Village People na buatchy ou a Rocky interpretando os 25 membros da sua família), que bem poderiam ter sido ignorados ou talvez precisassem ser encaixados de outra forma dentro da história, assumindo ou não que aquela história seria contada daquela forma (como How I Met Your Mother, Happy Endings e Modern Family fazem), algo que acabou deixando um pouco a sensação de que eles ficaram em cima do muro nessa hora. Mas esses são pequenos detalhes que facilmente eles conseguem acertar.

Outro ponto alto da séries são os personagens recorrentes e ou rostinhos conhecidos da atual mitologia do Ryan Murphy, como o John Stamos (ele e o Rob Lowe, que nunca envelhecem) e o Matt Bomer. Personagens esses que apesar de menores, funcionam muito bem dentro da história, tendo eles alguma relevância ou não. As famílias do Bryan e do David também foram excelentes aquisições para a série, mesmo com a do Bryan só tendo aparecido no final.

Um final que não poderia ter sido mais foufo, com todos os preparativos do casamento do casal Bryan + David (o segundo casamento da temporada, porque ainda tivemos o excelente casamento de mentira da Shania com o seu little boy magia, rs), que acabou não acontecendo exatamente como eles passaram um bom tempo planejando (e brigando), mas que de certa forma acabou perdendo a sua importância devido a chegada do filho do casal, com a bolsa da Goldie se rompendo ainda no altar. Apesar de ser um grande clichê (gigantesco), todas as resoluções nessa hora foram extremamente muito bem amarrados, com todos eles ganhando suas conclusões, já que existe o risco desse ter sido o final definitivo para essa excelente história. (torcendo que não)

The New Normal - Season 1

Embora todos os clichês possíveis e reunidos nesse final, o importante mesmo foi o sentimento dele, sobre o que aquelas pessoas ainda precisavam dizer antes de seguir adiante. E foi nesse momento em que a história se tornou extremamente sensível e ainda mais especial, com a Nana agradecendo a Goldie por a ter libertado daquela mulher amarga que ela vinha sendo e a ter feito sentir vontade e coragem de enfrentar o mundo que ela ainda não conhecia e que ao mesmo tempo já não a assustava mais. O mesmo valeu para o momento de reflexão entre mãe e filha, com a Shania ilustrando para a mãe o quanto a vida delas estava diferente e melhor naquele momento e o quanto elas conseguiram alcançar de tudo aquilo que desejavam quando chegaram naquela cidade. (achei bem importante também que depois do parto, ao entrar no quarto, mãe e filha dividiram primeiro um momento juntas, para só depois interagirem com os demais, algo que eu achei bastante respeitoso e delicado om todos)

Além de fofo, esse também foi um momento importantíssimo para as novas famílias, com o discurso da Shania se posicionando contra a ideia da mãe a voltar com o pai, o namorado antigo de quem ela acabou engravidando no passado (Clay – Jayson Blair), dizendo que ela amava a sua família exatamente desse jeito, separada e que não precisava que eles estivessem juntos para ser uma menina mais feliz. Sério, #TEMCOMONAOAMAR? Um discurso lindíssimo feito por uma criança, dizendo algo que não estamos acostumados a ouvir com nenhuma frequência e que pode muito bem servir como uma reflexão importante para quem esteja ou tenha passado por algo parecido.

Para o casal Bryan e David, restava agora curtir o momento para o qual elas vieram se preparando esse tempo todo e que finalmente havia se tornado realidade com a chegada do filho. Uma resolução linda que de quebra ainda teve direito a um plot religioso sensacional (gosto tanto do ator John Benjamin Hickey pelo seu papel em The Big C e acho ele um excelente ator) e o mais alto nível de foufurice possível, deixando a mensagem de que nada poderia ser mais importante naquela hora do que todos eles juntos e felizes dividindo aquele momento que todos estavam esperando desde o começo da série.

Pode não ter sido um final surpreendente, pode ter sido inclusive o final definitivo dessa história que tinha tudo para seguir adiante e que a gente adoraria ver por mais tempo na TV (#HELLYEAH), mas podemos dizer que foi o final mais normal possível para uma série tão deliciosa e porque não dizer educativa que The New Nornal conseguiu ser em tão pouco tempo.

 

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O novo normal

Setembro 20, 2012

Plot de casal gay querendo ter filhos não chega a ser nenhuma novidade e a gente sabe que sempre acaba rendendo pelo menos algumas boas risadas, além da carga dramática que eles sempre tentam imprimir nesse tipo de situação, o que também é bem natural devido as circunstâncias. Mas não é que o Ryan Murphy conseguiu nos entregar mais uma série bem bacana ou pelo menos bem divertida?

Gostei tanto do piloto de The New Normal, que até assisti duas vezes, não só ele como o segundo episódio (1×02 Sofa’s Choice) que saiu logo na sequência e que conseguiu ser ainda mais divertido (embora a suas audiência tenha caído durante essa semana). Mas o que mais me deixou encantado com a série, além do fato deles seguirem uma linha meio Modern Family, sempre com ótimas risadas e aquele momentinho que te deixa bem emocionado dentro do episódio (Modern Family costuma utilizar desse recurso no final dos seus eps por exemplo), a série conta também com um texto super direto, sem freios e com aquele tipo de acidez que nós tanto adoramos.

E  o casal da vez é sensacional! Nele temos o fashionista (claro), Bryan, que tem cara de “exclamação” (sempre achei que o Andrew Rannells tinha essa cara – ele que fez o ex boyfriend gay da Hannah em Girls e que também foi o protagonista do musical do momento na Broadway, o “The Book Of Mormon”) que é extremamente caricata e nem por isso menos divertido. Sem contar que com ele ganhamos a sua assistente Rocky, que é interpretada pela Nene Leakes, que saiu de Glee (não sei se ela saiu mesmo, mas acredito que sim) para interpretar praticamente o mesmo personagem na nova série, só que com roupas melhores e mais caras, mas que nesse caso eu nem consigo lamentar qualquer coisa, porque ela é sempre ótima com sua língua afiadíssima e respostas atravessadas que são como patadas de sola vermelha de seus Louboutins diretamente na cara da sociedade puritana americana. PÁ! (inclusive, todas super merecidas)

A outra parte do casal é composta pelo típico personagem gay que não parece muito gay (claro²), David, interpretado lindamente pelo Justin Bartha (que eu AMO não é de hoje. Höy!) e seus olhos cor de caixinhas da Tiffany & Co, rs. Esse bem menos caricata, o que também é excelente, médico e um milhão de vezes mais inseguro do que o seu parceiro no crime, Bryan. Só não gosto muito dessa divisão clara que tendem a fazer com personagens gays, onde um sempre é a caricata e o outro a machona da relação (apesar de algumas “coincidências” da série com a vida real de “alguém” ter me assustado um pouco, tisc tisc). Mas esse equilíbrio que sempre faz falta quando o assunto são personagens gays, analisando apenas por esse começo da série, talvez eles tenham conseguido com o personagem do Justin Bartha que apenas por esses dois episódios, me pareceu até ter um pouco dos dois estereótipos, algo que eu acho bem mais natural. Não gosto de labels e não gosto de pensar que alguém é só isso ou aquilo, apesar de ser muito mais fácil de se definir. Não gosto muito do “fácil”. (recentemente o lindíssimo filme “Weekend” conseguiu o feito de uma forma bem bacana e natural também, bem mais próximo da realidade)

Completando a história, temos as adorkables Goldie e Shania (Georgia King e Bebe Wood), mãe e filha que acabam embarcando nessa de proporcionarem uma família para o casal gay, sendo boa parte dessa decisão tomada por conta da vida conturbada da mãe (Goldie), que se vê presa a uma relação abusiva e sem muito respeito por parte da sua outra metade (que é interpretada pelo ator Jayson Blair de The Hard Times of RJ Berger) e por esse motivo resolveu mudar a sua vida, aceitando a proposta financeira de ser a surrogate mom do casal . Ambas são adoráveis, a mãe com toda a sua ingenuidade e doçura e a filha por ser uma figura completamente foufa daquele tipo que é impossível não se apaixonar. (ela me lembrou bastante a “Little Miss Sunshine” até e não acho que isso não tenha sido proposital, rs)

O episódio piloto da série é adorável e conseguiu me emocionar já nos seus primeiros minutos, com aquele vídeo lindo do Bryan para o futuro filho e depois disso fomos presenteados com uma série de piadas sensacionais além de uma acidez precisa encontrada no texto de todos eles, mas principalmente no da personagem que faz o contraponto dessa história (Jane, a bisavó intolerante das meninas) e que pasmem, representa uma boa parte da sociedade, mesmo para os intolerantes que ainda permanecem dentro do armário, tentando esconder seus preconceitos em uma falsa tolerância ou no “politicamente correto”. Talvez por isso a série tenha irritado tanto a America antiga conservadora…

No segundo episódio, tivemos um momento impagável com a Shania (#TEMCOMONAOAMAR esse nome? – ♥)  fingindo ser a Little Edie de “Grey Gardens” (mas não o filme e sim o documentário, que é excelente!), se comportando como a personagem e nos entregando momentos de pura diversão em um comportamento que imprimia exatamente a forma como elas estavam vivendo naquele momento. Até a carater para escola ela acabou indo, #TEMCOMONAOAMAR? Oh mother darling, e nele ainda tivemos um momento flashback onde descobrimos como o casal se conheceu em uma buatchy, que foi ótimo também. (e o cabelo do Justin Bartha estava tipo o do Blane na formatura do último ano de Glee, rs)

E tudo isso faz com que The New Normal seja uma nova série bem bacana, do tipo de comédia que realmente dá vontade de continuar assistindo, mesmo que a gente já consiga ter uma ideia de onde isso tudo vai parar no futuro. (dificuldades para engravidar/perder o bebê/voltar com o ex/desistir da “adoção” porque voltou com o ex ou se apegou ao bebê/todos vivendo juntos como uma grande família). Mesmo assim, eu já me encontro apaixonado e sonho com o convite para ser padrinho do futuro filho do casal. (e quero uma Shania para mim!)

Ao contrário do que muita gente possa achar também (gente estúpida existe em tudo quanto é lugar), The New Normal não é uma série que chega dizendo que “o novo normal é ser gay” e a mensagem da série está mais para que o “novo normal é aceitar que todo mundo pode ser feliz” mesmo que o novo modelo seja um tanto quanto diferente do que o modelo mais comum. (♥)

 

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