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The Descendants

Fevereiro 10, 2012

Clooney e suas mulheres havaianas. Um filme bacana sobre pessoas, gostosinho até, mas que não é motivo para tanto barulho, por isso é bom já ir avisando logo de cara.

Uma história simples, com um roteiro bem alinhado e um protagonista cheio de carisma. Parece que essa é a receita para se fazer um bom filme, pelo menos aos olhos dos prêmios de cinema de ultimamente, que tendem a premiar quem faz melhor o seu “olá querida” em Hollywood, ou o mais popular dentro da categoria, deixando um pouco de lado a novidade ou o fundamento. Nada muito diferente da escola antiga e suas eleições para o grêmio estudantil, por exemplo. (rs)

“The Descendants” é um bom exemplo disso. Com uma história simples, envolvendo uma drama familiar e aquele climão de dramédia que nós gostamos, o filme se desenvolve muito bem, mas sem nenhuma grande surpresa, apenas uma traição que é revelada logo no começo do filme e é o pontapé inicial para o início da jornada dos personagens. Um trabalho do diretor Alexander Payne, que nós conhecemos de “Sideways”.

Como cenário, temos o Hawaii como plano de fundo, o que por si só já é uma grande covardia. Mas um Hawaii diferente dessa vez, nublado, um tanto quanto escuro, de nuvens carregadas até. Não o tempo todo mas, pela própria abertura do filme já é possível ver um outro lado do Hawaii que nós não costumamos ver no cinema ou na TV, com os nativos cada vez mais pobres enquanto suas terras são vendidas a preços absurdos, impraticáveis por eles, transformando o lugar em uma colônia de férias para turistas endinheirados e afastando cada vez mais quem realmente nasceu e foi criado por lá.

Um problema real da região, já explorado também em Hawaii Five-O (pelo menos nos 2 ou 3 episódios que eu assisti, eles abordaram essa temática, inclusive em um com a participação Prince Charming de Once Upon a Time) e dessa vez tendo como seu defensor o George Clooney e o seu personagem Matt King.

Matt é uma homem de meia idade, que tem uma fortuna para ser resgatada a qualquer momento, devido a uma herança de terras que a sua família possuí naquela região, mas que se recusa a viver disso, se afundando cada vez mais no trabalho como advogado para tentar prover para a sua família. O que ele acaba conseguindo realizar com sucesso, com a sua casa grande com piscina e as filhas sendo bem educadas (o que ele pelo menos imagina que esteja acontecendo), mas isso as custas de deixar de lado o acompanhamento do dia a dia da sua família.

Obviamente que com isso, ele acaba perdendo o crescimento de suas filhas, vai se afastando dos amigos e seus inúmeros primos apresentados ao longo do filme, que só se encontram de vez em quando para decidir o que vão fazer com o fundo familiar e a tal herança, e até mesmo a praia ele confessa não ter usado muito nos últimos anos, mesmo morando em um lugar com aquela vista mais do que convidativa.

Essa sua ausência fez com que a sua mulher acabe tendo um caso (aquela velha e boa desculpa de sempre…) e o filme praticamente gira em torno dessa traição, que a filha mais velha descobriu sem querer e que por isso, resolveu se afastar da mãe. Mas um detalhe acaba deixando essa história mais dramática, que é o fato da mulher ter sofrido um acidente e estar em estado de coma já por algum tempo, onde mais tarde descobrimos que ela não tem chances de sobreviver e eles precisam respeitar a sua decisão de não continuar ligada aos aparelhos e esse acaba sendo outro dos problemas que eles acabam tendo que enfrentar durante a história.

Se encontrando nesse momento crítico, ele resolve então juntar as filhas para se despedir da sua mãe, mas não antes de conhecer pelo menos quem foi o homem com quem a mulher o traiu, isso depois de ser convencido e motivado pela própria filha mais velha.

O problema é que toda essa sua ausência em casa, fez com que esse homem não tenha a menor ideia de como lidar com as duas filhas, que são ótimas por sinal. Scottie (Amara Miller), a mais nova das duas, é uma pré adolescente boca suja, cheia de personalidade e uma obsessão por ter seios maiores (euri) e a mais velha, Alexandra (Shailene Woodley), magoada pela traição da mãe, nada conformada com a posição do pai diante da situação revelada por ela, um típico comportamento de adolescente que de quebra, ainda vem acompanhada do seu namorado Sid (Nick Krause), um adolescente daquele tipo que não tem muita coisa na cabeça, mas que mesmo que estupidamente, acaba surpreendendo em um certo momento do filme.

E essa relação entre eles é bem especial e com certeza é por isso que o personagem principal do George Clooney acaba ganhando ainda mais força. A dobradinha entre ele e a filha mais velha por exemplo, é mais do que excelente e a química ente os dois foi perfeita. Mas eu destacaria até muito mais o talento da atriz Shailene Woodley, do que a prórpia atuação do ator veterano, que de certa forma não chega a surpreendente, além de nós já termos o visto em algum papel semelhante ao longo de sua carreira.

Entre eles estão os diálogos mais deliciosos do filme, super sinceros e diretor, além de outras situações como o confronto do pai junto com o namorado da filha, ou a outra filha menor, falando naturalmente para o pai que a sua melhor amiga adora assistir filmes adultos e que de vez em quando até chama uns meninos na casa dela, só para ver se acontece alguma reação na região Sul deles (rs). Momentos pra lá de divertidos e de extrema sinceridade, como também quando Matt vai confrontar a melhor amiga da sua esposa na própria casa dela, na frente do seu marido (também amigo do casal) e acaba soltando umas verdades excelentes sobre essa relação de amizade das duas.

Quando chega o momento do confronto com o amante de sua mulher, Brian Speer (Matthew Lillard) que ele descobre ser um corretor de imóveis e ainda por cima estar ligado as vendas das terras de sua família, o filme fica mais divertido, com pai e filha infernizando a cabeça do amante, dentro da sua própria casa e com a sua família presente no local, podendo descobrir tudo a qualquer momento.

O diálogo entre os dois é sensacional, de uma sinceridade absurda. Matt quer detalhes, quer saber como e porque a mulher o traiu e logo vem a decepção ao perceber que o amante não era grande coisa e talvez a sua mulher tenha mesmo o traido apenas pela sua ausência (sempre uma muleta, mas que em alguns casos, até acaba servindo mesmo como desculpa, mesmo a gente achando meio assim), uma culpa que depois disso ele acaba carregando muito bem até.

Mas assim fica fácil para um ator se sobressair, não?. Clooney acaba quase que contracenando apenas com o núcleo jovem da trama, que tem mais destaque do que qualquer um dos outros atores veteranos que interpretam os seus milhares de primos ao longo da história e com isso, não tem como não evidenciar o seu trabalho de ator com muito mais experiência do que aqueles três jovens juntos. Por isso eu considero até uma injustiça a sua indicação para o Oscar e espero que ele não vença por esse papel, porque ele é um ator bem melhor do que isso e ainda vai ter a sua chance de interpretar um grande papel nos cinemas, certamente.

Tudo bem que nesse caso ele estava vivendo um homem que foi trocado, pouco vaidoso, andando de bermuda e chinelo pelas ruas do Hawaii, correndo como um homem de meia idade correria, descabelado, desmoronando em lágrimas em um certo momento, mas mesmo assim, não tem como esquecer que ele é o George Clooney e quando é necessário, ele comparece com a sua parcela de galã, como na cena do beijo roubado da mulher do tal amante, sem a menor explicação para a pobre coitada do porque de tudo aquilo.

Bacana também o personagem ter mantido a sua postura diante da mulher traidora e moribunda até o fim da sua vida, algo difícil de considerar em uma hora como essas, quando vc descobre que foi traído (isso eu preciso trabalhar em mim, porque o meu sarcasmo sempre acaba falando mais alto…). Mas nesse caso, Matt aceitou a sua parcela de culpa nesse final do casamento entre os dois e preferiu poupar as demais pessoas da verdadeira identidade da sua mulher (ou pelos menos esse lado negro da força dela), em sinal de respeito e talvez por ter entendido que aquela relação estivesse mesmo meio assim por culpa dos dois.

Outro momento que eu achei bem bacana, foi a cena em que a notícia da morte inevitável da mãe é dada para a filha menor do casal, onde não há diálogos, apenas uma música ao fundo e a dramaticidade da cena acaba falando mais alto do que qualquer outro tipo de comunicação. Só achei que eles abusaram muito da trilha de músicas típicas do Hawaii, daquele tipo com o ukelele que a gente conhece bem (muito ukelele e voz, sabe?). Em um certo momento, acaba ficando bem chato e até parecendo que a mesma música está sendo tocada em looping.

Falando um pouco da direção, só eu fiquei bem constrangido com aquele momento de transição de uma cena para a outra por trás da cabeça do George Clooney? Achei bem meio assim, do tipo totalmente desnecessária. Mas isso é apenas um detalhe para quem gosta de reparar nesse tipo de coisa.

O final da história caminha pelo óbvio, do que se espera para uma situação na qual se encontra aquela família, mesmo se tratando de um funeral atípico. Senti falta também de um encerramento para o issue da questão da família, achei que ficaram devendo essa.

A verdade é que o plot do filme está mesmo centrado na relação dessa família, onde um fato trágico e marcante na vida daquelas pessoas, acabou se tornando algo que os deixou mais próximos do que nunca no final, apesar das diferenças e do personagem principal achar que falhou como pai, ainda há tempo para tentar “consertar” isso, mesmo porque, agora é só com ele mesmo.

Um filme bacana, como vários outros que nós já vimos, sem grandes surpresas ou nada a mais, apenas mais um filme bacana.


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