Posts Tagged ‘Oliver Platt’

A despedida que The Big C merecia

Junho 12, 2013

big_c_s4

Durante a temporada anterior, reconhecemos que The Big C estava praticamente implorando por um conclusão. Uma conclusão que a gente aguardava desde o seu começo, quando recebemos o diagnóstico da sua protagonista e que na verdade viria a ser o grande “C” da questão. Com uma Season 3 bem desgastante e bastante arrastava, vimos aqueles personagens meio perdidos em plots dramáticos demais e de pouca relevância para a história principal, alguns até repetitivos (como a questão da fidelidade dentro da relação do casal), deixando um pouco a doença de lado para discutir outras coisas naquele momento, muito embora ela nunca tenha desaparecido completamente e tenha voltando com um peso maior quando ao final da temporada (que foi bem meio assim), descobrimos que o câncer da Cathy havia voltado e de uma forma bem mais agressiva.

Nesse momento nascia a Season 4 de The Big C, que viria a ser a tão aguardada temporada de conclusão da série, uma vez que ela já havia rendido bastante até aqui, tendo inclusive desperdiçado uma temporada inteira (sim, eu tenho uma implicância enorme com a Season 3) para nos trazer a essa ponto de resolução para a grande questão ainda pendente na série que sempre foi o plot central da sua trama apesar das distrações. Acho bom reconhecer também nesse caso que embora a série fosse sobre uma mulher que descobriu ter um câncer passando a ter que lidar com essa nova realidade, essas distrações todas tenham aparecido de alguma forma dentro da série (mesmo quando não tão interessantes), mostrando de uma forma bem real e honesta que apesar do diagnóstico, a vida não se resume a apenas isso.

Mas essa nova temporada chegava com um peso maior do que já era de se esperar para a sua resolução que a essa altura já parecia inevitável, com uma redução drástica na quantidade de episódios, que agora seriam apenas 4 para ajudar a encerrar essa história, com o detalhe de que eles seriam estendidos (algo que poderia facilmente se tornar um sacrifício para quem ainda continuava assistindo a série), tendo aproximadamente 1 hora de duração cada um, algo que vindo na sequência de uma temporada custosa como foi a sua Season 3, não soava como uma notícia das mais animadoras, apesar do carinho que sempre tivemos pela personagem e por sua história.

Apesar disso e contrariando totalmente a nossa impressão de que essa poderia ser uma nova temporada difícil de se levar, The Big C conseguiu realizar lindamente a sua temporada de despedida, preparando muito bem o território para essa reta final da batalha entre a Cathy e o câncer, com uma sequência de excelentes episódios, apesar da maior duração ou de qualquer medo que a gente ainda tivesse como resultado da nossa experiência com a série durante a temporada anterior. (a essa altura já deu para perceber que a minha mágoa com a terceira temporada é realmente grande, não deu?)

Episode 401

Recém operada, ainda em recuperação porém, recebendo a triste notícia de que a sua recuperação não havia correspondido ao tratamento, encontramos Cathy enfrentando a realidade de cara limpa, aceitando que o final da sua história realmente não poderia ser tão feliz como ela (e todos nós) ainda gostaria que fosse, mas o pouco de vida que ainda lhe restava poderia sim ser muito feliz, mesmo que houvesse a chance dele acabar a qualquer momento. E foi lindo ela encontrando o seu médico na quimioterapia, ele que naquele momento também ocupava a vaga de um paciente, revelando também ter descoberto um câncer, algo que acabou explicando muito bem a forma como ele a havia tratado em sua última consulta, que foi quando a personagem optou por abandonar o tratamento que pouco poderia fazer por ela àquela altura (algo que é sempre bom de lembrar), a não ser trazer mais dor e sofrimento. Uma decisão difícil, apesar de soar como prática, que é bem importante de ser mostrada e principalmente na TV, sem tentar encorajar ninguém a seguir o mesmo caminho e apenas ilustrando que essa também é uma possibilidade em alguns casos onde a cura já não é mais possível.

A partir disso ganhamos uma Cathy cada vez mais debilitada, apresentando dia após dias o avanço da sua doença, que aos poucos foi a deixando cada vez mais fraca e com uma série de efeitos colaterais, alguns tragicômicos, como a cena com ela no pula-pula no aniversário do filho e outros bem tristes, que acabaram nos dando aquele aperto no coração, como as limitações físicas e os lapsos de memória da personagem, em um trabalho de atriz absolutamente sensacional da Laura Linney, que a gente tinha certeza que quando chegasse a hora, seria capaz de encarar essa outra fase da sua personagem lindamente (Clap Clap Clap). Antes disso, enquanto ainda lhe restava alguma força, apesar de ter desistido do tratamento, a personagem também acabou deixando bem claro que ela não havia desistido da vida e seguia o seu caminho tentando realizar pequenas coisas que ela havia deixado passar no passado e que agora poderiam e deveriam ser encaradas como a meta da vida que ainda lhe restava, onde entre outras coisas, ela acabou estabelecendo que gostaria de resistir até pelo menos ver o filho se formar no colégio, já que muito provavelmente não poderia alcançar nenhuma das outras etapas importantes da sua vida adulta.

E foi linda a forma como todos os personagens reagiram a esse momento da Cathy, demonstrando claramente a dor de ser obrigado a observar de perto alguém que se ama piorando aos poucos e ao mesmo tempo estando todos eles bastante solidários e respeitosos quanto à escolha de Cathy naquele momento. Paul foi colocado meio que de lado nessa hora, uma vez que suas questões já estavam todas aparentemente resolvidas, inclusive o seu casamento, que a essa altura já não era mais o mesmo, apesar do companheirismo e da cumplicidade do casal ter sido mantido até o final. De forma bem prática também, Cathy acabou tentando controlar o que ela achava que ainda era possível e até tentou arrumar uma nova mulher para o ex marido, mas ele acabou entendendo que aquele não era o momento e esse novo ciclo da sua vida com uma outra pessoa qualquer poderia esperar um pouco mais para acontecer, já que naquele momento, uma outra pessoa que ele amou por boa parte da sua vida, estava precisando bem mais da sua presença. (mas foi bacana que para ela, a sua meta foi cumprida do mesmo jeito)

728_4_3377337_prm-nxton401_1024x640

Andrea também já estava se estabelecendo, agora vivendo com uma estudante de moda, longe de casa e enfrentando alguns problemas com sua colega de quarto, mas nada que tenha ganhado um destaque maior do que merecia. Para ela acabou sobrando o plot de tirar alguma lição dessa situação toda, que foi quando ela acabou se inspirando na morte em uma de suas criações, com a Cathy aparecendo de surpresa no último momento, servindo de modelo para o seu design (que ela havia escolhido como a roupa do seu funeral), em outro grande momento dessa reta final da série. Sean também esteve mais a parte, apesar da sua história paralela como doador voluntário de órgãos e o personagem realmente só acabou se destacando mesmo quando colocado ao lado da irmã enfrentando as dificuldades do estágio avançado do seu câncer, sendo o seu cúmplice em pequenas aventuras (o plot da girafa foi ótimo) e simplesmente permanecendo como sua fiel companhia até o final.

Uma cumplicidade tão forte que foi para ele que Cathy acabou pedindo o impossível, que seria acabar com a sua vida para que ela não sofresse mais, uma vez que a essa altura a personagem já estava até vivendo longe de casa, em uma espécie de clínica de recuperação/asilo, com toda a frieza que se espera de um lugar como esse (aliás, ótima a lição que ela deu naquele enfermeiro). Algo que Sean chegou até a considerar como possibilidade e ambos passaram inclusive a estudar a hipótese juntos, mas obviamente que ele não acabou colocando o plano da irmã em prática, algo que não seria nada justo com ambos os personagens. Nesse momento, The Big C acabou incluindo também questões de fé dentro da série, aproveitando o momento de total fragilidade da Cathy, algo que até poderia soar de forma errada mas dentro dessas circunstâncias todas e lembrando toda a mitologia da série (não era de hoje que a personagem mantinha uma relação próxima com o lado de lá…), não poderia ter sido mais adequado e ou comum pensando também em situações semelhantes para quem enfrenta esse tipo de problema. E foi nesse momento também que a personagem percebeu que apesar da dor, do sofrimento e de tudo de ruim que a doença lhe trouxe, ela que achava que estava pronta para morrer (como sua colega de quarto, bem mais velha e que também teve um ótimo final), acabou percebendo que não, que ainda era muito cedo para se despedir e que apesar do seu estado e da falta de força, ela ainda tinha vontade de viver e realizar diversas outras coisas na vida, percebendo o quanto injusto seria ter que abandonar todos esses sonhos ainda tão cedo. Uma reflexão bem bacana  e muito apropriada para quem passa por esse tipo de situação tão cedo na vida (eu imagino), mesmo que cedo para você seja do alto de seus 80 anos, porque sabemos que sonhos, vontades e desejos não tem idade, não é mesmo?

Agora, um outro personagem que acabou ganhando um destaque importante durante essa reta final de The Big C foi mesmo o Adam, filho do casal. Adam que antes não passava de um adolescente meio assim (apesar de sempre ter se envolvido de alguma forma com a situação da mãe), tentando seguir a vida com seus dramas adolescentes todos enquanto tudo aquilo estava acontecendo em sua casa, mas que dessa vez acabou ganhando uma importante redenção até para a história do personagem, com ele sendo obrigado a crescer e se aproximando cada vez mais da mãe, que ele sabia que poderia não estar ao seu lado por muito tempo.

the-big-c-you-cant-take-it-with-you

Da volta dos dois personagens até aquele depósito que descobrimos ainda durante a Season 1, onde Cathy havia deixado presentes para a vida do filho que ela sabia que muito provavelmente não poderia acompanhar (o detalhe da carteira foi muito “MÃE”, não?), até o simples detalhe dele ter guardado o lenço da mãe na gaveta, todos esses momentos entre os dois foram extremamente emocionantes e de uma doçura sem igual, algo importante para o personagem e que a Cathy merecia receber como reconhecimento pelo seu belo trabalho como mãe. E se a gente já tinha se emocionado com o Adam durante esses momentos, as lágrimas realmente começaram a escorrer quando ele foi de madrugada no quarto da mãe na tal clínica, só para colar o seu mural de fotos no teto (aquele da nova abertura da série), da mesma forma como ela havia feito em casa e mais tarde, agora já durante o series finale, eu confesso que foi praticamente impossível controlar essas mesmas lágrimas quando descobrimos que Adam havia duplicado a sua carga horária na escola, só para conseguir se formar mais cedo, realizando o grande sonho da sua mãe e pegando todo mundo de surpresa em casa. E aquele olhar de “missão cumprida” da Cathy para o filho nessa hora, foi mesmo de arrepiar. (♥)

Durante o episódio final, ainda tivemos tempo para conhecer o pai da Cathy, com o qual ela vivia uma relação meio assim (achei importante a família ter aparecido nessa hora), mas que a essa altura já não havia mais o porque manter qualquer tipo de mágoa (algo que ficou para o Sean perpetuar pela vida, rs). E a resolução entre os dois foi tratada tão lindamente com aquele cheque das flores que ele havia se recusado a pagar durante o seu casamento no passado, de forma bem simples e cheia de significados para os momentos finais da personagem, que se aproximavam para a sua conclusão. Apesar de todos esses bons momentos, confesso que esse episódio final foi o mais falho entre os quatro últimos episódios da série, talvez pelo aparecimento desse lado mais espiritual ou qualquer coisa do tipo, que pode ter diferentes significados para qualquer um e uma série como The Big C talvez nem precisasse utilizar desse recurso, muito embora ele seja totalmente justificável e aceitável. Talvez por isso eu não tenha gostado muito da cena final da série, com a Cathy reencontrando o tal cara do barco do final da Season 3, com o qual ela vinha se deparando constantemente, quase como um presságio.

Apesar disso, foi impossível não se emocionar com a despedida da personagem, com o Paul carregando suas flores preferidas (as tais que o pai não quis pagar no casamento), imaginando por um instante ainda ter encontrado a mulher viva em casa, mas se deparando com a notícia de que ela havia morrido minutos antes, em casa, sem ninguém por perto além da enfermeira, do jeito que ela desejou. Um final extremamente emocionante, cheio de significados diferentes para cada um, mas que realmente acabou sendo o final que The Big C merecia ter ganhado, apesar de qualquer tropeço e a essa altura ficamos mais do felizes que a série tenha ganhado esse tempo a mais para encerrar a sua história tão dignamente e de forma extremamente carinhosa, real e absolutamente respeitosa. Um final verdadeiramente feliz, apesar dele não corresponder exatamente a nossa torcida pela personagem.

R.I.P The Big C

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

The Big C + Nurse Jackie, porque é que continuamos assistindo mesmo?

Julho 6, 2012

Quer dizer, eu pelo menos continuo. Ou continuava, dependendo da nova leva de séries que ainda estão para estrear esse ano e que podem roubar fácil o espaço na minha agenda reservada para essas duas, que eu só assisto quando não tenho realmente nada para fazer. Mas eu gosto de The Big C e Nurse Jackie. Gosto tanto a ponto de conseguir admitir que ambas já renderam o suficiente e a essa altura eu não teria ficado chateado se ambas já tivessem sido encerradas, como aconteceu com United States Of Tara (do mesmo canal que as outras duas), essa até semi precocemente. Sinto até que essa é uma sensação para a maioria, ou pelo menos para quem permaneceu até hoje acompanhando essas duas histórias.

Em The Big C durante essa temporada (Season 3) tivemos menos câncer e mais crise. Nem o marido que a gente achou que teria morrido no final da temporada anterior morreu de verdade e agora se tornou um blogueiro (sim, blogayro) que dá lições de autoajuda e palestras motivacionais para quem atingiu o fundo do poço assim como ele. Isso ao lado da Susan Sarandon, que fez uma participação na série só para fazer o Paul se sentir desejado, balançar um pouco o casamento do casal (mais uma vez) e depois correr para abraçar a sua morte em um clichê daqueles bem cara de pau, que nos trouxe de volta o fantasma da vizinha morta faz tempo. Mas no final, acabou rendendo também uma separação para o casal Cathy e Paul.

Na casa que já foi da vizinha morta no passado, tivemos Sean, esse sim sempre muito bom, vivendo novas experiências com o seu novo trabalho como atendente de hotline gay, algo que ele acabou ganhando “de presente” do seu ex dono por engano. Mas vem cá, porque é que o verdadeiro dono da linha não simplesmente pediu a transferência ao contrário de ficar naquela briguinha boba com o personagem para ver quem interpretava melhor o amante virtual atendendo primeiro a ligação, hein? Para ter alguma história, é claro. Sean que até conseguiu render desse plot meio assim, uma relação deliciosa a três, mostrando um lado ainda mais liberal do personagem, mas que é claro que no final das contas não seria tão feliz ou simples assim.

Andrea agora é Ababoo, isso por conta do trauma do seu quase casamento da temporada anterior, onde ela aproveitou o momento para buscar suas raízes africanas. Ainda no plot da religião, temos também o filho mala da Cathy que ninguém aguenta mais, ele que agora virou um completo babaca religioso, apesar de ter idade e motivos aceitáveis para isso e assim, passou a se envolver com aquele tipo de menina que não libera a porta da frente, mas que pelos fundos todo mundo pode entrar (rs). Típico.

Mas ainda no meio disso tudo tivemos a Cathy tentando ser outra pessoa, assumindo uma identidade totalmente diferente, só que apenas para suas visitas a um bar de esquina comandado por um ex presidiário de OZ (rs), onde ela se refugiava para fugir da sua própria realidade. Mas a troco de que mesmo? Sem contar o plot da adoção, que contando com a sua atual condição de saúde e o recente histórico do seu marido, não parecia ser assim tão possível, provável, ou até mesmo sensato.

No final tivemos o casal meio que se separando, Cathy descobrindo que a sua doença voltou, o que a levou fugir novamente, dessa vez em um barco de pescador com o nome “Bola de Fogo”. Sério. Precisava chegar a essa ponto Big C?

Tudo bem que a temporada não chegou a ser tão ruim assim como pode parecer na review (tisc tisc), foi simplesmente boba e sem muito propósito e eu fico imaginando porque arrastar uma série que um dia já foi tão bacana, a troco de apenas isso? Realmente chegamos a um ponto onde mais uma temporada de The Big C só se faz necessária porque ainda não tivemos exatamente uma “conclusão” para essa história, seja ela positiva ou negativa. Mas nada que não pudesse ter sido resolvido durante essa temporada em formato de trilogia e não ter sido arrastada para uma possível próxima (ainda não confirmada), tornando The Big C como o tipo de série que a gente só continua assistindo por ainda manter algum carinho por seus personagens e é só. Mas tudo tem o seu limite. Tudo.

Por isso ela vai ficar em stand by na minha lista e se aparecer outra coisa mais interessante (cruzando os dedos) eu só volto para ver a conclusão dessa história quando esse momento realmente chegar. Realmente espero que a próxima temporada seja a última e se ela for muito mais objetiva, seria melhor ainda. (quem sabe mais curta, como parece ser tendência atualmente – apesar dessa já ser uma série de temporadas curtas…)

Nurse Jackie teve um ponto positivo a seu favor, que foi o fato da Jackie pela primeira vez se ver obrigada a encarar a rehab, um momento do qual ela até já chegou a rir e correr antes, mas que dessa vez não teria outra saída, uma vez que até o seu marido descobriu sobre o seu vício e o seu mundo de pílulas mil começou a desabar de vez.

E isso acabou contando a seu favor durante sua Season  4, tornando-a mais interessante do que a The Big C por exemplo, ainda mais com o seu mundo desmoronando, com o marido descobrindo sobre o seu caso com o seu colega de trabalho, entrando na justiça para ficar com a guarda das filhas e exigindo até mesmo uma pensão para sustentá-las, Jackie ter que encarar a filha mais velha se tornando uma adolescente chatinha daquelas (sensacional ela pixando o quarto da menina como resposta ao pedido rebelde da filha) além dela finalmente começar a ser perseguida no trabalho. Como se isso não fosse o suficiente para mexer com os nervos da nossa enfermeira preferida (e isso não tem como negar, porque ela é sempre ótima com os pacientes), ela ainda teve que lidar com a nova administração do hospital e ver alguns de seus colegas de trabalho sendo colocados no olho da rua por culpa do seu vício.

Tudo isso foram fatores que acabaram colaborando para que essa história ficasse um pouco mais interessante de se acompanhar, embora a sensação que fique é a de que Nurse Jackie também é uma série que já está passando do seu prazo de validade.

Ok, eu aceito que o momento atual da personagem foi aguardado por todos os fãs da série, mas nessa brincadeira, estamos a caminho de ter que encarar uma quinta temporada, que sinceramente, se tivesse sido melhor aproveitada e bem mais objetiva ao longo desses anos todos, já poderia ter tido começo, meio e fim de forma bem satisfatória. Não basta a memória de uma história que já foi bem boa e que nos convenceu a assistir a série no passado, não basta ela continuar “legalzinha” e a gente ter algum apego por seus personagens. As vezes é necessário reconhecer que chegou a hora de colocar um ponto final nessa história.

Apesar disso, a nova dinâmica da série que chegou através da administração tirana de Mike Cruz (Bobby Cannavale, Höy!), nos trouxe ótimos momentos, como a rebelião dos enfermeiros do hospital para ajudar a Jackie a não ser demitida como alguns de seus colegas de trabalho já haviam sido, em uma sequência de episódios realmente muito bons perto do final da temporada, temos que reconhecer. Aquela cena do season finale então, com o filho do chefe dando entrada no hospital no momento em que ele estava soltando os cachorros para cima da Jackie, no momento ideal para ela (que parece ser uma mulher de muita sorte e isso as vezes irrita um pouco, já até falei sobre esse assunto no passado), foi realmente muito boa e com uma carga emocional super bacana para uma série que já estava alcançando o limite do seu prazo de validade.

Sabe quando dá até aquela animada? Mas o problema são os demais personagens, que ficaram todos muito minimizados, exceto para quem tem alguma história bem ligada a Jackie. Quem se importa com a gravidez da O’Hara? Sério? E com a alma infantil e as vezes até que foufa do Coop, que teve 10 falas durante essa temporada inteira, hein? Sério, quem se importa? Até a Akalitus e o Eddie sendo demitidos do hospital e vagando pela fila do exame demissional foram plots mais interessantes para a reta final dessa temporada.

A única que consegue se sobressair de todos eles é realmente a Zoey, que tem a vantagem de estar bem próxima a Jackie, ainda mais durante essa Season 4, onde ambas passaram a dividir o mesmo teto. O que foi ela terminando o noivado com o motorista da ambulância? Awnnn! Achei foufo. Inclusive, eu acho que a Zoey de Nurse Jackie é um ótimo exemplo (na verdade, o exemplo certo) de idiota totalmente aceitável, do tipo que não chega a nos constranger ou nos insultar e seria ótimo que a Zooey Deschanel de New Girl aprendesse o limite aceitável do bocó meio assim, olhando com bastante atenção para essa personagem. Fica a dica para a sua vida cômica televisiva,  Zooey! (eu pelo menos não volto a assistir New Girl por vc…)

Dito tudo isso, das duas séries do Showtime, Nurse Jackie pelo menos teve uma temporada mais bacana e até mesmo mais interessante, o que até justifica a sua próxima, já confirmada pelo casal devido ao aumento da audiência da série. Mas digamos que nada do que nós vimos durante essa temporada já não poderia ter acontecido antes, hein? E talvez esse seja o maior problema do Showtime em si, que parece ser um canal que não sabe muito bem a hora certa de parar. Beija Dexter, Californication, Weeds.. .ZzZZZ

Agora imaginem que The Big C e Nurse Jackie cheguem a uma Season 8 por exemplo? E eu pergunto: quem aguenta? Alguém realmente acha que duas histórias como essas tem condições de chegar tão longe? Bem fez United States Of Tara, que acabou por cima e ainda conseguiu nos deixar com saudades. Por isso acho melhor reconhecer que tudo precisa de um fim e as vezes é melhor aceitar que esse momento está mais próximo do que conseguimos imaginar. Pense nisso Showtime, pense nisso.

Por esse motivo, considero Nurse Jackie como outra série a qual a gente continua assistindo por apego, mas que já está passando da hora de nos libertarmos. Mas nesse caso, estou até achando que Jackie está em mais vantagem do que a Cathy e talvez essa precise de uma substituta com um pouco mais peso para tirá-la da minha agenda na próxima temporada. Mas tudo é negociável, então não crie confiança dona enfermeira. Shiu!

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

Cathy cruzando a linha de chegada na Season 2 de The Big C

Outubro 6, 2011

E foi uma temporada esperançosa essa Season 2 de The Big C, hein?

Tivemos Cathy tentando novos tratamentos, ficando feliz em ver suas unhas caindo (efeito positivo do tratamento), virando treinadora do time de natação e ainda de quebra, ganhando um melhor amigo gay, maratonista e foufo mil, que também atende como Hugh Dancy. Höy!

Estava na cara desde o princípio que o personagem de Dancy  tinha chegado na série com os dias contados. Se para essa temporada tivemos Cathy ganhando alguma esperança de ser curada e com isso mais tempo para suas aventuras e descobertas, por outro lado, precisávamos de um outro parâmetro, de alguém para mostrar que as coisas não funcionam do mesmo jeito para todo mundo.

Mas antes da despedida emocionada e ainda com direito a um tapa na cara como último suspiro do seu personagem, Lee (Hugh Dancy) teve bons momentos com Cathy e teve tempo suficiente para fazer com que ela veja o mundo de uma forma diferente depois da sua passagem na sua vida, que é o que ela vem tentando desde que descobriu a doença.

AMEI o episódio do Thanskgiving, com a briga dos dois na mesa de jantar e no final, Cathy coberta de sangue da morte do peru (euri). Mas um dos episódio mais comoventes da temporada foi aquele com os pais sendo contra uma mulher com câncer se tornar a treinadora do time de natação de suas filhas. Um preconceito horroroso, que por incrível que pareça, também existe. Humpf…

Andrea como sempre brilhou na temporada, com sua auto estima elevada em níveis altíssimos, ela até descolou um namorado. Tudo bem que ele estava interessado no green card e esse foi o motivo maior da sua aproximação, mas gosto do jeito que ela encara a vida e as suas lines são as mais divertidas e que deveriam servir como exemplo de comportamento para várias garotas que eu ou vc conhece.

E o destaque maior da temporada ficou mesmo para o Oliver Platt na pele do Paul, o marido e companheiro de Cathy. Acho sensacional a relação entre o casal, de uma sinceridade absurda. Paul começou a temporada como um total freak, controlando todos os passos do tratamento da sua mulher, para que ela tivesse maiores chances de cura. Depois perdeu o emprego e teve que aceitar uma vaga como vendedor de uma loja de eletrônicos, apenas para garantir o seguro médico da sua mulher. E nesse meio tempo ele ainda fez uma excursão de sucesso no universo dos gay bears, onde ele reinou (rs), virou facilitador para o crime e de quebra, terminou a temporada cheirando cocaína direto do chão coberto de neve. #TEMCOMONAOAMAR?

Como se não fosse o suficiente, ainda tivemos a sua mulher descobrindo sobre a volta do seu vício antigos dos 90’s, sem grandes dramas e já querendo saber se aquilo era algo que ela deveria se preocupar ou não. Tem forma mais prática de se lidar com uma situação como essas? E essa praticidade de lidar com problemas sempre foi um dos pontos altos de The Big C.

Claro que mesmo com toda a carga dramática da série, que carrega esse “C” enorme, tivemos momentos hilários envolvendo “chatos”, médicos bem dotados, Sean fugitivo e virando Deus dos sem tento, além de um funeral antecipado da própria Cathy. E a temporada também foi importante para a despedida da personagem da Cynthia Nixon, que mais chata seria impossível.

Agora, chegando ao episódio final, achei tudo muito morno, até os minutos finais com o Paul invadindo a festa da firma do plano de saúde, jogando umas verdades na cara da atendente bitch e enquanto isso, sua mulher insistia e sofria para terminar a sua maratona de corrida.

O promo do episódio já anunciava fortes emoções, mas acho que todo mundo estava esperando que algo acontecesse com a Cathy, devido ao estágio avançado da sua doença e tudo mais. Mas quando o Paul saiu do escritório com a mão no peito, e na linha de chegada da maratona Cathy avistava de longe todas as pessoas importantes na sua vida ultimamente, tive a sensação de que o Paul não conseguiria chegar até lá.

E foi emocionante ver o Lee, a Marlene, todos aparecendo naquele momento importante da vida da Cathy, e ao mesmo tempo foi de partir o coração ver ela enxergando o marido ao lado dos seus amigos que já fizeram a passagem e ouvir o filho do casal dizer que foi uma pena o Paul não ter conseguido chegar até lá. (glupt)

Juro que eu fiquei super triste com a possível despedida do companheiro de vida da Cathy. Mas pode ser que eles ainda tentem ressuscitá-lo, quem sabe?

Nessa hora, por mais que as pessoas impliquem com The Big C, por mais que elas critiquem que para uma pessoa em estado avançado câncer, Cathy anda bem demais, eu duvido que não exista quem não tenha ficado emocionado com esse momento da linha de chegada do season finale da série.

E fica cada vez mais evidente que será bem difícil Cathy escapar dessa, mas também fica cada vez mais claro que talvez o importante seja mesmo recuperar o tempo perdido quando vc ainda tinha tempo de sobra para perder…

ps: e o doutor antigo que resolveu aparecer? Volta ou não volta para Season 3, hein?

O grande “C” da questão

Janeiro 12, 2011

Só mesmo uma série muito boa poderia fazer piada sobre um assunto tão sério.

E The Big C cumpre brilhantemente esse papel, nos apresentando mais uma das comédias mais deliciosas da temporada, com a diferença de que aqui, a sentença de morte da personagem principal nos é apresentada logo de cara.

Sim, Cathy (Laura Linney) é um mulher de 40 e poucos anos, que vive a sua vida quase perfeita no suburbio, em sua casa grande com marido e filho. Até que, ela descobre que esta com câncer, uma melanoma em estágio 4. Dra-ma!

Como se encontra em um estágio avançado da doença, Cathy decide não contar para ninguém, mas também não quer enfrentar nenhum tratamento e decide arrumar o que ela acha que não esta tão bem em  sua vida enquanto há tempo.

Ela percebe que a sua vida não é tão perfeita assim, com um marido que mais parece uma criança crescida, um filho de 14 anos que esta pretes a se tornar uma pessoa horrorosa, um irmão sem teto radical que vive nas ruas da sua cidade e a sua casa, que nem é tão grande assim e que ainda falta o seu grande sonho no quintal: uma piscina.

A partir disso, ela começa a direcionar um novo rumo para a sua vida, se “separa” do marido, começa a experimentar coisas novas, se dispõe a conhecer melhor as pessoas a sua volta e enxerga que ainda existe alguma esperança de salvar o seu filho de se tornar uma pessoa horrível. É claro que com toda essa impulsividade que ela passa a ter depois de ser diagnosticada nos faz ter a impressão de que ela esta meio perdida, mas ai vc pensa: e quem não ficaria? A única certeza que ela parece ter nesse momento é a de querer ser mais feliz e as sua tentativas em busca de meta nos garante a dose de diversão da série.

Apesar de ser uma comédia e com ótimos momentos de diversão, The Big C também se completa com o drama da questão, de saber que Cathy, sem tratamento, terá cada vez menos tempo de vida. Pelo menos eu pensava nisso a cada episódio, a medida em que passava a me apegar a sua personagem.

O irmão Sean (John Benjamin Hickey), sem teto e que se recusa a viver “the american dream” é um dos meus personagens preferidos. Sujo, vive comendo resto dos lixos, mora nas ruas, vive de doações e é o reponsável pela reciclagem do lixo da irmã, a qual ele condena o modo de vida e joga isso na cara dela o tempo todo. Uma delicia as mensagens ambientais/políticas/sociais escondidas no texto dele, algo muito inteligente e que não fica com cara de “certinho” ou tão politicamente correto assim.

Gabourey Sidibe também esta sensacional na pele da aluna espertona da classe de Cathy (já disse que ela é professora?). Outro personagem que busca o humor em sua condição, também bem inteligente. Diferente do seu drama em “Precious”, aqui ela vive Andrea e nesse caso ela é apenas alguém que precisa de um incentivo, rs.

Paul é o marido (Oliver Platt), que mas uma vez reforça o clichê do marido meio caído com a mulher gostosona do pedaço. Típico. Mas com o tempo vc passa a amar esse homem de alma infantil que tem um carisma absurdo e mesmo com tudo que a sua “ex espoda” apronta, ele continua  complemente apaixonado por ela (um tanto quanto compreensivo demais até…). A cena em que ele invade a sala de aula com uma máquina de cortar cabelo é hilária e até disso eles conseguem tirar uma piada inteligente.

Adam , filho do casal (Gabriel Basso) eu acho meio pé no saco demais, desde o começo. Mas  no piloto, aquela vingança que a mãe apronta com ele é sensacional. Os meus futuros filhos que nem se atrevam a brincar daquele jeito comigo que eu já tenho referência de como agir hein? Fikdik para o futuro.

Não entendi muito bem como ele não ficou nem um pouco  traumatizado quando a sua vizinha se suicidou (talvez ele ainda estivesse em “choque”?), pouco tempo antes de ter tentado mata-lo (blame Alzheimer) e também achei que o seu pai reagiu muito bem com todo esse drama na vizinhança (ainda mais depois do que ele disse para Marlene, pouco tempo antes dela se matar). Depois tivemos o casal contando para o filho sobre a realidade de sua mãe e ele não demonstrando grandes emoções. Mas a cena em que ele encontra a chave da garagem, onde esta o seu presente de aniversário para quando ele fizer 30 anos (que nós já vimos Cathy preparar lá no começo da série) e que para a nossa surpresa, lá não se encontra mais apenas esse presente e sim várias outras caixas que ela deixou para o garoto comemorar cada ano, cada data importante da sua vida e que provavelmente ela não vai poder estar por perto (glupt), por mais clichê que possa ter sido, me fez chorar de verdade. E nesse momento, nem ele e o seu coração gelado de adolescente tolo resistiram. Até que enfim!

Marlene (Phyllis Somerville) , a vizinha mais velha e pé no saco que com o tempo acaba virando a melhor amiga de Cathy e é a única que sabe da sua doença, também é muito boa. Uma pena o seu final trágico e com certeza vamos sentir falta da sua personagem, empolgada com os pirulitos exóticos do “clube das mulheres”, rs. Mas a continuação da sua história também foi muito boa. Comovente aquele final com o mural de imagens para bons pensamentos da Cathy, no teto do seu quarto (que foi uma idéia do Paul, uma linda idéia na verdade), com a foto da amiga completando as imagens em sua “árvore” de bons pensamentos. Outra cena linda da série que me deixou bem emocionado.

E é claro que como toda boa série precisa de um boy magia, temos o médico de Cathy, o Dr Todd (Reid Scott, Höy!) para preencher esse espaço. Desde o começo, existe algo mais no ar entre os dois, algo além da relação médico e paciente, mas achei bem digna a reação dela quando descobre as intenções do moço. Sem drama, dois adultos lidando muito bem com o problema e a frase “vc tem que escolher a garota que vai sobreviver” foi de cortar o coração. Mas todos nós entendemos a magia de um Dr. neam? (tisc tisc) E desde o começo tem um climão entre os dois…mas eu prefiro que eles continuem apenas bons amigos. (ou friends with benefits, talvez? rs)

Além de todos esses personagens deliciosos, ainda temos a volta da Cynthia Nixon à tv, encarnado Rebecca,  uma das melhores amigas de Cathy dos velhos tempos da faculdade e que acaba se envolvendo com o seu irmão, de quem ela engravida.

E isso é o que eu gosto na série. Embora tenhamos uma protagonista excelente, completa e que rouba a cena, ainda temos todos os outros personagens menores, que também são muito bons. Não consigo gostar de uma série de um homem só por exemplo…

Todas as presepadas em que Cathy se mete tentando recuperar o tempo perdido em sua vida são muito divertidas. A depilação, o carro novo, o tratamento mais rígido que ela aplica no seu filho, o resgate da lagosta, o tratamento com abelhas, o caso com o pintor, o primeiro extasy, os diálogos sinceros com o médico, a aula de educação sexual para o seu filho, tudo é muito bem humorado e o melhor de tudo são as suas próprias piadas sobre a doença. Um humor negro, mas de muito bom gosto eu diria.

A série é bem leve, embora o tema seja pesado para alguns, mas funciona também como uma alternativa para quem vive uma história parecida (ou que apenas tem um grande problema qualquer). Tão leve quanto aquele delicioso mergulho de Cathy na abertura da série, que toda vez  me da vontade de nadar  ao som da música de abertura, fatão. (e lá esta o fundamento do verde azulado + vermelho do qual eu tanto falei durante o ano passado, fikdik)

Só achei que ela demoraria um pouco mais para revelar a sua doença para a família, ou que começaria o tratamento mais tarde, mas entendo que precisamos encorajar os telespectadores e que cá entre nós, Cathy não é um exemplo perfeito a ser seguido em um caso como esse, mas mesmo assim não deixa de ser um ótimo exemplo. Mas isso acontece logo no Season Finale e agora teremos que aguardar até a Season 2 para acompanhar mais um pouco da vida dessa mulher encantadora.

Série curteeenha, 13 eps apenas, com mais ou menos 28 min cada, que da para vc devorar em pouco tempo. Emociona sem apelar, é engraçado sem exagerar. Mais do que recomendado!!! (meus novos 28 min preferidos na tv, rs)

Lembrando que o Showtime em sua leva mais recente já nos deu:

  • Tara (United States Of Tara)
  • Jackie (Nurse Jackie)
  • E agora  eu incluiria Cathy nessa lista hein?

Parece mesmo que eles estão se especializando em grandes mulheres, não?

Vejo vcs na Season 2… será que até lá, Cathy vai finalmente conseguir a sua piscina? Ou vai continuar com aquele buraco enorme no jardim? Hein?


%d blogueiros gostam disto: