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Não, Seth McFarlane. NÃO!

Março 5, 2013

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Vamos redesenhar todo esse episódio de Family Guy da vida real, voltar no passado e pedir o figurino do Oscar de volta?

Porque agora que conhecemos, nós queremos aquele Seth. Para sempre!

#INYOURFACE

 

ps: vejo esse 1/2 sorriso delicioso do McFarlane e tenho certeza que ele me entenderia, que seriamos da mesma turma de humor, rs

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

O Oscar 2013 foi realmente sensacional, mas o red carpet foi aquela preguiça de sempre

Fevereiro 26, 2013

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Sim, no comando do Seth McFarlane tivemos umas das melhores cerimônias do Oscar dos últimos anos. #INYOURFACE

Uma abertura absurda, com direito a musiquinha escrota que a essa altura certamente já deve ter virado toque do celular de todas que tenham ou não mostrado os gêmeos para o mundo nos cinemas, puppets  de meia colocadíssimos, Charlize Theron divando acompanhada do Channing Tatu Bola (pelo menos dançar ele sabe e disso nós não podemos reclamar), Déniel Potter fazendo dupla de magia com o Joseph Gordon-Levitt (o que foi esse momento, minha gente? – sapateio enquanto digo essa line) e o McFarlane vestido de The Flying Nun, descolando o melhor encontro da noite e com direito a começo de final feliz. Höy! Realmente, o Oscar 2013 foi sensacional. SENSACIONAL! Clap Clap Clap! (#OSCARFEVER)

Mas nada nos deixa mais animados do que o red carpet em noite de Oscar, principalmente porque elas tendem a sempre nos dar motivos para boas gargalhadas, algum recalque e bocejos longos e preguiçosos, sempre. Por isso, vamos aos trabalhos! (recomendamos que esse post seja lido ao som da performance das performances da Barbra, da Shirley Bassey, da Adele, ou de qualquer um dos musicais durante o Oscar 2013. Sério)

 

Charlize foi de branco, conseguiu não imprimir noiva e deitou com todas. COM TO-DAS!

Charlize

Charlize arriscou tudo e foi de Dior branco (nome amaldiçoado do momento), com um corpo de dar raiva em qualquer uma com mais de 1% de gordura, mas mesmo assim conseguiu se distanciar do look noiva que algumas delas sempre acabam apostando e ou imprimindo nessa hora. Nada de volumões onde ninguém precisa, apenas um vestido que parecia que foi feito no seu corpo e um decote no lugar certo, sem mais. Lembra da Anne Hathaway no último Golden Globes? Então… Charlize foi lá, usou a mesma referência e ensinou como é que se faz direito. E o cabelo curtíssimo? Maravileeeandra!

Aposto 5 embalagens fechadas de blondor que depois dessa sua aparição, a Miley Cyrus está no banheiro da casa dela até agora, chorando copiosamente e tentando ficar com o picumã igual. Nunca conseguirás Smiley. Nunca conseguirás… (aposto também que a vocalista do Roxette está dando piruetas suecas onde quer que ela esteja, só por ter virado tandancé novamente, rs)

E posto três pares de chinelos daquela marca do Hawaii que a Kristen Stewart não conseguiu dormir depois que teve essa visão e que a Ellen DeGeneres pensou no mínimo em se divorciar nessa noite. Certeza.

Sem contar aquela suspensão de perna que ela fez no meio da sua coreô ao lado do Channing Tatu Bola no espetacular número de abertura do McFarlane. Só eu fiquei com medo que ela chegasse a bater em um daqueles refletores de tão alto que aquela perna conseguiu chegar? Feminina com 1,90. PÁ!

Melhor da noite? Com essa cara, eu diria que foi o melhor para a vida! (se bem que, já a vimos em outras ocasiões e quase entramos em estado de choque…)

#DIVOU

 

Só pode ter sido mais uma das sete mil pragas de Galliano

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Não adianta, porque ao que tudo indica, o Galliano deve mesmo é ter rezado todo e qualquer vestido que a Dior tenha feito depois da sua saída meio assim da marca…

Agora, além das coisas horrorendas todas que andamos vendo nas passarelas da Dior nas suas ultimas coleções e ou em red carpets (lembra o horror em amarelo da Marion Cotillard no BAFTA 2013? #CREDINCRUZ!), eles rasgam em público, denunciando uma costura provavelmente terceirizada e ou feita no precinho, o forro se desfaz magicamente e o auge do que de pior poderia ter acontecido acabou de fato acontecendo na noite de ontem, com a Jennifer Lawrence dando com a cara no chão ao subir naquele palco para receber um dos maiores prêmios do Oscar 2013.

Apesar da textura até que bacana, o vestido não é dos melhores e justamente porque tem essa intenção de bolo de noiva, muito Vera Wang, sabe? Tem também esses dois tons meio assim (a frente era rosa claro e o fundo branco) e um volume exagerado na saia, o que já dificultava naturalmente o caminhar. Faltou também um pouco mais de experiência nessa hora (eu teria passado pelo menos um dia e 1/2 treinando subir tudo quanto fosse de escada nessa vida, casa não já tivesse muito bem treinado), porque se ela tivesse levantado a saia, talvez nada tivesse acontecido. Mas como se conter ao ouvir o seu nome sendo chamado como uma das grandes vencedoras em noite de Oscar?

E o medo de ser tudo uma piadinha do clã francês da premiação (Dujardin, sempre uma visão francesa. Höy!) e eles dessem na sua cabeça com uma baquete originalmente francesa e dissessem na sequência que o prêmio na verdade não era dela e sim da Emmanuelle Riva? Melhor correr e assumir o risco, não? (eu também não teria pensado duas vezes, Katniss. Estamos com você! rs)

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Só não consigo achar graça nesse tipo de situação, porque sempre acho que bem poderia ser comigo (e acreditem, sou bem desse tipo). Em um post anterior, disse que estava indignado por não ter visto ninguém levantando imediatamente para ajudá-la, algo que meus queridos leitores (Thnks J.) me mostraram que não foi bem assim e tanto o Bradley Cooper quanto o Hugh Jackman (diz que o Day-Lewis também) levantaram prontamente para ajudá-la naquele momento constrangedor que como eu já disse, nós não vamos mostrar por aqui. Agora, justamente o Cooper e o Jackman terem levantado prontamente, significa? Significa sim, cavalheirismo, educação, gentileza, solidariedade com as amigas, projeção, essas coisas. (rs)

Com isso, fico imaginando que se eu estivesse por lá e tivesse pelo menos 1 Fassy e 1 Ryan Gosling naquela primeira fila, se eu não teria feito exatamente o mesmo e teria me jogado no chão propositalmente, com ou sem Dior. (e o meu Dior seria vintage, para não ter erro)

Mas eu gostaria de dizer que qualquer coisa que tenha dado errado na sua vida até agora, Jennifer Lawrence, mesmo que tenha acontecido 5 segundos antes de você receber um grande prêmio como esse, se tornou absolutamente nada depois desse carinho que o Jack Nicholson himself fez questão de fazer em você e por seu trabalho. Esqueça todo o resto.

#TEMCONOANAOAMAR esse encontro e ou a reação da J-Law? Não, não tem. (♥)

 

Querida Anne Hathaway, não se brinca em noite de premiação em que existe uma grande possibilidade de se subir no palco para ganhar qualquer coisa e você já deveria estar ciente disso

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Acho imperdoável que a Anne Hathaway tenha escolhido esse Prada clarinho e com cara de qualquer coisa amassada e sem gracinha para receber um dos maiores prêmios da sua carreira. Simplesmente não consigo. I dreamed a dream de que quando esse dia finalmente chegasse, Anne que não é o Diabo mas também veste Prada, saberia escolher melhor o que esfregar na cara da sociedade.

Apesar de não gostar nada das piadinhas que estão rolando por ai a respeito da sua escolha (inclusive, eu acho até preconceituoso), temos que reconhecer que não foi das melhores mesmo. Fuén…

Nem a joia era invejável (avaliando apenas a beleza), apesar de provavelmente dar para comprar pelo menos 3 quitinetes em Boca Raton. É o que dizem…

E não, esses dois pontos focais não são os seus faróis acesos e sim a costura do próprio vestido. Agora me digam, quem escolhe um vestido que já tem um farol aceso costurado de cada lado?

#NAOTABOMNAO

 

Jessica Rabbit Chastain

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Finalmente! Jessica Rabbit Chastain fierce divou nesse modelo maravileeeandro, não?

Olha esse corpo? Agora me dá a mão e chora.

(cinco Kleenex depois…)

Tudo no lugar, combo do acerto. Eu daria até uma estrelinha por bom comportamento, porque seu looks dos últimos red carpets estavam bem meio assim… (tirando o último BAFTA onde ela apareceu em um azul dos sonhos)

E apesar de ainda faltar o encosto de Jessica Rabbit decidir se vai baixar ali de vez ou não, Chastain pode dizer que perdeu com dignidade o Oscar desse ano com o seu Armani Prive. PÁ!

 

Um branco lindo, mas com cara de quem foi para a festa errada

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Sim, AMAMOS esse outro modelo em branco da noite, dessa vez no corpo da Zoe Saldana, que poderia ser bem simples e preguiçoso caso não tivesse essa cauda maravileeeandra em 50 – 47 tons de cinza.

Mas apesar de lindo, confesso que ficou super informal, apesar de ser couture by Alexis Mabille

 

Não basta ser onipresente, cantar horrivelmente em “Les Mis” e ter os olhos mais arregalados de Hollywood, tem que ser preguiçosa também, não é mesmo Amanda Seyfried?

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ZzZZZ

Gente e a voz de Amonda durante aquela performance lindíssima do elenco de “Les Mis”? Sumiu completamente não? (e que orgulho do Eddie Redmayne)

E quando a Éponine entrou então… VRÁAAAAAAAAAAAAA! Não sobrou nada para Amonda, a não ser o seu Marcus, rs. Tanto que daí por diante ela acabou a apresentação amparada nos braços do Eddie Redmayne e tendo dito isso eu repito, tem pessoa mais irritante em Hollywood nesse exato momento?

Tem sim, e mais representativas também, mas podemos dizer que pelo menos a Amanda Seyfried deve estar esperando nessa mesma fila, rs.

Depois ela trocou por um vermelho que seguia o mesmo fundamento (aquele da apresentação), mas esse não era apenas preguiçoso como o modelo acima e sim apenas horrorendo. Apenas.

#NAOTABOMNAO

 

Falando em preguiça…

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O Oscar de la Renta da Amy Adams era lindo, mas ficou muito dentro daquele sonho de princesa que muitas delas ainda insistem em sonhar em noite de premiação e que ninguém aguenta mais.

Mas nesse caso, o ponto positivo vai para o seu boy magia, que fez o prestativo durante o red carpet e isso nós precisamos valorizar e mostrar como bom exemplo para o mundo. Höy!

 

Sabe gente que precisa conhecer melhor o próprio corpo?

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Então… a Melissa McCarthy é engraçadona, nós a AMAMOS desde Gilmore Girls, não conhecemos ninguém que assista Mike & Molly, achamos a sua personagem e todo o seu  “Bridesmaids” super valorizado, mas achamos também que ela precisa conhecer melhor o seu corpo para aprender a valorizar o que ela tem de melhor.

Nessa hora, a ideia até que não foi totalmente das piores e sim essa modelagem pavorosa que deixou tudo completamente meio assim, jogado e fora do lugar.

By David Meister

#NAOTABOMNAO

 

Sabe gente que conhece muito bem o próprio corpo?

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Então… Adele bem que poderia dar umas aulas para a Melissa McCarthy no #Gholpower, não?

Apesar de não ter nada demais e ser super simples, Adele estava super apropriada em seu Jenny Packham, principalmente quando pensamos no combo completo do cabelo + make certo. E o make era parte importante do seu fundamento e estava lindíssimo. (apesar também dela sempre usar algo pelo menos parecido que achamos que ela já descobiru que não tem mais como dar errado para ela, sabe?)

E para sua apresentação ela simplesmente soltou o picumã, veio com uma escova daquelas e divou cantando para o 007. Maravileeeandra!

 

Alguém liga para a Beyoncé e diz que a sua amiga Kelly Rowland não está mais para brincadeira?

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E não tem depressão certa meus bens, porque segurando esse bicolor com um corpinho 0% de gordura, ninguém tem tempo para pormenores.

Kelly estava linda no seu bicolor Donna Karan Atelier? Estava.

Kelly chamou para cair dentro mais uma vez? Chamou.

Mas Kelly acertou no picumã? Hmm mmm….

Não e deveria ter pedido emprestado uma peruca melhor para a sua amiga com muito mais condição.

Mas o caminho é esse mesmo Kelly Rowland. Não desista!

 

Seria o Michael Douglas o novo Doctor Who?

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Porque a Zeta-Jones só pode ter entrado na TARDIS e voltado dez anos no tempo para a sua apresentação de “Chicago” no Oscar 2013, onde ela obviamente divou!

Acho linda, acho que recuperou uns bons anos e ou mandou a irmã gêmea dez anos mais nova no seu lugar e acho que a Renné deve estar chorando até agora embora não consiga demonstrar pelo tanto de coisa que ela já colocou naquela cara, por não ter nem se arriscado a segurar um dueto com a amiga antiga durante a sua apresentação.

E Zeta foi de dourado porque is all that jazz! (jazz hands)

 

Agora, o que em nome do espírito de boy magia indeed de Mark Darcy aconteceu com a nossa Bridget Jones?

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Mas a dúvida maior é, ela foi ou não foi disfarçada de estatueta?

Diz que se ela respirar normalmente e soltar tudo o que ela puxou para dentro dela mesmo no momento da foto, sua anágua no formato de uma cinta cirúrgica sem costura PPP  é capaz de atingir a Adele que estava no palco se apresentando nesse exato momento. Sério.

Como é que com essa cara de castor, a Rennée Zelewjgalanokikidsjeggerwegger vai conseguir interpretar a nossa adorkable AMO/sou Bridget Jones no terceiro filme da série anunciado recentemente, hein?

#NAOTABOMNAO

 

OK, Naomi Watts, acho que entendemos perfeitamente qual foi o seu fundamento para o Oscar 2013

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Sabotagem. Aposto que o pensamento foi algo mais ou menos do tipo “Já que eu não tenho chance de ganhar mesmo, vou usar qualquer coisa que chame bastante atenção mas que também não seja tão 80’s Cher porque eu ainda não tenho culhões para tanto”

Apostamos que essa foi a sua intenção ao se permitir aventurar-se nesse metalizado totalmente meio assim e quase com cara de trabalho de faculdade de moda tendo como sugestão matérias primas não convencionais.

Agora, caso esse não tenha sido exatamente o seu pensamento, #NAOTABOMNAO (e o after party estava pior ainda. Acreditem!)

 

E quem diria que o metalizado da noite seria logo o da Halle Berry?

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E ou não é um sinal claro de que o final dos tempos se aproxima? Meow!

Sim, para nossa surpresa, ela que teve que andar de cabeça baixa durante toda a premiação para evitar o confronto da sua Catwoman com a Selina da Anne Hathaway e ter que amargar a visão de alguém que conseguiu ser 1558 vezes melhor que ela em um mesmo papel (PÁ!), Halle acabou escolhendo muito bem o seu Versace metalizado da noite. (que além de tudo tinha um decote nas costas lindo)

Sem contar que o vestido além de maravileeeandro (e olha que ele tinha tudo para dar errado e não é para qualquer uma) é também educativo e as listras servem para lembrá-la da faixa de pedestres nas ruas, leis de trânsito, coisas que ela vivia esquecendo no passado e que preferimos acreditar que hoje em dia não seja mais assim.

Tudo bem que esse cabelinho preguiça de sempre ninguém aguenta mais já tem uma década… mas pelo menos ela foi de Bond girl.

 

Salminha foi pela metade?

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Porque ela sumiu quase que completamente dentro desse McQueen, não?

Se não fosse pelo cogumelo da lua no topo da sua cabeça, ninguém conseguiria encontrá-la na fila do poncho de Guadalajara de Ugly Betty.

#NAOTABOMNAO

 

Por um mundo come menos:

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Cabelo ondulado de lado e vestido preguiça que todo mundo já viu em red carpets do Oscar em pelo menos em 1/4 de suas 85 edições até agora.

Viu Reese Com Sua Colher? (a tradutora do canal fez questão de traduzir até o seu nome)

E a cara de Coca Zero da Reese?

A propósito, ela não era garota propaganda de make? Mas cadê o fundamento?

Helen Hunt

Convidada que resolve tirar um cochilo antes da premiação ou tem a sorte de ter uma tarde mais animada nesse mesmo dia e obviamente atrasada nas duas hipóteses, resolve ir de última hora enrolada nos lençóis do quarto de hotel, mesmo que você tenha aproveitado os lençóis do seu ultimo filme (“The Sessions”) ou seja algo vintage, dos tempos da excelente Mad About You (♥), viu Caça Hellen? (a tradutora também fez questão de traduzir esse outro nome)

#NAOTABOMNAO & #NAOAGUENTAMOSMAIS

 

Barbaryellow

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Barbarella claramente compareceu no Oscar 2013 para mostrar como é que se faz para toda uma geração que acha que exala juventude.

Maravileeeandra nessa Versace amarelo, com direito a ombreiras e um corpo que muita gente odeia desde os tempos de Barbarella antiga

Tá magrona, tá gatona, tá gostosa Jane. Mesmo que você nunca tivesse feito “Barbarella”, eu acabaria te amando de qualquer forma pela surra que você deu na J-Low naquele filme totalmente meio assim onde ela injustamente pega o Michael Vartan.

Mas está na hora de aposentar esse cabelo com cara de apresentadora de programa feminino matinal de lá e agora também de cá, não?

 

Siydney Bristow poderia ter escolhido outro disfarce?

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Poderia. Porque embora assim de frente esse Gucci não pareça nada demais…

Alias

De costas, o efeito era bem mais dramático e ou remetia a certas coisas que preferimos não falar por aqui para não atrair. (rs)

Mas quem se importa se ela levou para casa a estatueta mais importante da noite para colocar na estante da sala de cinema, justamente por seu marido ter nos contando tão bem uma história do mundo dos espiõess e ainda teve a chance de esticar a noite fazendo uma performance de Elektra e exigindo que o seu boy magia aparecesse de Demolidor para um confronto com final feliz?

Porque seria exatamente assim que a gente teria comemorado. Hell Yeah!

Ben, Affleck, Argo Fuck Yourself e sempre um visão. Höy!

E falando em Ben…

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… quem não tem certeza que nesse encontrismo entre ele a Sandra Bullock (que só não estava mais preguiça do que a minha própria preguiça em relação a qualquer um dos seus filmes, tirando “Da Magia à Sedução”, “Speed” e “Miss Simpatia”, é claro), rolou uma conversa sobre aquele filme pavoroso que eles fizeram juntos e que passa toda hora na Sessão da Tarde?

“Não finja que não me conhece não Sandrão, porque eu bem me lembro dos filmes pavorosos que nós já fizemos no passado e que by the way nos deixaram bem ricos, viu? É, lembra daquele do avião em que você era uma péssima mãe e eu fazia dancinhas animadas em bares exóticos que eu jurei nunca mais entrar na minha vida a não ser acompanhado do Matt Damon, para desespero de toda uma comunidade? O capeta está vendo…”

CERTEZA!

 

Não sabemos quem você é meu bem, mas…

Nancy O'Dell

… precisamos dizer que se o seu colo precisa desses litros todos de retoque a ponto do vestido ficar todo manchado na axila, significa que talvez você deva escolher outra coisa para mostrar.

De nada.

 

E quem precisa se cobrir de jóias quando se está carregando um dos melhores acessórios da noite?

Jennifer Aniston

Apesar da imagem não ter ajudado, preciso dizer que a Jennifer Aniston carregou um dos melhores acessórios da noite, Justin Theroux. Höy!

Sem contar que é quase certo que Brangelina nem teve coragem de aparecer porque agora a Jennifer é quem carrega o melhor boy magia das duas e pode jogar na cara dela que nunca precisou pegar o Billy Bob Thornton com ou sem aquela barbicha medonha, embora tenha também o que se desculpar com o mundo por sua fase Vince Vaughn.

Suck it Angelina!

 

Querida Sally Field, te amamos ainda mais e para sempre de Valentino vermelho

Sally Field

Sério. Estava maravileeeandra! Em camadas e transparência, algo que obviamente não é para qualquer uma.

Sem contar que durante a premiação, ela ainda demonstrou ser super bem humorada admitindo logo no começo que o prêmio seria da Anne Hathaway de qualquer jeito e de quebra, ainda pegou o próprio Seth McFarlane…

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… que a propósito, estava todo comediante magia durante a premiação que ele dominou completamente. Seth que canta, dança e de vez em quando dubla quase todos os personagens do seu Family Guy. #TEMCOMONAOAMAR?

Não, não tem e Höy! (♥)

 

Pausa para uma prece:

Daniell + Meryl

Que do encontro desses dois tenha exalado algum talento para boa parte dos presentes durante a premiação desse e de qualquer ano do Oscar. #AMEM!

Agora sejamos sinceros, se você tivesse ganhado uma encarada dessas de qualquer um dos dois personagens acima do não casal Daniel/Meryl, você não estaria congelado até agora, derretendo em um beco qualquer de Hollywoood já que muito provavelmente a essa altura eles já desmontaram toda a festa? (se Daniel me olha assim, minha American Apparel purple  se dissolve em cinco segundos e se Meryl me dá um sorriso como esse, eu posso jurar que já vi Deus e que apesar dele soar como a Cher, tem a cara da Meryl! rs)

Déniel, que os boys magia todos se inspirem em você, sempre. Queremos essa classe, esse talento e exatamente essa profundidade no olhar. Amém.

Meryl, promete que você vai aceitar o convite de interpretar a minha mãe no cinema quando finalmente chegar a hora e Hollywood finalmente me descobrir?

Höy!²

 

Para finalizar, temos o enigma da noite: o que teria acontecido com Kristen Stewart?

Stewart

Ela que me apareceu nessas condições durante o Oscar 2013, quando não caminhando feito um zombie atropelado por um caminhão dirigido pela própria Michonne de TWD, ao lado do nosso Daniel Potter Radcliffe em um crossover que talvez a gente nunca jamais consiga perdoar a academia. E as nossas opções para o seu atual estado são:

 

A) foi descer do caminhão no estacionamento da festa, esqueceu da altura e caiu com tudo no chão. CATAPLOFT

B) no mesmo estacionamento, foi atropelada sem querer pelo caminhão da Charlize, que encostou na vaga ao lado enquanto dela descia do seu…

C) estava atravessando a rua e encontrou com a Hally Berry dirigindo o seu próprio carro e ai já viu, neam?

D) apareceu manca ao lado do Déniel Potter porque estava carregando todos os seus Framboesas de Ouro debaixo da saia + pelo menos um diretor de qualquer um dos seus próximos trabalhos no cinema

E) apareceu manca ao lado do Déniel Potter porque ele aproveitou o momento para lançar um feitiço daqueles, provando que a sua franquia é infinitamente e além melhor do que a dela. ALAKAZAM

F) encontrou com a associação das mulheres traídas e vingativas e acabou levando um coió daqueles por seu histórico recente

G) brigou com o hairstylist antes de entrar na cerimônia, só porque ele encostou a escova no seu ninho de mafagafos e acabou tomando uma surra de escova larga do próprio que não nasceu para levar esse tipo de desaforo para o salão, M’OKAY

H) não entendeu o nosso recado de quando dissemos que ela precisa se esforçar mais e resolveu aparecer toda quebrada para tentar imprimir alguma boa vontade

 

Bom, não sabemos exatamente o que aconteceu com a Kristen (por pura preguiça, porque saiu em um monte de lugares mas não nos interessamos por esse tipo de notícia a respeito dela) mas adoramos essa imagem dela sendo humilhada no olhar por gente que realmente é alguém na fila do bagel com cream cheese em NY:

Katniss

No Super Trunfo, em qualquer quesito, Katniss ganha disparada da sua Bella que insiste em ser feia. PÁ!

Mas a melhor de todas, deixamos para o encerramento do nosso Oscar 2013:

Anne Hathaway

Porque o olhar baixo de Catwoman para cima da Bella, não tem preço. K.O!

E exatamente por esse olhar e o detalhe que ela carregava nas mãos, somos capazes até de perdoar e esquecer o seu vestido mamiludo sem gracinha da noite. Aliás, que vestido mamiludo sem gracinha?

Esse foi o red carpet preguiçoso do Oscar 2013, a premiação que pelo menos voltou a nos dar alguma esperança de que algo de muito bom parece estar acontecendo com as premiações do tipo. Agora só nos resta esperar a cerimônia do ano que vem e torcer para que:

A) eles repitam o Seth McFarlane, mas que ele venha acompanhado do Stewie. Yei!

B) eles contratem a dupla Fey Poehler, como o próprio Capitão Kirk himself mencionou no começo da apresentação

C) que eles juntem eles todos e façam um trio infernal. Hell Yeah!

 

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A lista bem boa e equilibrada dos vencedores do Oscar 2013

Fevereiro 25, 2013

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Sim, ontem ficamos acordados até tarde (smacks especiais para todos do Twitter), vestindo os nossos melhores PJ’s e tudo isso é claro que para acompanhar o Oscar 2013, uma premiação que chegou confirmando as  expectativas de que em 2013, parece que estamos mesmo retomando os rumos das grandes e memoráveis premiações novamente. Amém!

Primeiro foi o Golden Globes, com a impagável dupla Poehler + Fey que foi tipo a realização do nossa premiação perfeita dos sonhos, elas que estiveram sensacionais durante toda a premiação e nos fizeram nem sentir muito bem o tempo passar naquela noite. Sério, daquele jeito, a premiação poderia ter durado 7 dias e 7 noites, que todos nós resistiríamos bravamente.

Para o Oscar 2013 tivemos o Seth McFarlane como hostess da noite, algo que já me dizia que viria coisa bem boa pela frente (eu AMO e sempre AMEI o Seth, desde quando ele era outro homem e não tinha todo aquele nível de magia bem humorada – mas o bom humor ele sempre teve – Höy! Gosto tanto dele que me lembro muito bem da sua participação como ator em um dos episódios de Gilmore Girls, além de AMAR Family Guy, é claro). O meu medo era que o seu tipo de humor não fosse muito bem compreendido por uma maioria… (o que de fato pode até ter acontecido, mas não em grandes proporções)

Mas nada disso aconteceu e McFarlane esteve unfirah e afiadíssimo também (tanto quanto as meninas no GG) e ele não fez feio, falando de tudo e de todos com aquele tipo de humor mais ácido que ele tem e que mesmo assim conseguiu arrancar boas gargalhadas da platéia ali presente. A primeira piada, já trazendo à tona o assunto da não indicação do Ben Affleck ao prêmio de melhor direção desse ano foi simplesmente sensacional e quase tão debochado quanto o próprio texto de “Argo” em relação a Hollywood e suas façanhas do tipo.

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Sem contar que esse ano, tivemos uma premiação mais pop, com apresentações de tirar o fôlego e que todos gostariam de ouvir. Adele, Shirley Bassey, Barbra (♥), todas aparecendo divando, maravileeeandras e com vozes arrebatadoras, mas isso não foi quase nada se comparado aos momentos musicais que aconteceram durante a premiação, com  a Catherine Zeta-Jones deitando todas e ainda segurando perfeitamente o seu número em “Chicago” (Renée se ainda tivesse alguma expressão facial, teria demonstrado que ficou abaixo do limbo nessa hora) de forma lindíssima e isso dez anos depois, além de uma Jennifer Hudson demônia, soltando uma voz que mais parecia um tornado passando dentro daquele teatro, deixando todos completamente sem ar (e foi lindíssimo mesmo!) e para encerrar, um dos números mais emocionantes da noite, com cara de musical de verdade, com o elenco de “Les Mis” inteiro reunido e cantando suas músicas e deixando todo mundo que ousou falar de suas performances musicais no longa com a cara literalmente no chão. Juro, tudo foi perfeito, de chorar.

E a cerimônia além de ter sido muito mais bacana do que qualquer outra dos últimos tempos (leia-se qualquer outra cerimônia do Oscar) ainda nos trouxe uma lista bem boa equilibrada com os vencedores do ano (e a grande maioria deles nós AMAMOS!), confirmando quase todas as nossas impressões a respeito dos seus indicados (isso principalmente depois de ter visto parte deles no cinema, pelo menos):

 

Filme

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Indomável sonhadora

O lado bom da vida

A hora mais escura

Lincoln

Os miseráveis

As aventuras de Pi

Amor

Django livre

Argo

 

Depois de ter ignorado completamente o Ben Affleck na indicação pelo seu trabalho como diretor esse ano (e ele ter vencido na categoria em quase todos os demais prêmios), eles estavam mesmo devendo esse prêmio para ele. E não só por isso (nem por ter pego por tanto tempo no seu pé, porque em alguns momentos  reconhecemos que Ben fez por merecer), mas porque “Argo” realmente é um filme excelente, do começo ao fim, com uma história contada da forma certa e pelas pessoas certas e já estava na hora de Hollywood superar certas birras, ainda mais quando se depara com um trabalho tão bacana. Sem contar que é um filme que brinca como ninguém com Hollywood, debochando da sua cara, fazendo piada da suas falhas. Realmente um trabalho muito bom, ainda mais considerando esse ano onde tivemos excelentes performances, histórias deliciosas, mas nenhum filme chegou a ser grandioso demais, do tio épico e arrebatador, daqueles que acabam levando tudo sem dar chance para os demais, por isso achei bem justo. E o seu discurso, apesar de esbaforido, foi ótimo, falando inclusive de tudo que ele teve que engolir por tanto tempo #BenAffleckRises

ps: aqui, a nossa review sobre “Argo”

 

Diretor

Michael Haneke, “Amor”

Benh Zeitlin, “Indomável sonhadora”

Ang Lee , “As aventuras de Pi”

Steven Spielberg, “Lincoln”

David O. Russell, “O lado bom da vida”

 

Ang Lee parecia o azarão da lista, mas acabou levando. Apesar de não ter visto o seu filme ainda (e esse sim estar amargamente arrependido de não ter ido ver em 3D), acho um trabalho de imagens sensacional, do tipo que mais parece um sonho. Apesar de tudo, a minha torcida nessa hora era mesmo para o Haneke, que com uma história bem simples, conseguiu emocionar o mundo com o seu “Amour”. Mas nada nesse mundo vai conseguir pagar a cara de Coca Zero do Spielberg ao perceber que o seu épico da vez não foi tão épico assim… (embora tenha interpretações épicas sim!)

 

Ator

Denzel Washington, “Voo”

Hugh Jackman, “Os miseráveis”

Daniel Day-Lewis, “Lincoln”

Bradley Cooper, “O lado bom da vida”

Joaquin Phoenix, “O mestre”

 

Esse prêmio seria quase impossível de alguém tirar das mão do Daniel Day-Lewis, que ainda me apareceu mais maravileeeandro do que nunca para recebê-lo, das mãos da Meryl (♥), com quem ele aproveitou para fazer piadas sobre uma inversão de papéis, trazendo um humor super bacana para o seu discurso, além de uma declaração de amor linda para a sua esposa. Daniel Day-Lindo! Mesmo assim, temos que reconhecer que o Hugh Jackman também foi grandioso esse ano e merecia pelo menos um pedacinho desse prêmio pelo seu Jean Valjean. Aliás, o que foi aquela apresentação com o elenco de “Les Mis”? De arrepiar a alma e fazer ter vontade de sair cantando feito uma pessoa desequilibrada na rua segurando uma baguete, caso não tenha achado uma bandeira da França, rs

 

Atriz

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Naomi Watts, “O impossível”

Jessica Chastain, “A hora mais escura”

Jennifer Lawrence, “O lado bom da vida”

Emmanuelle Riva, “Amor”

Quvenzhané Wallis, “Indomável sonhadora”

 

OK, nessa hora, eu confesso que o meu coração estava completamente dividido. Estava torcendo para a Emmanuelle Riva, confesso, ela que estava de aniversário ontem e teria sido um acontecimento caso o prêmio fosse parar em suas mãos. Fiquei com pena dela, imas isso só durou até a J-Law subir ao palco, com seu Dior (meio assim, mas isso é assunto para depois) e se estabacar no meio do caminho. CATAPLOFT! (enérgias negátivas + afobação) Juro, sabe toda aquela vontade que a gente teve de ajudar o casal de “Amour” durante todo o filme? Tive exatamente a mesma sensação depois daquele tombo ela e a minha vontade era a de ir até lá ajudar a Katniss (fiquei impressionado como nenhum do meninos levantou imediatamente para ajudá-la. Shame on you! – apesar do Dujardin ter dado aquela forcinha depois. Aliás, Höy!). E sim, apesar da nossa torcida por uma história melhor (e que exigia muito mais de uma atriz), Jennifer Lawrence vem fazendo por merecer e por isso, também ficamos extremamente felizes com o seu momento e por aqui, nada de imagens da sua queda, porque não somos desse tipo de gente (até somos, mas só com quem não gostamos muito ou quando a piada rende mais do que qualquer outra coisa. Go Katniss! Go Katniss!

ps: aqui, a nossa review sobre “O Lado Bom da Vida”

 

Ator coadjuvante

Alan Arkin, “Argo”

Christoph Waltz, “Django livre”

Philip Seymour-Hoffman, “O mestre”

Robert De Niro, “O lado bom da vida”

Tommy Lee Jones, “Lincoln”

 

Waltz roubou “Django” para ele, quase que naturalmente e não teve para mais ninguém. E que belo ator, não? Aliás, ele, a passagem do DiCaprio (mais do que o seu personagem) e o humor especial do Tarantino, são as melhores coisas do filme. Sem contar a trilha. Sensacional!

ps: aqui, nossa review sobre “Django Livre”

 

Atriz coadjuvante

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Amy Adams, “O mestre”

Anne Hathaway, “Os miseráveis”

Helen Hunt, “The sessions”

Jacki Weaver, “O lado bom da vida”

Sally Field, “Lincoln”

 

Outro prêmio que parecia ser impossível que fosse acabar em outras mãos. Anne realmente fez algo muito especial em “Les Mis”, segurando muito bem a força do seu papel e nos emocionou com toda a fragilidade da sua personagem, mesmo aparecendo apenas nos primeiros 40 minutos do filme. Maravileeeandra!

ps: aqui, nossa review sobre “Les Mis”

 

Roteiro original

Michael Haneke, “Amor”

Quentin Tarantino, “Django livre”

John Gatins, “Voo”

Wes Anderson e Roman Coppola, “Moonrise Kingdom”

Mark Boal, “A hora mais escura”

 

Tarantino merece todos os prêmios do mundo só por ser essa figura que manda a orquestra ficar quieta que ele ainda tem o que falar. Em “Django” eu não consegui encontrar o seu melhor, apesar do seu fundamento estar todo ali e ainda assim, acho que faltaram algumas coisas. O que também não significa que seja uma filme ruim, apenas não o melhor deles. 

 

Roteiro adaptado

Lucy Alibar e Benh Zeitlin, “Indomável sonhadora”

David Magee, “As aventuras de Pi”

Chris Terrio, “Argo”

Tony Kushner, “Lincoln”

David O. Russell, “O lado bom da vida”

 

Nada mais do que justo sendo “Argo” um filme basicamente sobre um roteiro “adaptado” àquela situação, rs

 

Filme estrangeiro

“Amor” (Áustria)

“Kon-tiki” (Noruega)

“O amante da rainha” (Dinamarca)

“No” (Chile)

“War witch” (Canadá)

 

Alguma surpresa? Um filme estrangeiro com força o suficiente para chegar a concorrer entre os grandes filmes do ano merecia pelo menos esse carinho. Justo. 

ps: aqui, a nossa review sobre “Amour”

 

1jack

Animação

“Detona Ralph”

“Frankenweenie”

“ParaNorman”

“Piratas pirados!”

“Valente”

 

Gosto muito de “Valente”, apesar de não ser dos meus preferidos da Pixar. E foi o prêmio ruivo da noite, então…

 

Curta-metragem de animação

“Adam and dog”

“Fresh guacamole”

“Head over heels”

“Maggie Simpson in ‘The Longest Daycare'”

“Paperman”

 

Alguém sabe me dizer se “Paperman” tem alguma relação com “Signs” (que eu AMO já tem alguns anos). Acho tudo muito dentro do mesmo fundamento, apesar das diferenças…

 

Edição

“As aventuras de Pi”

“Argo”

“A hora mais escura”

“O lado bom da vida”

“Lincoln”

 

E o filme tem mesmo um edição bem boa!

 

Fotografia

“007 – Operação Skyfall”

“Anna Karenina”

“As aventuras de Pi”

“Django livre”

“Lincoln”

 

E foi mesmo o filme das grandes paisagens/imagens do ano. Merecido. 

 

Efeitos visuais

“Branca de Neve e o caçador”

“O hobbit: Uma jornada inesperada”

“As aventuras de Pi”

“Prometheus”

“Os Vingadores”

 

Sério, alguma surpresa?

 

Figurino

“Branca de Neve e o caçador”

“Espelho, espelho meu”

“Anna Karenina”

“Lincoln”

“Os miseráveis”

 

Desde o trailer (que dizem que engana bem em termos de qualidade do longa), conseguimos perceber a qualidade e grandeza do figurino do filme. 

 

Maquiagem e cabelo

“Hitchcock”

“Os miseráveis”

“O hobbit: Uma jornada inesperada”

 

Tirando toda e qualquer peruca que o Hugh Jackman tenha usado no longa (todas horrorendas), acho que o prêmio já valia só pela caracterização do Sacha Baron Cohen, que está sensacional e ou aquelas mulheres das ruas. 

 

Canção original

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“Before my time”, de “Chasing ice” – J. Ralph (música e letra)

“Everybody needs a best friend”, de “Ted” – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)

“Pi’s lullaby”, de “As aventuras de Pi” – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)

“Skyfall”, de “007 – Operação Skyfall” – Adele (música e letra)

“Suddenly”, de “Os miseráveis” – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

 

“Skyfall” deve muito disso para a sua interpretação, apesar de ser uma música linda também

 

Trilha sonora original

Dario Marianelli (“Anna Karenina”)

Alexandre Desplat (“Argo”)

Mychael Danna (“As aventuras de Pi”)

John Williams (“Lincoln”)

Thomas Newman (“007 – Operação Skyfall”)

 

Mixagem de som

“007 – Operação Skyfall”

“As aventuras de Pi”

“Os miseráveis”

“Argo”

“Lincoln”

 

Edição de som

“Argo”

“As aventuras de Pi”

“A hora mais escura”

“007 – Operação Skyfall”

“Django livre”

 

Empate. Deveriam usar esse recurso em categorias mais disputadas também, como essa ano foram as de atriz e ator, por exemplo…

 

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Design de produção

“Anna Karenina”

“As aventuras de Pi”

“Lincoln”

“O hobbit: Uma jornada inesperada”

“Os miseráveis”

 

Melhor curta-metragem

“Asad”

“Buzkashi boys”

“Curfew”

“Death of a shadow (doos van een schaduw)”

“Henry”

 

Documentário em longa-metragem

“5 broken cameras”

“The gatekeepers”

“Searching for Sugar Man”

“How to survive a plague”

“The invisible war”

 

Documentário em curta-metragem

“Kings point”

“Mondays at Racine”

“Inocente”

“Open heart”

“Redemption”

 

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Argo

Fevereiro 22, 2013

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Ben Affleck rises.

Irã em conflito, interno e externo (sempre), americanos em pé de guerra com o mundo, sempre envolvidos com questões relacionadas ao petróleo do lado de lá (também sempre), morrendo de medo dos soviéticos e dependendo única e exclusivamente do Canada para livrar a sua pele dessa vez. Aparentemente, “Argo” pode até parecer um filme politico como qualquer outro do gênero, mas ele vai muito além disso e caminha livremente dentro do drama, do suspense e até da comédia, surpreendentemente sem fazer feio em nenhum deles e acreditem, Ben Affleck conseguiu nos entregar uma excelente história através do seu olhar de diretor, talvez realmente a melhor delas esse ano, da forma certa e com a turma certa para contá-la.

Ben que quase nunca foi levado a sério e já apanhou muito em sua carreira desde o começo, algumas vezes merecidamente devido a suas escolhas ou entregas do passado, sejamos justos, mas outras vezes por pura implicância ou intolerância. Sim, o mundo torce o nariz para o bonitão que resolve provar que pode ser mais que apenas isso ao invés de encorajar os que aparentemente tem algum talento para isso ou frear aqueles que parecem ter perdido o controle de suas próprias limitações (rs). As portas se abrem facilmente para o rostinho bonito da vez, mas para mantê-las abertas, algumas vezes chega a ser duas ou três vezes mais difícil e apenas os mais fortes sobrevivem. Fortes no sentido de talento e isso acabamos descobrindo com o tempo que aquele jovem garoto que já ganhou um Oscar como roteirista tem de sobra, ainda mais chegando nesse ponto da sua vida, calmo, agora pai de família, uma família linda por sinal para a qual ele faz questão de dedicar o seu melhor trabalho nos créditos finais do mesmo. (#TEMCOMONAOAMAR?)

Sim, “Argo” é um filme excelente e por diversos motivos diferentes. A começar pela sua história verídica com ares de ficção, como se estivéssemos de fato assistindo apenas a mais uma criação de Hollywood para o mundo do entretenimento. Hollywood que se faz presente de um jeito importante no filme, de forma deliciosa, extremamente debochada, rindo da sua própria desgraça e é parte fundamental para o desenrolar desse plot do espião que acabou fazendo história devido ao seu talento (e muita coragem quando necessário, algo que naturalmente esperamos desse tipo de perfil, mas que nem sempre pode ser a realidade) e mais do que isso, imaginação para bolar um plano tão sensacional e ao mesmo tão fantasioso como esse.

Retirar seis reféns de um pais como o Irã, naquela época (e talvez até hoje) odiando os USA como nunca, não seria tarefa fácil para nenhum país. A princípio, surge uma ideia ridícula da força tarefa da CIA responsável pelo caso de tentar fazer com que eles cruzem a fronteira de bicicleta, como se fosse muito simples pedalar por quilômetros em um território onde rostos americanos nunca foram muito bem vistos. Até que Tony Mendez (Ben Affleck), o grande e verdadeiro herói dessa história toda, em uma simples conversa com o filho ao telefone enquanto eles assistiam a distância a “A Batalha do Planeta dos Macacos”, tem a brilhante ideia de envolver Hollywood para tornar aquele fuga possível, planejando um  filme de Sci-Fi de mentira, que serviria como o disfarce perfeito para garantir a liberdade daquelas pessoas. Claro que nessa hora, é possível pensar que o próprio Ben Affleck poderia ter deixado seu ego de lado ao optar por interpretar o grande herói da história, mas ao mesmo tempo, colocar-se naquela posição talvez seja a sua forma de dizer que ele não está querendo abandonar isso para seguir com aquilo e pretende manter os dois enquanto houver espaço. Sem contar que a sua atuação no filme está bem correta e ultimamente (talvez desde sempre), temos visto atores muito, mas muito piores, se tornando nomes de destaque em Hollywood, por isso não temos do que reclamar e talvez a crítica tenha sido megabitch demais com eles ao longo desses anos.

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Mas é claro também que um plano mirabolante como esse precisava das pessoas certas para ter alguma chance de dar certo, profissionais reais da industria do cinema que estivessem dispostos a colaborar secretamente com o plano de resgate cinematográfico, forjando toda uma produção em nome de uma tentativa super arriscada que tinha tudo para não dar certo desde o começo. E é claro que nessa hora, Hollywood se deixou ser usada para contar mais essa história sensacional, ainda mais tendo ela personagens reais que poderiam encontrar nessa a sua única chance de se verem livres novamente.

Nesse momento ganhamos dois ótimos personagens para o filme, o responsável pela criação das mascaras utilizadas em “Planetas dos Macacos”, o artista John Chambers (especialmente interpretado pelo ator John Goodman) e o produtor de sucesso Lester Siegel, que ganha vida através da interpretação deliciosa do ator Alan Arkin, que está impossível no filme, com seu texto afiadíssimo e um humor extremamente de bom gosto e exatamente na medida para o alívio cômico da trama.

E para contar essa história tão bem, Ben Affleck precisava do elenco certo, algo que ele consegui acertar em cheio, trazendo alguns rostos bem conhecidos de todos nós das séries de TV para se juntarem a esses grandes veteranos do cinema, como o Bryan Cranston (Breaking Bad), Victor Garber (participação sempre afetiva e que nós AMAMOS desde Alias e exatamente por Alias), Tate Donovan (Damages), Clea DuVall (Carnivale), Kyle Chandler (Friday Night Lights) Zeljko Ivanek (True Blood e também Damages), Titus Welliver (Lost), Chris Messina (The Newsroom, The Mindy Project e segundo o BuzzFeed, quase tudo na TV ou no cinema atual, rs) além de vários outros em participações menores.

Principalmente através desses dois personagens envolvidos com a indústria do cinema, acabamos ganhando momentos excelentes de puro cinismo, recheado com o que podemos chamar de “Hollywood talk”, com ambos debochando de um indústria que conhecem como ninguém, algo que acaba dando um certo toque especial para “Argo”, que apesar de todo o clima de suspense e tensão do filme, consegue ser leve e até mesmo bem cretino ao mesmo tempo, quando decide não se levar muito a sério e debochar de quem comanda isso tudo. #TEMCOMONAOAMAR quando em uma conversa com o personagem de Goodman, Affleck questionando se é possível transformar qualquer um em diretor do dia para a noite, temos o próprio Goodman respondendo que não só é possível, como Hollywood faz isso o tempo todo. Ou quando Affleck pede para que o seu personagem seja feito de produtor dentro do plano e Goodman responde que com aquela cara, no máximo ele passaria como um co-produtor e nada mais que isso. Sério, um cinismo sensacional!

E o equilíbrio que eles conseguiram encontrar dentro do longa para passar ambos os lados da situação, tanto quanto os absurdos de um mundo de mentiras em Hollywood até a parte séria daquela situação toda, como o conflito se agravando cada vez mais no Irã no final da década de 70 e começo de 80 (com uma caracterização bem bacana, inclusive), em um mix de imagens reais cedidas pela TV com as produzidas para filme, também acabou sendo super importante para dar maior credibilidade para aquela história, que apesar de se tratar de uma fantasia dentro de uma outra fantasia, também precisa encontrar alguma dignidade para ser contada de forma interessante.

Um ótimo exemplo de como eles conseguiram isso foi aquela cena em que uma mulher no Irã estava fazendo uma declaração para a imprensa em inglês, afirmando que eles não serão mais tolerantes em relação àqueles americanos mantidos como reféns por lá e ao mesmo tempo, em um cenário luxuoso das festas e eventos típicos de Hollywood, os envolvidos no projeto estão fazendo um grande teatro, exibindo as fantasias do tal filme Sci-Fi para atrair a imprensa em uma leitura aberta do script (que é negociado de forma brilhante pelo diretor, novamente mostrando um lado do business dessa indústria que nós não estamos acostumados a ver). Entre as fantasias encontramos de tudo, de heróis a mocinha indefesas com pouca roupa (sempre aquela preguiça que se repete mesmo quando elas não são mocinhas indefesas e sãos as heroínas  Humpf!), até um wannabe Chewbacca e um robô possivelmente inspirado no Cybermen de Doctor Who. (sério, achei igual)

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Aliás, esse lado Sci-Fi da história também é tratado de foma decente, com uma série de referências e inclusive menções aos clássicos Star Wars e Star Trek, que naquela época, estavam dominando quase que completamente a industria cinematográfica. Sem contar as action figures vintages que acabam aparecendo no filme, no quarto do filho do Tony Mendez, que são todas altamente desejáveis, além dos detalhes dos storyboards do filme dentro do filme, “Argo” (título de um dos roteiros que eles encontraram que tratava de um plot Sci-Fi em pleno Oriente Médio, que era exatamente do que eles precisavam), que são excepcionais e tem uma função bacana dentro da história acima de tudo. (e OK Tony, eu também teria guardado um deles, só não sei se seria para o meu filho, rs)

Enquanto tudo isso acontece na parte fictícia da história, os seis fugitivos que conseguiram escapar do ataque violento a embaixada (ilustrado no começo do filme com uma narração lenta, mas que lembra muito o estilo adotado na época), que resultou em uma série de vítimas feitas como reféns pelo povo local, esses seis conseguiram ganhar refúgio através de um diplomata canadense, que acaba arriscando a própria cabeça ao acolher aquelas pessoas que passaram dias na sua casa, sem poder colocar a cara para fora. Eles que até então achavam que ninguém sabia da sua existência no pais e não contavam com uma equipe gigantesca de homens e mulheres e principalmente crianças locais, montando um verdadeiro quebra cabeças de papel picado (que eles mesmos tentaram destruir antes da invasão na embaixada, para não deixar nenhum vestígio ou prova do que faziam por ali), na tentativa de identificar quem eram aquelas pessoas e quais eram as suas intenções. Sério, uma operação assustadora de tão minuciosa e simplesmente deixada nas mãos de crianças, que não poderiam ser figuras melhores para resolver aquele grande quebra cabeças.

“Argo” também conta com um ritmo interessante para contar essa história, que apesar do conflito político, não chega a ficar nada arrastado ou qualquer coisa do tipo. Isso além da praticidade com que eles resolveram explorar todos os seus plots, porque o filme tem apenas quase duas horas de duração, o que não poderia ser mais adequado, umas vez que eles conseguiram se resolver muito bem sem se complicar dentro da sua proposta. E a visão do Ben Affleck como diretor também começa a ficar mais forte, com planos mais interessantes dos cenários, principalmente quando em outras terras, como na Turquia por exemplo ou no próprio Irã, quando ele faz questão de mostrar um corpo enforcado em praça pública, além de mostrar que a questão cultural apesar de extremamente diferente, também pode ser bem próxima, mostrando pessoas locais comendo no Kentucky Fried Chicken (naquela época, ainda não era apenas KFC e teve uma piada bem boa sobre esse assunto recentemente em uma série qualquer que eu não me recordo bem qual agora…). Isso sem contar os cortes do filme, a forma de ilustrar uma conversa com frames de storyboards (simples, mas ainda eficaz e apropriada para a época em que o filme se passava), assim como as cenas de conflito, todas muito bem realizadas e ou encaixadas (no caso das cenas reais). E tudo isso somado a todos os outros atributos do filme (a história, o ritmo, o elenco certo) faz com que a sua qualidade se torne indiscutível.

Apesar de tudo isso, é preciso lembrar que “Argo” é um filme de suspense e isso eles fazem questão de refrescar a nossa memória perto do final, quando essa sensação de suspense vai se agravando, exatamente quando chega a hora de enganar o mundo com a tal equipe de filmagens fictícia e ao mesmo tempo o cerco vai se fechando em relação as suspeitas de que os seis fugitivos estavam na casa do diplomata. Aquela caminhada da equipe no grande mercado local para dar credibilidade ao plano é extremamente apavorante, principalmente quando um dos comerciantes resolve criar caso por conta de uma simples foto, algo que acaba gerando uma confusão que poderia ter tomado grandes proporções devido ao calor humano e ódio em relação aos americanos encontrados por lá.

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Claro que perto do fim, algo precisava acontecer para tentar acabar com aquele plano mirabolante e nesse caso, tudo acabou quase não acontecendo graças as ordens vindas diretamente dos USA, com medo de serem ridicularizados devido ao plano envolvendo uma grande mentira como essa e resolvendo assumir o risco de colocar aquelas 6 pessoas para morrerem como heróis, pura e simplesmente por uma história melhor para contar para o resto do mundo. Em pensar que isso deve acontecer a todo momento, não só com eles, e nós nem ficamos sabendo. (esse caso inclusive era confidencial até pouco tempo e só se tornou público através do mandato do ex presidente Bill Clinton)

Mas em termos de tensão e agonia, nada supera aquela reta final da história, com Tony Mendez contrariando suas ordens e se arriscando mesmo assim a tentar trazer os seis de volta à America antiga seguindo seu plano, algo que não teria dado certo se o seu chefe, Jack O’Donnell (Bryan Cranston), não tivesse comprado a ideia de qualquer forma, contrariando as ordens de seus superiores e assumindo o risco. Aquela sequência com todos eles encarando a inspeção no aeroporto, não sendo tratados muito bem, colocados naquela salinha de espera pavorosa, tendo que se comunicar em uma língua que muitos não conheciam (aliás, um detalhe importante no filme é que eles não fazem questão de traduzir outros idiomas, justamente para dar uma impressão mais próxima do desespero que é esse se encontrar envolvido em uma situação com esse tipo de falha de comunicação) até o momento em que finalmente todos eles conseguem embarcar, ouvindo já no avião que agora que não estavam mais em solo do Irã, as bebidas estavam liberadas. (sem contar aquela corridinha dos carros de polícia e milicia vs avião em plena pista de voo, que foi sensacionalmente aflitiva até o momento em que vimos o avião finalmente deixar de tocar o solo)

Um final espetacular, digno de Hollywood e acima de tudo, digno de toda essa atenção que o filme acabou recebendo recentemente, sendo indicado em todas as premiações (levando quase todas elas) e consagrando o Ben Affleck como o grande diretor do ano, que ele, mesmo com uma concorrência de nomes fortíssimos e consagrados como Spielberg, Ang Lee, David O. Russell vem conseguindo surpreendentemente roubar a cena de todos eles durante as últimas premiações do cinema, algo que Affleck não vai ter a chance de fazer no Oscar 2013, pelo menos não como diretor, porque acabou não sendo indicado em mais um daqueles casos de pura implicância/injustiça. É claro que no final do longa, todos eles acabaram recebendo as mais altas condecorações do serviço secreto americano, isso sem poder fazer nenhum alarde, por se tratar de uma história extremamente confidencial e tendo que amargar o Canada recebendo todas as honras de grande herói da vez, além da libertação das vitimas mantidas como reféns após 444 dias de cativeiro.

Por todos esses motivos, “Argo” pode e deve ser considerado como um grande filme, o melhor deles para esse ano, porque com uma reunião tão bacana entre elenco e uma história sensacional como essa, não temos como contestar a grandeza do filme, que consegue te prender facilmente do início ao fim, sem o menor custo. Claro que em meio a tudo isso, temos que ressaltar o trabalho de diretor do Ben Affleck, que apesar de ter o ouro nas mãos nesse caso, poderia não ter escolhido a melhor forma de retratar essa história, mas isso ele não fez e acabou assim conseguindo a sua grande redenção, entregando paro mundo do entretenimento o seu melhor trabalho, esse que talvez seja e merecidamente, o melhor trabalho do ano nessa industria que não costumava lhe tratar muito bem. E ao que tudo indica, essa situação está prestes a mudar ainda mais. Clap Clap Clap!

E por esse motivo, ficaremos todos felizes caso seja você quem suba naquele palco no próximo domingo (todos live no Twitter comigo, sim e ou com certeza), com as mãos rabiscadas pelas filhas e tudo mais. (♥)

A propósito, preciso dizer antes de encerrar que howcoolisthat que exatamente esse filme tenha sido realizado (ainda mais dessa forma) pelo marido da  Sydney Bristow, hein? Coincidência?

Argo fuck yourself! (nesse caso significando boa sorte)

 

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Amour

Fevereiro 21, 2013

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Amor para toda vida, inclusive quando ela se complica. (♥)

Quando pensamos em amor, pensamos no amor de agora (para ser honesto, as vezes lembramos também de amores antigos), do presente, do que está acontecendo nesse exato momento da nossa vida e dificilmente conseguimos projetar isso para um futuro realmente distante, daqui 40 ou 50 anos por exemplo. Apesar de ser lindo romantizar essa visão de vez em quando, a realidade pode ser bem diferente e dificilmente a gente vai conseguir chegar perto de algo mais real e concreto do que realmente acontecerá no futuro e saber de fato como será quando finalmente chegarmos lá.

Imaginamos o hoje, projetamos a história que estamos vivendo para mais alguns anos, 5, 10 no máximo, mas nunca imaginamos o que aconteceria com um amor para toda vida. Corrigindo, imaginamos sim, até sonhamos com ele, mas nunca pensamos nas dificuldades dessa fase da vida que ainda não conhecemos e que enquanto ainda jovens, parece tão distante e quase inatingível. Não nos preparamos para nos tornarmos velhos, essa é a verdade.

“Amour” traz exatamente uma visão bem intimista, real e extremamente sensível dessa relação de amor que resiste ao tempo, através da visão do sempre excelente diretor Michael Haneke (“Funny Games”, “Das weiße Band”, mostrando uma casal de músicos, Anne e Georges, vivendo essa relação de amor até o seu fim. Uma visão honesta de um cotidiano agora doloroso, devido as circunstâncias da vida naquele momento, que por conta de um derrame, coloca aquela mulher em um situação bem difícil, onde ela passa a contar totalmente com a cooperação e ajuda do marido para fazer de tudo, das coisas mais simples do dia a dia até os exercícios para a sua reabilitação.

O primeiro momento onde ela é pega pela doença chega a ser assustador, embora ela esteja praticamente paralisada em cena e muito disso por conta da sensação de ver a pessoa que você ama deixando de funcionar normalmente, mesmo que seja por poucos minutos, como acaba de fato acontecendo no longa. E de certa forma, Georges (Jean-Louis Trintignant) acaba se sentindo responsável pelo que acabou acontecendo com ela após esse primeiro derrame, onde Anne (Emmanuelle Riva) acabou ficando com parte do corpo paralisado devido a esse problema, isso porque foi ele quem insistiu em levá-la ao médico para que a sua condição não se agravasse, assumindo os riscos de um procedimento não muito bem sucedido em uma cirurgia da qual ela acabou sendo vítima da porcentagem mínima porém não nula de sequelas.

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Debilitada, Anne não é das pacientes mais fáceis de lidar também, apesar de ter uma vontade inicial de vencer aqueles obstáculos e até colaborar dentro das suas limitações. Vontade essa que não consegue resistir ao tempo e aos poucos, ela que não consegue lidar muito bem com a sua atual condição, se sentindo envergonhada quando exposta a outras pessoas, como o ex aluno que passa pelo aparatamento do casal para visitá-la ou a filha que resolve aparecer de vez em quando, acaba pensando em desistir de viver. Ao mesmo tempo, ela vai se sentido humilhada também por não conseguir realizar sozinha uma tarefa de necessidade física simples como ir ao banheiro e para tudo ter que depender no marido, o qual se dedica ao máximo aos seus cuidados.

Com isso, acabamos ganhando uma visão do dia a dia daquele casal de idosos, com toda a dificuldade já carregada naturalmente através da idade avançada dos dois, somadas a sua atual realidade. Um olhar bem sensível para o lado simples da vida, importante para demonstrar a honestidade do longa. E esse cotidiano é uma delicia de se acompanhar (aquele tipo de retrato da realidade que nós andamos gostando tanto ultimamente), apesar de todas as dificuldades, principalmente levando em consideração a relação de amor presente a todo momento entre os dois, com ele se dedicando ao máximo, mesmo não estando também no auge do seu potencial físico, cuidando daquela com quem dividiu uma vida da melhor forma possível e de acordo com as suas possibilidades.

A essa altura, é importante dizer que apesar da idade também bastante avançada do marido, Georges acabou se dedicando incansavelmente a atual condição da esposa nessa fase inesperada de sua vida, mesmo com toda a dificuldade e limitações que encontramos com a própria idade (ele tendo que colocar sozinho aquela pomba para fora do apartamento foi um exemplo prático sensacional para ilustrar exatamente esse tipo de situação naquela idade). Um companheirismo notável, apesar dele reconhecer certo constrangimento em ver a mulher em situações que ele jamais imaginou ver, mas que mesmo assim não lhe restava outra alternativa a não ser seguir fazendo tudo aquilo que estava ao seu alcance, enquanto esperavam o tempo passar, uma vez que já não havia mais o que se fazer em relação ao seu estado a não ser uma internação, algo que antes de tudo se agravar, em outro momento importante para a história, ela acaba fazendo com que ele prometesse que jamais a levaria ao médico novamente, muito provavelmente devido ao trauma que ela acabou carregando para a vida em sua visita anterior, o que de certa forma acaba acarretando uma parcela de culpa ainda maior para ele, que prontamente aceita a promessa.

Amour (2012

O casal vive em um enorme apartamento, cercado das memórias de uma vida inteira, em meio a muitos livros, algumas obras de arte e muita música erudita, uma paixão que ambos dividem e que a sua filha também acabou seguindo como profissão. Móveis pesados, visivelmente de uma outra época, uma bagunça ligeiramente organizada em meio a muitos objetos e alguns cacarecos que todos nós vamos acumulando sabe-se lá porque ao longo da vida (me lembrou muito a casa de uma tia que eu visitava com a minha mãe quando criança de vez em quando e adorava explorar, para desespero dela, é claro, rs). Mas tudo com muito bom gosto, organizado até, em meio a cômodos largos, espaçosos, que a essa altura da vida acabam sendo inconvenientes por uma questão simples de locomoção rápida dentro dos mesmos, ainda mais dentro de um cenário como esse.

E essa questão da companhia para a vida é outra questão que me fez pensar sobre o assunto. Como é importante escolher alguém para se passar a vida com quem você pelo menos goste da companhia, com quem tenha o que dividir, goste do humor, tenha interesses em comum e tenha o que conversar, mesmo que já tenha se passado 50 anos do inicio dessa relação. Um momento bem bacana do filme acontece inclusive quando em uma conversa solta sobre o nada, ele acaba soltando uma peculiaridade qualquer da sua vida (sempre gostei de gente mais velha e especialmente por suas histórias), que mesmo tendo passado todo esse tempo juntos, ela ainda não conhecia. E conseguir despertar esse tipo de surpresa no seu parceiro de vida a essa altura do campeonato, deve ter um gostinho extremamente especial. Espero chegar lá um dia e gostar da minha companhia. Ou melhor, que alguém ainda goste e ou aguente a minha companhia, rs.

Dentro daquele aparatamento, vamos observando o dia a dia do casal, que vai mudando ao poucos e acrescentando elementos ao seu cenário a medida em que a situação vai piorando e eles vão precisando se adaptar mais àquela realidade, agora com uma pessoa que vai precisando cada vez mais de cuidados especiais. Outros personagens também passam a ser acrescidos a história, como as enfermeiras que passam a cuidar de Anne, assim como algum vizinho gentil que passa de vez em quando para fazer um favor ou apenas ver com andam as coisas ou empregados.

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Com esses outros personagens ganhamos dois excelentes momentos, como a enfermeira meio assim que assumiu um novo turno no tratamento de Anne e foi colocada devidamente em seu lugar pelo próprio Georges, quando ele disse que desejava que ela passasse pela mesma situação de ter que depender de alguém para fazer qualquer coisa um dia e não pudesse revidar qualquer tipo de abuso ou grosseria (e olha que nós conhecemos histórias de enfermeiros bem piores, apesar da reação da moça ter entregado bastante da sua índole), além daquela conversa franca que ele acabou tendo com a própria filha, situando a moça no seu devido lugar, dizendo inclusive que enquanto ele estava vivendo pelos dois, ele não tinha mais tempo para gastar com preocupações momentâneas da filha ausente, que só agora resolveu se preocupar, por puro desespero (comportamento clássico de quem não participa efetivamente do problema). Dois momentos sensacionais!

Até que o estágio da doença acaba avançando e Anne vai se encontrando cada vez pior, em um trabalho de atriz fantástico, que não é a toa que fez com que a Emmanuelle Riva fosse reconhecida esse ano no Oscar, que inclusive ela também é uma das que merecia levar, devido a tamanha entrega e emoção que ela conseguiu nos transmitir com a sua personagem naquela condição, cada vez mais limitada. Com esse avanço, começa a bater o desespero em Georges, que entra em um conflito com ele mesmo a respeito do que fazer quando ele passa a ver o grande amor da sua vida sofrendo de forma desesperadora (e nessa hora ele faz uma analogia a uma história do seu passado, ainda quando criança, que é bem importante para o momento), visivelmente cansada de lutar contra (uma vontade que ela chega a mencionar no começo do longa, logo quando a personagem volta do hospital) e ele já estava inclusive perdendo a paciência e se tornando um homem que provavelmente não gostaria de ser. (a vergonha que ele sente depois daquele tapa e o desespero dele em ter que lidar com a visita da filha logo na sequência, também são momentos sensacionais do longa)

O final do filme já é anunciado em seu começo, apesar de existir uma grande surpresa em seu caminho, que acaba justificando de certa forma tudo aquilo que nós já sabíamos que iria acontecer. Um final que não poderia ser diferente ou mais corajoso, que ao mesmo tempo que funciona com um tapa na nossa cara com um baguete originalmente francesa, também acaba funcionando como um alívio para o final feliz daqueles dois personagens, capazes de tudo e dispostos a tudo para ficar juntos até o fim. E isso só pode ter um nome e por lá, eles chamam de “Amour”. (♥)

Um filme sensível e extremamente corajoso por conta da sua resolução final, que apesar das circunstâncias, passa longe de ser um grande dramalhão e funciona apenas como uma linda janela de frente para a vida daquele casal, durante aquele período específico de suas vidas e que merece ser visto por todos. Um filme com cheirinho de avó e quem tem ou teve uma figura tão especial assim na vida sabe exatamente do que eu estou falando (pena a casa dela também hoje já estar vazia. Humpf!). E é bom separar uma caixinha de Klennex, só para garantir.

 

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Django Unchained

Fevereiro 20, 2013

Django Unchained Poster Tarantino

É sempre bom encontrar com o Tarantino bem humorado e cheio de sede de vingança. Mas seria Django realmente o gatilho mais rápido do sul?

Dizem que o Tarantino está trabalhando em uma espécie de trilogia da vingança, aproveitando para revisitar e se vingar de algumas das histórias mais pavorosas do nosso passado, daquelas que ninguém deveria se orgulhar, nem mesmo quem esteve do outro lado, porque sempre resta um. Primeiro foram os nazistas que ganharam seu tratamento especial através da visão do diretor no excelente “Inglorious Basterds” e agora chegou a vez dos negros receberem a chance de vingar parte da sua história dos tempos da escravidão, antes da Guerra Civil. E isso em um território western, praticamente dominado pelo homem branco ao longo dos anos da história do cinema, como cenário de plano de fundo para essa sua nova história, dirigida e escrita pelo próprio.

Django (Jamie Foxx) é um escravo de sorte (se é que podemos assim dizer) que acabou caindo nas mãos certas, um caçador de recompensas que precisava de alguém que tivesse vivido tudo aquilo de perto e pudesse reconhecer as cabeças que ele deveria colocar sob sua mira. Sorte my ass, porque antes disso, ele que teve um passado de escravidão, além de ter sido torturado e passado por tudo aquilo que já conhecemos bem da história, também teve que amargar o gosto de ver a sua mulher sendo tratada de forma extremamente cruel, sendo inclusive retirada a força do seu lado.

Dessa forma, motivos não faltavam para que aquele homem tivesse uma sede de vingança gigantesca contra aqueles homens brancos que faziam parte dessa história sórdida de escravidão, mas com esse detalhe, tudo acabou se tornando ainda mais pessoal para esse personagem, que pela primeira vez estava experimentando também o gostinho da liberdade. Mas ele nada seria se não fosse a companhia que acabou ganhando através da chegada do Dr Schultz na sua vida, um homem que certamente acabou colaborando e muito para mudar (e roubar) a sua história.

Ele que é vivido de forma sensacional pelo sempre excelente ator Christoph Waltz, indicado ao Oscar e a todos os demais grandes prêmios (que ele vem recolhendo) por sua excelente performance no longa. Um caçador de recompensas que só vai atrás das grandes cabeças, dos culpados pelos piores crimes e que precisava de certa ajuda para concluir o que talvez fosse uma de suas maiores recompensas até então. Coincidentemente (e o filme brinca bastante nesse território perigoso da dependência da coincidência, um ponto bastante negativo por sinal) ele e Django descobrem interesses em comum, porque sua mulher se encontra nas mãos de um dos tais procurados do doutor e assim, eles acabam firmando um trato de cooperação para que ambos possam sair satisfeitos e recompensados dessa história.

Django

É preciso dizer que o personagem de Waltz acaba roubando quase que completamente a cena se não fosse por seu antagonista (chegaremos nele em breve), por puro mérito do próprio ator, que foi apresentado para o mundo em grandes proporções também pelo próprio Quentin Tarantino em seu trabalho anterior, que é um ator que vem nos entregando excelentes trabalhos desde então, um atrás do outro. Além disso, o personagem por si só já tem um carisma grandioso, além da empatia imediata que ele consegue nos transmitir e despertar por ser um dos poucos personagens não preconceituosos dessa história, que é carregada de insultos super preconceituosos cabíveis para a época (odiando ter que admitir isso, mas é o que se espera de um plot como esse), maus tratos absurdos e ou piadas bem cretinas a respeito do tema. Ironicamente (ou de forma inteligente, para tentar retirar um peso que poderia ficar sobrecarregado demais para ser carregado por qualquer um, além de trazer um lado cômico também especial para a história) boa parte desses xingamentos e insultos acabam saindo da boca do personagem do Samuel L. Jackson (que reencontra o diretor nesse trabalho, ele que em “Inglorious Basterds” fez apenas uma participação como narrador), Stephen, que aparece praticamente irreconhecível no filme como o “cotton candy”, apelidado carinhosamente por Django, rs. E logo ele, o mais preconceituoso entre todos. (recurso inteligente Quentin. Um recurso bastante inteligente)

Apesar de Django ser o grande herói dessa história, Dr Schultz acaba sendo o personagem mais significante da mesma, grande parte disso por conta do seu humor, algo que aprendemos também recentemente que o Christoph Waltz  sabe fazer muito bem desde “Carnage” (outro excelente trabalho do mesmo). Um humor bacana, quase sútil, escondido nos trejeitos e na própria personalidade característica do personagem. Enquanto Django queria se tornar um herói e estava aprendendo o que fazer para tal com o seu excelente e novo tutor, Dr Schultz já estava pronto e era exatamente esse herói disfarçado de dentista. A propósito, seu personagem é alemão. Coincidência?

Em sua trajetória, Django tem excelentes momentos, como quando ele tem a chance de escolher a sua roupa de guerra e me aparece inteiro de azul, investindo no estilo dandy em meio ao velho oeste (nesse caso, Sul) e sendo ridicularizado até mesmo pelos próprios escravos. Eles que não estavam nada acostumados a ver um homem negro naquele tipo de situação, montado em seu próprio cavalo e sendo tratado com respeito, mesmo que o seu papel naquele momento fosse o de uma espécie de mordomo. Não estavam acostumados, mas logo passavam a admirá-lo ou invejá-lo ao mesmo tempo. Da mesma forma que os escravos não estavam acostumados e pareciam incrédulos ao ver um negro naquela posição (que até então nem era tão favorável assim), os brancos se revoltavam, exigiam que o doutor colocasse o empregado em seu lugar, mas tiveram que aprender a lidar com isso rapidamente, porque a dupla acabou fazendo historia naquele lugar, mostrando que a partir daquele momento, as coisas seriam bem diferentes. BANG!

História a troco de muito sangue por todos os lados (Tarantino deve estar muito apaixonado por esse novo formato de explosão de sangue que andamos vendo por aí ultimamente), o que sempre esperamos animados dos trabalhos do Tarantino. Cabeças e corpos dilacerados por muitas balas, quando não por cachorros, tiros e mais tiros que fazem grandes buracos e deixam uma notável marca em slow, jorrando muito sangue por todos os lados, algumas vezes de forma completamente exagerada, quase como se um balde de sangue fosse arremessado no momento da morte daquelas pessoas (sabe quando morre um dos vampiros em True Blood? Então…), mas tudo de forma esteticamente interessante.

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Apesar de uma lista de vilões que aparecem brevemente no filme como vítimas da agora dupla de caçadores de recompensa, o maior deles fica mesmo por conta do ator Leonardo DiCaprio na pele do temido Calvin Candie, que só chega depois de uma hora de filme, mas vem claramente para dividir o brilho do longa com o Christoph Waltz. Ele que também tem um perfil todo carismático, apesar de seus ataques de loucura assustadores. Mas para o seu personagem sobram cenas ótimas de conflito de ideias, regadas a muito bom humor e uma performance impressionante quando o personagem finalmente percebe que estava sendo enganado durante esse tempo todo em relação as verdadeiras intenções da dupla em sua propriedade. Ele que tratava os escravos como objetos do seu próprio divertimento, promovendo lutas mortais na sala da sua casa, apenas por prazer e diversão. Se pagou $500 por um escravo, exigia pelo menos 5 lutas do mesmo, essa era a lógica da sua cabeça desequilibrada. Mas apesar da crueldade, tirando o seu acesso de loucura em determinado ponto do filme, o vilão acaba ficando mais no território de que tudo aquilo acontece sob o seu comando, mas na verdade, não temos a chance de vê-lo praticando algo odioso de verdade, a ponto de torcermos para que seu fim seja doloroso e totalmente impiedoso (apesar dessa torcida existir naturalmente pelo plot em si e ele ter um único momento “teatral” digno de um grande vilão). Tirando isso, a impressão que fica é que apesar de ser o grande vilão dessa história, Calvin é apenas aquele que autoriza a crueldade, mas não está muito acostumado a sujar suas próprias mãos e depende de gente melhor preparada para isso. O menino rico que tem o dinheiro necessário para comandar, mas falta força.

Esse que talvez seja mais um grande erro do filme (sorry Quentin!). No passado, quando vimos o Christoph Waltz nessa mesma posição de vilão da história, aprendemos a temer aquele personagem odioso logo de cara, com aquela inesquecível e agoniante cena inicial de “Inglorious Basterds”. Mas nesse caso, toda a vilanice do personagem acaba parecendo maquiada, amparada na língua solta do personagem do Samuel L. Jackson, esse sim odioso, por todos os motivos possíveis. Da boca dele saem os insultos mais pesados, talvez por seguir aquela máxima de que “é preciso pertencer a determinado clã para poder falar absurdos e não parecer tão ofensivo assim” ou apenas na tentativa de trazer o lado cômico da história (que é bem presente e um dos pontos mais positivos do longa) através de mais esse personagem. Mas fato é que sem esse aparato, o personagem de DiCaprio, apesar de grandioso, acaba perdendo a força porque não conseguimos enxergar até onde vai o nível da sua tirania ou loucura e a sua despedida no longa é breve (além da sua resolução também ser bem prática) e com ele, infelizmente acabamos perdendo também o Dr Schultz, esse sim um personagem que acabou fazendo falta no restante do filme (que tem 2h45 de duração), em um cena fantástica e que dá inicio ao grande conflito sangrento do longa, trazendo a tona uma das mais notáveis características do diretor.

Sem contar que aquele Stephen acaba ganhando um tratamento de “sábio” demais do qual eu também não sou muito fã e acredito ser um recurso fácil demais para uma justificativa qualquer, seja ela no cinema ou na TV. No filme, eles dizem perceber uma forte conexão entre Django e Hilda (Broomhilda von Schaft, que é a sua esposa e atual escrava de Calvin, interpretada pela atriz Kerry Washington, que quase passa despercebida no filme) e isso é dito pela personagem irmã de Calvin no longa e também é percebido por Stephen, quase que “magicamente”, ele que do meio do nada começa a achar que Django e Hilda escondem algum tipo de relação e não demora muito para que o personagem acabe chegando a brilhante conclusão de que eles só podem ser marido e mulher. Sério, tudo isso acontece fácil demais. Ainda se algum deles tivesse algum conhecimento da língua alemã… mas tudo bem, talvez nessa hora a gente tenha que acreditar na sabedoria dos mais velhos com cabeça de algodão doce, rs.

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Da compra da liberdade de Hilda, até o grande massacre que acaba acontecendo em Candyland, que retira os dois grandes personagens da trama do caminho (e não conseguiu convencer muito na questão da durabilidade e resistência dos escudos humanos usados pelo personagem principal, mas falar em “convencer” em um filme como esse – que diga-se de passagem, eu AMO o gênero e ainda mais o diretor – pode deixar muita gente frustrada e ou irritada, então, fingimos que engolimos mais essa), encontramos Django prestes a voltar a sua posição de escravo e mais um vez longe da sua esposa. Outra justificativa que eu acabei achando nobre demais para a personagem da irmã do DiCaprio no filme (que presenciava de perto as leis na terra da sua família, apesar dela parecer ser extremamente submissa e não ter o menor destaque), mas entendemos que essa era a sua maneira de ver o culpado pela morte do seu irmão sendo obrigado a sofrer até o resto dos seus dias. Mas esse destino acaba sendo interrompido pelo próprio Django, que enxerga uma oportunidade de ainda ter a chance da sua vingança antes de ser vendido como escravo, além de fazer o resgate da sua Hilda.

Nesse momento, o próprio Tarantino aproveita para se divertir em uma cameo e se auto explode, voando pelos ares em uma grande explosão de sangue em meio àquele cenário de camadas laranjas e azul, algo que acaba abrindo os caminhos para que Django tivesse o seu acerto de contas com os remanescentes de Candyland, além de encerrar a missão do próprio Dr Schultz, matando com seu rápido gatilho os irmãos da gangue que ele estava à procura e que havia sido o motivo do encontro dos dois personagens no começo do longa.

Um final merecido para o personagem, que teve a chance de pegar todas as cabeças que estiveram em seu caminho durante esse percurso, especialmente a do Stephen, que acabou ganhando um tratamento todo especial do herói antes de morrer, mas que nem por isso soube calar a boca (sério, faltou um tiro na boca daquele velho ou retirar a sua pele. Tarantino, você foi café com leite nessa hora…). Ele e aquele que aproveitou para pegar suas partes anteriormente no filme (e algo me diz que ele tinha gostado, rs). Em meio a uma grande explosão e uma exibição em seu cavalo de trote, encontramos Django finalizando sua tarefa e seguindo finalmente em frente com Hilda, enfrentando a sua proposta de final feliz ou missão cumprida.

Mas nessa hora, o sentimento é que a vingança da vez acabou sendo minimizada, principalmente se comparada a vingança anterior proposta pelo próprio diretor, que reunia grandes nomes conhecidos da história em um cenário perfeito, apesar de “Django Unchained” também ser muito bacana e trazer aquele mesmo sentimento de satisfação de volta, de ver uma injustiça qualquer sendo “corrigida”, mesmo que seja de forma tão particular. Além disso, senti falta de um lado feminino no longa, uma mulher forte em meio àquele cenário, algo que não vimos e pessoalmente eu acho que o Tarantino sabe trabalhar esse perfil como ninguém, por isso acabei sentindo uma enorme falta dessa presença feminina em cena. (todas elas parecem figurantes na verdade, inclusive a própria Hilda, algo que podem até tentar justificar com a história da submissão e traumas daquele período, mas ainda assim…)

De qualquer forma, “Django Unchained” é um bom filme (não o melhor), tem todas as características que se espera de um filme do Quentin Tarantino e além disso conta com o seu detalhe mais especial, que dessa vez não ficou por conta de uma referência estética ou o próprio texto do longa e sim por sua soundtrack, essa extremamente especial e muito bem pontuada durante o filme, ainda mais misturando tão bem estilos completamente diferentes.

Respondendo a pergunta do começo do texto, se Django seria mesmo o gatilho mais rápido do sul, digamos que se por lá ele encontrasse a The Bride, ou o Sgt. Donny Donowitz carregando seu bastão e até mesmo a Shosanna em seu caminho, mesmo tendo a força de quem é capaz de derrubar um homem e seu cavalo no braço (sim, os dois juntos), nossas apostas não seriam nele. Sorry Django. Contra um Mr __________ (insira aqui a sua cor preferida entre Orange, Pink, White, Blue, Brown ou Blonde) quem sabe? Nesse caso, talvez ele tivesse alguma chance…

 

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Silver Linings Playbook

Fevereiro 19, 2013

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Quando o cinema opta por falar honestamente de coisa séria, que muitas vezes não é levada tão a sério assim como deveria, só que de forma leve e muito bem humorada.

“Silver Linings Playbook” é um filme genial porque é bem simples e opta por falar de um assunto honestamente, encontrando uma sensibilidade importante para algo tão delicado e ao mesmo tempo tão instável. Aborda temas até pouco tempo ignorados, confundidos com um comportamento apenas inadequado, mais de um tipo deles por sinal, só que tudo isso de forma bem simples, sem carregar demais no drama, apesar dele estar presente a todo tempo em cena. Apesar da abordagem leve, o filme não é um deboche e retrata muito bem o quanto é difícil lidar com algumas doenças que carregamos sabe-se lá o porque. (embora sempre tenha um porque para cada uma delas)

Ninguém quer ter que lavar as mãos constantemente apenas porque é extremamente higiênico, ou precisar alinhar tudo na sua vida apenas porque é metódico demais e ou não gosta das coisas fora do lugar. O mesmo vale para aqueles que mudam de humor em uma simples respirada, indo de um extremo ao outro, ou para aqueles que trocam por sexo (ou outras drogas) suas mais profundas frustrações e ou incompreendimentos. Todas essas pessoas estão doentes (não gosto muito de dizer ou ouvir que “são” doentes por exemplo, por isso prefiro dizer que “estão”) e precisam de ajuda. Agora, difícil é imaginar que essa ajuda acabe acontecendo da reunião deles todos como uma grande terapia em grupo involuntária, mesmo sem se assumir como tal.

Bradley Cooper (reforçando que estou de olho nele desde Alias antigo, Höy!) realmente merece o destaque que acabou recebendo pelo seu personagem no longa, transtornado mas sem se perder no olhar ou em trejeitos caricatas, Pat é dono de uma bipolaridade que acabou encontrando o seu pico mais perigoso através do trauma que acabou sofrendo quando chegou em casa e pegou a mulher com outro homem e o espancou quase que até a morte, em um ataque de fúria incontrolável que pelo menos ele até que teve grandes motivos para ter (o que não justifica o que ele fez, mas explica, embora ele não precisasse ser bipolar para esse tipo de reação). Um detalhe importante no seu personagem também é a sua falta de freios, que ele não tem mesmo, tocando imediatamente no assunto que lhe foi pedido para não tocar no minuto anterior e uma sinceridade importante para o carisma do personagem. Fico feliz que o nível da magia do Bradley Cooper  não tenha atrapalhado o seu merecido reconhecimento nesse caso, algo que nós sabemos que ainda acontece. (e seria uma verdadeira covardia não reconhecê-lo por esse trabalho)

Sem contar que ele tem uma doçura também amparada no lado romântico da história, com a sua devoção a ex esposa, aquela que ele pegou no chuveiro recebendo um tratamento especial de outro homem, a qual o abandonou de vez após o seu surto, vendeu a casa e inclusive pediu uma ordem de restrição contra o mesmo e ainda assim, Pat acha que o seu plano de vida é colocar tudo no lugar, mente, corpo e reconquistar a mulher amada. Uma doçura que na verdade esconde uma obsessão pela ex que ele acabou nutrindo mesmo depois de tudo, muito provavelmente por não ter ouvido a sua justificativa para o que acabou acontecendo com o seu casamento e por aquela relação, apesar de tudo, não ter tido uma conclusão. (conclusões/resoluções que são sempre importantes para todo mundo)

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E é uma delícia acompanhar seus pais sem saber muito bem como controlar o filho, apostando em uma recuperação que eles estão vendo de perto que claramente ainda não aconteceu. Sem contar os vizinhos, ex colegas de trabalho e seus próprios amigos, a grande maioria deles, morrendo de medo do temperamento explosivo do moço, agora conhecido de todos. Comportamento explosivo que a propósito, aconteceu apenas naquela ocasião segundo ele, que foi o seu único grande surto e que ainda acabou lhe trazendo algumas outras complicações, como delírios e coisas do tipo. Acho sensacional no longa por exemplo, é o detalhe da música do seu casamento hoje ser motivadora do seu descontrole, um detalhe super simples, mas sensacional, inclusive para demonstrar a dificuldade do personagem em conseguir distinguir a realidade com o que acontece na sua imaginação. Por esse motivo, Pat acabou passando alguns meses em uma clínica de tratamento, onde ele acabou aprendendo um coisinha ou outra a respeito da sua condição, como o fato de que os medicamentos, apesar de funcionarem como um alívio quase que imediato, traziam também uma série de efeitos que ele conseguia perceber que não eram muito saudáveis ou agradáveis para a sua vida, pensando a longo prazo. (ainda mais pensando que para a maioria dos casos de pessoas diagnosticadas com esse tipo de problema, a medicação acaba se tornando algo necessário para o resto da vida)

No longa, seu pais, que são figuras importantes nesse período de readequação, são figuras adoráveis e personagens também excelentes. Uma mãe extremamente protetora e clueless em relação a doença do filho (Jacki Weaver) e um pai que também compartilha de um problema sério com seu nível de TOC avançadíssimo (interpretado pelo sempre excelente Robert De Niro), como podemos perceber ao longo do filme. Embora sem ter muita noção do que fazer dentro daquele cenário para colocar o filho de volta no comando da sua vida, ambos não medem esforços para cuidar de Pat e tentam de tudo, como todos os bons pais que conhecemos (porque conhecemos alguns bem ruins também que não se dariam a esse tipo de trabalho), apesar de muitas vezes não conseguirem entender o que estava se passando naquela cabeça que oscilava tanto e tão rapidamente e nem sempre reagindo da melhor forma aos surtos do filho por um motivo qualquer, como quando ele não conseguia achar o vídeo do seu casamento e acabou acordando a vizinhança inteira, além de ter acabado em uma confusão de corpo a corpo dentro da sua própria casa que poderia ter se tornado algo mais sério e com quem ele jamais gostaria que tivesse acontecido.

De acordo com a lógica do próprio personagem, tudo estava caminhando bem em sua vida apesar de todos esses “pequenos problemas”, até que a tão deliciosa quanto personagem da atriz Jennifer Lawrence, passou a cruzar o seu caminho e atrapalhar suas corridas diárias pela vizinhança. Uma personagem fantástica, no mesmo nível do personagem dele, acho bem justo dizer, também com um equilíbrio ótimo entre a sua “loucura” e sanidade, que apensar de não aparentar muito, ela tinha sim e muita. Ela é Tiffany, uma mulher que também acabou passando por um trauma ainda cedo na sua vida, com a morte trágica e acidental do marido, algo que ela não conseguiu assimilar muito bem e acabou compensando fazendo sexo com estranhos, por pura distração. (e no filme tudo é justificado brilhantemente, muito melhor do que qualquer detalhe maior que eu possa descrever por aqui)

E os encontros dos dois são todos sensacionais, uma delícia deliciosa no melhor sentido. Ambos visivelmente desequilibrados, tentando se convencer que ainda estão em um relacionamento estável carregando orgulhosamente suas respectivas alianças, só que por motivos diferentes. De cara, ela já oferece o seu corpo como forma de compensar aquilo que ela não sabe muito bem o que é e ele, é claro que repudia imediatamente, reforçando que é um homem casado e que uma aventura como aquela não faz parte do seu plano para um casamento feliz, repudiando qualquer tipo de traição e a tratando a todo tempo como uma doente pior do que ele. Apesar de saber que tem uma doença, Pat tem também algo que pode ser confundido facilmente com uma presunção (ainda mais contando com a sua total falta de freios) em achar que ele consegue entender o que está acontecendo com ele mesmo e as demais pessoas que dividem problemas semelhantes não, algo que em certo ponto ele justifica ser uma forma de se defender e não se colocar em uma posição “irrecuperável” aos olhos da ex mulher que ele está querendo reconquistar.

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Conversas francas sobre o uso de remédios conhecidos de todos nós e seus efeitos não muito agradáveis em nosso corpo quando usados apenas por necessidade e principalmente quando constantes, uma conversa franca com ela se abrindo sobre o fato de ter sido demitida por ter feito sexo com todos da empresa, inclusive as mulheres, algo que obviamente deixa ele interessado pelo lado sexual da coisa (meninos…), embora até isso ele tenha medo de admitir para não decepcionar a ex mulher evidenciando mais um característica do seu comportamento que ela sempre repudiou. Todos momentos excelentes, com uma química absurda entre os dois atores e que servem muito bem para nos situar em relação a história e estado de cada um deles, além de ser puro entretenimento. Sem contar a trilha sonora do filme, muito bem escolhida e que merece uma atenção toda especial porque é bem boa.

Química inclusive que é notável em todas as cenas que eles dividem lindamente, mesmo quando no nível máximo da loucura de cada um deles (leia-se “loucura” pensando em algo bom nesse momento), o que nos faz perceber que realmente algo de muito especial aconteceu dessa troca. Não é atoa que por esses dias, ambos confirmaram que vão realizar o seu terceiro trabalho juntos, tamanho envolvimento que eles acabaram encontrando um com o outro. E OK, que fique bem claro que estamos falando de um outro tipo de envolvimento, muito mais difícil de se encontrar do que qualquer outra coisa que vocês estejam pensando nesse momento.

Desse encontro, além de outras coisas surge um pacto, com Tiffany aceitando prontamente burlar a lei para entregar uma carta que Pat escreveu para a ex esposa (a qual tem uma relação próxima com sua família), isso com a condição de que ele seja seu parceiro de dança em uma competição local, que era o grande sonho dela (e talvez ela não conseguisse devido a sua condição, que só servia para atrair os aproveitadores da região e por isso, Pat acabou sendo o seu parceiro ideal). Nesse momento, a relação dos dois começa a se aprofundar e é possível perceber que através daquele contato com a dança, ambos passaram a desenvolver sentimentos um pelo outro, embora o Pat relute para admitir o fato.

Antes disso, fica bem claro que apesar de estar enfrentando essa barra, de não ter mais nada na vida a não ser o objetivo de correr, entrar em forma e recuperar a ex, a qual ele inclusive se dispõe a ler todos os livros que ela enquanto professora recomendava para seus alunos (detalhe que eu achei super foufo e ele bravo as hell com o Hemingway foi divertidíssimo), que Pat é uma boa pessoa e apesar da sua falta de filtro e condição emocional, ele consegue muito bem colocar a cabeça no lugar quando se importa com alguma coisa e isso nós percebemos quando ele a defende lindamente de alguém que só queria aproveitar da sua fama na vizinhança. E a defende da forma adequada, sem apelar para o seu lado mais violento ou elevar demais a sua indignação com a situação, optando por apenas dizer a coisa certa e da forma mais sensata possível.

Durante os ensaios, é possível perceber também que ele acaba se envolvendo pela forma como Pat se posiciona quando recebe a visita do amigo Danny (Chris Tucker), que aproveita para tirar aquela casquinha da lindíssima da J-Law é claro, que é uma das poucas mulheres no mundo que consegue segurar dignamente um look inteiro em lycra branco. Ela, Madonna e as meninas do Abba, apenas (rs). Apesar do seu instinto protetor, fica evidente que naquele momento, Pat não estava apenas protegendo a moça de se tornar novamente vítima do seu próprio distúrbio e sim de acabar vendo algo que ele começou a gostar tanto, acabar nas mãos de outra pessoa.

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Perto do final do filme, ele acaba envolvido em uma confusão em um jogo que claramente seu personagem não estava pronto para encarar sozinho, mesmo tendo encontrado por lá o seu próprio terapeuta e não ter sido o grande responsável por aquela situação toda que acabou fugindo totalmente do controle de todos os envolvidos. Mesmo assim, ele acaba novamente pagando a conta, muito provavelmente por ser a figura mais fácil de se culpar (algo que devemos tomar cuidado, sempre), que é quando ganhamos o maravilhoso confronto Jennifer Lawrence vs Robert De Niro, em uma cena ótima e de igual para igual, além de super divertida e com interferências também ótimas do Bradley Cooper ao fundo. Como conclusão, ganhamos um plot da grande aposta da família, que também não era das mais equilibradas (tirando a mãe, tadinha), mas a sua forma, estava tentando ajudar o filho a sair daquela situação apostando, literalmente, todas as suas fichas em uma superstição envolvendo um jogo e o desempenho da dupla no tal concurso de dança.

Lindo o momento em que pai e filho estão no carro, a caminho do jogo que acabou virando uma grande confusão, onde Pat acaba reconhecendo que ele é exatamente igual ao pai (que é figura não grata no estádio devido a uma grande confusão que ele acabou provocando por lá no passado), exceto pelo TOC, que ele acha que é coisa de gente maluca (#TEMCOMONAOAMAR?), assim como a revelação de que a mãe era quem dava as coordenadas da localização do filho em suas corridas diárias para Tiffany, facilitando os encontros “casuais” do casal.

Casal que não poderia ser mais improvável (ou adorkable) devido as condições atuais de cada um deles, mas que ao mesmo tempo passou a funcionar perfeitamente para que ambos tivessem alguma chance de sair daquela situação. Eles que além de lindos juntos (total redundância, porque vamos combinar que unir esses dois na tela do cimema é praticamente uma covardia covarde do tipo imperdoável). E como eu sempre digo, nem sempre a melhor escolha é a escolha mais óbvia. Pensem nisso…

E a apresentação de dança dos dois é excelente. Como se segurar e não ter vontade de voar da cadeira da mesma forma que eles em cena, quando do meio do nada começa a tocar “Fell in love with a girl” do The White Stripes (R.I.P)? Tive que me controlar e se tivesse 35% a mais de coragem, ou 5% a mais de loucura, teria arriscado uma performance naquela sala, naquele exato momento. (rs. Mas fiz depois, em casa, claro!)

O final é extremamente simples e feliz, para nossa sorte (ainda bem que não se inspiraram em Hemingway nessa hora e esse era o meu grande medo para a conclusão do filme) com Pat resolvendo ao pé do ouvido o seu issue com a ex esposa, encontro que todos eles temiam mas que aconteceu de forma civilizada no final da competição de dança, seguindo o conselho do pai e indo atrás da Tiffany, que estava arrasada pelo fato da ex mulher dele ter aparecido na última hora, mas que acabou ganhando a sua própria carta, escrita (e narrada) por Pat, que nós apostamos que foi 1000000 de vezes melhor do que qualquer coisa que ele tenha escrito para a sua ex. (bitch)

E realmente é tudo muito simples no longa, que depende basicamente de uma boa história e de excelentes interpretações de seus atores. Bradley e Jennifer excelentes, ele encarando uma câmera intimista lindamente e ela encantando a todos com a sua postura de badass porém fofa, também implorando por ajuda. Mas sabe aquele filme inexplicável, onde não é possível reconhecer claramente o que, mas é possível sentir que algo de muito especial aconteceu ali, naquele momento? Então,  esse é “Silver Linings Playbook”, um filme leve, despretensioso e sensacional que o diretor David O. Russell acabou fazendo adaptando lindamente o livro de  Matthew Quick, na tentativa de entender melhor o seu próprio filho, também diagnosticado como bipolar. Detalhe que com certeza deve ter colaborado para que esse trabalho tenha se tornado tão especial. (♥)

Um filme encorajador sem ser pedante, que te faz querer voltar para casa e pelo menos tentar encarar um mundo onde nem tudo precisa estar alinhado o tempo todo. (e aquele detalhe da sequência final, com os controles remotos do pai desalinhados pela primeira vez, pode ter sido bem simples, mas pode ter sido também um despertar importante para alguns…)

 

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Les Mis

Fevereiro 18, 2013

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Um musical que realmente leva a sério o formato “musical”. E a propósito, imaginem esse texto inteiro cantado a partir de agora.

Grandioso, com cara de filme feito para ganhar prêmios, atuações preciosas e músicas que tem uma força fora do comum. Assim chegou “Les Misérables” aos cinemas, merecidamente com ares de grande produção, o filme da famosa história de Victor Hugo parece mais um presente para quem gosta do gênero. Mas tem que gostar mesmo, porque nesse musical eles se levam a sério e retomam uma tradição que hoje em dia permanecia apenas no teatro, onde encontramos um filme musical praticamente inteiro musicado, cantado quase que por completo, com apenas algumas frases ou poucas palavras simplesmente faladas. Algo que pode ter causado certa estranheza para alguns (além do fato de se tratar de um grande drama e não comédia, como estamos mais acostumados a ver recentemente nesse formato), ainda mais contando com a longa duração do filme do diretor Tom Hooper (que já havia nos emocionado no passado recente com “The King’s Speech”), que tem mais de duas horas e meia e esse tempo a mais pode ter surtido um efeito negativo para a experiência de algumas pessoas de sua audiência.

A história, conhecida de alguns, ganha uma roupagem interessante investindo nesse fundamento do musical antigo, de raiz, como se colaborasse dando um peso maior ainda para tamanho drama que o próprio texto por si só já carrega muito bem, sem precisar de qualquer tipo de ajuda, mas que nesse caso veio bem a calhar.

E ver a revolução francesa acontecer daquela forma, quase poética, mesmo sem romantizar demais os meios (apesar de existir um romance dentro desse cenário, o único dentro dessa história e que aparece em apenas parte dela) chega a ser também como mais um presente que o filme nos entrega. Homens com uma coragem difícil de se encontrar hoje em dia, saindo as ruas em busca de um ideal político que acabou se tornando uma questão de sobrevivência, enfrentando uma batalha visivelmente injusta e em grande desvantagem em relação a quem estava no poder naquela ocasião, mulheres unindo forças para colaborar a seu modo, em um tempo onde elas ainda não estavam acostumadas a serem ouvidas. Nada mais do que aquela velha história (tão velha que já anda saudosa, porque com tanta coisa séria acontecendo e pouca gente se manifestando contra de forma significativa, já estamos com saudade desse tipo de postura) do povo cansado de injustiças se unindo por um bem em comum. O bacana é que o longa passa por diferentes fases da revolução francesa ao longo dos anos, dos motivos que a despertaram até a batalha final, novamente, seguindo aquela linguagem quase poética já mencionada, mas não sem ilustrar a realidade covarde que encontramos facilmente em qualquer guerra.

Nele encontramos Hugh Jackman praticamente irreconhecível em seu começo, a não ser pela demonstração de sua força, essa que nós sabemos que ele tem de sobra naquele corpo que o mesmo construiu ao longo dos tempos. Alguns podem estranhar encontrar o ator daquela forma, apesar do seu Jean Valjean ser um grande herói para a história, papel que já estamos acostumados em vê-lo em cena, só que não dessa forma, com tamanha intensidade. Aqui ele está diferente, muito mais dramático do que em qualquer outro papel da sua vida. Sério também. Apesar da surpresa de encontrá-lo nesse cenário, não é de hoje que o ator vem se dedicando ao teatro, especificamente na Broadway e não tem muito tempo, essa sua dedicação e trabalho chegou inclusive a ser reconhecido em um Tony, onde ele foi homenageado em reconhecimento a tudo isso. Sem contar que esse homem deve ter no mínimo um fraco para personagens com costeletas exageradamente largas e compridas, rs. (sorry, não pude deixar de reparar nesse padrão, Hugh)

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Por isso, é bem bacana ver um homem como Hugh enfrentando um desafio dramático como esse e muito bem por sinal, carregando com toda a sua força um personagem que provavelmente vai ser o ponto de transição da sua carreira daqui para frente. Seu primeiro solo no filme tem uma força absurda, assustadora até e de forma totalmente surpreendente e acontece quando seu personagem estava prestes a ser um homem livre mas acaba condenado injustamente por uma vida inteira por um “motivo banal” e com isso, se encontrando sem emprego, com fome e no total desespero, ele de repente se vê em um sério dilema entre a fé e a oportunidade, um momento realmente forte e lindo de se ver, mesmo para quem não seja muito apegado a questões de fé ou qualquer coisa do tipo. Aliás, seu personagem, tantas vezes acolhido pela própria igreja, não usa isso como um recurso para estimular qualquer tipo de prática ou devoção (Amém!) e a mensagem da história, apesar da presença da igreja em diversas ocasiões, acaba sendo muito mais a de que vale a pena optar pelo caminho certo da vida, do que qualquer outra coisa. Um tipo de questionamento que acabamos fazendo vez ou outra na vida, independente da crença de cada um. Nesse caso, o lado da devoção acaba sendo aplicado a própria vida do personagem e a forma como ele passa a se dedicar a vivê-la após encarar de frente toda essa questão.

O filme é praticamente dividido em três grandes atos e nesse primeiro, passamos boa parte dele conhecendo a história dos personagens principais ou motivadores dela, como o próprio Jean Valjean (como é sonoro dizer esse nome caprichando no accent francês, não?), o temido Javert, interpretado muito bem pelo ator Russell Crowe (com um certo nível exagerado de implicância à suas habilidades vocais por parte da crítica) e Fantine, personagem que também não poderia ter caído em mãos melhores. (em pensar que a Scarlett Johansson chegou a fazer o teste para o papel e graças ao espírito de romancista de Victor Hugo não conseguiu, e a Anne Hathaway teve que praticamente implorar ao tentar convencer os produtores e diretor que apesar da pouca idade, ela poderia interpretar aquela mãe da forma tão especial como acabou fazendo)

Não é de hoje que nós amamos a Anne Hathaway e acreditamos no que ela é capaz de fazer, mas realmente, a sua Fantine em “Les Mis” tem uma força fora do comum. Boa parte dela creditada ao personagem e sua trajetória de sofrimento, que é bem pesada e praticamente impossível de se ignorar ou não se emocionar. Mas os seus momentos, que ocupam apenas os primeiros 40 minutos do filme, até uma breve aparição quase afetiva no final, são mais do que especiais. Uma mulher perseguida por outras mulheres, por pura inveja, que por uma ironia do destino acaba se vendo sem outra saída a não ser começar a se vender ao poucos (aos poucos mesmo, aos pedaços) para conseguir sustentar a distância a filha, Cosette, a qual ela teve que deixar sob os cuidados de um casal. Ironicamente novamente, exatamente na hora em que Fantine se vê sem nenhuma outra opção, a personagem acaba sendo acolhida por outras mulheres, dessa vez por compaixão, por enxergarem nela quem elas já foram um dia.

A sequência onde Fantine atende seu primeiro cliente é sensacional e quando ela canta a line “Don’t they know they’re making love to one already dead?”, um das minhas preferidas em todo o filme, é realmente de arrepiar a alma. Com os olhos cheios de lágrimas e um plano fechado que depende totalmente do que ela consegue nos transmitir no olhar e alguma linguagem corporal do pouco do seu corpo que está a mostra em cena naquele momento, Anne toma para ela a música de maior força do musical que todos nós conhecemos bem. Acho praticamente impossível conter as lágrimas nesse momento e as minhas já estavam descendo desde a cena anterior. Obviamente sabemos que essa é uma das melhores letras que conhecemos feitas para um musical, uma música que tem a força de uma vida e tornou-se bem popular recentemente, devido a outro momento daqueles que não acontecem por acaso na vida de ninguém e que também acabou deixando o mundo inteiro bastante emocionado. Mas Anne conseguiu o impossível e fez tudo diferente, muito bem amparada na carga dramática da história da sua personagem e é possível perceber o tamanho da sua entrega naquele momento a quilômetros de distância, mesmo que você esteja do outro lado da barricada da revolução. Gosto muito do momento onde ela entrega uma nota maior estendida e parece não acreditar no que acabou de sair de dentro dela mesmo, tapando a boca logo na sequência, de forma super emocionada. Uma performance que se trouxer o Oscar para suas mãos esse ano (e ela vem ganhando todos os prêmios por isso até agora), não será nada mais do que merecido e já estou pronto para aplaudir de pé, apesar de ter uma Sally Field como sua concorrente nessa mesma primeira fila de mulheres talentosíssimas. (te amo também, Sally!)

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Mas sejamos justos ao reconhecer que ela não foi a única que cantou lindamente e encarou aquele close quase sufocante, porque boa parte dos atores principais também tiveram seus momentos. Hugh Jackman foi um deles, como eu já mencionei anteriormente ao falar sobre o seu excelente primeiro solo, uma performance que se repete ao longo do filme em pelo menos mais um momento extremamente dramático e também com uma força fora do comum. Ainda mais sabendo da história por trás da produção, onde os atores fizeram questão de gravar suas músicas em cena, ao contrário do que é feito normalmente nesse tipo de filme, onde eles acabam adicionando as músicas em versões de estúdio gravadas separadamente. Só acho uma pena que esse ano, indicado por esse papel brilhante, Jackman tenha que encarar um Daniel Day-Lewis (praticamente uma covardia concorrer com ele em qualquer coisa na vida) vivendo a história de um dos maiores e mais importantes presidentes da America antiga. Realmente uma pena e seu eu pudesse dividir cada um desses prêmios que ambos os filmes estiveram ou ainda estão disputando, eu declararia empate em todos eles nesse caso.

Da despedida da Fantine do longa, que também nos traz a confissão de Jean Valjean assumindo a sua identidade de volta para não ver um homem comum ser condenado a escravidão, algo que ele conheceu muito bem e de perto, evitando uma grande injustiça na vida de mais uma pessoa, temos o que podemos considerar como segundo ato do musical, com a busca daquele homem ao tentar consertar o seu maior erro do passado, que por uma questão de tempo e novamente, das ironias do destino que vivemos a todo momento, ele acabou cometendo com a própria Fantine, quando ela acabou sendo despedida de uma de suas empresas, quando Valjean já havia se tornado prefeito e um homem de respeito naquele lugar. Uma dívida para a vida, que ele acaba assumindo em busca da filha de Fantine, Cosette, que se encontra com o tal casal, que ficou por conta da impagável dupla Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter (até os nomes deles tem química, para vocês sentirem o quanto ficou especial essa dupla), que trazem de forma primorosa um alívio cômico para a trama. A performance dos dois é divertidíssima (que na verdade, nada mais são do que um casal de golpistas e que não cuidaram muito bem da pequena Cosette. E ele errando o nome dela para tentar convencer que sempre foi um bom pai, foi muito bom) e serve para dar uma aliviada em toda carga dramática que o filme nos obriga carregar até esse ponto da história. Aliás, essa é uma música para se puxar em um bar, por favor! Sim, esse é um dos meus sonhos musicais que ainda pretendo realizar na vida. Alguém me acompanha na letra? (acho que vou até imprimir a letra em umas folhas e começar a carregar comigo na bolsa, só por precaução, rs)

As crianças no filme também estão bem especiais, da pequena Cosette (Isabelle Allen) até o grandioso apesar de bem pequeno, Gavroche (Daniel Huttlestone), ambos atores que cantam lindamente e entregam performances ótimas durante o longa. Gavroche que inclusive acaba ganhando um destaque ainda maior do que a própria Cosette quando criança, vivendo bons momentos de comédia, mas ganhando o seu momento dramático de cortar o coração em 34454545545 pedaços no final. E enquanto ganhamos esse respiro, a grande perseguição que motiva o filme continua, com Javert ainda a procura de Jean Valjean, que agora, passa a fugir na companhia da própria Cosette, a quem ele prometeu cuidar como filha para o resto da vida.

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E assim ele faz, que é quando chegamos ao terceiro ato dessa história, com o despertar do amor da Cosette, agora começando a sua vida adulta (nessa fase, interpretada pela Amanda Seyfried, que poderia ter escolhido um outro tom para cantar suas músicas, fato) e ainda vivendo como um fantasma ao lado do pai (que continua perambulando por aí sem poder assumir quem é por ser um fugitivo da justiça tirana de Javert) por Marius, um jovem revolucionário do tipo bem nascido mas que não aceita muito bem viver a sua realidade com um mundo inteiro passando fome do outro lado da sua janela, com o qual ela acaba vivendo uma história de amor a primeira vista, que é quando encontramos Jean Valjean começando a planejar o futuro da filha, uma vez que ele sabe e consegue sentir que não vai poder estar ao seu lado para o resto da vida. Não no mesmo lugar, como uma pessoa comum e não eternamente, que é o que todos nós sabemos. Tudo bem que a história de amor dos dois, apesar da poesia e do sonho de se viver um amor a primeira vista, acaba parecendo “forçada” demais, já que eles não tiveram o menor contato a não ser um breve olhar trocado na cidade e em meio a uma grande confusão. Mas tudo bem, vamos acreditar na inocência de outros tempos e além disso, apesar de parecer pouco “crível” devido a uma questão de tempo e pela intensidade que eles demonstram no filme (questão que inclusive eles mesmos chegam a levantar), quem nunca se apaixonou apenas por um primeiro olhar? Agora, se a relação teve futuro ou não depois, isso já é outra história.

Mas em meio a tudo isso, ganhamos outra personagem que é uma das minhas preferidas dessa história, Éponine (Samantha Barks), filha do próprio casal que cuidou da pequena Cosette por tanto tempo no passado. Ela que vive um amor não correspondido por Marcus (interpretado dignamente pelo ator que devemos ficar de olho, Eddie Redmayne), que ao vê-lo apaixonado por Cosette do meio do nada, ao contrário de se tornar uma pessoa amarga, vingativa ou qualquer coisa do tipo, acaba entendendo através de uma performance ótima por sinal (muito melhor do que qualquer uma das duas ou três musicas da onipresente da sétima arte, Amanda Seyfried), que a sua maior prova de amor naquele momento seria colaborar para que Marcus tivesse a chance de viver ao lado de quem ele sonhava, entendendo que embora aquele amor não fosse para ela, isso não significava que ela não poderia vivê-lo de outra forma. E nesse momento, ela começa um história de amor com ela mesmo, algo importantíssimo para o crescimento pessoal de todo mundo. Outro ponto importante a se mencionar é que mesmo sem um final “feliz” como a gente gostaria, ela conseguiu fazer o grande amor da sua vida enxergar a dimensão da sua grandeza. Uma personagem sensacional!

Nesse último ato, começamos a observar de perto a questão de revolução francesa, a convite do pequeno Gavroche, que acabou se tornando um dos maiores heróis dessa história, ele que obriga a aristocracia e os ricos da época a encarar os miseráveis famintos nas ruas de Paris e encara um exército armado com a maior graça e desenvoltura em meio a um bando de marmanjos (quando não liderando o seu próprio exército de pequenos).  Revolução que é levada a sério, com uma ilustração bem bacana dos seus ideais e performances excelentes como aquela com os jovens revolucionários cantando durante o cortejo funeral que passava pela cidade. Outro momento para se arrepiar, que se repete de forma poética (agora no melhor sentido da palavra) e ainda mais grandiosa durante o encerramento do longa, com essa musica que é outra das mais grandiosas e representativas do musical. Entre eles, quem acaba se destacando nessa hora é o ator Aaron Tvevit, na pele do corajoso Enjolras, que tem umas das melhores vozes masculinas do elenco.

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E toda a questão de revolução é tratada lindamente, inclusive o conflito final da barricada de móveis e quinquilharias do povo da cidade, onde eles visivelmente estavam em desvantagem, mas seguraram firmes e fortes até o final. Deles todos que morrem como heróis naquele momento (um encerramento lindo por sinal em termos de fotografia, cores e cenários) o único sobrevivente acaba sendo o próprio Marcus, que é carregado pelos esgotos de Paris pelo próprio Jean Valjean, que estava a todo custo tentando salvar aquele que ele acreditava ser (com motivos, devido a todo o seu discurso) o homem da vida da sua filha e alguém com quem ela tivesse a chance de viver uma vida comum, sem precisar continuar fugindo o tempo todo.

Jean Valjean que antes de tudo isso teve a sua grande chance de se vingar de Javert, seu inimigo por praticamente toda a vida, mas que optou por libertá-lo, mesmo quando ele não tinha a menor chance, o que acabou gerando um conflito interno no próprio Javert, que não conseguia entender como um homem tão perseguido e maltratado pela vida como Jean Valjean (e por boa parte dela, através da sua própria tirania), poderia ser tão nobre e capaz da atitude que Javert enquanto pessoa, jamais conseguiria entender, embora tenha feito a coisa certa quando encontrou pela última vez o motivo de toda essa perseguição na sua vida, que estava visivelmente em desvantagem, literalmente na merda (la mérde) e que nem por isso ele conseguiu se aproveitar da situação e acabar de vez com aquela história de gato e rato que se arrastava por anos.

Como conclusão para essa história maravilhosa, tivemos a merecida despedida entre pai e filha, com Jean Valjean já bastante debilitado, perto do seu fim, reencontrando a filha de quem ele tentou fugir para que ela pudesse viver a sua vida como ela gostaria, entregando a sua verdadeira história para a Cosette pela primeira vez, em outro momento impossível de não se emocionar, com o personagem finalmente encontrando a sua linha final. E aquela cena dele fazendo a transição, com a Fantine cantando ao fundo e na sequência com o coro de todas as vitimas da revolução em meio àquela barricada agora gigantesca, com uma força muito maior e mais representativa, foi realmente um final sensacional para esse grande longa.

Em termos de filme e direção, eu não gosto muito da forma como o diretor optou por nos mostrar essa história, onde se comparado ao seu último trabalho, é possível perceber que ele abdicou de uma identidade bacana que aprendemos a reconhecer e admirar do seus passado cinematográfico, para seguir uma linha mais comercial e até mesmo esperada para esse tipo de história. Apesar do clima intimista e bem especial das performances dos solos (algo que ele manteve de “The King’s Speech”, com aquela câmera fechada na cara dos atores) e das cenas grandiosas, feitas especialmente para encher os olhos, acho que o filme apesar ser bem especial, ficou devendo um pouco na questão da vontade de tentar nos passar um novo olhar. Aquelas cenas de transições de um cenário para o outro, clássicas do cinema por exemplo, eu acho totalmente desnecessárias e meio assim para o cinema moderno (close na cruz no alto da construção, ou imagens que vão do micro ao macro e vice versa). Algo que não chega a prejudicá-lo ao ser considerado como um bom filme, sem exageros, mas também não chega a colocá-lo em um lugar de maior destaque. Não por isso, apesar do esforço de todas as suas performances.

Vive la France!

 

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Agora só nos resta torcer para os indicados ao Oscar 2013

Janeiro 10, 2013

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Continuo achando que esse foi um ano morno para o cinema, cheio de pipoca semi fria e com pouca ou muita manteiga. Sem contar a TV, que não foi muito feliz em sua leva de novidades (é, não foi) e ainda temos algumas séries se despedindo de forma bem capenga e ou não conseguindo reconhecer que já passou da hora de parar.

Mas falando em Oscar e nos prêmios de cinema, tivemos algumas surpresas na lista de indicados ao Oscar 2013, divulgada hoje cedo pela lindíssima Emma Stone, acompanhada do hostess da cerimônia desse ano, o queridíssimo que eu queria que fosse um dos meus melhores amigos e ou patrão (sim, eu sempre sonhei em também trabalhar com animação algum dia), Seth McFarlane e alguns outros nomes que também apareceram em meio aos indicados e que só nos resta dizer que confirmou!

Então, vamos a lista:

 

MELHOR FILME

Indomável Sonhadora

O Lado Bom da Vida

Lincoln

A Hora Mais Escura

As Aventuras de Pi

Os Miseráveis

Amor

Django Livre

Argo

 

De todos eles, até agora eu só assisti “Argo” (que é um bom filme e teve uma merecida indicação), por isso prefiro não arriscar nenhuma torcida ainda. Apesar de achar que “Les Mis” ou “Lincoln” tenham grandes chances por ter cara da preferência de sempre de Hollywood, seria lindo ver o austríaco “Amour” ou “Indomável Sonhadora” (que eu ando bem querendo ver muito) levando esse prêmio para casa. 

 

MELHOR DIREÇÃO

Michael Haneke – “Amor”

Benh Zeitlin – “Indomável Sonhadora”

Ang Lee – “As Aventuras de Pi”

Steven Spielberg – “Lincoln

David O.Russell – “O Lado Bom da Vida”

 

Nomes de peso e bastante conhecidos no meio dos novatos que parecem que fizeram bem bonito esse ano. Boa Sorte. Achei uma pena o nome do Ben Affleck não estar nesse meio? Achei. E o do Tarantino + Wes Anderson também. Humpf!

 

MELHOR ATOR

Daniel Day Lewis – “Lincoln”

Denzel Washington – “O Voo”

Hugh Jackman – “Os Miseráveis”

Bradley Cooper – “O Lado Bom da Vida”

Joaquin Phoenix – “O Mestre”

 

Dizem que o Joaquin voltou com tudo em “O Mestre”, mas estou achando difícil alguém roubar esse prêmio do lindíssimo e mega talentoso Day Lewis. Gente, e o Bradley Cooper nesse meio? Devido a minha #CRUSH antiga pelo seu Will em Alias, achei mais do que inesperado e espero que tenha sido merecido também.

 

MELHOR ATRIZ

Jessica Chastain – “A Hora Mais Escura”

Jennifer Lawrence – “O Lado Bom da Vida”

Emmanuelle Riva – “Amor”

Quvenzhané Wallis – “Indomável Sonhadora”

Naomi Watts – “O Impossível”

 

Chastain, Watts, todas com boas chances. Mas quer saber, com duas indicações tão cedo na sua vida, acharia lindo se a Jennifer Lawrence levasse esse prêmio. 

 

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz – “Django Livre”

Philip Seymour Hoffman – “O Mestre”

Robert De Niro – “O Lado Bom da Vida”

Alan Arkin – “Argo”

Tommy Lee Jones – “Lincoln”

 

Estou achando a categoria coadjuvantão muito mais concorrida do que a de melhor ator. Acabo torcendo por todos, pelo conjunto da obra. 

 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Amy Adams – “O Mestre”

Sally Field – “Lincoln”

Anne Hathaway – “Os Miseráveis”

Helen Hunt – “As Sessões”

Jacki Weaver – “O Lado Bom da Vida”

 

Outra categoria disputadíssima. Bom ver a Helen Hunt voltando com toda força e embora o meu coração queira torcer mais pela Anne Hathaway em qualquer categoria que ela apareça, meu amor mais antigo pela Sally Field acaba sempre falando muito mais alto. Não tem jeito. 

 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

“Amor” – Michael Haneke

“Django Livre” – Quentin Tarantino

“O Voo” – John Gatins

“Moonrise Kingdom” – Wes Anderson e Roman Coppola

“A Hora Mais Escura” – Mark Boal

 

Tá, não vou dizer que quando eu leio Wes Anderson e ou Quentin Tarantino, eu não consigo pensar em nenhuma outra coisa. Permaneço em silêncio então…

 

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

“Argo” – Chris Terrio

“Indomável Sonhadora” – Lucy Alibar e Benh Zeitlin

“As Aventuras de Pi” – David Magee

“Lincoln” – Tony Kushner

“O Lado Bom da Vida” – David O.Russell

 

Gosto de diretores envolvidos em todos os processos. Acho que tudo fica muito mais pessoal. O que também pode se tornar um problema. 

 

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

“Amor”

“Kon-Tiki”

“No”

“O Amante da Rainha”

“War Witch”

 

Engraçado ter um filme concorrendo como melhor filme estrangeiro e melhor filme ao mesmo tempo. Alguém tem alguma dúvida que “Amor” leva esse?

 

MELHOR ANIMAÇÃO

“Valente”, de Mark Andrews e Brenda Chapman

“Frankenweenie”, de Tim Burton

“ParaNorman”, de Sam Fell e Chris Butler

“Piratas Pirados”, de Peter Lord

“Detona Ralph”, de Rich Moore

 

Até agora, só vi dois: “Frankenweenie”, que eu gostei, não amei e “Valente”, que com o qual eu me relacionei da mesma forma. Estou com preguiça de “Detona Ralph” pela dificuldade de encontrá-lo legendado e “ParaNorman” está na minha lista para assistir para ontem e já faz tempo. #SHAMEONME

 

MELHOR FIGURINO

“Anna Karenina” – Jacqueline Durran

“Os Miseráveis” – Paco Delgado

“Lincoln” – Joanna Johnston

“Espelho, Espelho Meu” – Eiko Ishioka

“Branca de Neve e o Caçador” – Colleen Atwood

 

Achei que esse “Anna Karerina” seria mais respeitado em outras categorias. E apesar de lindos, acho os figurinos de época um tanto quanto supervalorizados sempre… o que me dá bastante preguiça. Oh WAIT… “Branca de Neve e o Caçador” teve uma indicação. Sim, vivemos em um mundo desse tipo. Para pensar sobre…

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO

“5 Broken Cameras”

“The Gatekeepers”

“How to Survive a Plage”

“The Invisible War”

“Searching for Sugar Man”

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM

“Inocente” – Sean Fine e Andrea Nix Fine

“Kings Point” – Sari Gilman e Jedd Wider

“Mondays at Racine” – Cynthia Wade e Robin Honan

“Open Heart” – Kief Davidson e Cori Shepherd Stern

“Redemption” – Jon Alpert e Matthew O’Neill

 

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

“Adam e Dog” – Minkyu Lee

“Fresh Guacamole” – PES

“Head over Heels” – Timothy Reckart e Fodhla Cronin O’Reilly

“Maggie Simpson em ‘The Longest Daycare’” – David Silverman

“Paperman” – John Kahrs

 

MELHOR CURTA-METRAGEM

“Asad” – Bryan Buckley e Mino Jarjoura

“Buzkashi Boys” – Sam French e Ariel Nasr

“Curfew” – Shawn Christensen

“Death of a Shadow (Dood van een Schaduw) – Tom Van Avermaet e Ellen De Waele

“Henry” – Yan England

 

MELHOR MAQUIAGEM

“Hitchcock” – Howard Berger, Peter Montagna e Martin Samuel

“O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” – Peter Swords King, Rick Findlater e Tami Lane

“Os Miseráveis” – Lisa Westcott e Julie Dartnell

 

“Hitchcock” foi outro dos filmes que não conseguiram convencer, hein? Me lembro de muito barulho quando foi anunciado e agora… silêncio total para evitar o climão e ou transformá-lo em algo maior ainda, rs

 

MELHOR EDIÇÃO

“Argo” – William Goldenberg

“As Aventuras de Pi” – Tim Squyres

“Lincoln” – Michael Kahn

“O Lado Bom da Vida” – Jay Cassidy e Crispin Struthers

“A Hora Mais Escura” – Dylan Tichenor e William Goldenberg

 

MELHOR FOTOGRAFIA

“Anna Karenina” – Seamus McGarvey

“Django Livre” – Robert Richardson

“As Aventuras de Pi” – Claudio Miranda

“Lincoln” – Janusz Kaminski

“007 – Operação Skyfall” – Roger Deakins

 

Daria uma indicação para “Moonrise Kingdom” nessa categoria, fácil. 

 

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Before My Time” (de “Chasing Ice”) – Música e letra de J.Ralph

“Everybody Needs a Best Friend” (de “Ted”) – Música de Walter Murphy e letra de Seth MacFarlane

“Pi’s Lullaby” (de “As Aventuras de Pi”) – Música de Mychael Danna e letra de Bombay Jayashri

“Skyfall” (de “Skyfall”) – Música e letra de Adele Adkins e Paul Epworth

“Suddenly” (de “Os Miseráveis”) – Música de Claude-Michel Schönberg e letra de Herbert Kretzmer e Alain Boublil

 

Posso dizer que eu fiquei muito, mas muito feliz ao ver o nome do Seth McFarlane nesse grupo. Sinceramente? Ficaria imensamente feliz caso ele ganhasse, porque para quem não sabe, além de cantor, McFarlane sempre levou o assunto “música” bem a sério e toda a trilha sonora de Family Guy por exemplo, é feita por uma orquestra a cada episódio, detalhe que talvez passe despercebido por muitos mas é sempre bom saber que tem gente que se preocupa com esse tipo de detalhe. Ainda mais em uma animação como essa. A melhor da TV. Pronto, eu disse. (e que tem os melhores musicais dentro da própria série. Falei de novo)

 

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

“Anna Karenina” – Dario Marianelli

“Argo” – Alexandre Desplat

“As Aventuras de Pi” – Mychael Danna

“Lincoln” – John Williams

“Skyfall” – Thomas Newman

 

DIREÇÃO DE ARTE

“Anna Karenina” – Sarah Greenwood (design de produção) e Katie Spencer (decoração do set)

“O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” – Dan Hennah (design de produção); Ra Vincent e Simon Bright (decoração do set)

“Os Miseráveis” – Eve Stewart (design de produção) e Anna Lynch-Robinson (decoração do set)

“As Aventuras de Pi” – David Gropman (design de produção) e Anna Pinnock (decoração do set)

“Lincoln” – Rick Carter (design de produção) e Jim Erickson (decoração do set)

 

EDIÇÃO DE SOM

“Argo” – Erik Aadahl e Ethan Van der Ryn

“Django Livre” – Wylie Stateman

“As Aventuras de Pi” – Eugene Gearty e Philip Stockton

“Skyfall” – Per Hallberg e Karen Baker Landers

“A Hora Mais Escura” – Paul N.J. Ottosson

 

MIXAGEM DE SOM

“Argo” – John Reitz, Gregg Rudloff e Jose Antonio Garcia

“Os Miseráveis” – Andy Nelson, Mark Paterson e Simon Hayes

“As Aventuras de Pi” – Ron Bartlett, D.M. Hemphill e Drew Kunin

“Lincoln” – Andy Nelson, Gary Rydstrom e Ronald Judkins

“Skyfall” – Scott Millan, Greg P. Russell e Stuart Wilson

 

EFEITOS VISUAIS

“O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” – Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton e R.Christopher White

“As Aventuras de Pi” – Bill Westenhofer, Guillaume Rocheron, Erik-Jan De Boer e Donald R.Elliott

“Os Vingadores” – Janek Sirrs, Jeff White, Guy Williams e Dan Sudick

“Prometheus” – Richard Stammers, Trevor Wood, Charley Henley e Martin Hill

“Branca de Neve e o Caçador” – Cedric Nicolas-Troyan, Philip Brennan, Neil Corbould e Michael Dawson

 

Apesar de ter sido uma boa lista e ter o nome do Seth McFarlane como o apresentador do Oscar 2013 já ser uma grande esperança de que a premiação desse ano tem tudo para ser bem menos tediosa do que as últimas 10 pelo menos (e só pelo clima da apresentação da lista dos indicados, ele já provou que estava afiadíssimo. Sem contar que ele tem um Stewie na manga para sacar a qualquer momento. Aliás, será que eles todos estarão lá? Imaginem só? – #OLHOSBRILHANDO), confesso que eu acho triste não ver nenhuma indicação para o sensacional “The Dark Knight Rises” do Nolan nessa lista. Mas tudo bem, agora só nos resta esperar pelos resultados e reclamar muito depois de ter assistido a todos os filmes indicados para a premiação desse ano.

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