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What a girl wants? (Girls – Season 2)

Abril 5, 2013

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(para começar ouvindo essa faixa aqui, a qual responde a questão acima)

Uma garota sempre quer muitas coisas. Na verdade, todo mundo sempre quer muitas coisas. Mas o que fazer quando conseguimos atingir o nosso objetivo? E quando você descobre que o seu objeto de desejo não é mais tão desejável assim? Ou pior, continua sento altamente desejável mais uma vez que você o alcança, tudo muda e você não sabe muito bem como lidar com aquela nova situação?

Mais ou menos dessa forma, reencontramos com as nossas garotas preferidas do momento, elas que continuavam as mesmas, tentando sobreviver às incertezas de uma idade que se aproxima cada vez mais do futuro e mesmo assim, nós continuamos ainda não tendo muita certeza sobre o que vai ser dele (ou de qualquer outra coisa) e enquanto isso, vamos aproveitando um pouco mais para experimentar e tentar coisas novas enquanto ainda há tempo de não se sentir tão ridículo (algo que inclusive é importante manter, rs). NY também continuava a mesma de sempre, oferecendo o cenário perfeito para uma história como essa, cheia de possibilidades para se explorar e ao mesmo tempo engolindo sonhos na velocidade impiedosa de qualquer cidade grande, que parece nunca ter tempo a perder com ninguém. Mas Girls parecia diferente. Alguma coisa na série estava bem diferente do que já conhecemos da mesma, de sua adorável Season 1 até que recente, pela qual nos apaixonamos facilmente e nos viciamos quase que instantaneamente. Mas se os personagens e o cenário dessa história continuavam os mesmos, o que estaria tão diferente nessa Season 2 de Girls?

E essa diferença estava principalmente nas realizações de cada uma delas, que conseguiram alcançar parte do que parecia importante para cada uma durante a primeira temporada e agora chegava a hora de aprender a lidar com essas novas situações. Uma precisava conseguir um trabalho e se sustentar sozinha com a própria arte. Done (✓). A outra precisava colocar os pé nos chão e provar para ela mesmo que seria possível estabelecer uma relação com endereço fixo, pelo menos uma vez na vida. Done (✓). Havia também aquela que estava desesperada por um namorado, alguém para finalmente poder dividir seus momentos e quem sabe equilibrar a sua ansiedade e ao mesmo tempo, havia aquela outra que precisava se libertar do namorado que ela não conseguia mais aguentar porque estava sempre presente. Done (✓) e Done (✓). Claro que a vida dessas meninas não se resume apenas nisso, como a de ninguém se resume (e se isso está acontecendo com você, pode ter certeza que tem algo errado com a sua vida) e elas também tinham outros desejos além do óbvio. Alguns escondidos, algo que só fomos descobrir agora, quando passamos a conviver um pouco mais com todas elas e fomos nos tornando mais íntimos e outros estavam escancarados o tempo todo na personalidade de cada uma das personagens.

E agora que finalmente alcançaram parte dos seus sonhos, as meninas de Girls realmente pareciam não saber muito bem como lidar com toda aquela situação e essa sensação é tão honesta. Querer alguma coisa é natural para todo mundo, desejar muito algo que parece distante, quase inalcançável, todo mundo deseja. Mas as vezes fantasiamos tanto essa conquista que esquecemos da prática, de que na hora em que acontece, tudo pode ser bem diferente do que na teoria dos nossos sonhos. Sabe quando você encontra aquele artista ou pessoa que admira por algum motivo qualquer e que sempre quis estar perto e quando isso finalmente acontece, você não sabe nem o que dizer e a acaba reagindo de uma forma inesperada e provavelmente se arrependendo e ou se envergonhando disso logo depois? Então… acho que esse exemplo bobo serve bem para ilustrar o atual momento dessas garotas.

Girls recap It's Back

Talvez por esse motivo, essa Season 2 de Girls tenha sido tão recheada de momentos pouco eufóricos e muito mais profundos do que durante a anterior, apesar de se tratar de uma temporada de realizações para todas elas. A sensação foi a de que conseguimos atingir o nosso objetivo, tínhamos motivos para estarmos mais felizes do que nunca, mas não ficamos. E porque? Por isso também essa temporada pode ser considerada como uma temporada “experimental”, porque além de novas situações, experimentamos também novos sentimentos em relação àqueles personagens, que em tão pouco tempo se tornaram tão queridos, mesmo não sendo os mais engraçados da TV, ou os mais bonitos, algo que ainda parece ser relevante para alguns (o que eu acho e sempre achei uma grande bobagem, além de soar como um “preconceito velado” quase que escancarado). Dessa forma, acho que podemos dizer que a primeira temporada de Girls foi a nossa “fase inicial de namoro”, onde nos apaixonamos completamente e finalmente conseguimos conquistar o nosso alvo e essa Season 2 seria algo mais como aquela fase pós-começo de namoro, quando a realidade começa a ficar mais evidente e chega a hora de conhecer o outro mais a fundo, conviver com seus medos, falhas, defeitos e aceitar que ninguém é feito apenas de qualidades. Algo difícil para os dois lados, o de aceitar tudo isso e encarar que nem tudo é tão perfeito assim e também o de ter coragem de deixar transparecer toda essa verdade que muitas vezes preferimos deixar escondida, principalmente no começo de qualquer relacionamento.

Apesar das diferenças no tom da série, não podemos negar que esse equilíbrio entre o drama e a comédia sempre foi o seu grande atrativo, fazendo parte da sua mitologia desde o princípio. Girls pode não ser a série mais engraçada (embora tenha ganhado alguns prêmios por isso e todos merecidos por sinal), aquela que vai te fazer rolar no chão de tanto rir (algo cada vez mais raro hoje em dia), pode não ser também aquela série que vai te dar um banho de referências da cultura pop por segundos a cada novo episódio, mas mesmo assim, a série consegue ter seus momentos de pura diversão e isso explorando perfeitamente o cotidiano, o comum, o possível de acontecer na vida de todo mundo que um dia já se encontrou em alguma situação semelhante (o que é bem provável para uma maioria). Como não achar graça por exemplo, da Hannah demonstrando toda a sua teimosia em uma cena simples de higiene pessoal, com ela indo longe demais com o uso do cotonete e por consequência indo parar no médico por conta daquela situação embaraçosa, sozinha, sem ninguém para cuidar dela? (sabe quando ela quebra alguma coisa de vidro e não tem pai ou mãe para consertar o ocorrido? Um ótimo exemplo de um dos primeiros momentos onde você se dá conta de que realmente está sozinho) E a forma completamente cínica com que o médico conversava com a personagem? E toda a teimosia aparecendo novamente no final, com a personagem persistindo no erro, ilustrando perfeitamente o atual momento da sua vida? #TEMCOMONAOAMAR e ou achar graça? Sério?

Essa é a graça de Girls. Rir dos próprios problemas sem ignorá-los ou transformá-los em comédia pastelão (apesar de também se arriscar e com sucesso dentro desse universo, vide a Hannah cortando o próprio cabelo, inspiradíssima no curto da Carey Mulligan. Quem nunca?), mostrando que a gente pode até ter vontade de gargalhar depois, mas na hora, nada é tão divertido assim quanto pode até parecer. Há também quem reclame das cenas de nudez, dos excessos que a série comete dentro desse universo mais animador e muitas vezes constrangedor, mostrando os personagens em momentos bem realistas e altamente íntimos, com detalhes que normalmente a gente esconde quando resolvemos contar algo semelhante, mesmo para as nossas amigas mais intimas. Algo que a essa altura também parece tão irrelevante, porque quem ainda não entendeu que Girls é uma série da HBO, um canal a cabo que tem muito mais liberdade para mostrar o que quiser e ou ainda não se acostumou que Girls é uma série que “faz xixi de porta aberta” (sorry, não consegui encontrar uma definição politicamente correta mais adequada), hein? Realmente, não é possível entender o que uma pessoa que ainda não entendeu ou se acostumou com tudo isso continua fazendo enquanto sua audiência.

Mas agora precisamos falar de cada uma delas individualmente, elas que embora estivessem envolvidas em situações completamente diferentes, estavam todas enfrentando um momento bem parecido na questão de estarem experimentando algo novo, seja um novo sentimento, um novo amor, ou até mesmo uma droga nova. Novos sentimentos, novas possibilidades, cada uma dentro do seu próprio fundamento, tentando ou involuntariamente aprendendo algo novo. E esse é outro detalhe bacana de Girls, que consegue encontrar naturalmente essa ligação entre personagens tão diferentes, inclusive os meninos, dos quais nós falaremos depois, claro.

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De todas elas, Marnie (Allison Williams) foi quem mais surpreendeu de forma positiva durante essa temporada. A garota certinha, controlada e controladora acabou soltando os freios pelo menos uma vez e viu a sua vida despencar em uma velocidade assustadora, que ela mesmo quase que não conseguiu controlar. Com Booth Jonathan (Jorma Taccone), Marnie nos entregou um dos seus melhores momentos dentro da série, com ela finalmente perdendo totalmente o controle, se deixando levar e se entregando para alguém tão controlador e distante quanto ela estava acostumada a ser, se colocando exatamente no lugar do seu ex, Charlie (Christopher Abbott). Nesse simples detalhe, estava explicada toda a química que sempre existiu entre os dois personagens. Simples assim (e o detalhe da profundidade do Booth também foi bem importante para a história). Além disso, Marnie perdeu de vez o namorado, porque fez essa escolha durante a temporada anterior, se arrependeu logo em seguida, mas teve que amargar encontrá-lo constantemente com sua nova namorada. Tem situação mais constrangedora? Tem sim, mas certamente essa é um bom exemplo de uma delas. Outro momento importante para a personagem foi quando a sua relação de amizade com a Hannah foi confrontada de forma dura até, com ela tendo que ouvir que nunca foi uma amiga tão boa quanto imaginava ser. E isso nós sabemos que é verdade, embora ambas tenham suas falhas e complete perfeitamente a outra. E talvez essa tenha sido a grande descoberta da personagem durante essa temporada, a de que ela não era tão perfeita como imaginava ser. Aí descobrimos que Marnie não era apenas aquela cold bitch que nasceu para ser uma executiva em Wall Street mas estava se aventurando em galerias de arte em NY só porque achava “cool”, Marnie tinha sonhos, o sonho de ter uma vida incerta como artista, revelando só agora o seu desejo secreto de se tornar uma cantora. E que momento lindo foi aquela sua apresentação na empresa do boy magia agora rico por conta inclusive da relação complicadíssima dos dois? (não entendi até agora o porque que os hipsters da empresa torceram tanto o nariz naquele momento. Quer dizer, até entendi, mas não achei justo, porque a apresentação foi ótima!) E esse momento só não foi mais lindo do que a declaração de amor super sincera entre ela e o Charlie no final da temporada, com ambos sendo completamente honestos em relação aos seus sentimentos, nos entregando uma declaração de amor das mais lindas da TV. Pena que tudo isso talvez tenha sido prejudicado com a recente notícia de que por um desentendimento do ator com a Lena Dunham e os rumos de sua série, ele não estará mais no elenco da Season 3 de Girls, que começa a ser gravada em breve e está prevista para 2014. E isso logo agora (e só agora) que o seu personagem havia ficado mais legal. Humpf!

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Shoshanna (Zosia Mamet) também estava se sentindo uma garota realizada agora que não era mais a última virgem de NY e de quebra, havia descolado um boy magia para chamar de seu. Mas o seu maior sonho acabou se tornando um verdadeiro pesadelo, com a realidade da convivência e a rotina de uma vida a dois se transformando em algo muito maior ao que ela poderia suportar na atual fase da sua vida eufórica e cheia de sonhos. Para a sua personagem, sobrou o plot das grandes diferenças, com a Shoshanna sendo a euforia da juventude e o Ray (Alex Karpovsky) sendo o representante da amargura de alguém que teve os sonhos roubados pela própria idade a mais que ele carregava. E uma rotina que acabou acontecendo sem ela perceber, com o Ray ficando em sua casa sem pedir ou avisar, por se encontrar sem ter para onde ir. Se não fosse o detalhe de que ambos estavam apaixonados um pelo outro, algo que descobrimos ao mesmo tempo em que ela percebeu que ele havia ficado porque não tinha mais para onde ir, tudo seria uma grande sacanagem. Mas não foi (felizmente) e só assim percebemos que algo importante estava acontecendo entre aqueles dois. Algo realmente importante, só que na hora errada, com a Shoshanna querendo tudo e o Ray já se encontrando em um estágio da vida onde já não existe mais a fantasia de que tudo ainda é possível. Percebendo o atual rumo da relação, Shoshanna acabou se aventurando com outro e obviamente não conseguiu lidar muito bem com o peso da culpa após esse plot da infidelidade. Mas na verdade, apesar da imaturidade da personagem, ao contrário do que se poderia imaginar, ela não pareceu estar arrependida do que fez e sim “do porque fez”, algo que acabou pesando ainda mais, levando o casal ao final da relação. Apesar disso, a sensação que fica é a de que o Ray vai tentar ser aquele homem que a Shoshanna gostaria que ele fosse e que talvez ele mesmo também gostaria e só não achava que ainda seria possível. Veremos… (e #TEMCOMONAOAMAR ela saindo depois do break-up e ficando com um cara exatamente com o estereotipo que o agora ex descreveu anteriormente? Repito: quem nunca?)

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Agora, quem não tinha certeza de que o casamento da Jessa (Jemima Kirke) não duraria quase nada, que atire o primeiro bem casado congelado desde a cerimônia? Estava na cara que aquela relação, embora até que adorável (muito disso por conta do Chris O’Dowd, que é sempre ótimo. Höy!), não duraria nada. Jessa sempre teve um espirito livre demais para se apegar a alguém daquele tipo e a visão dela para os motivos que levaram o marido a se interessar por ela não poderiam ser mais claros. Óbvio que ele a enxergava como uma aventura, como se tudo que ele quis ser na vida e não conseguiu, pudesse pelo menos ser absorvido por osmose através convivência. Na verdade, ele parecia estar apenas interessado em alguém que tivesse melhores histórias para contar. Divorciada, em crise por ter que encarar a derrota de ainda não ter conseguido realizar a tarefa de se estabelecer em algum lugar, Jessa esteve visivelmente decepcionada com a própria falha, para nossa surpresa até, porque ela nunca nos pareceu ser esse tipo de pessoa. E o que a princípio poderia soar como um exagero para a mitologia da personagem, mais tarde descobrimos que vinha do exemplo que ela mesmo teve em casa, quando conhecemos o seu pai e descobrimos que Jessa, apesar de condenar o comportamento do próprio pai, nada mais fazia do que repetir o mesmo tipo de comportamento em sua própria vida. Um momento excelente, diga-se de passagem, com uma profundidade importante para a série e para o personagem, com ela se encontrando desolada ao perceber que o pai mais uma vez a havia abandonado (lindíssima aquela cena dela sentada no balanço com o pai). E como a personagem ainda não tinha maturidade o suficiente para lidar com a situação aprendendo alguma coisa com tudo aquilo (poucos adquirem esse tipo de maturidade tão cedo na vida), ela fez exatamente o mesmo que seu pai e abandonou a Hannah deixando apenas um bilhete, dizendo que foi ali comprar bagels fresquinhos e que voltava logo mais.

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Mas de todas elas, não tem como não reconhecer que quem mais “experimentou” em todos os sentidos foi mesmo a Hannah (a bola é minha e eu faço o que eu quiser, rs). Ela que até tentou emplacar um novo relacionamento, mas acabou não sendo muito bem sucedida, ainda mais tendo o Adam para cuidar, devido aos acontecimentos do final da temporada anterior e uma boa parcela de culpa da sua parte sobrando como consequência de tudo aquilo. Apesar de sozinha, Hannah parecia estar muito bem resolvida quanto a isso, se dedicando mais ao seu lado profissional, encontrando a possibilidade de escrever o seu primeiro livro. OK, um eBook, mas ainda assim, já era o seu primeiro passo literário e que além de tudo iria lhe render alguma coisa financeiramente. Mas sob pressão, Hannah acabou travando e não conseguindo realizar tudo aquilo que ela havia se comprometido a fazer e como efeito colateral dessa pressão toda, acabamos descobrindo um outro lado da personagem, que exatamente por esse motivo voltou a sofrer de um trauma antigo, trazendo a tona o seu nível de TOC avançado, que descobrimos que já havia sido tratado durante a sua adolescência, mas que dessa vez voltava para desestabilizar a coitada, em repetitivas sequências de ciclos de oito. Não sei se por sofrer de algo muito parecido (é, confesso, mas os meus vão até 10. Suck it Hannah Horvath), acabei me identificando completamente com esse plot da personagem e apesar de entender e dividir um pouco do mesmo problema (para se ter uma ideia, quando criança, eu gostava de ir ao supermercado com a minha mãe só para organizar o seu carrinho de compras. Sério, essa era a minha diversão, isso ou quando ela me “deixava” organizar a dispensa, rs), acabei achando divertidíssimas todas aquelas cenas com os surtos obsessivos compulsivos da personagem (o primeiro deles me fez dar gargalhadas compulsivas sem precisar do meu ciclo de 10 e ainda tem gente que acha que Girls não é uma grande comédia. O capeta está de olho, viu?) e nessa hora, não teve também como não achar deliciosa a relação que ela mantém com seus pais, com a mãe sendo extremamente rigorosa com ela sempre, forçando a filha a crescer a todo custo e o pai morrendo de preocupação e culpa ao perceber que a filha não estava nada bem e para ele não custava muito ajudar. (aliás, pelo pouco que conhecemos dos seus pais eu já acho que a Hannah tem muito dos dois)

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Dividindo o apartamento com o Elijah (Andrew Rannells) durante essa temporada, Hannah acabou ganhando uma dinâmica nova e adorável quando em casa, dividindo muito mais semelhanças com o antigo ex agora melhor amigo gay, do que todo o tempo em que ela passou morando com a Marnie, que  vamos combinar que mais parecia sua mãe do que amiga. Fato. E os dois viveram momentos ótimos juntos e obviamente que o melhor deles foi aquele “experimento” sugerido pelo novo chefe, para que Hannah encontrasse algum material mais interessante para escrever sobre. Uma sequência sensacional, ilustrando de forma bem real os absurdos e excessos que podemos cometer quando não estamos no nosso estado normal e aquela discussão entre os dois onde o Elijah voltou para o armário e contou que semi transou com a Marnie foi sensacional e a reação da Hannah não poderia ter sido melhor e ou mais honesta. Quem não se sentiria exatamente da mesma forma, apesar das circunstâncias e levando em consideração todo o histórico dos envolvidos, que atire o primeiro poster do George Michael, do Ricky Martin ou do Lance Bass, dependendo da sua geração. NOW! Aliás, acho que vale dizer que apesar de repetir algo bem próximo do que ele já vive adoravelmente em The New Normal (outra série que todo mundo deveria assistir), o ator Andrew Rannells foi uma excelente aquisição para a série e a boa notícia é que ele já assinou com a HBO e está garantido para retornar durante a já confirmada faz tempo Season 3. (Yei!)

Agora, o ponto alto dessa temporada foi um episódio que a princípio poderia parecer super aleatório (2×05 “One Man’s Trash”), mas que na verdade foi praticamente um desabafo da própria Lena Dunham, que nitidamente estava usando sua voz através do personagem para desabafar um pouco do que ela mesmo sentia naquele momento a respeito de todas as expectativas em torno do seu nome, que recentemente acabou se tornando algo gigantesco, com todo o destaque e reconhecimento (repito, merecido) que Girls andou recebendo da mídia e em quase todas as premiações. Episódio esse que contou com a magia mágica do Patrick Wilson (Höy!), vivendo o sonho do futuro da Hannah (e de boa parte de todos nós. Aquela casa dele então é exatamente a minha casa dos sonhos em NY e que eu sempre construo no The Sims e isso desde o The Sims 1. Sério), encontrando o homem perfeito na casa perfeita e que a fez enxergar que tudo que ela mais queria na vida na verdade era exatamente o que todo mundo quer: ser feliz e ter uma família, uma casa com a geladeira e os armários forrados com as coisas certas (rs). E forma com que a personagem chegou a essa conclusão, se sentindo desolada por ser tão comum, foi de uma honestidade absurda, algo importante para aquela situação (me lembro de sentir algo muito parecido quando cheguei a mesma conclusão de que na verdade, eu nem era tão diferente assim…). Sem contar que o episódio foi maravilhoso do começo ao fim, quase que como se ele tivesse sido inteiro inspirado nos filmes do Woody Allen, por exemplo. Aliás, acho que ele poderia ser exatamente um dos filmes do Woody Allen. (até a trilha que encerrou o episódio lembrava o seu fundamento)

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Episódio esse que ainda trouxe uma história excelente de bastidores, com várias pessoas usando o Twitter para fazer críticas no mínimo absurdas, sobretudo preconceituosas, dizendo que jamais uma menina como a Hannah (considerando seus próprios padrões de beleza) conseguiria despertar o interesse de um cara nível Patrick Wilson de magia. Um comentário preconceituoso e imbecil que não poderia ter ganhado uma resposta melhor no formato de um tapa na cara com direito a solitário de diamantes caros, com a própria esposa do Patrick Wilson se manifestando a favor da personagem e respondendo uma dessas pessoas cretinas no Twitter, dizendo que não só isso era possível, como ela que é casada com o ator, também era uma mulher que não se encaixava perfeitamente em um padrão de beleza que quem é inteligente sabe que não precisa ser regra para todo mundo. PÁ! E essa é uma crítica que vem sendo feita de forma cruel e pouco inteligente em relação a personagem na série e para essas pessoas eu só tenho a dizer que nada foi mais sexy durante essa Season 2 de Girls do que o corpo nu da Lena Dunham em meio àqueles lençóis de 180 fios egípcios na cama do personagem do Patrick Wilson, cheia de curvas e encarando lindamente uma cena de nudez, mostrando que a sorte e a beleza existe para todo mundo, basta você estar confortável com o que tem para oferecer e pronto, a mágica acontece. E a propósito, nada é mais feio do que o pensamento de que apenas corpos esculpidos em mármore a base de suplementos alimentares e outras substâncias, dietas da depressão ou gente com os dentes extremamente clareados, são as únicas pessoas que devem ocupar um espaço na TV. NA-DA. (irônico é procurar a imagem de quem diz esse tipo de bobagem e se dar conta de que em sua grande maioria, eles também não fazem parte desse padrão)

Bacana também foi ver que mesmo com a Hannah e o Adam (Adam Driver) já não sendo mais um casal, isso não acabou prejudicando o personagem dele, que durante a primeira temporada chegou com ar de sociopata, mas que perto do final acabou roubando os nossos corações todos com o seu nível adorável de foufurice. Confesso que esse era o meu grande medo em relação a essa dinâmica específica, uma vez que seria cedo demais para a Hannah se estabelecer com alguém definitivamente (considerando a sua idade e o atual momento da sua vida, seria até injusto), sem antes explorar novas possibilidades e também não seria nada justo com o Adam, se ele acabasse sendo descartado como se não fosse uma peça importante para o cenário mint (já disse que elas não são cor de rosa) dessas garotas. Aproveitando o seu personagem, ganhamos outro grande momento da temporada, com um episódio focado na perspectiva dos garotos, como se pelo menos uma vez, a visão mais importante e ou em evidência fosse apenas a deles. E foi ótimo ver o Adam e o Ray dividindo alguns momentos sozinhos, encontrando uma conexão quase que instantânea entre eles e a propósito, com uma química bem bacana também (mais até do que a do Ray ao lado do Charlie…), algo que deveria até ser mais explorado. Inclusive, esse foi um ótimo recurso que a série usou para demonstrar como pensam diferentes os meninos e as meninas, com eles resolvendo tudo de forma mais fácil, sendo apenas honestos e diretos ao ponto, sem rodeios, brigando quando achavam que tinham que brigar e se resolvendo até que facilmente e elas no final (Marnie + Hannah) optando por esconder a verdade em falsos sentimentos, não querendo dar o braço a torcer para a outra e fingindo estar tudo bem, quando todo mundo conseguia ver que não estava tudo bem. Só acho que esse episódio tinha tudo para ser mais corajoso e poderia ter ganhado uma tipografia na abertura bem de menino e ter sido inteiro focado neles, com elas apenas como figurantes ou nem aparecendo, algo que eu acho que seria bem bacana para a série. Pense nisso, Lena.

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E é impossível falar de Girls sem fazer um parágrafo inteiro para o Adam, que é um dos grandes personagens da série (Adam + Ray + Elijah + Charlie, nessa ordem para os boys). Ele que assim como elas, esteve experimentando novas possibilidades, que no seu caso poderiam ser resumidas ao momento em que ele se deu conta de que estava realmente apaixonado pela Hannah, que diferente do que aconteceu com a Marnie e o Charlie (onde ela descobriu o que queria depois de perder, naquele comportamento típico que conhecemos bem), Adam acabou ficando arrasado quando percebeu que talvez ele não representasse o mesmo que a Hannah representava para ele naquele momento da sua vida. Entre alguns momentos ótimos e alguns até assustadores que ambos dividiram durante a temporada, um dos meus preferidos foi aquele desabafo super honesto do Adam na reunião do AA, entregando o seu coração com o mesmo tom de honestidade que nós sempre encontramos em Girls, demonstrando uma vulnerabilidade que nós não imaginávamos encontrar em alguém como ele. Talvez nem a Hannah nunca tenha imaginado, visto ou conhecido esse Adam e espero que ele finalmente consiga apresentá-lo para ela.

Encerrando a temporada, tivemos todas as histórias encontrando suas resoluções e até para a Jessa, que esteve ausente nessa reta final, acabou sobrando um recado na caixa postal bem do malcriado porém super merecido da própria Hannah, no momento do ápice do seu surto, ao se encontrar prestes a ser processada por não conseguir entregar o seu livro conforme combinado e entrando em total desespero ao se dar conta disso. Um momento tragicômico para a série, que novamente foi o caminho escolhido para encerrar essa temporada experimental e muito mais profunda de Girls. Para quem aprendeu a gostar daqueles personagens, foi praticamente impossível não se emocionar com todos os acontecimentos do encerramento dessa temporada, especialmente com a declaração da Marnie para o Charlie mencionada anteriormente (e só por isso vamos conseguir lamentar a saída do Charlie da série) e principalmente com a Hannah ligando para o Adam em um momento de total desespero,  com uma cara de maluca adorável e seu cabelo picotado na tesoura sem ponta (rs) e ele não pensando duas vezes ao decidir sair correndo por NY, sem camisa, claro (e eu bem besta vibrando com o detalhe aqui em casa, de PJ e comendo sorvete, que é como normalmente eu assisto Girls e só não faço máscara de pepino porque dificultaria a experiência de assistir a série), pronto para resgatar aquela que ele descobriu que amava. Apesar do clima de comédia romântica onde já era possível prever o que estaria para acontecer, confesso que me encontrei chorando e sorrindo ao mesmo tempo, ridiculamente como vocês podem imaginar, gritando “Awww… ele correu atrás dela!”. Sim, eu fiz isso, não me envergonho e inclusive contei para a Lena Dunham no Twitter. Sério, procuram o meu histórico por lá. (rs)

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(Sorry Lena, mas tive que roubar essa imagem do seu Instagram…)

Um final até que bastante otimista para uma temporada bem mais profunda do que foi toda a Season 1. E essa profundidade pode até ter causado certo estranhamento para boa parte das pessoas que acompanham Girls, mas é como eu disse anteriormente, talvez essa temporada tenha sido realmente um teste para a nossa relação com a série, onde tivemos a chance de conhecer mais daquelas garotas e descobrimos um pouco mais dos seus defeitos, deixando o lado mais cool da história um tanto quanto de lado e mostrando que elas também ainda não estão preparadas para encarar suas derrotas, tanto quanto não estão preparadas para encarar suas realizações.

E se esse foi realmente um teste, posso dizer que apesar dos seus defeitos, continuo em um relacionamento sério e AMANDO cada vez mais Girls.

(e terminar dançando ao som da faixa acima)

ps: um sonho – trocar de camiseta com a Lena Dunham na pixxxta. Apenas. #IDONTCAREILOVEIT

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Patrick Wilson, Höy!

Dezembro 6, 2012

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Tenho a impressão que o tempo não passa para o Patrick Wilson, ou quando passa, sua passagem capricha no nível de magia, que permanece o mesmo de sempre.

Ele que é do tipo de magia (já antiga) que nós não falamos muito ou com tanta frequência, pouco sabemos sobre a sua vida/história, mas que é sempre uma visão quando aparece. Fato.

Höy!

 

ps: sempre acho que nesse caso, o nome não combina com a pessoa, sabe?

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Jovem (insuportável) adulto

Maio 9, 2012

Um filme que tinha tudo para ser bom: diretor + roteiro + atores. Só faltou ter uma personagem protagonista no mínimo aceitável…

“Young Adult” é mais um daqueles filmes que os nomes por trás da produção nos convencem logo de cara a assisti-lo. Nesse caso, temos a direção de Jason Reitman (“Juno”, “Up In The Air”), um roteiro da Diablo Cody e a Charlize Theron no papel de protagonista. Uma combinação perfeita para gerar pelo menos algum interesse pelo longa, vai? Mas não se animem, ou cometam o mesmo erro da voz por trás desse blog.

Nele temos a história de Mavis (Charlize Theron) uma escritora de trinta e poucos anos aparentemente bem sucedida, que passou os últimos anos da sua vida se dedicando a uma série de livros voltada para o público “jovem adulto”, o que “justifica” o título do filme.

Prestes a encerrar a franquia com o seu último volume, ela se encontra em um impasse criativo para terminar essa história, ainda mais porque a personagem vem sendo assombrada pelo fantasma de um ex namorado da época do colégio, de quem ela recebe um email inesperado, contando sobre o nascimento de sua primeira filha. Ele, Buddy (Patrick Wilson, Höy!), que hoje se encontra casado com a mãe da sua filha recém nascida, vivendo uma vida também aparentemente feliz, ainda em sua antiga cidade, cenário onde no passado ambos dividiram alguns momentos juntos.

Acreditando com todas as forças que aquele é o amor da sua vida e isso do meio do nada, sem que a gente enquanto audiência tenha algum material para acreditar nesse amor todo, Mavis segue em uma viagem até sua antiga cidade, encarando de frente um passado que passamos a conhecer aos poucos enquanto a trama é desenrolada, com o encontro de diversas figuras daquela época que ela acaba esbarrando durante essa sua missão de reconquistar um amor antigo.

E o problema já começa por ai, porque esse tal amor é um homem casado, com uma filha recém nascida e tudo mais, detalhe que já deixa a sua missão completamente meio assim. Além do que, como eu já disse antes, pouco sabemos sobre o que esses dois dividiram naquela época que fosse capaz de fazer com que ela acreditasse até hoje que aquele amor ainda seria possível, mesmo com ela tendo uma total noção de como anda a vida do seu projeto de boy magia atualmente e sem ele ter demonstrado qualquer tipo de interesse da sua parte naquele email d0 começo do filme, que foi o ponto de partida para essa história toda, por exemplo.

Mas esse é apenas um dos detalhes que colaboram para que a história não tenha a menor força, mas a grande responsável por isso é realmente a personagem de Mavis, que é uma total megabitch super convencida e com zero carisma, isso para poupá-la de mais adjetivos pouco agradáveis. E vamos tomando conhecimento do seu nível de megabitch à medida em que vamos conhecendo um pouco mais da personagem ao longo do filme, que vai nos dando cada vez mais motivos para não ir muito com a sua cara, tornando essa experiência algo nada agradável, tão pouco engraçada e nem sequer ok. Sério, Mavis é impossível de se digerir. Sério, IMPOSSÍVEL!

Uma mulher pavorosa, com hábitos alimentares poucos saudáveis (olha quem fala, rs), visto o seu café da manhã a base de goles diet Coke direto da garrafa (o que me lembrou pessoas do meu own passado. Xocotô!). Mavis também é uma viciada em programas de TVs de gosto duvidoso, onde ela passa boa parte do seu tempo sozinha acompanhada da família Karsdashian por exemplo, detalhe que já poderia muito bem nos dar algumas dicas certeiras do tipo de pessoa que estávamos lidando. Fora isso, ela também revela um certo vício que é o ato de arrancar os cabelos compulsivamente, o que já indica um outro lado da sua personagem, deixando cada vez mais claro que apesar do perfil gratuito de megabitch (o que é sempre ainda pior), talvez algo não esteja muito bem com aquela mulher, de fato. (algo que mais tarde no filme até acaba sendo justificado de onde vem esse hábito pavoroso, ou pelo menos o porque dele)

Mas o problema é que a personagem é fria demais e como ela mesmo chega a reconhecer no filme, parece que Mavis não consegue sentir nada. Absolutamente NADA e isso é possível de se perceber inclusive pelo seu olhar, por isso acredito que essa tenha sido a intenção do personagem desde o começo. Assim, fica ainda mais difícil comprar essa sua idéia (absurda) de reviver esse grande amor, além de ser impossível de se adquirir qualquer tipo de simpatia pela personagem, a qual eu pelo menos só consegui torcer contra durante os pouco mais de 100 minutos de duração do longa. (100 longos minutos de pura irritação, rs)

Começando pela ideia de querer reconquistar um homem que já tem uma vida feliz e em andamento com alguém, o que por si só já é algo que funciona bastante contra a personagem, mas depois, além disso, vamos percebendo que o problema parece ser ainda maior e aquela mulher realmente só pode mesmo é estar sofrendo de sérios problemas. Mas mesmo assim, mesmo aceitando o fato de que ela talvez tenha algum problema, o que poderia justificar muito do seu comportamento meio assim, nada na história a deixa mais humana a ponto de fazer com que vc se relacione melhor com a personagem, mesmo quando alguns plots dramáticos do seu passado são revelados por exemplo e essa é uma das maiores falhas na construção do personagem.

Outro pornto que me incomodou bastante foi o seguinte, quando comprei a ideia de assistir “Young Adult”, confesso que fui enganado pelo título do filme. Logo, quando eles deram a explicação sobre o título estar relacionado com a classificação do público alvo para quem ela escrevia, acabei achando até que ok a justificativa, mesmo estando ela com uma t-shirt da Hello Kitty, muito rosa e o que me pareceu ser “pijamas” no poster e imagens de divulgação do filme, o que reforçava a minha ideia inicial sobre a sua temática. Mas o problema é que depois, observando melhor o próprio poster, me deparei com a frase “Everyone Gets Old. Not everyone grows up” e me lembrei do porque eu ter comprado a personagem de uma outra forma, antes mesmo de assistir ao longa, imaginando que ele tratasse de alguém que se recusasse crescer, ou algo do tipo.

Algo que eu senti que acabou funcionando como uma propaganda enganosa, porque Mavis em nenhum momento me pareceu ser uma mulher que se recusava crescer, apesar da sua t-shirt com estampa da Hello Kitty na imagem do poster. No filme, ela não me pareceu uma mulher infantilizada e a personagem chega até a tirar o sarro de um outro personagem que coleciona bonecos, da forma mais preconceituosa possível, algo que vai totalmente contra a tal frase mencionada acima ou a ideia dela ser uma mulher infantilizada. Em outro momento do longa, ela escuta algo mais ou menos como “vc escreve para jovens adultos porque é do que entende, porque vc é uma mulher que não cresceu” e blah blah blah, algo que eu discordo totalmente. A impressão que eu tive ao assistir “Young Adult” foi a de que Mavis cresceu sim, mas ela só não foi modificada pelo tempo e continuou sendo a mesma megabitch do tempo de high school, só que agora, em sua versão envelhecida e isso talvez porque aquele seja o seu verdadeiro eu, o que não significa necessariamente que ela não tenha crescido. O que eu tenho certeza que deve acontecer com muita gente, porque nós sabemos muito bem que nem todo mundo necessariamente se modifica ao longo da vida, infelizmente (crescer é diferente de evoluir). Por isso considero esse um outro ponto negativo do filme, no qual eu me senti totalmente enganado e por duas vezes.

E esse comportamento de megabich não vem de hoje, o que é ainda pior, como nos é revelado no filme através da memória das demais pessoas que dividiram esse passado em comum com a personagem, onde dentre eles, quem acaba se destacando é o personagem Matt (Patton Oswalt), um nerd meio loser, que além de ter sido perseguido pela própria durante todo o high school, ainda carrega as marcas da violência de um crime de ódio daquela época.

No longa, Matt tem a função de consciência da personagem (algo que por ela mesmo parece não existir), permanecendo o tempo todo tentando convencê-la da grande bobagem que ela estava fazendo ao perseguir um homem casado. Mesmo porque, Buddy não parece corresponder a nenhuma das expectativas dela, que passa o filme inteiro interpretando de forma errada toda e qualquer reação do personagem. Algo que vai além do olhar cego de uma mulher apaixonada, que poderia estar completamente a parte da realidade, idealizando aquela situação de uma forma mais conveniente para ela mesmo e a impressão que fica é mais a de que a personagem carrega mesmo uma forte obsessão, como se ela achasse que aquela seria a sua única chance de ser feliz na vida e talvez por esse motivo, ela não medisse esforços para alcançá-la. Mesmo que para isso, algumas pessoas fossem magoadas no meio desse caminho, como a própria reconheceu em um de seus textos.

E todas as suas investidas para cima do seu ex namorado são de dar pena, dela e de qualquer pessoa que se preste a esse tipo de papel (recado dado, rs). Além de deixar qualquer um totalmente constrangido com o quão baixo alguém pode jogar para conseguir o que deseja. Algo que mais tarde, percebemos que aquele seu comportamento atual vergonhoso, nada mais era do que um reflexo do seu antigo comportamento, que refletia até hoje na sua forma de encarar a vida e de se relacionar com ela. (o que não significa necessariamente que ela não tenha crescido)

Não sei se a cena foi mal conduzida, ou se essa era realmente a intenção, mas ao meu ver, naquele momento em que ela foi ao bar acompanhada do ex boy magia para assistir a mulher dele tocar com a sua banda e a “concorrente” acaba dedicando uma música para o marido, que é a mesma que ele gravou no passado para Mavis, em uma mixtape antiga que ela ouve em looping enquanto viajava até a cidade no começo do filme, mas exatamente naquela hora, eu senti que ela entendeu direitinho o recado de que ela não teve a mesma importância que ele teve para a vida dela e a partir disso, eu sinceramente achei que ela seguiu em frente com o seu plano por pura maldade e inveja, por não ter uma vida que ela gostaria para ela, mas que naquele momento pertencia a outra pessoa. Deixando a loucura de lado, se ela conseguiu de fato enxergar esse detalhe naquela hora como pareceu no longa, além da inveja que ela deixou transparecer no olhar, nada justificaria as suas investidas depois disso, a não ser o mais alto nível de maldade. Sabe aquele tipo de gente escrota (as vezes psicótica) que acha que “se não é meu, não vai ser de mais ninguém”? Então,  mais ou menos por ai…

Apesar de ficar bem claro também que Mavis não está em seu estado normal durante o filme e de tudo de certa forma ser justificado com um drama qualquer do seu presente ou passado, ambos pouco felizes, fica impossível ter pelo menos pena da personagem, porque ela carrega um perfil extremamente arrogante e muitas vezes até agressivo, onde a sua sinceridade e a falta de freios no seu caráter a tornam insuportável. Sério, eu não consegui sentir pena, eu não consegui torcer por ela, além de já ter dito que eu não consegui nem gostar da personagem, em nenhum momento e eu não sinto a menor culpa em admitir isso, mesmo AMANDO a Diablo Cody. Mesmo porque, percebemos pela história contada que Mavis de certa forma sempre teve tudo aquilo que quis, a vida inteira. Foi uma garota popular no colégio, das mais desejadas e tirou muito bem o proveito dessa situação, chegou a se casar (mas já se encontra divorciada) e mantém uma carreira de sucesso hoje em dia (até a página dois). Ou seja, tinha poucos motivos para se tornar a mulher que ela de fato era hoje (e que na verdade sempre foi), mesmo estando infeliz com a sua trajetória ou com as suas conquistas. A não ser a sua confissão de que “nunca foi feliz”, o que também diz muito do seu comportamento diante da vida, mas que nem por isso justifica a sua postura atual de total megabitch sem causa.

Engraçado também como a personagem, mesmo tendo traçado o objetivo de reconquistar o ex namorado do colégio, circulava pelas ruas da cidade sempre em trajes com cara de largado, tudo meio que desleixado, largo demais, como se ela tivesse se arrastando, quase que sem forças. E se ela encontrasse com o boy magia daquele jeito, hein? Afinal, ela encontrou todo mundo naquela cidade… E só por esse detalhe, eu respeito ainda menos uma personagem insuportável como Mavis, que além de tudo não era das mais inteligentes e preparadas para qualquer surpresa ou “oportunidade” da vida, rs.

Nesse caso, acho que vale a pena dizer que é bacana ver uma mulher como a Charlize Theron se depreendendo totalmente da vaidade, aparecendo de cara limpa em boa parte do filme. Nem acho que a sua atuação tenha prejudicado a história, porque todos nós sabemos que ela é de fato uma ótima atriz e nesse caso, ela me pareceu ter entregue exatamente o que lhe foi proposto. O problema nesse caso seria realmente o personagem, que com todo aquele histórico negativo a seu favor, somado a toda a sua problemática e o seu atual estado apático, fizeram com que ele implorasse por algum carisma durante todo o longa, algo que acabou não acontecendo, mesmo com aquele final “feliz”, dela pelo menos ter finalmente acordado para a vida, aceitando que do jeito que estava, não dava para continuar.

O que é uma pena, porque o texto em alguns momentos chega a ser bem bom, como no diálogo super sincero entre Mavis e Matt a respeito do cadeirante do colégio, que por parte dela chega a ser de uma cretinice que beira o mau gosto, mas que por parte dele é salvo pelo confronto com uma outra forma de encarar um problema que ambos (ele e o deficiente) compartilhavam na vida.

Confesso que fiquei bastante constrangido pelo personagem ao final do filme, com aquele fora homérico que ela acaba tomando do ex namorado e na frente de todo mundo (super merecido), no ápcice do seu total descontrole, quando Mavis acabou entendendo finalmente que todo mundo naquele lugar, que ela considerava inferior e medíocre, que todos naquela cidade haviam entendido perfeitamente que ela só poderia mesmo estar com algum problema e por isso estavam todos sendo pelo menos simpáticos com ela, sem serem reativos à suas provocações, por sentirem pena e não por covardia ou por se sentirem intimidados com a sua presença. E que mesmo tendo conquistado coisas “menores” na vida, todos eles alcançaram de alguma forma a sua felicidade, algo que ela do alto da sua própria arrogância de ser uma mulher bem sucedida (em decadência, diga-se de passagem) combinado com a sua postura que ultrapassava até mesmo a barreira do insuportável, ainda estava longe de encontrar, tomando consciência de que continuando desse jeito, talvez ela nunca encontre a felicidade, que é o ponto comum de chegada para todo mundo.

Uma história até que boa (apesar de irritante em diversos momentos), só que para o personagem errado.

Não, eu não assisto apenas filmes “cults”

Janeiro 21, 2011

Primeiro que eu acho a palavra “cult” tão antiga…

Anyway, para provar para vcs que eu também faço escolhas duvidosas quando não estou afim de pensar muito, sintam o drama de outras coisas que eu também vejo, mas que não me orgulho nem um pouco e talvez nem devesse contar para ninguém, rs:

 

The Switch (que por aqui, ganhou o título sem vergonha de “Coincidências no Amor”, Zzzz)


Jennifer Aniston parece estar mesmo se especializando em comédias românticas, não? Preguiça…

Já o Jason Bateman eu acho um disperdício nesse tipo de papel, prontofalei. Mas alguém tem que sustentar as crianças neam? rs

“The Switch” é um filme bobinho sobre uma mulher de 40, bem sucedida no trabalho e com a vida amorosa bem atrasada, que resolve engravidar por ela mesmo (fikdik Jen…). Do outro lado, o atual melhor amigo que esconde uma paixão mal resolvida do passado, que não concorda com a idéia da produção independente da melhor amiga e acaba “por acidente” se envolvendo na questão.

O melhor do filme é o garoto Sebastian (Thomas Robinson),  resultado dessa experiência independente, que é sensacional e poderia facilmente ser meu filho. Colecionador de porta retratos com as fotos originais de quando eles são vendidos (euri), com  várias manias esquisitas e preocupado com questões ambientais…howcuteisthat? Tudo isso do alto dos seus 5 ou 6 anos, tsá? Foufo mil!

No elenco, ainda temos o Patrick Wilson (Höy) e a Juliett Lewis (que eu não sei muito bem o porque aceitaram esses papéis…$$$catching!)

É claro que como toda comédia romântica, ela reune uma serie de clichês que todos nós já estamos mais do que acostumados a ver por ai. Mas tudo bem também porque comédia romântica com grandes astros de Hollywood é sempre a mesma coisa e isso não é novidade para ninguém.

Para assistir naquela noite que vc chega cansado do trabalho e não esta afim de pensar muito ou nem um pouco…

 

Dinner for Schmucks (esse ganhou o título mais fiel de “Jantar para Idiotas”)


Primeiro de tudo eu gostaria de dizer uma coisa para o Steve Carell: vc é melhor do que isso!

E o mesmo vale para o Paul Rudd.

“Dinner for Schmucks” começa com uma abertura linda, com ratos foufos trabalhados na taxidermia, em cenários sensacionais e o som dos Beatles. Lembra o Stuart Little até…

O que até engana, mas depois o filme escorrega o tempo todo em piadas com pouca graça e muita comédia corporal. Pelo menos o humor do Steve Carell não é careteiro, o que eu já acho um alívio.

O fundamento é um grupo de engravatados bunda mole que gosta de se reunir de vez em quando para dar risada daqueles que eles mesmo consideram como “looosers” e o pior de tudo é que eles fazem isso na cara deles. Mas é claro que sem ter a coragem de assumir isso e usando o tal jantar como disfarce. Ou seja, um bullying gratuito (como toda forma de bullying) e tolo.

Não sei o que anda acontecendo com os grandes nomes da comédia atualmente, mas tenho um palpite que eles topam esses tipos de papéis para garantir uma conta um pouco mais gorda. Porque a verdade tem que ser dita de que público para esse tipo de filme existe, fatão!

Lucy Punch é a mais engraçada do filme, na pele de uma stalker enlouqueida (Darla), mas aparece pouco…

Recomendo para quem estiver de procurando um novo corte de cabelo, ficar bem de olho no fundamento da atriz Stephanie Szostak (Julie) e esquecer  todo o resto. (rs)

 

Going The Distance (com o título mais óbvio possível por aqui de “Amor a Distância”)


“Going The Distance” traz a Drew Barrymore acreditando na sua atual relação, rs (sorry Drew)

Essa comédia romântica é ainda mais recheada de clichês, como ele arrependido de última hora, correndo no aeroporto para impedir que a sua amada faça a viagem. Zzzz

O pior de tudo é que o filme tem o elenco mais promissor do que os outros dois, onde além da Drew, temos o Charlie Day (o meu preferido do momento) e o Jason Sudeikis como coadjuvantes. Ambos, vivendo papéis que eles já viveram anteriormente e talvez por isso não ocorra nenhuma surpressa em suas atuações. Além da impagável Christina Applelgate no papel da irmã maluca por limpeza da personagem da Drew. Mesmo com todo esse elenco de novos comediantes, o filme não decola, prontofalei.

Gostei um pouco mais da honestidade com que o filme retrata um relação a distância, inclusive financeiramente falando. Excelente mesmo e inspiradora é a animação que rola durante os créditos iniciais do filme hein?  Cool!

Mas faltou um pouco dessa honestidade quando eles colocaram a Drew Barrymore vinvendo uma estagiária de 30 anos (e isso eu até que achei legal, falando um pouco da crise que anda rolando por lá) que ganha pouco, trabalha também como garçonete para ganhar um extra e que mesmo assim veste roupas carérrimas, que me pareceram ser do próprio acervo pessoal da Drew. Sério, nenhuma estagiária de 30 anos teria dinheiro o suficiente para comprar um Balmain, ou um Lanvin…não mesmo.

Para mim, ficou evidente que para o figurino, Drew usou as suas próprias roupas ou pelo menos os seus próprios recursos para consegui-las (Alô, assessoria? Estava precisando de umas coiseeenhas…).

Vale a pena dizer que a trilha nesse caso é bem boa, o que prova que Drew gosta mesmo de música.

Recomendo esse  como laboratório para todo mundo que quer ser uma namorada (o) mais legal e menos pé no saco, para se espelhar na Erin (Drew), que é a mais cool das cools (rd),  fikdik.

 

E esses três exemplos acima eu uso para provar que nem só de boas escolhas vive o homem (que nesse caso sou eu mesmo, rs). De vez em quando um blogueiro cult (lá vem a palavra flopada de novo) precisa de um respiro, nem que seja para falar mal depois, rs


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