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O idealismo da redação dos sonhos de The Newsroom

Setembro 28, 2012

Um surto que acabou fazendo toda a diferença, ou pelo menos “toda a diferença” em pelo menos um jornal da TV, o que já é alguma coisa. Imaginem um homem de meia idade, jornalista de prestígio, sempre tentando manter a ética, sem favorecer nenhum dos lados, sempre entregando a resposta que todos gostariam de ouvir naquele momento, sem se aprofundar demais ou surpreender a sua audiência. Morno. Isso até que um dia, em um evento comum e diante de alguns estudantes munidos de seus gadgets todos prontos para registrar o momento, esse mesmo homem perde a linha ao ser pressionado pelo mediador da discussão (coisa que ele já deveria estar mais do que acostumado ao longo de sua carreira) e resolve vomitar compulsivamente algumas verdades e mesmo assim, mantendo-se integro, ético e sem favorecer nenhum dos lados envolvidos, embora tenha sobrado umas boas verdades para todos eles. Vocês acham mesmo que a America antiga é o melhor lugar do mundo para se viver? Então ouçam que na verdade, já não somos mais tão bons assim. E quer saber porque? (mas como todo bom americano, eles fizeram questão de frisar que pelo menos já foram os melhores um dia, rs)

Esse basicamente é o plot central de The Newsroom, nova série do Aaron Sorkin, que já nasceu como promessa de ser uma das novas boas coisas da TV atual, que estava mais do que carente de algo do tipo. Uma promessa que embora tenha me animado bastante para vê-la desde cedo, acabei tendo que deixar um pouco para depois por uma questão simples de tempo ou a falta de. Enquanto isso, no decorrer da sua temporada, acabei ouvindo de tudo a seu respeito. Algumas impressões positivas, outras bem negativas e alguns fatos também, como a troca de roteiristas e uma oscilação na audiência que preocupava a HBO, embora a série já tivesse garantido a sua renovação quase logo que de cara para uma Season 2 no próximo ano.

Will McAvoy (Jeff Daniels) é o excelente protagonista da trama, o tal jornalista que um dia resolveu surtar após a uma pergunta até que simples, feita por uma estudante que ele assustou como ninguém ao ouvir tudo o que ele tinha para falar. Através do surto e da vontade de fazer algo diferente em seu próprio noticiário e devido ao seu descontrole, o personagem começa a sofrer algumas consequências já que o que aconteceu acabou tomando uma proporção gigantesca em meio a uma nova era onde escândalos surgem em minutos para quem quiser acompanhar nas redes sociais, no Youtube, sem contar todas as outras possibilidades de divulgação. Nessa hora, McAvoy percebeu também quem ele havia se tornado ao longo do tempo, um homem fechado no seu próprio ego, apático, sem fazer a menor questão de manter qualquer tipo de relação com a sua equipe, incapaz até mesmo de saber o nome dos funcionários com quem ele convive quase que diariamente. Qualquer semelhança com a vida real de muitos de nós não deve ser mera coincidência nesse caso.

Mas para um momento como aquele do seu “surto”, uma motivação maior acabou sendo necessária para tal medida, algo que ia além de uma possível frustração com os atuais rumos da sua carreira e até mesmo do jornalismo em geral e a figura misteriosa de uma mulher (segurando cartazes que instigavam o jornalista a ser sincero naquele momento) nos apresentava algo que a princípio parecia ser apenas uma miragem ou até mesmo um delírio do próprio, que parecia até estar passando por algum problema de saúde. E foi quando descobrimos Mackenzie MacHale (Emily Mortimer), a mulher que destruiu o seu coração no passado e que agora, anos depois cobrindo diversos conflitos em campos de guerra, isso depois do ocorrido com Will (uma forma que ela mesmo acabou encontrando para se punir sobre o que havia feito no passado, claro), acabou voltando para NY precisando de uma nova chance de produzir TV e que para a sabedoria do chefe de todos eles, Charlie (Sam Waterston), era a pessoa certa para a transformação que Will precisava em sua carreira naquele exato momento.

Calar a sua boca depois de todo aquele discurso libertário seria um total desperdício, além de uma atitude covarde em um tempo onde não suportamos mais tamanha covardia portanto, Charlie resolveu seguir o caminho mais arriscado e colocar seu melhor âncora de TV a frente de um novo conceito de jornal, esse muito mais voltado para os fatos e opiniões mais honestos e baseados em fatos concretos, dados confiáveis e fontes seguras (o que sabemos que hoje em dia não é mais regra), mas que para isso, para que o jornalista não perdesse o seu controle, seria necessário alguém para manter o foco dentro do seu próprio brilhantismo, função que acabou sobrando para a mulher que um dia destruiu o seu coração o traindo com o ex namorado e que além de tudo era tão brilhante quanto o mesmo.

Claro que dessa dinâmica entre os dois nasce um outro ponto da série que também chega a ser tão bacana quanto o “novo jornalismo” que eles acabam bancando dentro desse idealismo todo, que é essa tensão sexual que existe de forma evidente entre os dois personagens e que a uma certa altura da série, deixa de ser segredo até mesmo para os milhares de funcionários da empresa, devido a um erro da própria MacKenzie, que acidentalmente acaba expondo o real motivo do termino da relação dos dois para todo mundo, o que o deixa incontrolável em mais um ataque de fúria (e ele tem vários e todos ótimos por sinal). Aliás, os momentos que os dois dividem em discussões sensacionais envolvendo o trabalho e a própria relação antiga são todos sensacionais, com aquele texto primoroso que o Aaron Sorkin consegue nos entregar, despejando um ritmo desenfreado de palavras muito bem escolhidas por sua mente brilhante, diretamente na nossa cara. BOOM. E o plot dele aceitar modificar o seu próprio contrato, só para ter a possibilidade de despedi-la quando quisesse, ou pelo menos uma vez por semana como ele mesmo acabou prometendo, é de uma crueldade deliciosa, não? (e é claro que teria algum efeito colateral mais adiante…)

Mas o que me faz gostar de The Newsroom além de toda a sua inquestionável qualidade, é que ela não é uma série de um homem só, algo que nunca foi um atrativo para mim (por esse motivo, nunca suportei House). Todos os seus personagens são ótimos, assim como suas histórias, mesmo com a maioria delas partindo do mesmo princípio das relações amorosas no ambiente de trabalho. Tem a secretária apatralhada que virou assistente sem querer (Maggie/Alison Pill) e foi promovida logo em seguida pela própria Mac (que se vê muito na jovem profissional), que enfrenta problemas com a indiferença do namorado, Don (Thomas Sadoski), que também trabalha na redação como produtor mais que após o surto do McAvoy, resolveu abandoná-lo e carregar parte de sua equipe para um novo âncora e em um novo horário, fazendo as vezes de “projeto de vilão” da temporada, embora esse não seja exatamente a sua função dentro da trama. (AMO odiá-lo, olha só!)

E o que acaba restando para o apresentador é uma redação jovem, formada de jovens jornalistas que ele jura que nenhum deles tenha mais de 15 anos de idade (rs), meio inexperientes ainda, para desespero de Will, que agora além de tudo precisa lidar com mais essa dificuldade para não ter a sua carreira afundando de vez em meio ao seu novo projeto. Entre eles temos o excelente Neal (Dev Patel), que é uma espécie adorável do novo nerd, ele que cuida do blog do McAvoy (que ele nem sabia que existia e tem um mini surto toda vez que o assunto vem a tona, rs), além de outros personagens menores que também trabalham para que o jornal tenha uma nova cara, a qual todos eles acreditam ser o ideal dentro do tipo de jornalismo que eles defendem na série. (no meio dessa turma, temos até a mãe da Tara de True Blood, a atriz Adina Porter)

Com a chegada da Mackenzie, ganhamos também um novo produtor, que já chegou batendo de frente com o Don, por tomar a frente das coisas dentro da sua própria redação, quando ninguém parecia estar dando muita atenção a uma possível notícia que surgia. Ele é o adorkable Jim Harper (John Gallagher Jr, o boy magia da redação por quem eu já estou nutrindo uma #CRUSH. Höy!- ele que é ator da Broadway, canta e está no elenco do musical “American Idiot”), assistente e braço direito da Mac, que inclusive esteve ao seu lado enquanto ela cobria a guerra em campo (dizem que ambos tem marcas em seus corpos dessa cobertura. #TENSO). E Jim era a peça que faltava para que aquela redação acabasse funcionando de acordo com o que eles estavam precisando em termos de modificações, um jornalista de olho na notícia, sem vida pessoal (claro, rs), disposto a ir fundo nas informações e apesar da pouca idade, de um responsabilidade e experiência fora do comum. E ao lado da Maggie ele acaba formando a nova tensão sexual da redação, já que ela namora o Don (que já não gostou dele logo de cara por perceber um certo clima entre os dois) e que juntos formam uma espécie de Mac & McAvoy em uma versão sem o histórico da traição, algo que é reconhecido até mesmo pela versão original do casal, rs.

E apesar de personagens bem bacanas dentro da sua trama, o que chama a atenção mesmo dentro da série é a notícia e a forma como ela passa a ser tratada. Mas esse é um ponto que chegou a ser um problema pelo menos durante o começo da série e isso falando por mim. The Newsroom começa a ser retratada em meados de 2010 e aproveita de fatos reais para construir os plots de seus episódios assim como as notícias que serão a pauta da vez. Notícias reais que todos nós conhecemos, algumas com mais profundidade e outras menos, mas de certa forma, a maioria delas são de interesse comum de todo mundo e que na série são revividas e de certa forma, repensadas. Isso até eles embarcarem fundo demais na própria política americana, mais especificamente no terceiro episódio (1×03 The 112th Congress), onde o assunto chegou a ficar “difícil” de ser acompanhado.

Tudo bem que não é nada que possa ser considerado como impossível de se acompanhar e também é sempre bacana aprender algo novo (pelo menos eu sempre acho), mas quando a notícia é sobre um tipo de política muito específico e complexo, que de certa forma não faz muito parte da nossa cultura ou realidade, a série acabou perdendo o foco ao dedicar tanto tempo de um único episódio para o assunto. Mas eu não creditaria essa dificuldade apenas para as diferenças culturais ou qualquer coisa do tipo e sim para a forma massiva como essa história nos foi apresentada naquela ocasião, o que acabou deixando o episódio inteiro meio chato. Até então, a gente tinha um excelente piloto, do tipo perfeitinho, com mais de uma hora de puro entretenimento, um segundo episódio não tão bom assim, onde era possível perceber a diferença de roteiro e história a quilômetros de distância e um terceiro episódio onde eles se perderam em meio a notícia, dando foco demais para a mesma e se esquecendo do resto. E esse talvez seja o episódio barreira da série, mas que acabou funcionando também como um divisor de águas nessa Season 1 de The Newsroom, onde é necessário passar por ele (e já adianto que vale a pena o esforço) para chegar ao equilíbrio que ele conseguiram encontrar na sequência excelente de episódios, mesmo quando ainda falaram de um assunto tão específico e complexo até mesmo para os próprios americanos.

Passando por esses três primeiros episódios, passamos a enxergar uma série que definitivamente encontrou a sua fórmula. Era necessário um equilíbrio entre o volume de informação e a emoção da série e isso eles conseguiram atingir a partir do quarto episódio, que tem aquele final ao som de “Fix You” do Coldplay (1×04 I’ll Try to Fix You – música mais do que usada para momentos dramáticos em finais de episódios de séries de TV, e o primeiro que me vem a mente é aquele de The O.C) que é uma das melhores cenas da série, com toda a redação enlouquecida em busca da notícia sobre reportar ou não a morte de uma deputada (com direito a toda aquela movimentação de diálogos clássica do Aaron Sorkin), tendo que lidar com a ética que todo mundo deveria ter e a concorrência muitas vezes desleal na TV, onde o que importa são os números. Só que dessa vez, para a sorte deles, esperar acabou valendo a pena para que eles fossem os únicos a reportar ao vivo e com decência que a deputada baleada ainda estava viva e havia sido encaminhada para a mesa de cirurgia. Um momento para encher os olhos de lágrimas, entender um pouco mais sobre a tensão que deve rolar dentro de uma redação de jornal e aplaudir de pé para a forma linda como a história toda foi conduzia. Eu diria até que esse foi o momento exato onde The Newsroom conseguiu descobrir o que de fato eles tinham de novo para nos apresentar e como isso deveria acontecer daqui para frente.

E foi o que acabou acontecendo depois, com uma série de episódios excelentes, do tipo um melhor do que o outro e todos seguindo mais ou menos essa mesma linha e com notícias mais do que importantes para o mundo. Como as manifestações no Egito em nome da renúncia do governo de Mubarak (1×05 Amen), com a redação de The Newsroom tendo um de seus apresentadores em loco, sendo torturado e tendo que ser enviado de volta para casa, o que acabou tornando necessário a contratação de um “correspondente” local, conhecido do Neal, que acabou sendo sequestrado e o Will acabou pagando do próprio bolso a quantia necessária para que ele fosse solto, algo que o canal se recusou a pagar e após esse gesto, Will McAvoy acabou recebendo em retribuição a colaboração de todos da redação e ganhando da Mac o seu tão sonhado momento “Rudy“. (lindo por sinal e super emocionante, de novo!).

Até que tivemos o personagem principal encarando o seu terapeuta que ele não via a anos e que para sua surpresa, acabou sendo substituído pelo seu filho, também jovem, que acabou herdando o consultório e pacientes após a morte do pai. Nesse episódio (1×06 Bullies) tivemos Will em conflito tendo que lidar com o fato de possivelmente ter destruído a carreira da Sloan (outra apresentadora especializada em economia, interpretada pela Olivia Mumm, a qual agora eu respeito mais, embora continue não gostando dela/atriz e não a personagem, que também é muito boa), por ter sido o responsável por tê-la encorajado a ir mais a fundo na sua postura como entrevistadora e ela ter perdido o controle após os seus conselhos, além dele estar lidando com a sua recente ameaça de morte, feita por meio de um comentário anônimo em seu blog. E vejam vocês que até a internet McAvoy tenta mudar, o que obviamente acaba não dando muito certo.

Esse episódio apesar de ter uma notícia mais fraca e isso também é bem bacana, porque embora a série não siga uma linha do tempo “dia após dia”, onde na verdade encontramos alguns saltos adiante no tempo, seria pouco crível que eles vivessem apenas de grandes notícias de importância mundial por exemplo e nesse episódio, apesar disso, temos uma discussão sensacional entre o apresentador e um político negro gay que defende um candidato absolutamente intolerante e preconceituoso, o que o próprio Will não consegue entender (nem eu), mas que naquele momento ele entende que cruzou a linha da sua própria ética pessoal, se é que podemos assim dizer e passou para o lado dos bullies, do qual ele nunca se viu participando daquela forma. (e é horrível quando vc consegue se ver fazendo exatamente o mesmo que o seus maiores inimigos do passado. – Been there, done that messed around)

Outro momento sensacional e importantíssimo para a série acaba acontecendo em um cenário pouco provável, com uma espécie de “festa da firma” na casa do próprio Will (1×07 5/1), que está colocadíssimo em uma mistura perigosa de maconha e remédios e que do meio do nada, se vê no que talvez tenha sido um dos grandes dias da sua carreira (se não o maior deles), se preparando para um anúncio de última hora do Presidente, que ao que tudo indicava, apareceria em público para anunciar a morte do seu maior inimigo. Um momento fora do comum, com alguma reviravoltas importantes, além do atual estado do apresentador que poderia perder a noite da sua vida no trabalho por conta de estar colocado demais para reportar algo de tamanha importância. (e talvez se Will estivesse em seu estado normal naquela noite, ninguém conseguisse controlá-lo)

Um episódio de arrepiar mesmo, como ele quase implorando para a Mac não tirar dele essa oportunidade e com o Charlie (personagem que é impossível de não se apaixonar e todo mundo adoraria ter um chefe como ele, fato) tentando ser ético até mesmo na hora de entregar a notícia que todo o mundo estava esperando para ouvir. E isso com a outra metade da equipe presa no avião, no momento do desembarque, para total desespero do Don, que no último momento conseguiu entender que o importante naquela hora era a notícia e não quem ou quando ela seria entregue primeiro (uma cena excelente também!). Um momento realmente sensacional e extremamente comovente, com a equipe do jornal entregando a notícia no momento certo, terminando o episódio com aquela imagem do Obama que todos nós conhecemos, informando o mundo sobre a morte de Osama bin Laden. Sério, eu me arrepio até agora só de lembrar desse momento (o real e agora o da ficção), onde é praticamente impossível conseguir ignorar até mesmo os créditos da série, que foram rodados ao som do discurso do Obama naquela noite, que vai diminuindo lentamente até que não fosse mais ouvido. Sabe aquele detalhe que faz toda a diferença? Certamente, mais um momento para se aplaudir de pé dentro da série. Clap Clap Clap!

Tudo bem que em meio a tudo isso, vivemos um “idealismo” em The Newsroom que parece pouco comum na prática, onde todas aquelas pessoas estão dispostas a arriscar tudo por um mesmo ideal, caminhando todas na mesma direção, o que é bem difícil quando tratamos de qualquer equipe ou qualquer tipo de “assalariado”, por exemplo. E tudo conspira ao favor deles também, uma vez que são todos funcionários de uma mesma empresa, que por si só poderia muito bem acabar com todo esse idealismo em pouco tempo, algo que eles até tentam, mas que por ter o rabo preso com uma série de fatores políticos e criminosos, acabam se vendo entregues a aceitar a nova realidade do noticiário do canal.

E como quem está no poder não costuma gostar muito de ver a sua força sendo enfraquecida de forma nenhuma, Will ganha como adversário os próprios chefes e donos do canal (Chriss Messina odiável no papel de filho da dona, que por sua vez, ficou por conta da Jane Fonda), onde ele passa a viver uma série de fatos “forçados” que podem ajudar a emissora a finalmente conseguir um bom motivo para demití-lo, apenas para maquiar a verdadeira intenção do canal. Com isso eles até conseguem ganhar alguma vantagem, expondo o jornalista ao ridículo com escândalos sexuais e conseguindo fazer com o que o seu jornal passe a reportar assuntos menos interessantes para eles, mas que estavam no gosto do público naquele momento (o caso Casey Anthony, ou as fotos do Anthony Weiner no Twitter), que a essa altura já teria fugido naturalmente do tipo de jornalismo nada sensacionalista que eles estavam propondo. Mas a queda de Will McAvoy aconteceria por ele mesmo, com a contratação de um jornalista para escrever uma matéria sobre ele mesmo para uma revista (e ele poderia escolher até a revista, tamanho interesse do público em sua história), que por um acaso, viria a ser Brian (Paul Schneider), o tal ex da Mac com quem ela acabou traindo o Will no passado. Para nossa surpresa, porque para ele, foi tudo de propósito mesmo e isso ele chegou a declarar na terapia, rs.

Brian, passou a acompanhá-lo de perto durante os últimos episódios (repetindo a dobradinha de “Lars And The Real Girl” ao lado da Emily Mortimer) e acabou escrevendo uma matéria que não agradou nada ao Will, que ao se sentir ridicularizado em público, acabou tendo algumas complicações com a sua saúde, o que o fez ficar internado por um tempo e com isso, passou a considerar até desistir da carreira, tamanha ferida que a tal reportagem acabou causando no seu ego. Mas é óbvio também que como o clima da série apesar da carga dramática é super favorável para o bem do personagem e de todos que estão ao seu lado (preciso dizer que eu AMEI todas as referências que a série fez a Don Quijote nessa temporada, inclusive nesse momento), acabamos tendo tudo resolvido com um acerto feito pela emissora e o apresentador, isso depois deles todos terem descoberto que o canal praticava o mesmo tipo de invasão de privacidade que certo tabloide inglês fechado recentemente. Mas ainda ficou faltando um acerto de contas entre Brian e Will, que eu suspeito que tenha sido guardado para depois, embora Will agora tenha entendido melhor a reportagem a seu respeito.

Em meio a isso tudo, ainda tivemos a história com o blackout (1×08, 1×09 The Blackout Part I e II), com o surto descontrolado/controlado da Mac (ela que é a minha personagem preferida na série e que eu gosto de definir com uma Bridget Jones menos calórica só que com o mesmo sotaque, rs), que conseguiu enxergar a ironia da sua relação com Deus naquele momento, Sloan declarando que na verdade sempre teve um quedinha pelo Don (juro que eu nem suspeitava), ele que por sua vez não gosta muito da Maggie e só permanece ao seu lado porque não consegue aceitar muito bem o fato de perdê-la para o Jim, para quem ele já perdeu uma série de coisas quando decidiu sair da equipe do Will. E ainda tivemos aquele momento divertidíssimo sobre o “tour Sex And The City” pelo West Village, com a Maggie fazendo um discurso sensacional sobre como é ser de verdade uma mulher solteira em NY, sendo surpeendida pelo próprio Will, que estava no ônibus da tal tour, rs. Sério, #TEMCOMONAOAMAR. Dessa forma, chegamos ao final da temporada com os casais ainda sem se acertar, com a Maggie indo morar com o Don, que a gente agora torce para que fique com a Sloan e deixe a Maggie seguir o seu caminho com o Jim, que por sua vez está com a sua melhor amiga que trabalha com moda. Ufa! AMO plots complicados de trocas de casais do ♥, vcs não?

Mas uma resolução ainda faltava para esse final de temporada, com a Mac finalmente revelando para o Will que lá no começo de tudo (achei uma pena a gente ter descoberto isso já no piloto), no dia do seu famoso surto diante da pergunta da estudante, ele não estava delirando não e aquela mulher que Will enxergou na platéia influenciando ele a dizer a verdade era ela mesmo, para total desespero do personagem. Tudo bem que não teve beijão de reconciliação, afinal, estamos dentro de uma redação séria de jornalismo verdade (rs), mas foi um momento que serviu para encher os nossos corações com aquela história de amor que embora eles relutem bastante para ficar juntos (pelo menos com algum motivo), está na cara que eles foram feitos um para o outro e juntos, ambos são “o melhor jornalista” da TV atualmente. Sem contar a estudante da pergunta que mudou a vida do Will McAvoy aparecendo no final do episódio, para pedir um estágio na redação dele e recebendo mais uma vez a resposta para a sua simples pergunta que de certa forma motivou tudo isso, só que dessa vez com uma resposta bem diferente e mais do que especial. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

E mesmo que a ideia seja idealista demais para alguns, terminamos a Season 1 de The Newsroom com um gostinho delicioso de vitória, mesmo que o prêmio não tenha propriamente chegado até nós, isso porque apesar do positivismo, não tivemos resoluções felizes para os personagens e ficamos apenas com um gostinho de parte delas. Mas com esse ótimo resultado final, nem podemos reclamar e devemos dizer que o Aaron Sorkin + HBO conseguiram nos entregar uma excelente nova série de TV. Clap Clap Clap!

Para assistir e ficar com a consciência pesada por ter um blog sobre qualquer tipo de bobagem. Oh wait, como esse é um blog extremamente pessoal e que tem um compromisso com a sua própria verdade, não temos nada do que reclamar ou nos envergonhar e nos sentimos meio Will McAvoy, tá? (mostrando a língua como sinal claro de maturidade jornalísitica)

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

Lars And The Real Girl – O dia em que o Ryan Gosling roubou de vez o meu ♡

Julho 17, 2012

E quando eu achava que seria praticamente impossível conseguir gostar ainda mais do Ryan Gosling (pelo menos ainda a distância, rs), eis que eu finalmente resolvi assistir “Lars And The Real Girl” e me encontrei extremamente surpreso com a sua atuação super especial para esse papel que necessitava de um bom ator para que ele pudesse ser levado a sério, além do filme por si só já ter valido muito a pena, o que eu mais que recomendo para vc que não tenha assistido ainda. Alugue e nunca mais devolva na locadora (me encontrei nesse dilema, porque ao que tudo indica, o DVD não existe por aqui para venda)

Quebrando uma tradição que eu venho colocando em prática já tem alguns anos que é a de assistir “Le fabuleux destin d’Amélie Poulain” no dia do meu próprio aniversário, esse ano eu resolvi fugir dessa obrigação (odeio quando esses rituais ganham cara de obrigação, sabe?) e me permiti passar o restinho dessa data ao lado do Ryan Gosling, afinal, mesmo que eu continue achando que o filme francês foi feito para mim (dentre alguns outros, rs), nada melhor do que a companhia do boy magia mágica do momento para aquele fim de noite, mesmo que em formato apenas de DVD, rs. (ao escrever esse último parágrafo eu percebi que a minha vida pode parecer triste para algumas pessoas então, desconsiderem essa impressão, rs).

E não é que eu acabei me deparando com um dos melhores trabalhos do próprio Ryan? Sem exagero. Esqueçam o que vcs viram em “The Notebook” “My Blue Valentine” ou até mesmo em “Drive” e preparem-se para viver a paixão mais improvável de todos vcs.

Primeiro que ele me aparece completamente adorável durante todo o longa, mesmo se encontrando visivelmente fora do seu peso (o que nem assim se torna um problema. Höy!), sem muito o apelo da vaidade, encarnando um homem que visivelmente só podia ter algum tipo de problema. Solitário, morando na garagem da casa do seu irmão, Lars (Ryan ♥ Gosling) tem aquele perfil meio loser perturbado que todos nós adoramos e é do tipo de pessoa reclusa socialmente, acostumado com a sua rotina da casa para o trabalho, com visitas dominicais a igreja e só. E apesar das poucas palavras e de toda a estranheza do personagem, todos a sua volta parecem se importar com ele, tentando pelo menos incluí-lo em uma atividade social de vez em quando, na tentativa de fazê-lo se sentir pertencendo a alguma coisa.

Mas vamos combinar que o plot central do filme não é muito fácil de se aceitar, quando a sua proposta é a de colocar um homem adulto se relacionando com uma boneca, dessas que chegam a imitar assustadoramente algumas características humanas como a textura da pele, o peso e algumas até mesmo a temperatura do corpo e geralmente são usadas para outros fins (EW!). E tudo isso, por mais estranho que possa parecer, só colabora para que o filme fique ainda mais especiall, principalmente pela forma sensível e super bem cuidada que essa história foi conduzida pelo diretor Craig Gillespie em 2007, ele que foi o também o diretor do remake de “A Hora do Espanto” e que também chegou a dirigir alguns episódios da excelente série United States Of Tara. 

Apesar do assunto ser sério, o filme é todo construído no fundamento da dramédia que tanto anda fazendo sucesso em Hollywood de uns anos para cá. Apesar disso, não consegui me conter de tanto rir com aquele primeiro jantar na casa do irmão de Lars, que marcava o primeiro contato da sua família com Bianca, a boneca que além de tudo tinha uma história onde segundo Lars, ela era um missionária metade dinamarquesa, metade brasileira (adorei o detalhe, rs), cadeirante e extremamente religiosa. E a reação do seu irmão e da sua cunhada nesse momento do primeiro contato totalmente inesperado com essa realidade do Lars foi a mais sincera possível, com ambos ficando completamente de boca aberta e extremamente constrangidos com ele tratando aquele pedaço de plástico como uma pessoa de verdade, isso com a maior naturalidade desse mundo, onde sua família a partir daquele momento, passou a considerar a ideia de que Lars teria perdido o juízo de vez. (o que foi ele comendo do prato dela para fingir que a boneca estava adorando a comida?)

E é a partir daí que a história vai se tornando ainda mais interessante, com o tratamento pelo qual ele começa a passar com a sua psiquiatra já no dia seguinte e logo pela manhã, tamanho o desespero da sua família ao encontrá-lo vivendo com uma boneca como se fosse uma pessoa de verdade. Psiquiatra que ele imagina ser a médica da Bianca e que acaba sugerindo que para ele passar por esse tratamento psicológico, sua família precisa aceitar aquela relação que ele mesmo havia criado com a boneca. Consequentemente a partir disso, a cidade inteira passa a conviver com essa parte da vida de Lars, com ele circulando nos mais variados cenários, sempre na companhia de Bianca, ela que como toda boa religiosa frequenta até a missa de domingo, outro momento que eu não consegui me controlar de tanto que eu ri. Sério. (jamais teria essa reação caso conhecesse alguém passando pelo mesmo drama, afinal, sou uma pessoa sensível)

O bacana de tudo isso é que pelo carinho que aquelas pessoas da cidade tinham com Lars e toda a sua família desde muito tempo, todos passaram a agir normalmente com o personagem e a sua nova companheira, talvez até pelo fato de que pela primeira vez em muito tempo, ele parecia estar vivendo fora da sua própria bolha, se permitindo um pouco mais, apesar do fato de que para isso ele tenha criado uma “nova bolha”.

Engraçado que eu não esperava que o filme fosse tão sensível a esse ponto e cheguei a ficar realmente comovido com o envolvimento de todas aquelas pessoas da cidade com a história de Lars. AMEI a line de uma das personagens, a mulher mais velha do grupo da igreja, jogando na cara de todo mundo o quanto cada um deles também escondiam de esquisito, então porque não ajudar alguém como Lars?

A forma como a história nos é apresentada também é muito especial, onde vamos ganhando detalhes que nos ajudam a compreender melhor o atual estado da mente de Lars, com o seu passado trágico envolvendo a sua mãe, que havia morrido no seu parto, além da companhia do pai depressivo perto do final da sua vida. Bonito também foi ver o irmão revelando a sua parcela de culpa dentro daquele cenário, ele que é o principal personagem contra o tratamento proposto pela doutora, mas que mesmo assim acaba se comprometendo com a “realidade” do irmão, a ponto de ser ele o responsável por colocar Bianca na cama, respeitando assim aquele problema, mesmo que ele não o conseguisse entender.

Mas ao mesmo tempo que o personagem vai ampliando os seus horizontes, saindo mais de casa, frequentando lugares que antes ele jamais seria visto, uma relação de carne e osso começa a chamar cada vez mais a sua atenção. E essa relação fica por conta de Margo, uma garota adorável da vizinhança que sempre teve o seu olhar voltado para o Lars e embora tenha investido por diversas vezes na tentativa de convidá-lo para sair, nunca obteve muito sucesso, infelizmente. Isso até ela passar a  ser cobiçada por outro, o que acaba despertando o ciúmes/interesse dele. Sabe aquilo que vc não queria até alguém colocar a mão? Então…

E esse comportamento meio infantil é até reconhecido como tal pelo próprio personagem, quando ele chega a questionar o irmão sobre quando ele havia percebido que ele já era uma homem e não mais um menino, onde mesmo deixando o irmão mais uma vez desconfortável, ele  acaba recebendo uma das respostas mais foufas possíveis.

Ao mesmo tempo que os olhos de Lars passam a se interessar também por Margo, a quem antes ele sequer olhava, a sua relação com Bianca vai ficando cada vez mais distante. Muito disso por culpa dos próprios habitantes daquela cidade, que começam a desenvolver plots sensacionais para a rotina da boneca, como um trabalho de meio período, aulas disso ou daquilo, colaborando assim para que ele passasse cada vez menos tempo com a sua amada e pudesse assim encontrar uma resolução para o seu problema. E é simplesmente sensacional quando ele surta de ciúmes pela fato da boneca não estar mais disponível para ele o tempo todo e acaba ganhando um sermão feminista daqueles bem apropriado, da mesma senhora da igreja que eu já mencionei anteriormente.

O filme ainda conta com momentos pra lá de foufos, como Lars levando Bianca para um passeio perto do lago, onde o Ryan Gosling acaba roubando a cena cantando uma música com a sua linda voz, tudo isso do alto da casa na árvores de Lars. Sério, #TEMCOMONAOAMAR? E eu que achava que não caberia mais foufurices nessa história, acabei me encantando ainda mais com a cena em que ele tentou (com sucesso) ressuscitar o ursinho de pelúcia da Margo, que havia sido enforcado pelo outro colega de trabalho dos dois. Sério, vou repetir mais uma vez: #TEMCOMONAOAMAR? Eu sei que falando assim pode até parecer tudo meio bobo, mas acreditem que no filme isso tudo é tratado com uma delicadeza fora do comum, onde o personagem não fica nem de longe caricata ou qualquer coisa do tipo.

Apesar da forma relativamente fácil com que todas as pessoas ao seu redor lidam com aquela situação mega inusitada, o que é perfeitamente justificável já que ele tinha uma relação de anos com todos eles, essa questão mais séria do transtorno comportamental do personagem não é descartada e na terapia, conseguimos descobrir de onde vinha toda aquela necessidade de reclusão do personagem e como ele se sentia ao ver o seu espaço sendo invadido por um simples toque. Nessa hora, eu que já considerava o Ryan Gosling como um dos maiores atores da sua geração, fiquei ainda maio encantado como a forma profunda como ele carregou os problemas daquele personagem e isso sem perder a doçura, onde era possível perceber o seu total desconforto e inclusive a sua dor enfrentando a sua maior dificuldade. Sem essa profundidade seria impossível por exemplo, conseguir se emocionar e compreender o que significava para aquele cara deixar alguém tocar a sua mão pela primeira vez, como aconteceu naquela cena mais do que foufa do encontro no boliche ao lado da Margo.

Durante a terapia, ele ainda acaba revelando um detalhe que é bastante importante para o seu personagem, que é quando ele diz que ele acha que é a sua cunhada quem deve ter algum problema, porque ela está sempre querendo agradar, sempre querendo a companhia de alguém, sempre incomodada com o fato dele querer ficar sozinho o que na verdade, era exatamente o contrário da sua própria forma de se relacionar com a vida e por isso ambos não conseguiriam nunca se compreender sem ajuda.

E como mesmo com tudo isso acontecendo Lars seguiu resolvendo suas questões todas, chegava cada vez mais próximo o momento da despedida de Bianca, que em um determinado momento não se fez mais necessária para a vida de Lars. E foi linda a forma como mais uma vez a cidade inteira ficou ao seu lado, ajudando o personagem a passar por aquela situação, que eles sequer entendiam, mas que nem por isso deixavam de colaborar. Engraçado vc pensar que até um funeral para a boneca foi organizado, de tamanho envolvimento daquela comunidade para com o personagem. Apesar de parecer super estranho tudo isso, ficou bem claro no final, quando o padre disse que Lars havia pedido para que ninguém usasse preto naquela ocasião porque aquele era um funeral diferente e nessa hora, eu acho que ficou bem claro o quanto ele acabou tendo consciência de toda aquela situação, que tinha tudo para ser tratada com pouco caso, mas que no final acabou ganhando o tratamento super delicado que merecia.

Aliás, o final não poderia ter sido mais foufo, com ele mesmo convidando a Margo para uma camihada a dois, pela primeira vez depois de tanto tempo. Mais do que merecido, vai?

Com isso, fico feliz em ter mudado uma tradição de tantos anos na minha vida, tendo ganhado de mim mesmo de presente essa delícia de “Lars And The Real Girl”, nesse dia que é sempre tão especial. Recomendo que mesmo que não seja o aniversário de vcs, que quem ainda não viu esse filme, que não perca mais tempo e vá já procurá-lo porque ele é mesmo bem especial. E para quem já viu, que sinta vontade de assistir de novo, porque uma história como essas vale muito a pena ser revista de vez em quando.

E por tudo isso, vou aqui declarar publicamente que com “Lars And The Real Girl”, o Ryan Gosling acaba de roubar de vez o meu coração. Está aqui (♥), pode levar, Ryan!

ps: AMO o Ryan Gosling como vcs já devem ter percebido aqui no Guilt, por seu trabalho em “Blue Valentine”, “The Notebook”, “Crazy, Stupid, Love”“Drive”, mas se algum dia na vida eu encontrasse com ele, seria por “Lars And The Real Girl” que viria o meu abraço/beijo/afofada/declaração de amor mais sincera. (bem, não só por isso… Höy!). Clap Clap Clap!

 

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