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Keep looking

Julho 24, 2014

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Looking começou com a promessa de ser a nova Girls em uma versão gay mais para Queer As Folk, como bem discutimos por aqui no passado. Rapidamente em seu piloto, e depois observando a sequência de seus 8 episódios para a sua temporada de estreia, percebemos que a história não era exatamente essa, tanto para a comparação com a série das meninas, quanto para a série antiga com a mesma temática.

Digamos que não foi fácil se manter interessado nessa história a princípio, mesmo com a cena gay de San Francisco colaborando para que a gente continuasse no mínimo de olhos bem abertos, nem que fosse apenas pela vista (rs). Além da trilha sonora da série, que também é bem boa e vale a pena deixar o Shazam ligado para descobrir o que está tocando em cada cena.

E grande parte dessa dificuldade em se manter interessado na série pode ser creditada a superficialidade de seus personagens, que pelo menos a principio, foi bastante evidenciada e quase a fez se perder dentro do caminho fácil de mais um pouco do mesmo do mesmo. Mas antes de apontar dedos, é preciso dizer que parte da falta de credibilidade de Looking, pelo menos durante os primeiros episódios da temporada, acabou se dando pelo fato da série não tratar de gays recém descobertos, ou jovens demais, ainda em fase de descobrimento e experimentação, como acompanhamos recentemente na deliciosa Please Like Me, que consegue te conquistar logo de cara, sem fazer muito esforço e meio que pela “inocência” de seus personagens, mas nesse caso, talvez isso tenha acontecido mesmo pela falta de apego com a própria vida sem muito propósito de cada um deles, algo que demorou a ser estabelecido ao longo da Season 1, que teoricamente, teria exatamente essa função de nos apresentá-los e digamos que nisso talvez ela tenha falhado, pelo menos no começo.

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Mas tudo ficou muito melhor a partir do momento em que fomos descobrindo mais de cada um de seus personagens principais, descobrindo suas forças e fragilidades e assim, conseguimos descobrir quem de fato eram aquelas pessoas, além de personagens gays aproveitando as possibilidades de uma cidade como San Francisco (uma vida local bastante explorada por sinal, com espaço até para a famosa Folsom Street Fair), que todos nós sabemos que não devem ser poucas. A partir desse momento, de quando eles foram se permitindo mais e mostrando mais suas fragilidades, eles obviamente foram ficando muito mais interessantes, suas histórias foram crescendo e com isso o nosso nível de interesse por cada um deles acabou sendo estabelecido de vez. Por isso ficamos e é possível garantir a essa altura que valeu bem a pena.

Patrick (Jonathan Groff) por exemplo, acabamos descobrindo que apesar de estar com 20 e poucos anos e ter se vendido no começo da temporada como alguém já bastante envolvido com a cena gay local, nada mais era do que um jovem adulto nerd ainda em fase experimental, vivendo pela primeira vez relações mais complicadas e ou duradouras, como observamos durante a construção da sua relação com sue amante latino Richie (Raul Castillo), além de como todo mundo, também enfrentar alguns problemas familiares (e quem não tem os seus, não é mesmo?) e uma série de questionamentos quanto suas preferências sexuais (isso em relação ao sexo em si mesmo e não dúvidas sobre “que sexo gostar” ou qualquer coisa do tipo), que apareceram de forma bastante realista (a cena da primeira vez dele com o namorado foi de um realismo importante de se ver na TV, porque nem tudo é tão fácil assim, não é mesmo?) e funcionaram justamente para demonstrar que apesar de Looking falar sobre a temática gay, ela trata também de questões que todos nós temos que enfrentar quando nos relacionamos com alguém, gay ou não gay. Ou seja, todo mundo sabe que as primeiras vezes são sempre terríveis e acredite, ao longo da vida, você vai enfrentá-las assim mesmo, no plural.

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Como personagem principal da série, Patrick ganha força a medida em que vamos descobrindo mais da sua personalidade, que apesar de fofa, se revela também um tanto quanto “preconceituosa”, como ele bem deixa transparecer em algum momento já no piloto, isso tanto em relação a questões de níveis sociais e diferenças culturais entre ele e o seu boy magia latino, quanto sobre questões de etnia e algumas outras coisas bem específicas e do mesmo gênero. E vamos falar a verdade, uma série que consegue fazer uma episódio inteiro sobre a temática da “gola rolê”, merece no mínimo o nosso respeito, mesmo que o assunto não seja exatamente nenhuma novidade para ninguém (apesar de ter ficado surpreso recentemente em conversas com amigas não acostumadas a esse tipo de variedade). E apesar de soar um tanto quanto preconceituoso, podemos dizer que a série não deixa de ser honesta em relação ao levantamento desse tipo de questão, que querendo ou não, são questões que aparecem facilmente em conversas soltas de qualquer grupo de amigos, sejamos honestos, vai?

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Outro ponto a favor do seu personagem é a relação deliciosamente deliciosa que ele acaba construindo com o seu chefe, que começa de forma absolutamente constrangedora, mas que depois vai se transformando facilmente em um dos maiores atrativos da série. Claro que parte disso acontece por total culpa do carisma inglês indeed do Russell Tovey (#CRUSHANTIGA por diversos motivos, sendo o maior deles esse aqui ó), que a gente sabe que é quase irresistível, mas também porque fica claro que entre os dois existe uma tensão sexual absurda. Não que isso também não tenha acontecido em sua relação com Richie, mas digamos que talvez por conta de todos os obstáculos (e novamente, todo o carisma do Russell), o fato dos dois terem um outro alguém e se relacionarem de uma outra forma entre si, essa talvez tenha sido a minha relação preferida ao longo dessa Season 1. A boa notícia é que o Kevin do Russell Tovey volta para a já confirmada Season 2, então acho que podemos esperar mais dessa relação deliciosa.

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E apesar de Patrick ser o personagem principal da série, quem acaba facilmente se destacando entre os demais é Dom (Murray Bartlett, o mais magia dos magias da série. Höy!), o personagem mais velho de Looking, que vive outros tipos de conflitos até mesmo por conta da sua idade (e o fato de fazer 40 anos é claro que também trouxe alguns issues para o mesmo). Querendo trilhar o caminho dos seus sonhos na construção do seu restaurante, é dele a maior expectativa da série, onde passamos a torcer para que seu projeto enfim dê certo. Claro que para que isso aconteça, ele acaba se aproximando de alguém bem mais experiente no ramos dos negócios, Lynn, interpretado lindamente pelo ator Scott Bakula, que é do time magia antiga e com quem Dom acaba vivendo uma história de amor “não correspondido”, bem bacana e quase cármica, porque Dom não é o tipo de homem acostumado a ouvir muitos nãos.

A verdade é que ao longo da Season 1, Dom se mostra o mais fragilizado de todos eles, muito provavelmente pelos anos de vida e experiência que ele carrega a frente dos outros dois personagens principais. A forma distante como ele se relaciona com estranhos (e super real, diga-se de passagem… tisc tisc), apenas para satisfazer suas necessidades momentâneas e ou a forma “compensatória” que ele acaba achando ideal para retribuir a ajuda de Lynn, isso tudo demonstra claramente o quanto o personagem, mesmo sendo o mais velho entre eles, também carrega suas inseguranças e ainda está a procura da sua verdadeira identidade. E parte disso fica mais claro ainda quando conhecemos o antigo amor de Dom, um ex namorado super cretino, com quem ele mantém uma dívida e não tem como julgar o personagem no momento em que após a humilhação de ter que pedir de volta o que já era seu, ele opta por fazer um escândalo, mesmo que isso não o tenha levado a alcançar o seu objetivo. Sério, e quem não faria o mesmo? Outro ponto alto da série é a sua relação com a melhor amiga Doris (Lauren Weedman), que é bastante honesta e também muito especial.

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Representando o elo mais fraco de Looking, temos Agústin (Frankie J. Alvarez), que é visivelmente o personagem menos interessante do grupo. Preso em uma crise em busca de criatividade, apesar de ser o único personagem apresentado como parte de uma relacionamento estável, fica claro que aquela relação tinha tudo para afundar a medida em que ambos os envolvidos não evoluem ao longo da temporada a não ser pelo fato de passarem a morar juntos, algo que já foi vendido desde o começo com um grande erro para o casal. E tudo só piora quando Agústin tenta levar a própria relação como seu novo projeto artístico, não exatamente pelo que esse projeto representa e sim pela superficialidade de toda a sua trajetória. Vazio e completamente sem sentido, seu personagem acaba preso em um ciclo vicioso de experimentos fadados ao fracasso e verdades ditas de forma totalmente inconveniente, principalmente quando elas foram direcionadas para os amigos, algo que talvez tenha sido perdoado (de forma bem fácil inclusive) por conta do seu vício ou pelo seu estado diante de todas essas situações.

Em um comparativo cretino com Please Like Me, por exemplo, é nítido que a série acabaria perdendo diante de tanta fofurice australiana, mas como na vida nem tudo é uma grande competição, já deu para perceber que a a nova série também tem seus atrativos e eles não são poucos (mas preciso reconhecer que em relação ao que foi a Season 1 de Girls, a série também perderia. Sorry!). O que fica bem claro durante essa Season 1 de Looking, apesar de ter demorado um tempinho para aparecer de forma mais clara, é que todos os personagens realmente estão a procura de algo, sejam seus sonhos, suas identidades ou simplesmente um propósito e a partir do momento em que conseguimos enxergar isso dentro da  nova série da HBO, ela se torna cada vez mais atrativa, por isso eu digo que apesar das notáveis derrapadas no começo, vale a pena ficar de olho em Looking.

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Por favor gostem de mim, mas gostem dele também

Julho 3, 2014

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Assistimos séries americanas o tempo todo, somos apaixonados por várias maravilhas inglesas e de vez em quando, do meio do nada, nos deparamos com algumas surpresas vindas daqui e dali: dinamarquesas, francesas, séries que com o tempo também acabam garantindo espaço em nossos corações e em nossas agendas televisivas.

Dessa vez, a surpresa veio no formato de uma comédia australiana, praticamente um canguru (rs), mas daquelas que tem muito mais cara de dramédia do que qualquer outra coisa. Ela é Please Like Me, criada e estrelada por Josh Thomas, uma série baseada em suas próprias experiências do cotidiano de um jovem adulto que descobre ser gay após se ver interrompendo um relacionamento de longa data com a antiga namorada, que a propósito, é quem acaba lhe abrindo os olhos para a aceitação da sua realidade, de forma bem madura e sem grandes dramas, conseguindo manter uma relação de amizade com o personagem mesmo depois dessa descoberta.

Até esse ponto, a série poderia facilmente estacionar em um lugar comum frequentado por diversas outras do gênero (tisc tisc… Looking… tisc tisc), mas a trama vai ganhando novas camadas e vai ficando cada vez mais adorável e interessante a medida em que vamos conhecendo um pouco mais da vida de Josh e sua família que encontra-se passando por uma crise devido ao divórcio de seus pais, algo que acabou não ficando muito bem resolvido para sua mãe e ao mesmo tempo em que o personagem se encontra diante de um novo mundo de possibilidades sendo um homem gay e finalmente livre para experimentar o novo e ainda inexplorado, ele também se encontra tendo que se aproximar mais da mãe e cuidar da mesma, uma vez que ela acabou tentando o suicídio por conta do seu drama pessoal com o divórcio.

Com isso, ganhamos uma série de outras possibilidades para Please Like Me e ao mesmo tempo em que vamos descobrindo junto com o personagem principal a sensação de finalmente poder ser quem ele é, acabamos também tendo que voltar a sua raízes, assistindo de perto todo o drama que se instaurou em sua família devido ao problema de sua mãe. E apesar do assunto recorrente em sua casa ser o “suicídio” e o medo de que sua mãe acabe atentando contra a própria vida novamente, tudo é tratado de forma muito natural também dentro desse cenário muito mais dramático do que o seu outing, o que torna a série ainda mais especial em todos os aspectos.

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Tentando restabelecer alguns laços perdidos ou distantes com sua família, Josh se vê obrigado a ter que se aproximar bastante dos pais, acompanhando de perto a forma como sua mãe (Debra Lawrance) decidiu encarar a sua atual situação enquanto uma mulher divorciada e até então sem ninguém a vista para tentar algo novo e seu pai (David Roberts), que está visivelmente passando por uma crise de meia idade, embora esteja um passo a frente no quesito evolução, já com sua nova companhia que para a nossa sorte, além de tudo, é também uma personagem bem querida e que consegue entender o seu lugar dentro dessa situação tão delicada para aquela família naquele momento. Que bom seria se fosse assim para todo mundo, não? (#aproveitandooespaçopararesolverseusprópriosissues)

Mas todo esse drama da questão mal resolvida entre seus pais acaba quando sua mãe decide também dar uma passo a frente, resolvendo começar a namorar pela internet, e tudo isso com a supervisão do filho que tenta ajudá-la a escolher o melhor modelo para um primeiro encontro ou coisas do tipo. Com seu pai tudo também é bastante tranquilo e de vez em quando pegamos Josh tentando fazer a ponte de comunicação entre os dois, que nem sempre conseguem entender quais são os limites para essa nova situação familiar na qual eles todos inevitavelmente se encontram e continuam envolvendo o filho nas mais embaraçosas situações.

Ainda falando em relações familiares, outra que acaba roubando a cena de certa forma é a relação Josh e sua tia Peg (Judi Farr), que é uma mulher mais velha e com uma cabeça um tanto quanto “diferente” para algumas questões, incluindo a homossexualidade do sobrinho, mas que uma vez que consegue entender e enxergar de perto a forma como os gays ainda são tratados por parte da sociedade hoje em dia, mesmo em um cenário tão importante para a personagem que é a igreja a qual ela frequentava, Peg não pensa duas vezes antes de defender o sobrinho diante dos “olhos de Deus”, em uma cena super clichê e nem por isso menos comovente e ou bem bacana para a história.

E o que torna a série verdadeiramente adorável é a honestidade da sua abordagem (algo que nós sempre preferimos), que é facilmente encontrada em todos os episódios dessa curta primeira temporada (são apenas 6 episódios e se até eu com a minha atual agenda consegui assistir facilmente, você também irá conseguir). Todos os assuntos, inclusive os mais constrangedores, como ficar pelado na frente de alguém pela primeira vez ou decidir as preferências no caso de uma relação gay, tudo isso acaba soando bastante natural e porque não dizer familiar em diversas ocasiões (mesmo que você não seja gay, porque amor é amor e todos nós enfrentamos algumas primeiras vezes na vida quando o assunto é qualquer tipo de relação a dois), onde é possível se identificar com os pequenos problemas do dia a dia da vida do Josh.

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É importante dizer que a série, apesar de tratar um clichê já bastante discutido na TV e no cinema, tem um tratamento bastante especial para todas essas questões, tanto as familiares quanto em relação a sexualidade do Josh, que é o plot central da série mas não é o mais importante dela e não chega a roubar a cena, apesar de estar presente em toda ela. Talvez essa sensação seja estabelecida justamente pela naturalidade com que essas situações todas nos são apresentadas ao longo da temporada, sempre de forma direta, sem muitas voltas, mas ao mesmo tempo de forma doce, conseguindo deixar bastante convincente que aquele personagem realmente ainda seja completamente inexperiente diante de todos aqueles assuntos e questões.

O personagem principal ainda divide seu espaço com o melhor amigo, Tom (Thomas Ward), que morando juntos e dividindo quase tudo e juntos, eles acabam criando uma espécie de relação de irmãos que é algo notável e adorável. Josh aproveita a vantagem de pensar rápido e amparado nessa sua facilidade, vive atacando o roommate, demonstrando logo de cara que não existe a menor tensão sexual entre os dois e a questão entre eles não se trata de um bromance (que nós também adoramos quando aparece em um cenário heterossexual), provando mais uma vez que ninguém precisa viver em pequenos nichos para se sentir compreendido e amado. Tom por sua vez, se vê absolutamente surpreso ao descobrir que seu hommie é gay e logo de cara, é quem mais quer conversar sobre o assunto com o Josh e não pela surpresa e sim, muito mais pela curiosidade e questões que o próprio acaba levantando sobre o assunto.

Através de seu melhor amigo Tom, Josh acaba conhecendo também seu primeiro namorado, Geofrey (Wade Brigs) o qual ele reluta um pouco em assumir como tal, mas logo não consegue esconder que está se apaixonando, mesmo porque, além da magia, Geofrey é super foufo e de certa forma, impulsiona Josh a se assumir diante da sua família, uma passo bastante importante e que na série, também aparece com bastante naturalidade, apesar de acontecer quase que por acaso e ou de surpresa, em uma outra circunstância.

O bacana é que dessa forma, colocando o personagem principal se descobrindo gay a essa altura da vida, conseguimos acreditar em toda aquela estranheza que ele sente ao se deparar com algumas situações pela primeira vez, dando uma maior credibilidade para o personagem, ao contrário de Looking por exemplo, que já começou com personagens completamente fora do armário, com mais ou menos 24 anos e ainda assim um tanto quando inexperientes em alguns assuntos, mesmo com eles comentando que já estão na estrada tem tempo. Mas sobre esse assunto conversaremos melhor em breve…

 

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A temporada em que a série mais vagabunda e adorável de todos os tempos finalmente resolveu sair de casa

Fevereiro 7, 2014

Him and Her

Com apenas cinco episódios para a sua temporada final, Him & Her resolveu encerrar a sua história de forma inusitada, considerando a sua mitologia, é claro e completamente diferente do que já havíamos vivenciado na série. Não, nós não tivemos nenhum plot twist de revirar os olhos, nem um plot bombástico qualquer de última hora, apenas a novidade dessa temporada ter sido inteira toda realizada fora do apartamento do adorável indeed casal Steve e Becks, que pela primeira vez passaram a circular em outros cenários, tendo o casamento da Laura e do Paul como plot central para a despedida dessa deliciosa série inglesa.

Vamos combinar que para quem já estava acostumado com a rotina de vagabundices de Him & Her, foi difícil aceitar que durante essa Season 4, a gente não tenha feito nenhuma visita ao apartamento dos dois que havia sido o cenário fixo para essa história até então, concentrando tudo o que já aconteceu entre o casal dentro daqueles pequenos e bagunçados cômodos, muitas vezes imundos e cheios de restos de comida. Mesmo assim, foi uma delícia encontrar esses personagens a essa altura já tão queridos, em uma diferente situação durante essa temporada de despedia, alinhados, cheios de tarefas, dispostos e prontos para ajudar no que a irmã de Becks certamente acreditava ser o acontecimento do ano. No caso, o seu próprio casamento. Se Laura nunca nos pareceu uma mulher muito centrada, imaginem ela prestes a subir ao altar e tendo sido mãe recentemente…

A principio, eles foram discretamente deixando o casal mais a vontade fora da sua zona de conforto, mas ainda assim era possível perceber que eles não resolveram abandonar a fórmula antiga da série que sempre deu tão certo, colocando os personagens fora de casa, mas de certa forma limitando o espaço, talvez para nos acostumar aos poucos com a ideia de que existia vida além daquele apartamento. O primeiro episódio por exemplo, começou no quarto de hotel onde o casal havia se hospedado e depois disso, eles permaneceram praticamente apenas nos corredores do mesmo hotel.

Da manhã que antecedia o grande evento, à chegada dos convidados (e consequentemente toda a família da Becky, para o desespero do Steve), até o momento do baile pós cerimônia, acompanhamos momentos excelentes que foram divididos entre todos os personagens, incluindo alguns membros extras que apareceram pela primeira vez e os pais do casal, que nós já havíamos esbarrado em outras ocasiões e que voltavam para desenvolver um pouco mais dos seus plots antigos, como a crush do pai da Becky pela Shelly ou o “espírito livre e aventureiro” da mãe do Steve. Durante esses episódios finais, sobrou para Becky a difícil tarefa de tentar controlar a sua irmã descontrolada por natureza e já para o Steve, acabou sobrando a tarefa de cuidar do noivo, algo que ele não conseguiu executar com êxito já no primeiro episódio, noivo que além de tudo estava sofrendo uma crise existencial, ainda mais quando descobrimos por meio de um beijo daqueles no corredor do hotel que o seu amante homem e bem mais velho (sim, confirmou, Paul era gay, ou pelo menos bi) resolveu aparecer para tentar impedir a cerimônia.

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Além disso, sobrou para o Steve também a tarefa de ter que lidar com a desaprovação de praticamente toda a família da Becky, que nunca foi assim tão fã do rapaz, ainda mais quando ganhamos uma comparativo com a aparição do ex namorado dela, Lee, que para ajudar, além de toda a sua magia (Höy. Mas serei sempre muito mais você, Russell Tovey!) chegava com o combo da perfeição e já era super bem aceito pela família da noiva e sua irmã. De certo modo, Steve acabou levando a culpa por praticamente tudo que deu errado durante o casamento, do sumiço do noivo que voltou completamente bêbado da sua despedida de solteiro, ao seu constrangedor discurso de best man, as vezes meio que sem querer e as vezes por ele ter o talento de se meter em enrascadas sem precisar se esforçar muito.

Dos personagens já conhecidos, tivemos é claro a participação do Dan, que não poderia faltar para essa despedida, ele que acabou sendo responsável por alguns furtos e um apagão durante a festa e a sua Shelly, que além de um bronzeamento artificial dos mais artificialmente possíveis (morro de rir quando lembro que ela era a mãe da Rose em Doctor Who) precisou explodir para colocar o pai da Becky no seu devido lugar, mesmo que para isso ela possivelmente até hoje ainda acredite que foi responsável pela sua morte. (que para ficar bem claro, não aconteceu)

Laura esteve no auge do seu descontrole ao longo de sua festa de casamento que durou todos os episódios dessa temporada e continuou tratando todo mundo com aquela honestidade/grosseria que lhe é peculiar. Isso até que ela acabou descobrindo por acidente o tal caso do seu noivo com outro homem, presente no casamento e é claro que nesse momento ela surtou de vez e partiu para o tudo ou nada, procurando qualquer um para se vingar sexualmente do seu futuro marido, ali mesmo na festa, incluindo o Steve na lista. Aliás, sua vingança por mais que nos doa admitir, foi excelente vai? (#AQUELEQUESEIDENTIFICA #NAOQUEEUJATENHAFEITOAMESMACOISA)

Sempre com uma cumplicidade sem igual, apesar da insegurança do Steve com a presença persistente do ex da Becks, que além de parecer muito mais perfeito, insistia em lhe dar algumas lições de moral (e a cena do confronto deles no banheiro, depois daquele silêncio sem fim em meio a um xixi rápido foi deliciosamente sensacional!), o casal continuou dividindo momentos super fofos juntos, sempre apoiando um a outro, da maneira deles (que de vez em quando inclui colocar o outro em situações constrangedoras, rs), mas ainda assim, sendo fofos como sempre. Mas ainda assim, uma outra surpresa os rondava, ou pelo menos rondava o Steve, que ainda não sabia sobre a gravidez da Becks, que só foi revelada para ele nos minutos finais do próprio series finale. (fiquei super aflito com essa demora. Sério) Só acho que antes disso, mesmo tendo ficado com o prêmio maior, nesse caso, a mulher da sua vida, faltou o Steve ter ganhando uma bela de uma vingança para cima do ex super perfeito da sua amada, porque como todo mundo sabe, vivemos pela vingança! (#TheyLoveTheWayIWalkCauseIWalkWithAVengeance

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E mesmo que essa despedida tenha nos deixado morrendo de saudades do apartamento antigo do casal que não foi visto durante essa temporada final, foi lindo ver uma série como Him & Her, que sempre conseguiu render o improvável com diálogos sensacionais sobre qualquer coisa, além de sempre ter desenvolvido muito bem o nível de intimidade da relação desse casal e seus personagens segundários (achei bem bacana como cada um deles voltou com o seu plot em evidência para essa temporada final), conseguindo encerrar a sua história nos deixando com a sensação de que aquela etapa da vida dos dois já havia sido superada e agora, com a chegada do filho do casal, chegava a hora de começar a pensar em outras coisas, como finalmente arrumar um emprego, nem que para a ideia inicial dessa “necessidade’, essa resolução só tenha aparecido para alcançar o desejo do Steve de comprar um smartphone para baixar um app que o ensine tudo sobre bebês. Sério, #TEMCOMONAOAMAR? (isso e o cuidado dele com ela ao receber a notícia e logo após o mesmo chutando a porta instantes depois de ter descoberto que embora grávida, ainda era possível se comemorar, rs)

Nesse caso, além da saudade que ficamos depois dessas quatro curtíssimas temporadas (detalhe que pode animas quem ainda não assistiu a fazer uma maratona, hein?), ficamos com o sentimento de que baseado na relação de cumplicidade daqueles dois, embora nada convencionais ou exemplos de bons costumes, não resta a menor dúvida de que eles vão acabar se saindo muito bem agora como pais.

Mas para nos despedirmos adequadamente, nada melhor do que com essa trilha sonora aqui

#JÁCOMSAUDADES (♥)

 

ps: nossos outros posts sobre Him & Her: Season 1, Season 2, Season 3

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Looking e o seu começo morno que definitivamente afirma que a série não é a nova “Girls”

Janeiro 29, 2014

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Assim como aconteceu no piloto de Girls, quando percebemos que definitivamente, além de um poster na parede no quarto da Shoshanna e NYC como o quinto personagem da mesma, a nova série não tinha muita relação com Sex And The City a não ser essas inevitáveis semelhanças, em Looking também foi possível sentir logo no começo que a série ainda está bem longe de ser a versão gay de Girls, como muitos estavam especulando e até mesmo divulgando, praticamente da mesma forma que aconteceu no passado em relação a própria SATC com a criação da Lena Dunham.

Seja para se promover ou por qualquer outro motivo, a verdade é que ambas as novas séries acabaram sendo beneficiadas de alguma forma com essas comparações (prejudicadas também, para ser mais honesto), mas fato é que ambas também conseguiram se distanciar do estereotipo que de certa forma já era esperado para os dois projetos. Nesse cenário, Girls conseguiu se dar melhor logo de cara, se distanciando rapidamente de algo que com o tempo, poderia acabar sendo prejudicial para a série, que descobrimos rapidamente ser tão bacana e porque não dizer até que bem original, focando em quatro personagens de uma faixa etária que não estamos muito acostumados a ver na TV. Pelo menos não com tamanha honestidade, como desde sempre encontramos no excelente texto da nova série.

Mas em Looking, a coisa foi um tanto quanto diferente, apesar de até agora termos assistido apenas os primeiros dois episódios da série. De forma lenta, pouco interessante e extremamente morna, fomos apresentados aos seus personagens, que já se diferenciam das meninas de Girls logo de cara pela questão da faixa etária do grupo, sendo dois deles mais jovens, também na faixa dos 20 e poucos anos e encarando os anos pós faculdade e um deles mais velho, ainda decepcionado pelo fato de não ter se tornado quem ele gostaria de ser, quase como se representando um possível futuro para os outros dois.

Como personagem principal temos Patrick (Jonathan Groff), que trabalha com algo do tipo design de games (na verdade, parece que ele só cuida do design dos personagens, se é que isso é um detalhe relevante, rs), que apesar da idade, de já ter se formado e estar com a sua vida financeira aparentemente em dia (diferente da Hannah em Girls, por exemplo), ainda parece ter pouca prática em relação a suas aventuras amorosas. Algo que fica um tanto quanto confuso, porque durante o piloto por exemplo, é dito que ele não é do tipo que já namorou por muito tempo e todos os seus relacionamentos duradouros na verdade não duraram quase nada, mas já no segundo episódio, eles voltam atrás e tentam pintá-lo como o “virjão” da turma, ainda em fase de crescimento e aprendizado, sem muita intimidade com o tipo “gola rolê” (rs), em uma espécie de laboratório com seus outros dois amigos que demonstram ter muito mais experiência no assunto do que ele.

Dividindo apartamento com Patrick, pelo menos até o segundo episódio, onde ele acaba se mudando para a casa do namorado, temos Agustin (Frankie J. Alvarez), que tem uma alma de artista mais livre, do tipo que gosta de experimentar e talvez por isso, não tenha acontecido o menor drama quando ele e seu atual namorado resolveram encarar um ménage com um personagem qualquer que acaba aparecendo na série. Sem a menor culpa e sendo acordado e bom para os dois lados, ambos seguem vivendo juntos durante a sequência do piloto e é possível imaginar que para o casal sobre a dinâmica da dificuldade de dividir a vida, seu espaço e sua rotina as vezes (o equivalente a quase sempre para pessoas normais) não tão interessante assim com o outro.

Dom (Murray Bartlett) é o terceiro elemento desse trio, mais velho (e muito, mas muito mais magia. Höy!), ele que atualmente ainda se encontra trabalhando como garçom na cidade de São Francisco (que é a NYC nesse caso), estando ainda completamente distante do seu sonho de ser uma outra pessoa, principalmente profissionalmente, além de continuar repetindo os mesmos erros do passado, usando o sexo como sua maior arma para tentar fugir dos seus problemas. Em casa, o personagem vive ao lado de uma ex, com a qual ele mantém uma relação bem bacana de cumplicidade e intimidade.

Até aqui tudo bem, os personagens podem até não ser dos mais curiosos, pelos menos a primeira vista, mas ainda assim não são o maior problema da série para justificar a temperatura tão morna desse começo de temporada. Talvez o maior problema nesse caso tenha sido mesmo a questão do texto, que não é dos mais surpreendentes ou animadores e em determinados momentos, apesar de também carregar uma honestidade bacana, acaba soando bastante como arrogante e até mesmo preconceituoso, apesar de não fugir muito da realidade do que se conversa entre amigos normalmente. Nesse momento, não estamos falando de uma falsa moral ou qualquer coisa do tipo, mas é preciso reconhecer que essa talvez não tenha sido a maneira mais eficaz para a série nos apresentar seus personagens, que além de tudo, ainda não apresentam grandes dramas, frustrações e ou qualquer coisa do tipo e parecem estar apenas mesmo “a procura”, inclusive da sua linguagem, que ainda não conseguiu ficar bem clara nessa introdução a série. Ou talvez ela só não seja tão bacana mesmo…

Nesse caso, Looking acabou se prejudicando ao se distanciar tanto assim de um produto como Girls, de onde poderia até retirar algumas referências sem transformar a série em um pouco mais do mesmo e até mesmo de suas antecessoras na temática gay, como Queer As Folk, que a essa altura já pode até parecer meio datada (estava assistindo um dia desses, e realmente, a série ficou super datada), mas mesmo assim tinha uma volume de linguagem sexual bem parecido com a nova série (que até nisso ficou devendo, vai?) e conseguia ser bem mais interessante, assim como Will & Grace, essa segunda, de onde eles poderiam ter se inspirado um pouco mais na questão da linguagem do humor da série, embora Looking tenha mais aquela cara de dramédia do que qualquer outra coisa.

De qualquer forma e apesar de ainda conhecermos pouco de seus personagens, a sensação que fica é a de que Looking ainda está nos devendo alguma coisa e para facilitar, isso não poderia ser creditado a esse ou àquele problema. Para a nova série realmente se tornar interessante, ainda falta profundidade, um pouco mais de honestidade e menos superficialidade, talvez. Sexo, uma linguagem explícita, liberdade sexual, tudo isso nós já sabemos que faz parte da vida de muitas pessoas, sejam elas gays ou não. O que falta mesmo aqui é algo mais, é conseguir despertar o interesse para uma série nova que poderia entregar muito mais do que personagens que estão apenas “a procura”, algo que pode muito bem acabar apenas no limbo da diversão e se distanciar muito de uma procura por eles mesmos, algo que poderia ser bem mais interessante e que poderia ajudar um pouco a fugir de um estereotipo gay já até ultrapassado, ainda mais se tratando de uma série que não nos traz o conflito de personagens saindo do armário e coisas do tipo e sim uma série real sobre a vida de personagens homens gays que vivem em São Francisco.

Veremos…

 

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Sherlock, parte 3

Janeiro 22, 2014

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Quase dois anos de espera (sim, o terceiro episódio da Season 2 foi ao ar em 15/01/12), apenas mais três episódios de uma hora e meia de duração cada e mais uma temporada sensacional de Sherlock. SENSACIONAL! Com a desculpa da agenda concorridíssima de suas duas maiores estrelas (Cumberbatch + Freeman), que agora também parecem que foram finalmente reconhecidos em Hollywood, tivemos uma longa espera para o retorno de uma das melhores séries britânica. Eu diria até que a melhor série indeed no ar hoje, mesmo ficando com os meus dois corações apertados por conta do meu amor incondicional por Doctor Who. Mas podemos dizer que valeu a pena, não esperar, porque essa espera longa demais é sempre uma covardia covarde, mas o fato de aguardarmos tanto tempo para receber de presente três episódios como esses, acaba compensando qualquer coisa. Mas que a gente gostaria que fossem mais (não 22 como na America antiga, mas uns 6 pelo menos?), a gente bem que gostaria.

Para essa temporada, começamos com a notícia velha de que “#SHERLOCKLIVES”. Velha porque para a sua audiência, no final da Season 2, o próprio já havia aparecido e com isso, a dúvida da sua morte já não mais existia e o que a gente gostaria mesmo de saber era como isso foi possível, uma vez que vimos o próprio pulando do telhado de um prédio, de frente com o Dr Watson, para o seu (e nosso) total desespero. Mas restava esclarecer esse pequeno detalhe e nessa hora, ganhamos um episódio cheio de possibilidades, que brincou com a mente de sua audiência mostrando diferentes cenários para o mesmo crime, nos dando algumas opções para o ocorrido, todas muito bem pensadas por sinal, meio exageradas até e algumas com um toque de humor inglês que é sempre bem vindo, como a possibilidade criada por uma de suas fãs (a Ray de My Mad Fat Diary), imaginando uma história de amor entre Sherlock e Moriarty, que foi divertidíssimo e totalmente inesperado. (com direito a uma quase beijo, olha só!)

Mas além desse esclarecimento, restava ao Sherlock a tarefa de enfrentar o grande amor da sua vida (sejamos sinceros, eles se amam, de uma outra forma, mas todo mundo sabe disso), seu amigo e companheiro que havia passado esse tempo todo de luto, Watson, acreditando na morte do parceiro e obviamente, sofrendo e muito por isso. E quando finalmente chegamos ao momento do confronto, novamente recebemos de presente o alívio cômico da série, com uma briga no melhor estilo dramalhão mexicano, com o Sherlock recorrendo ao humor para surpreender o amigo com a notícia de que estava vivo e Watson enlouquecendo, partindo para cima dele por mais de uma vez, em cenários diferentes, em um misto de drama e pastelão muito bem executado, com espaço para diversas piadinhas a respeito da nova tentativa de estilo do próprio Watson, que a essa altura havia adotado um bigode bem do meio assim durante esse período de luto.

Como novidade, ganhamos uma personagem a mais para essa relação já tão conturbada entre os dois, Mary (Amanda Abbington), que havia roubado o coração do Watson, de quem ela estava noiva e Holmes teve que amargar ter perdido esse momento da vida do amigo. Claro que para aguentar um Sherlock presente em boa parte de sua vida por conta da sua relação com Watson, Mary precisava ser uma mulher bem humorada e que tivesse coragem de dizer algumas verdades para o Sherlock que pouca gente teria, além de uma petulância natural em enfrentá-lo de vez em quando, discordando do seu ponto de vista e ou acrescentando detalhes perdidos pelo detetive. Apesar de extremamente doce e de ter uma relação com aparentemente zero problemas com Watson, já nesse primeiro encontro entre os três, quando o detetive fez sua primeira leitura sobre a Mary, uma série de palavras pipocaram na tela e entre elas estava “liar”, que coincidentemente foi o que me chamou a atenção e me fez voltar a cena para ver se eu tinha visto direito. Além disso, um olhar mais demorado e de leve desconfiança do próprio Sherlock em relação a escolhida do seu amigo em um determinado momento chegou a chamar a atenção para quem assim como eu, é mais apegado a esse tipo de detalhe. Mas nada que nos denunciasse qualquer outra coisa. Pelo menos por enquanto.

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O bacana desse primeiro episódio da Season 3 é que fomos muito bem representados pelo fandom do Sherlock na própria série, que inconformados com a sua “morte’, se mobilizaram para imaginar as tais possibilidades para o que de fato pudesse ter acontecido no telhado daquele prédio, com a diferença de que na série, eles foram mais fundo e acabaram sendo os próprios responsáveis pelo caso da vez, em uma tentativa desesperada porém bastante inteligente para despertar a curiosidade do detetive do “mundo dos mortos”

Seguindo com a temporada, ganhamos o episódio mais divertido da série até hoje, ele que foi também responsável pela confirmação de que essa seria a temporada mais bem humorada da série e isso ficou por conta do dia em que o Dr Watson se casou com a Mary e resolveu chamar o Sherlock para ser o seu padrinho. Muito provavelmente em uma tentativa de humanizar um pouco mais o personagem, ganhamos um Sherlock visivelmente mais leve ao longo dessa Season 3, talvez pela culpa de ter forjado sua própria morte e ter permanecido tanto tempo longe do seu amigo (e consequentemente de todos nós). Amigo que ao escolhê-lo como padrinho, acabou assumindo que ele era sim o seu melhor amigo, para total desespero do personagem, que não é tão genial quanto parece quando o assunto são sentimentos de verdade e não um detalhe prático qualquer.

Aqui, ganhamos um Sherlock talvez pela primeira vez se dando conta da importância da sua relação com aquele homem, se sentindo realmente querido por alguém e nesse hora, o mesmo não pensou duas vezes ao assumir o posto de melhor amigo (quer dizer, até pensou duas vezes sim e ficou tão surpreso com o convite que chegou até a tomar um “chá de olho”. Sério), entrevistando severamente alguns dos convidados principais da festa e fazendo um breve levantamento sobre todos eles, com direito a mapa na parede do tipo Homeland e um Sherlock fofíssimo e comportado sentado no chão, dobrando guardanapos no formato do Sydney Opera Hall, confessando que alguns de seus talentos descobertos recentemente (como dobrar guardanapos em formatos exóticos) vieram de suas também recentes excursões a tutoriais no Youtube.

Além de extremamente cômico e de ter assumido o volume de humor da temporada, esse também foi um episódio complexo, com algumas voltas no tempo para antes do casamento e de quebra, a inclusão de um caso sem solução que havia lhes chamado a atenção enquanto Watson tentava fugir de sua noiva e um Sherlock organizador de festas, envolvendo inclusive um personagem do passado do próprio, relembrando mais uma vez os seus tempos de guerra, além também de algumas memórias de casos divertidíssimos da trajetória dessa dupla que não tivemos a chance de acompanhar. E e tudo isso em um cenário lindo, com cara de casamento que a gente adoraria ter sido convidado e até teria comprado presentes bons.

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Mas se esse foi definitivamente o episódio que estabeleceu o humor da série para essa temporada e o assumiu como a sua maior arma nesse momento, ele também foi uma dos mais fofos para a mitologia da série. Do momento já mencionado, com o Sherlock congelado no tempo ao ouvir o convite para ser o padrinho do Watson e consequentemente, que ele era o seu melhor amigo (algo que provavelmente ele nunca imaginou conseguir ser para alguém), ao momento do discurso preparado tragicamente pelo próprio Sherlock, que no final das contas, conseguiu salvá-lo muito bem, entre esses dois momentos, tivemos as melhores declarações de amor entre ambos os personagens, do tipo que consegue te deixar com aquele nó na garganta, mesmo vindo na sequência de uma série de verdades e ofensas ditas pelo Sherlock himself, claro.

É claro também que como Sherlock apesar de ter se assumido um pouco mais como uma séria também cômica, basicamente sobrevive (além de todas as suas qualidades, que não são poucas) do suspense, como resolução para essa primeira e provavelmente única vez do Sherlock como padrinho, ganhamos uma espécie de jogo como “detetive” em pleno casamento, com um Sherlock enlouquecido tentando resolver o crime da vez, eliminando possibilidades e mais uma vez utilizando do recurso da tipografia, que a essa altura, já faz mais do que parte da identidade da série.

Identidade essa que continua sendo fielmente mantida, com todo o fundamento que aprendemos a admirar e reconhecer na série desde suas primeiras temporadas (Season 1 e Season 2), com uma fotografia excelente, recursos tipográficos que nos ajudam a compreender  o que está acontecendo em cena e ou na cabeça do próprio Sherlock (em seu “palácio mental”), além daquele olhar super bacana que eles sempre escolhem para nos ilustrar uma cena. E tudo isso pertencendo muito bem dentro desse universo, sem nos deixar com a impressão de que eles estão apenas se “exibindo”, como é bem possível reconhecer a quilômetros de distância em séries do tipo procedural mais endinheiradas.

Detalhe que nesse episódio, antes de se dar conta que apesar do amor que conseguiu sentir naquele momento, ele continuava sozinho (a cena dele reconhecendo essa fato na pista de dança é linda e a prova de que Sherlock jamais ficaria sozinho em uma pista de dança veio logo depois, com o Cumberbatch dançando animadamente ao lado do Fassbender. Confirmou!), antes de deixar a festa e a sua valsa como presente para os noivos (um detalhe lindíssimo por sinal), tivemos um momento clássico com mais uma vez o Sherlock sendo sincero demais e falando o que não deveria, revelando ao casal que eles além de recém casados, estavam também grávidos e nesse momento, por mais uma vez ganhamos um olhar um tanto quanto demorado demais em relação ao próprio e a Mary, algo que de certa forma me despertou a possibilidade de que ele tivesse enxergado algo mais nela naquele momento. Mas até aqui, tudo isso poderia ter sido apenas uma impressão minha.

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Até que partimos para o grande final dessa temporada, que apesar de ter nos apresentado um novo vilão (Magnussen), sem ter nos demonstrado exatamente qual era a sua magnitude, tivemos uma perfeita amarração entre as histórias dos outros dois episódios, que de alguma forma, estavam todas atreladas para o desenrolar dessa terceira temporada da série inglesa. Um episódio absolutamente sensacional para uma temporada que havia começado pela morte ficticia do prório Sherlock e que voltava para o seu encerramento nos propondo o personagem de fato enfrentando algo bem próximo da morte de forma real, nos fazendo passar boa parte dele dentro do seu próprio palácio mental, onde descobrimos até a sua zona de conforto, que atendia pelo nome de barba ruiva . (Confirmou! Sherlock é dos nossos)

Sim, nele e corajosamente bem antes da sua metade, tivemos Holmes enfrentando a morte de perto, ao ser baleado no peito por ninguém menos do que a própria Mary do seu Watson, ela que também tinha alguma relação mal resolvida com o vilão da vez que parecia saber de tudo por uma espécie de Google Glass (mas que na verdade, não era exatamente isso), para a surpresa de todos, mas acho que podemos afirmar nesse momento que ninguém ficou mais surpreso do que o próprio Sherlock nesse caso. (eu pelo menos matei na hora em que eles mencionaram o perfume. E que propaganda hein? Dior, Chanel, Prada…)

E mais uma vez, foi lindo ver como a relação desses dois personagens principais é baseada na lealdade (palavra importantíssima na minha own vida ultimamente… tisc tisc), com a Mary ameaçando o Sherlock em relação a ele revelar para o Watson que ela havia atirado no mesmo e ele imediatamente arquitetando uma instalação artística com direito a projeções gigantescas e alguns truques para arrancar a sua confissão diante do agora marido Watson, para o total desespero da personagem.

Nesse hora, eu só não gostei muito dos mind games envolvendo a parcela de culpa do Watson por sempre escolher “o errado” para se aproximar em sua vida, tão pouco a questão daqueles petelecos todos na cara envolvendo o vilão da vez na cena final. Achei que para o personagem, esse detalhe não coube tão perfeitamente, algo que caberia muito melhor para alguém com um nível de arrogância tão avançado quanto o Sherlock, por exemplo. Mas ainda assim, temos que aceitar que de vez em quando, a gente é quem realmente atraí esse tipo de coisa para nossas vidas, infelizmente, algo que todos nós sabemos que é uma verdade e talvez por isso deixamos passar na série.

Apesar de ter desmascarado a Mary, não ficou claro suas verdadeiras intenções naquele momento em relação ao crime, tão pouco o que o tal Magnussen sabia a seu respeito a ponto de colocá-la naquela posição de assassina. Algo que a própria resolveu tentar esclarecer mais tarde, deixando um pen drive com o próprio Watson, contendo a sua verdeira identidade e história. E novamente, apesar também de ter encontrado algumas falhas nessa relação de amor, onde acabou ficando muito mais claro o grau de envolvimento do Watson com essa relação, quando ele resolveu jogar o pen drive no fogo e esquecer o passado da futura mãe de sua filha (sim, a chance maior segundo ele mesmo é que seja menina) do que em relação a própria Mary e o seu envolvimento com o atual marido. Mas ainda assim, foi bem bonitinho o Sherlock promovendo uma excursão no natal  até a casa dos seus pais (que haviam aparecido em um outro momento da temporada), na tentativa de demonstrar para o casal em crise do momento um outro tipo de relação que eles poderiam se inspirar em ter e tudo isso com direito a um Mycroft amargo de companhia e odiando o natal, além do novo protegê do próprio Sherlock, um viciado que ele acabou conhecendo na “cracolândia”, onde o personagem passou a viver por uns tempos logo depois do casamento do seu melhor amigo (fazendo uma piada ótima em relação ao seu vício em drogas, que estava um tanto quanto adormecido), e talvez esse detalhe tenha nos dado uma pista de que ele não estava se sujeitando a drogas naquele lugar apenas pelo caso da vez e sim para tentar se livrar da dor de ter perdido o homem da sua vida, não? rs

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Mycroft também apareceu em momentos importantes ao longo dessa Season 3, dentro do tal “palácio mental” do Sherlock, dando dicas importantes em relação ao seu comportamento e além disso, dividiu também um momento super fofo com o irmão, com ambos tentando esconder da mãe o fato de que estavam fumando do lado de fora da casa e o próprio Sherlock tentando incriminá-lo na maior cara de pau, como duas pessoas absolutamente comuns (que é bom lembrar de vez em quando que eles são). Outro ponto de extrema doçura ao longo da nova temporada aconteceu quando acabamos dando de cara com a memória do Sherlock criança, revelando um pouco mais da fragilidade do personagem, assim como aquela cena fortíssima (e linda) que encerrou o episódio, com ele criança se rendendo em meio a todos aqueles homens armados.

Em termos de crítica, podemos dizer que a atenção dada ao lado cômico da série não foi a mesma para a questão do suspense, que apesar de também ter sido muito bem executada como sempre, acabou ficando um tanto quanto mais fraca em relação as grandes resoluções (as maiores delas, tipo o caso da Mary e o que fazer com um vilão como o Magnussen), que foram um pouco mais óbvias ao longo dessa temporada. Não sei se foi a saudade da série e o longo tempo que tivemos que aguardar para o seu retorno, mas digamos que dessa vez, as pistas deixadas ao longo dos episódios foram mais óbvias ou pelo menos mais fáceis de se perceber. Será que é porque a essa altura, já estamos muito mais bem treinados?

Dessa vez, não tivemos uma grande revelação e ou grande plot dramático para encerrar a temporada e sim um Sherlock assumindo o posto de vilão para se afirmar como o grande herói da vez. E tudo isso baseado no sentimento que ele tem em relação ao melhor amigo Watson, que agora se estende para a sua “executora”. Uma resolução sentimental, que ainda nos trouxe uma despedida linda e novamente muito bem humorada entre os dois melhores amigos, com direito a um Sherlock tentando a qualquer custo que o amigo batizasse seu filho com o seu nome, inclusive se fosse uma garota. Mas essa despedida ainda trazia um gostinho muito mais amargo, com o detetive seguindo para uma espécie de exílio, onde segundo o próprio irmão database Mycroft, ele não duraria muito.

Até que no último momento, fomos surpreendidos com uma imagem que ecoava em todas as TVs da terra da rainha, com alguém importante perguntando se estávamos com saudades. Alguém que era ninguém menos do que o próprio Moriarty, a princípio apenas como uma espécie de GIF animado, mas quem aguardou até o final dos créditos como bem fez questão de lembrar o locutor, pode conferir a sua versão em carne e osso. Agora não me perguntem como é que eles vão conseguir explicar como Moriarty não morreu (e a gente sabe que eles vão conseguir), porque isso nós só saberemos durante a próxima temporada da série, que já faz tempo que tem feito por merecer cair no gosto do público, hein?

E eu sinceramente não consigo acreditar em como é que uma série com todas as qualidades de Sherlock, consegue passar tão batido em toda e qualquer premiação de TV fora da terra da rainha. Suspeito que esse mistério nem o próprio Sherlock consiga explicar. Mas que merecia ser reconhecida também por isso, merecia…

 

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Homeland e a temporada que poderia ser o seu fim (e talvez tenha sido)

Dezembro 27, 2013

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Homeland não é mais a mesma desde a sua Season 2, que já não havia sido tão boa assim. Não tão boa como sua temporada de estreia, essa até então insuperável para a série. Começamos de forma excelente, com uma das melhores tramas da TV atual, tensa, cheia de reviravoltas e absolutamente corajosa ao colocar um dos maiores medos dos americanos em jogo, colocando um ex-militar agora terrorista assumido em uma posição que ninguém esperava, despertando inclusive alguns sentimentos importantes naquela que estava a frente do seu caso e que parecia entender a sua mente como ninguém, talvez a única. Mas esse foi apenas o seu começo, quando ainda estávamos conhecendo seus personagens, decidindo para que lado torcer, mesmo sabendo que apesar do arrependimento, Brody tinha sim sua parcela de culpa e em algum momento precisaria pagar por tudo aquilo que fez, quase fez e ou considerou fazer, mesmo com o personagem não tendo o menor sossego ao longo das duas primeiras temporadas da série.

Em sua segunda fase, ainda aproveitando a fama de novo herói americano, tivemos Brody assumindo uma posição política de prestígio, irritando ambos os lados, tanto a segurança americana, que apesar de gostar do bom exemplo que o militar poderia se tornar aos olhos da sociedade e o quanto eles ainda poderiam lucrar com essa história, tanto com o lado terrorista da trama, que se encontrava irritadadíssimo com a traição do personagem, mesmo que ela nunca tenha sido totalmente assumida e quando tentado, em diversas vezes ele tenha sido balançado pelos dois lados dessa história de mocinhos não tão mocinhos e vilões não tão vilões, onde todos dividiam alguma parcela de culpa.

Até que no final da segunda temporada algumas posições foram assumidas definitivamente, com mais aquele ataque terrorista pavoroso, além da divulgação do vídeo antigo feito pelo próprio Brody, assumindo qual era o seu lado naquele momento (a essa altura, quando resolveu gravar o próprio vídeo e estava convicto que os americanos eram os inimigos), embora essa já não fosse mais exatamente a sua realidade. Naquele ponto da história, com Brody seguindo um destino incerto de fugitivo, meio que sem querer, Homeland havia praticamente decretado sua sentença de morte, porque seria pouco real o personagem acabar perdoado por todo um país, uma vez que suas intenções nem sempre foram as melhores possíveis, mesmo porque, seria bem difícil todo mundo esquecer que aquele homem esteve bem perto de se explodir juntos com alguns lideres importantes em um determinado ponto da história.

Quando a Season 3 começ0u, essa já sem a presença de Abu Nazir, o temido inimigo por duas temporadas que a essa altura já se encontrava morto, suspeitamos que boa parte da temporada acabaria girando em torno da fuga do Brody e a Carrie tentando portegê-lo a qualquer custo, afinal, agora tratava-se do homem da sua vida. Mas não foi exatamente o que encontramos. Aliás, não encontramos Brody por boa parte da nova temporada e quando esse encontro finalmente aconteceu, passamos um episódio inteiro sem entender exatamente o porque dele estar onde estava, sendo tratado como estava sendo tratado, uma vez que parecia que ele estava sendo vigiado como prometido e tudo aquilo nos levava a crer que ele não se encontrava naquelas condições a toa. Nessa hora, apesar da saudades que sentimos do ruivo mais vira casaca em solo americano, sentimos que acabou sendo um pouco demais um episódio inteiro focado no personagem daquela forma, sem maiores explicações e ou justificativa além da saudade e da atuação sempre sensacional do Damian Lewis. 

Carrie continuou bipolar, transando com dopplelgangers ruivos apenas para passar o tempo, ainda a frente de uma outra investigação, a do novo terrorista mais procurado do velho oeste. Esse tão impiedoso quanto Nazir, capaz de matar a ex mulher e a nora com requintes altíssimos de crueldade na frente do próprio neto, mas que logo depois, ao ser preso e obrigado pelo Saul a trabalhar a favor da segurança americana, acabou perdendo todo a força da sua vilanice. Esse inclusive talvez tenha sido um dos pontos mais fracos dessa atual temporada, porque todos os novos inimigos não tiveram muito tempo para se estabelecer como os grandes inimigos da vez e faltou credibilidade nessa área para que a gente acreditasse que aquelas pessoas realmente estavam dispostas a acabar com todos e com tudo em 3, 2, 1. 

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Sem o Brody por perto, Carrie também perdeu bastante da sua força, mesmo permanecendo lindamente (graças ao talento da Claire Danes) durante boa parte da temporada presa em uma clínica e se submetendo a um tratamento pesado em relação a sua doença, uma vez que seus patrões agora já estavam cientes de sua condição bipolar, em cenas de tortura e desespero bem boas, mas que também perderam sua força quando descobrimos que tudo aquilo havia sido uma ideia em parceria com o Saul e que todos eles estavam cientes de que tudo aquilo não passava de uma encenação, apesar dela ter realmente se submetido a tudo aquilo fisicamente.

Por falar em “fisicamente”, Carrie ainda não parecia estar nada bem, apesar de não ter sofrido nenhuma grande crise ao longo dessa fraca Season 3, mas ficou bem claro que ela não estava tão equilibrada assim quando nos deparamos com sua gaveta repleta de testes de gravidez guardado na mesa de cabeceira ao lado de sua cama. Sério, não tem que se fazer xixi naquele palitinho para sair algum resultado? Então: EW!

E apesar do amante doppelganger (AMEI ela roubando dinheiro do cara sem a menor culpa), estava na cara que aquele filho era mesmo do Brody e ficamos aguardando ansiosamente pelo momento em que ela enfim contaria para o amor da sua vida (pensando friamente e esquecendo que o amor acontece e a gente não tem muito controle sobre ele, acho tão estranho alguém como ela, profissionalmente falando, acabar completamente apaixonada por um homem como ele, mas talvez isso tenha acontecido porque ele era tão bipolar quanto ela em termos de opiniões ou lados a se seguir), algo que só foi acontecer mesmo no final da temporada, quando ambos os personagens finalmente tiveram alguns poucos momentos juntos para discutir mais uma vez essa relação.

Em meio a tudo isso, perdemos um tempo enorme dessa nova temporada com plots políticos envolvendo o cargo do Saul (Zzzz) e os demais que estavam de olho em sua posição, além da sua relação com a própria mulher e um colega de trabalho esquisito, assim como com a família Brody, que a gente não aguenta desde a Season 1 e que permaneceu bastante presente ao longo dessa nova temporada, para o desespero de todos. Mãe e filho a gente até poderia aguentar em doses leves, aparecendo de vez em quando como meros figurantes, mas o difícil mesmo foi tentar acompanhar todo o drama da Dana (sempre ela!), que talvez seja a personagem mais odiada da TV atual apenas por existir, com a adolescente agora com o peso de uma tentativa de suicídio nas costas, se envolvendo mais uma vez com o tipo errado (plot super repetitivo para a mesma, vai?), decidindo mudar de nome e tentar uma nova vida longe de tudo e de todos. Tão longe que dizem que ela não volta mais para a próxima temporada (AMÉM!), assim como sua mãe, que também não fará a melhor falta e ao final dessa Season 3, passamos a entender melhor o porque além da nossa implicância com esse núcleo na série, claro. (do moleque eles nem falaram nada porque talvez tenham esquecido da sua existência). Como mais uma distração para essa temporada arrastada e cansada de Homeland, ainda tivemos a Carrie sendo baleada pelo Quinn a mando de seus superiores, ele que também não teve o menor destaque na trama, mas que de vez em quando denunciava que tinha certa “preocupação” exagerada pra cima da Carrie. Estamos de olho, Quinn. (sem contar a historinha da nova assistente do Saul, que acabou meio que abandonada no meio do caminho)

Até que chegamos ao final da temporada, onde finalmente o Brody voltou a ser o centro das atenções (para ser justo, nos dois últimos episódios pelo menos), novamente assumindo seu papel dúbio de sempre, virando herói no lado inimigo (colocando a cara na imprensa local e tudo mais)  mas ainda trabalhando para os americanos na surdina, que deixavam bem claro a todo tempo que não confiavam nele e tão pouco tinham grandes intenções de tirá-lo daquela enrascada. No meio de muita correria e um Brody assassino conseguindo sair de um prédio repleto de seguranças da forma mais fácil desse mundo, incluindo uma caminhada pelas ruas e o pedido para o motorista lhe dar seu celular, uma vez que ele poderia sacar uma bazuca do bolso a qualquer momento e acabar com aquela palhaçada pouco convincente, ainda tivemos alguns momentos para Carrie dividir com o ruivo, incluindo a confissão da sua gravidez. 

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Mas desde o começo do episódio, ganhamos uma Brody distante, pensativo, melancólico, perturbado demais pelos seus atos, olhando demais para o horizonte, algo que já denunciava o que estava por vir, mesmo porque, já não lhe restavam muitas alternativas a essa altura. E quando Carrie achou que voltaria para a america antiga com o assassino mais procurado do mundo em seus braços para anunciar a sua gravidez no sofá da Oprah (eu sei que ela nem tem mais aquele sofá, mas bem que poderia vai?), em um plano arquitetado pelo lado inimigo (dos dois lados), ganhamos a notícia de que Brody não voltaria e que seria julgado e possivelmente executado em praça pública. Boom. (tá, ele não se explodiu, mas valeu como efeito dramático)

Uma cena que não tinha como não funcionar, como ele preso a um guindaste, sendo levantado pelo pescoço (com uma cara medonha e super realista, não?) e uma Carrie, mulher, branca, com cara de americana, gritando seu nome aos berros em meio a uma população sedenta pela sua cabeça, foi algo que acabou tirando toda a credibilidade da cena e teria sido muito mais impactante se naquele momento, Carrie tivesse sofrido calada, sem poder esboçar uma reação maior, coisa que sabemos que a Claire Danes sabe fazer como ninguém com seu queixinho trêmulo e tudo mais.

Avançando quatro meses após a execução do segundo personagem mais importante de toda a mitologia de Homeland (talvez o mais importante deles, porque toda a história girava em torno do que Brody havia passado/feito até então), encontramos Saul comemorando os avanços políticos frutos dessa operação, mesmo estando longe do comando e a Carrie sendo promovida, ainda grávida, com medo, dizendo que não estava pronta para ser mãe e visivelmente assustada com tudo aquilo. Desse final com cara de series finale, a emoção valeu mesmo por conta da estrelinha que ela mesmo fez questão de desenhar naquele painel (own!), algo que os americanos (com alguma razão) se recusaram a fazer em  nome do Brody, mas que ela achou que seria justo e fez ela mesmo.

Encontrando um final de temporada como esse, que nos tirou completamente o chão e não deixou muitas alternativas para o que poderá acontecer com a série daqui para frente, fica difícil acreditar que eles não acharam que aquela seria a reta final de Homeland e se de repente, o Showtime não resolveu renovar a série tarde demais. Se não foi isso, nada justifica uma final tão anticlímax como esse, que nos deixou pouco para continuar se interessando pela série daqui para frente. O que teremos agora? O drama da relação Saul e sua mulher não muito fiel? Carrie criando o filho quadripolar com o pai e a irmã? Dana voltando na Season 5 como a mulher bomba da vez?

Seja lá o que for, com esse final, Homeland se arriscou alto e talvez sofra as consequências em breve. Agora só falta dizer que o Brody não morreu e que aquele enforcamento não passou de um truque de ilusionismo. Imagina?

 

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A temporada menos política e mais comédia romântica de The Newsroom

Dezembro 26, 2013

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No passado, com uma história política bacana que conseguia brincar com fatos reais e importantes para o mundo todo (alguns mais, outros menos), The Newsroom chegava para se firmar rapidamente como uma das melhores novidades da temporada. Apesar de séria, ela também conseguia brincar com o lado “comédia romântica” da coisa, algo que algumas vezes até nos fez torcer bastante o nariz, mas logo conseguimos reconhecer que a nova série tinha um potencial que ia além desse detalhe muitas vezes irritante. Mas acima de qualquer coisa, The Newsroom ainda chegava com a assinatura do Aaron Sorkin (gostaria de saber como anda o projeto dele com o John Krasinski a respeito do Chateau Marmont, do qual nunca mais se ouvir falar nada…), o que por si só já nos fazia ter algum interesse e ou esperança em relação a nova série.

Entre altos e baixos em sua Season 1, eles até conseguiram um saldo bastante positivo em relação ao que não foi tão bacana assim durante a temporada, conseguiram brincar lindamente entre o campo dos fatos reais que se mesclavam com a história do mundo e ainda conseguiram manter um nível bem bacana mesmo na parte “cômica romântica” da questão. Apesar de qualquer coisa, era fácil conseguir reconhecer que a força maior da série estava mesmo no lado político da história, tanto pela crítica em relação a qualquer assunto delicado do passado (a série começa em alguns anos atrás e ainda não chegou aos dias atuais, mas agora já está bem perto disso, algo que eu acho preocupante…), quanto pela postura adotada pelo seu texto impiedoso e recheado de argumentos prontos para defender o seu ponto de vista ferozmente (mesmo colocando o seu protagonista como pertencente ao grupo do outro lado da força). E assim eles fizeram ao longo de sua temporada de estreia, onde em diversos momentos, apesar de nos sentirmos um tanto quanto perdidos de vez em quando na questão política quando o assunto em questão era algo mais voltado a realidade do povo americano e não em relação a assuntos que faziam de alguma forma parte do resto do mundo, The Newsroom conseguiu inclusive nos emocionar por diversas vezes, mostrando principalmente um lado quase que poético de se fazer jornalismo na TV, algo que certamente deve ter sido inspirador para quem divide a mesma profissão, apesar de pouco real e talvez um tanto quanto distante demais da realidade.

Pois nessa segunda temporada, acabamos esperando um pouco mais do mesmo, pelo menos da parte boa que conseguimos encontrar ao longo do começo dessa história, mas parece que eles resolveram inovar e a proposta para essa segunda temporada acabou sendo um tanto quanto diferente. Talvez por terem queimado cartuchos importantíssimos ao longo da primeira temporada em relação a notícias de importância mundial (pensando no volume de assunto que foram tocados durante a Season 1, é fácil reconhecer que na atual temporada, tivemos um volume bem menor de histórias e ou fatos políticos relacionados a série), ou apenas para realmente tentar algo novo, The Newsroom resolveu manter apenas um plot central em evidência ao longo da temporada, mantendo a maior parte de sua Season 2 centrada em um caso baseasdo em um erro jornalístico, uma entrevista incriminadora forjada, pela qual a equipe de McAvoy acabou sendo julgada como responsável. Um plot também bastante atual de certa forma, envolvendo questões políticas fictícias mas não tanto assim, como o uso de gás sarin em civis a favor do exército americano em batalha.

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Nesse caso, eles acabaram presos durante muito tempo dentro de uma única questão, deixando um pouco mais de lado os assuntos políticos diversos que foram tão bem explorados ao longo da Season 1 e que nós reconhecemos logo de cara como o grande forte da série. Mesmo deixando tudo isso de lado, The Newsroom conseguiu se manter como uma série interessante, até que o assunto acabou se tornando massante demais, mesmo porque, apesar de só terem nos revelado o que realmente havia acontecido com a tal reportagem forjada bem próximo do final da temporada, havia uma desconfiança geral de que o novato na equipe (sim o irmão magia nerd da Old Christine), aquele que estava de olho no cargo do Jim, estava mais do que envolvido na questão toda e não os demais membros antigos da equipe, ou alguém realmente ficou surpreso com a revelação? Por favor, me respeitem.

Apesar de ter menor espaço, as questões políticas ainda fizeram parte da nova temporada da série da HBO, com o tea party ainda revoltado com os insultos ao vivo do Will e a campanha política da reeleição do presidente Obama, que também foi bem presente ao longo dessa nova temporada. Nessa segunda opção, tivemos o Jim sendo mantido um tanto quanto afastado demais da redação, algo que não pode ser deixado de se apontar como mais um dos pontos negativos da temporada, uma vez que nos apaixonamos completamente por ele desde o seu primeiro tropeção dentro daquele ambiente de trabalho e por esse motivo, lamentamos a sua ausência dentro daquele cenário.

Acompanhando a campanha do oponente do Obama (Romney) naquela época apenas para ficar longe da Maggie (que usou a pior peruca da história das piores perucas da TV nos últimos 150 anos luz), Jim acabou se envolvendo em histórias menos interessantes e de quebra ainda trouxe uma nova personagem para a trama (chatinha…), algo que a essa altura não se fazia necessário, uma vez que a questão toda envolvendo a Maggie, sua melhor amiga (que para quem não ligava muito para a situação no começo até que está apaixonada e ou rancorosa demais, não?) e ex do Jim, ainda não havia sido totalmente resolvida. Outro ponto fraco da história foi toda a questão envolvendo a justificativa para o novo corte pavoroso da Maggie pós ida a Africa (sério, o que era aquela peruca e porque ela não foi no salão dar um jeito naquele corte feito a foice por ela mesmo?), que mais tarde acabou sendo explicada com uma historinha até que bem bonitinha, mas que acabou bem perdida em meio ao foco central da temporada.

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E se o lado político em questão acabou ficando realmente um tanto quanto de lado ao longo dessa Season 2 e em compensação, o lado “comédia romântica”  nunca esteve tão presente na série e confesso que acabou sendo um dos atrativos a parte para essa temporada visivelmente mais fraca em termos de assuntos realmente interessantes para The Newsroom. Teve toda a questão da Sloan com o Don (quem eu acabei vendo com outros olhos durante essa Season 2. Ele, e não ela, que fique bem claro), que foi bonitinha mas foi só isso também, a própria história inacabada do Jim com a Maggie (que parece que não vai ter fim tão cedo, nem com outra excursão no ônibus de Sex And The City) e é claro que o grande plot central dentro desse gênero na série, que sempre foi a história mal resolvida entre Will e MacKenzie, que a essa altura parecia também não ter mais fim, mas que finalmente chegou a um ponto pelo qual esperamos desde a Season 1, com Will finalmente conseguindo ter coragem de pedir a mulher da sua vida em casamento, o que de fato aconteceu e foi um momento bastante especial para a série política.

Mas é claro que até chegarmos a essa ponto, fomos enrolados com uma série de pormenores, com encontros e desencontros envolvendo o casal, além do despejo de mais algumas mágoas dessa relação conturbada e novos affairs que na verdade, pouco nos despertaram qualquer tipo de interesse. E novamente tivemos a questão do Will ser o chefe da MacKenzie e ela estar a frente do caso da matéria forjada, o que de certa forma só foi mesmo uma distração não muito eficaz em relação as nossas suspeitas para o que aconteceria até o final dessa segunda temporada, ou alguém achou mesmo que a MacKenzie seria deemitida ou que pior, Will, Chartlie (sempre excelente) e a própria MacKenzie fossem bancar aquela história da demissão em grupo? (também achei meio repetitivo o plot dos demais da redação oferecendo suas próprias cabeças nessa hora, algo que lembrou demais aquela metáfora do filme antigo da Sessão da Tarde utilizada pelo próprio Will no começo da primeira temporada)

Por todos esses motivos, podemos dizer que a Season 2 de The Newsroom acabou sendo bastante problemática e isso aconteceu principalmente porque eles resolveram tentar algo novo, distante da fórmula que já havia dado bastante certo ao longo da primeira temporada. Um risco que eles decidiram tomar e que não foram tão felizes assim com a sua execução. Conseguiram consertar o lado comédia romântica da coisa, que tanto nos incomodava no passado? Até que conseguiram, porque essa talvez tenha sido a parte menos chatinha da Season 2, mas em relação as questões políticas que encontramos ao longo da temporada de estreia e aquela emoção toda que eles conseguiram nos despertar facilmente naquela época, realmente ficaram a desejar e faltou um pouco mais de variedade nessa área para que a gente conseguisse reconhecer e identificar a série com o que já havíamos visto anteriormente. Me lembro de no passado ficar confuso, buscar informações sobre o que eles estavam falando ao longo do plot do episódio e dessa vez, não foi necessário o menor esforço para conseguir acompanhar aquelas miseras questões que apareceram. Uma pena, porque nós que gostamos desse tipo de série, gostamos de pensar também.

De qualquer forma, The Newsroom continua sendo uma grande série. Pode não ter sido a melhor, mas continua valendo a pena.

 

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Antes da meia noite, ou a qualquer hora do dia ou da vida

Outubro 30, 2013

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Anos atrás, nos deparamos com esse casal, Jesse e Céline, se encontrando pela primeira vez em um trem (“Before Sunrise”, de 1995) e vivendo uma ótima história de amor que tinha pouco tempo para durar por questões geográficas. Apesar das juras quando o cronometro começou a acusar que já não havia mais tempo para permanecerem juntos em Viena, pelo menos não naquele momento, desconfiamos que aquela poderia ser apenas mais uma história de amor para se lembrar com certa saudade e levar para a vida, mesmo tendo identificado facilmente logo de cara que algo de realmente muito especial havia acontecido entre aqueles dois.

Alguns anos depois, tivemos a chance de ver o reencontro da dupla pela primeira vez desde a promessa (não cumprida) que haviam feito no primeiro filme (“Before Sunset”, de 2004, o meu preferido de todos), ambos vivendo já os seus 30 e poucos anos e tendo muito o que conversar depois de terem ficado tantos anos separados e o pior de tudo isso, sem ter tido a chance de colocar um ponto final naquela história que já havia nos convencido desde o começo. Ele agora havia se tornando o homem que sempre sonhou ser, escritor, pai de um filho, com esposa (e um casamento não muito feliz, apesar disso só ter aparecido como detalhe no filme e não ter sido justificativa para qualquer outra coisa) e vivenciando um momento bastante especial em sua carreira, momento esse que teve como fonte de inspiração justamente aquele primeiro encontro com Céline, quando ainda jovens, lá atrás. Ela por sua vez também já havia se tornado a mulher que gostaria de ser (quando digo isso, penso em uma questão de repertório, valores, fundamento, essas coisas, não que eles já tenham alcançado o ponto mais alto de suas vidas tão cedo assim), apesar de ainda ter algumas pontas soltas em sua vida e estar apenas namorando no momento.

Esse primeiro reencontro acabou acontecendo justamente por conta da história dos dois que acabou virando um livro de sucesso escrito por ele, do qual Céline se sentia responsável de alguma forma (com toda razão), apesar de renegar o sentimento tentando justificar ter se sentido um tanto quanto ofendida e não representada tão fielmente assim na versão da história do Jesse. Assim, ambos tiveram muito o que dizer um para o outro até o pôr-do-sol, além da inevitável questão que ainda pairava na mente de ambos mesmo anos depois, sobre o que teria acontecido se eles tivessem mantido a promessa que foi feita ao final do primeiro longa ou se pelo menos algum deles havia cumprido com o prometido, quando ainda bem jovens.

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Pessoalmente, eu acho “Before Sunrise” uma obra prima. Sempre achei. Gosto da história, dos personagens, da forma como consigo me identificar facilmente com ambos e principalmente, da forma como eles conseguiram me convencer que foram feitos um para o outro em um caminhar por Paris, sem muito contato físico (tá, vamos dizer que esse reencontro ter acontecido na Shakespeare And Company, contou alguns pontos a favor), sem beijo e apenas uma enorme vontade (AMO ela morrendo de vontade de tocar o cabelo dele dentro do carro, próximo ao final do filme, por exemplo). Naquela cena final, com Céline fazendo uma performance à la Nina Simone e o Jesse atrasado para o voo que o levaria de volta para sua família nos USA, mesmo sem ter tido exatamente uma conclusão, além da ideia que ficou no ar e o 1/2 sorriso claro e evidente do Ethan Hawke (maravileeeandro desde o primeiro filme) durante a cena, na minha cabeça, estava mais do que claro que ele jamais teria pego aquele voo de volta. Jamais! Quando gosto demais de uma história ou personagem, gosto também de criar a minha própria versão para eles, mesmo quando suas obras já se encontram encerradas e por isso, sempre assumi para mim mesmo que Jesse e Céline estavam juntos, em algum lugar do mundo, vivendo extramente felizes (daquele jeito bem real, claro). Isso mesmo antes de saber e ou imaginar que o filme ganharia uma continuação. E a propósito, apesar de ter os meus momentos bem Jesse, não preciso nem dizer que eu sou exatamente como a Céline, preciso? (para você que está pensando em “não”, achei mesmo que não fosse necessário, rs)

Pois bem, anos depois novamente, ganhamos uma espécie de conclusão (para essa que é sem dúvida uma das minhas histórias de amor preferidas do cinema) com “Before Midnight”, encerrando a trilogia do diretor Richard Linklater. E lá estavam eles, Jesse e Céline, juntos (confirmou!), anos depois, em uma viagem de férias pela Grécia antiga com as filhas gêmeas e a continuação dessa história de amor que a essa altura já havia ganhado um peso completamente diferente a partir dos anos de convivência do casal e da bagagem que ambos acabaram trazendo inevitavelmente para a relação. (desconfiem de quem não carrega nenhum tipo de bagagem. Apenas, desconfiem…)

Apesar de reencontrarmos com ambos aparentemente vivendo felizes juntos, percebemos logo de cara que haviam alguns problemas a serem resolvidos e ou um certo nível de culpa no ar que jamais poderia ter sido evitado e isso por conta da não volta do Jesse para a sua família com esposa e filho nos USA (não disse?). Nesse momento, percebemos que Jesse se sentia culpado pela escolha que acabou fazendo, mesmo que ela tenha sido a escolha mais certeira de sua vida, justamente por ter de certa forma, escolhido ser feliz ao lado da mulher que ele realmente mais amou por toda a vida, construindo inclusive uma nova família, do que continuar vivendo ao lado da mãe do seu filho e consequentemente do próprio, que como nos foi ilustrado no filme, tratava-se de uma mulher que ainda não havia superado essa barra, algo totalmente compreensível, diga-se de passagem. Apesar de todo esse peso em sua consciência, sua relação com o filho parecia ser excelente, algo que não tivemos a chance de observar e apenas ouvimos sobre, assim como aceitação do menino hoje já adolescente em relação a Céline, aceitação que é possível considerar a mais natural possível, porque podemos dizer que é praticamente humanamente impossível não acabar completamente apaixonado pela personagem da atriz Julie Delpy. (com quem obviamente eu também me identifico e muito)

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E essa culpa toda Jesse de certa forma acaba dividindo com a Céline, que querendo ou não, se sentia parte da questão, principalmente por ter permanecido com o amor da sua vida em Paris e ter construído a vida de ambos por lá, dificultando assim o seu convívio com o filho (algo que mais tarde, acabou sendo ainda mais dificultado pela própria mãe do garoto como forma de vingança). Para ela, sobraram as típicas e honestas reclamações de uma mulher, mãe de gêmeas e que além de tudo, como quase todas as outras mulheres modernas, tentava se dedicar ao trabalho e  quando a sua carreira carreira acabou se estabelecendo em um outro patamar, novas questões acabaram surgindo na vida desse casal, que mais uma vez vivia uma espécie de ameaça por questões geográficas. Nessa hora e com total razão, apesar de entendermos completamente o lado dele, Céline acabou se sentindo completamente negligenciada pelo marido, que ela havia apoiado em sua carreira por todos esses anos, mas que naquele momento não retribuía tamanha dedicação ou comprometimento em relação a ela. (na verdade, ele acabou se vendo completamente dividido, e isso ficou bem claro e também foi altamente compreensível, assim como o discurso dela em relação a ele não ter acompanhado algumas etapas da vida do filho e isso já não ter mais volta)

A partir desses conflitos todos e com a Grécia como plano de fundo (cenário perfeito para uma tragédia grega), ganhamos mais alguns diálogos inesquecíveis desses dois, com ambos compartilhando um pouco mais de tudo novamente, desde algumas memórias lindas, como quando ela diz se lembrar com saudade do tempo em que a barba dele ainda era ruiva e o quão branca ela já estava ficando a essa altura (sério, meu coração quase explodiu em milhares de outros corações nesse momento = ♥ #PLIM), até uma série de referências aos dois filmes anteriores, como ambos observando o pôr-do-sol, por exemplo. Todas absolutamente especiais e comoventes para quem for mais apegado a detalhes. E é preciso evidenciar o quanto ambos atores parecem conhecer aqueles personagens, nos deixando com a sensação de que o filme é mais uma conversa solta entre ambos do que uma obra dirigida e com roteiro. (algo que a partir do segundo filme, ambos passaram a fazer parte também de tamanho envolvimento e carinho com o projeto)

Durante o longa, além de tudo isso, ainda ganhamos alguns parâmetros bem inteligentes em relação a história do casal, como quando eles se deparam com uma versão mais jovem de uma história de amor também separada geograficamente, percebendo que hoje em dia, com todos os recursos que quase todo mundo tem acesso, eles só não teriam mantido contato se realmente não quisessem e não teria sido necessário esperar até o reencontro de ambos, anos depois em Paris. Na companhia de outros personagens (diferente dos demais filmes), Jesse e Céline compartilham o seu melhor e vivenciam outras histórias de amor também, que acabam funcionando como pequenos contos dentro da própria história deles, algo que acabou contribuindo ainda mais para que o filme se tornasse algo tão especial. Aquela história da mulher que já havia perdido o marido então, foi de desabar qualquer um em lágrimas.

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Mas o forte desse terceiro filme realmente foi a grande discussão que quase acabou encerrando de vez essa linda história de amor (claro que precisaria de muito mais para uma decisão tão séria, mas ainda assim poderia ser o começo do fim), com ambos despejando algumas verdades na cara um do outro e aproveitando o momento para dividir a parcela de culpa que sentiam por conta dessa relação tão forte. Nesse momento, além de excelentes argumentos e um diálogo certeiro e afinadíssimo como sempre, é praticamente impossível não acabar se relacionando de alguma forma com o problema em questão e a história de amor dos dois. Sabe quando apesar de parecer um pensamento cruel, você chega a conclusão de que realmente foi necessário sacrificar algumas coisas da sua vida para conseguir viver outras, ou quando você acaba se dando conta de onde a sua relação pode acabar parando se um dos dois disser a coisa errada na hora errada? Então, mais ou menos isso ou pior, rs.

Confesso que essa foi a minha estreia mais aguardada para esse ano. Na época, não foi nada fácil conseguir assistir o filme, que estava disponível apenas em algumas salas da cidade de São Paulo e em horários nada convidativos. Acabei assistindo o longa em uma tarde, em um dia que se tornaria bastante especial para a minha vida profissional (não estou dizendo que eu sou a Céline?), e foi ótimo ter esse ponto em comum com a personagem de Delpy naquele momento. Além disso, por se tratar de uma sessão a tarde, imaginei que a mesma pudesse estar vazia, mas para a minha total surpresa, acabei me deparando com diversas senhoras, alguns jovens casais e pessoas de meia idade durante a sua exibição. Por me sentir extremamente próximo dos personagens e realmente AMAR toda essa história, acabei me vendo entregue as lágrimas por diversas vezes, do começo ao fim, algo que acabei compartilhando com uma senhora que estava sentada ao meu lado e me ofereceu um lenço. Uma foufa! Nos tornamos amigos obviamente (e ela decepcionadíssima porque eu não estou no Facebook, é claro) e no final da sessão, em uma conversa animada sobre o longa e seus dois antecessores, acabamos reunindo mais algumas colegas em um bate papo solto no café do cinema que acabou durando algumas horas e me fez me sentir um pouquinho como no clube do livro da Oprah. Desculpa, mas precisava dividir esse momento com vocês. Enfim…

Concluindo por enquanto essa história de amor fora do comum (do tipo que a gente adoraria viver um dia), ganhamos uma ótima leitura do próprio Jesse encontrando Céline de cara amarrada sentada a beira mar (quando ela não volta mais depois de bater a porta por diversas vezes durante aquela grande discussão é de dar um nó na garganta daqueles), ele que nesse momento falava por ele mesmo, só que eu uma versão do futuro, em um momento de extrema doçura. Um final extremamente simples e muito bem humorado, que nos transportou imediatamente para a realidade e o sentimento daquele casal e nada mais natural que antes da meia noite eles acabassem resolvendo todas as suas pendências momentâneas, lembrando o mais importante, que foi o que os manteve unidos desde então, mesmo durante todos os anos que permaneceram separados, até aquele inspirador reencontro em Paris do qual eles nunca mais conseguiram se separar.

Uma história de amor para se levar para a vida em três partes pra lá de especiais. Quem sabe eles não fazem um quarta parte dela daqui trinta anos? (eu adoraria ver essa versão senior, já sendo um senior também, hein?)

Para assistir até nunca cansar.

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Fire + Pure + Rise = a despedida de Skins

Outubro 28, 2013

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Desde que surgiu, Skins conseguiu facilmente se firmar como uma das melhores séries ever do gênero adolescente, sem a menor dúvida. Até quando não foi tão boa assim (e isso todo mundo sabe que aconteceu durante a sua segunda geração, com as sofríveis Seasons 3 e 4), Skins conseguiu manter pelo menos o seu fundamento, que sempre foi o melhor da série inglesa indeed.

Adolescentes com cara de adolescentes de verdade, imperfeitos (sem dentes altamente clareados e peles impecáveis), cheios de dúvidas e fazendo as escolhas mais erradas possíveis ao longo dessa fase de suas vidas, impulsividade, irresponsabilidade, insanidade, de tudo vimos um pouco ao longa dessas 6 primeiras temporadas da série, que dividiram o seu elenco em um total de três gerações (uma a cada duas temporadas). É claro que desde então, morremos de saudade da primeira geração, que sem dúvida foi a mais bacana de todas (além de ter nos revelado alguns nomes como o Nicholas Hoult – que a gente já conhecia de criança – e o Dev Patel), tanto pela novidade (e realmente parecia algo novo na TV, apesar do formato e da temática) quanto pelo todo, que realmente foi o mais acertado de todas elas.

Mas deixando qualquer reclamação ou mágoa do passado de lado (assim como não engolimos as Season 3 e 4 da série originalmente inglesa, engolimos menos ainda a tentativa vergonhosa de remake versão americana da MTV. EW!), chegamos a reta final da série, com a promessa de 3 episódios para sua Season 7, Fire, Pure e Rise (cada um deles divididos em duas partes) como proposta de encerramento para o universo de Skins. Neles nos deparamos com alguns personagens conhecidos de todos nós anos depois: Cassie, da primeira geração, e coincidentemente ou não, Effy e Cook, da segunda geração, aquela que não engolimos muito bem até hoje (apesar desses dois terem sido ótimos. Mas ele do que ela, mas amamos Effy 4 ever). Apesar do medo de reencontrá-los e ter a possibilidade de encontrar coisa bacana da mitologia de cada um deles sendo destruído gratuitamente com essa nova história, encaramos com boas esperanças esse ponto final que tinha tudo para ser algo bem bacana se encarado da forma correta,  mas confiando em tudo que eles já fizeram até aqui (e por eles eu quero dizer Jamie Brittain e Bryan Elsley), a ideia parecia ser uma ótima maneira de encerrar uma série adolescente como essa, mostrando o amadurecimento e as consequências na vida de seus personagens, anos após acompanharmos o dia a dia nada regrado e completamente livre de cada um deles, ou pelo meno de 3 partes deles todos.

E foi muito bacana ver que a série conseguiu nos entregar uma conclusão muito respeitosa e bacana em relação aos personagens em questão, com o passado de cada um deles ainda os assombrando de alguma forma, nos mostrando um presente bem real para cada uma de suas histórias, sem renegar suas origens. Sem muitas surpresas também (tirando o cenário atual da Effy, acho que os outros dois estavam exatamente onde a gente imaginava que estariam) e trazendo de volta pontos importantes da mitologia dos três personagens escolhidos para colocar para a sua temporada final, Skins encerrou a sua história mostrando o quanto uma série adolescente pode sim amadurecer de forma natural e honesta e realmente foi uma  verdadeira delicia nos despedir de algo tão bacana dessa forma, com o sentimento de que a vida segue para todo mundo e não há como ficar preso no passado (até há, mas nunca é muito saudável), por isso precisamos seguir em frente, de uma forma ou de outra e aceitar as conclusões de algumas etapas de nossas vidas, mesmo que elas não sejam exatamente como a gente imaginou que seria, quando ainda adolly.

Para facilitar a nossa vida, a partir desse ponto da review, vamos falar de cada um dos episódios separadamente:

 

 

Fire

(7×01 + 7×02)

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De todos eles, a maior surpresa talvez tenha sido encontrar a Effy (Kaya Scodelario) em um cenário como o mercado financeiro, encarando uma carreira corporativa em grande parte dominada por engravatados que parecem ser exatamente o oposto dela e de todos que a cercavam até então. Longe do colocón e da loucura de antes, Effy parecia estar seguindo em frente e com sucesso (inclusive, sem muita culpa pelos acontecimentos do passado, embora ela continue com aquele olhar meio distante e de vez em quando até triste), já que de cara, percebemos que ela estava no controle de sua atual situação. Trabalhando, pagando contas, com um cotidiano bem comum, Effy estava de volta bem diferente de como nos despedimos da personagem no passado, quando ela demonstrava ainda estar cheia de dúvidas e com a sua mente em um lugar ainda bastante obscuro. Amparada em sua história encontramos também com Naomi (Lily Loveless), velha conhecida de quem acompanhou a série (até hoje acho ela e a sua namorada o segundo casal lez pior da TV, que só consegue perder para o Calzona de Greysa), ela que dividia o apartamento com a Effy em Londres e nesse momento, ganhamos um ótimo comparativo entre a evolução de ambas as personagens que pertenceram a uma mesma geração.

Enquanto Effy estava seguindo em frente, conseguindo ficar no controle da situação, Naomi ainda permanecia perdida no limbo dos resquícios de sua adolescência, presa em algo muito semelhante ao que já conhecemos de sua história, inclusive a ex namorada Emily (Kathryn Prescott) e a relação meio assim do casal. Para ela, além da tentativa de ser uma comediante de stand up, sobrou o plot da doença, com a descoberta de um câncer em estágio avançado e a tarefa de finalmente ter que encarar a realidade e pelo menos encontrar coragem para contar para a namorada qual era a sua atual condição. Apesar dessa ter sido uma história bem menor dentro de Fire, tivemos ótimas conclusões também dentro desse cenário, mesmo com ele não sendo nada otimista e isso incluiu o fato de Naomi finalmente conseguir fazer algum sucesso no mundo da comédia fazendo piada sobre a própria doença e sua atual condição, trazendo para o episódio aquele alívio cômico típico inglês que nós gostamos tanto e que em qualquer outro cenário, poderia não ser muito bem vindo.

Mas o centro das atenções nesse momento realmente era a Effy, que estava se dando bem no mercado financeiro recebendo uma ajudinha do concorrente,  Dom (Craig Roberts do excelente “Submarine”), que apaixonado pela garota de grandes olhos azuis, lhe passava algumas informações importantes em relação a manipulação do mercado de ações. Basicamente como se estivesse “colando” na escola apenas para se dar bem (naquele momento) e se livrar do problema, Effy parecia não ver nenhum problema no que estava fazendo, até que algumas coisas começaram a fugir do seu controle e o seu rostinho bonito acabou não sendo mais o suficiente para driblar a situação que estava prestes a ficar séria de verdade, inclusive para o Dom, a quem ela manipulava sim a seu favor, mas não chegava a ser má ou qualquer coisa do tipo, apesar da primeira vez completamente traumatizante dos dois.

Em meio a tudo isso, Effy revelando um lado mais inconsequente e muito mais parecido com as raízes que conhecemos tão bem da personagem, acabou tendo um caso com o chefe (e quem resistiria ao Kayvan Novak, hein?) e no trabalho, a irmã do Tony acabou sendo beneficiada, obviamente. É claro que tudo isso acabou gerando comentários no bebedouro da empresa, assim como acabou causando a mágoa de uma mulher que no passado, já havia estado exatamente no mesmo lugar que Effy, com quem por uma ironia enorme do destino (e essas coisas acontecem de verdade, acreditem), elas viriam a se reencontrar para a conclusão desse excelente episódio.

Novamente em uma relacionamento meio assim (como foram todos os demais relacionamentos dela que conhecemos), Effy se viu perdendo o controle da situação quando percebeu que o chefe não estava se importando muito com tudo que poderia acontecer com ela e a partir disso, a própria resolveu assumir de volta o controle da situação, aceitando a sua parcela de culpa nessa história e livrando a cara de quem ela podia livrar naquele momento. Claro que ainda contamos como o elemento da vingança, que nessa hora provou mais uma vez que uma mulher ferida nunca devem ser provocada (e por mulheres eu quero dizer  qualquer pessoa que pareça ser vingativa, tipo eu mesmo, rs #WARNING) e além disso, tivemos uma ótima lição do quanto ainda pode existir uma relação bacana entre mulheres e o quanto elas podem se ajudar unindo forças e não indo contra umas as outras apenas por um corpo mais em dia e ou um cabelo mais arrumadinho.

Como final da sua história, tivemos Effy seguindo para a cadeia para cumprir a sua pena e mesmo assim, tivemos certeza que com aquele 1/2 sorriso no olhar, Effy conseguirá sair dessa mais uma vez e o tempo que ela passará reclusa talvez seja exatamente o remédio que ela estivesse precisando naquele momento.  Boa sorte, Effy! #TooPrettyForPrison

 

 

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(7×03 + 7×04)

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E quem é que não estava morrendo de saudades da Cassie, hum? (♥)

De volta apenas dois vezes viajando por aí, encontramos Cassie (Hannah Murray) ainda vivendo em um universo bastante particular, quase que poético e um tanto quanto semelhante ao que já conhecemos da personagem. Mesmo com a sua rotina de trabalho em um café e a preocupação com o pai e irmão vivendo longe dela e visivelmente traumatizados pela morte recente da mãe, Cassie parecia ser exatamente a mesma pessoa, exceto pela sua distanciação de substâncias que a faziam embarcar para outro lugar. Mas convenhamos que com aquela cabeça, Cassie nunca precisou muito de qualquer tipo de recurso para embarcar para outro lugar qualquer, não é mesmo?

Trabalhando para pagar as contas e vivendo em uma espécie de cortiço distante do centro de Londres, encontramos a personagem tentando lidar com a solidão e isso ficou bem claro quando escutamos a própria explicando para a vizinha que havia terminado seu último relacionamento porque sabia que se tivesse continuado, ele não teria fim, visivelmente falando sobre o Syd, que foi atrás dela em NY no final da Season 2, ou nós apenas assumimos esse detalhe como um fato porque sempre imaginamos os dois como o casal perfeito dentro do universo de Skins. Lidem com isso. Alguns relacionamentos quando não evoluem ou te prendem a algo por muito tempo, precisam mesmo de um tipo de ponto final desses e esse tipo de coisa nós só conseguimos enxergar quando amadurecemos, ou seja, mais um sinal de que Cassie apesar de ainda muito familiar, não era exatamente a mesma pessoa de quando a conhecemos no passado.

Em meio a sua história, além da morte da mãe e das consequências em sua família tentando lidar com a nova situação, descobrimos ainda alguns pontos importantes para a construção da personagem, como a relação meio assim com a própria mãe e a sua tentativa de suicídio em um verão qualquer.

Nesse novo cenário, apesar de sempre aparecer sozinha, percebemos que Cassie estava sendo observada de longe, algo que descobrimos mais tarde tratar-se de uma espécie de stalker meio creep mas totalmente foufo, que estava mais perto do que a gente poderia imaginar e que de quebra, ainda tinha dotes artísticos sensacionais. Ele era Jakob (Olly Alexander), ajudante de cozinha que dividia o expediente com Cassie no café, um garoto que tinha três empregos, ainda estava pagando a câmera que usava para fotografá-la de longe e que ainda bem cedo em sua vida, acabou se dando conta que ele provavelmente seria virgem para sempre. Estranho, mas foufo, vai? Apesar de assustador, ele mantinha um site com as fotos que tirava de longe da própria Cassie, que ele fazia questão de manter no anonimato, mas que de tamanho sucesso, uma hora acabou sendo reconhecida por uma das frequentadoras do café onde ela trabalhava, para a sua total surpresa e desconforto.

Obviamente que ela acabou surtando com toda aquela situação, mas a pureza da Cassie acabou falando mais alto e ela acabou enxergando no Jakob algo muito semelhante ao que ela carregava com ela mesmo e a partir disso, ambos passaram a se relacionar e ficou cada vez mais claro que para uma tentativa de novo namorado, apesar de qualquer estranheza, o Jakob parecia ser o boy poeticamente ideal para Cassie.

Mas como precisamos de algum tipo de confusão, é claro que a relação dos dois acabou se complicando principalmente porque ela ainda envolvia um terceiro personagem, também funcionário do mesmo café onde ambos trabalhavam. Isso e o fato do trabalho do Jakob ter sido o ponto de partida para a descoberta da Cassie pelo mundo da moda, ela que passou a fazer alguns trabalhos como modelo por conta disso e Jakob por ter aquela alma antiga de artista, não achava que ela tinha o direito de de expor dessa forma. Vai entender… (nessa hora achei ele bem machista até e aposto que a Cassie pensou a mesma coisa. Meninos…)

Mas na verdade, toda essa história envolvendo o garoto e a personagem, acabou sendo apenas uma espécie de “ponte” para a redescoberta da própria Cassie, que acabou se sentindo vista novamente e havia deixado de ser apenas um fantasma que andava pela multidão. Além disso, todo o seu envolvimento afetivo acabou de certa forma provando para ela mesmo, o quando ela já estava pronta para seguir em frente também nessa área da sua vida, podendo se aventurar novamente na procura de um novo amor afinal, por maior que ele tenha sido, quem foi que disse que só temos direito a encontrá-lo uma vez na vida, não é mesmo? (que isso seja verdade, que isso seja verdade… #CRUZANDOOSDEDOS)

Apesar de tudo isso, a conclusão de sua história realmente foi outra e talvez tenha sido a mais bonita de todas elas. exatamente como a personagem sempre fez por merecer. Para Cassie, restava entender que ela já não tinha mais tempo para embarcar dentro do seu próprio universo (exceto quando com seus fones de ouvido e a música alta, claro), que foi quando ela acabou descobrindo que naquele momento, ela precisava colocar os pés no chão e se estabelecer como a força da sua família, ganhando a tarefa de cuidar do irmão menor que estava sendo negligenciado pelo pai, que naquele momento partia para uma viagem em busca de se encontrar e lidar de uma vez por todas com o luto em relação a perda da mulher. Um final sútil, delicado e bem pé no chão, que nos deixou com a sensação que seja lá o que for que aconteça desse ponto em diante, Cassie ficará bem, temos certeza disso!. You go girl!

 

 

Rise

(7×05 + 7×06)

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Cook, Höy! James Cook ( Jack O’Connell) sempre foi o nosso amor bandido em Skins, mesmo sabendo que ele não valia meia libra esterlina. Buscando na memória um pouco da sua participação na série antiga, vale a pena começar esse review lembrando que do fiasco das Seasons 3 e 4, seus episódios conseguiram ser o que elas tiveram de melhor naquela época. Fato.

Ao contrário do estágio de evolução que encontramos nas história das duas personagens anteriores, Cook foi quem menos conseguiu se distanciar do universo ao qual sempre pertenceu. Ainda envolvido com drogas e agora trabalhando como uma espécie de “mula”, sem ter onde morar e passando dias e noites no próprio carro, evidenciando que nem nesse ramo ele conseguiu evoluir mesmo anos depois, encontramos o personagem encarando as consequência de suas escolhas completamente meio assim do passado, além do peso de algo que provavelmente irá assombrá-lo para o resto de sua vida, De todos eles, é totalmente justificável que seu personagem seja quem mais perdeu dentro desse cenário e muito além disso, é totalmente compreensível que a culpa que o atormentava fosse muito maior do que a da Effy, por exemplo, com quem ele dividia parte do seu passado trágico. (só achei meio estranho essa questão sequer ter passado pela cabeça dela ao longo do seu episódio)

Com uma morte nas costas, a sensação era a de que o personagem havia permanecido exatamente no mesmo lugar apenas para se punir de alguma forma, já que não era possível voltar atrás no que fez e tão pouco esquecer o ocorrido assim tão facilmente. Algo como se ele tivesse mergulhado ainda mais dentro do mesmo universo, apenas por acreditar que chegando onde ele chegou, já não havia mais para onde correr. Fim da linha.

Vivendo como uma espécie de fugitivo, nos reencontramos com o personagem tentando sobreviver ao seu modo, trabalhando para o lado negro da força e tentando seguir adiante como um fantasma dele mesmo. Mulheres, drogas, apesar de tudo isso ainda ser presente na sua vida (e foi bem bacana ver que fisicamente, sua relação com as drogas também já não era mais a mesma), a sensação era a de que nada daquilo fazia mais sentindo para o personagem como no passado e talvez por isso ele até tenha optado agora por uma relação mais estável, apesar de não ter demonstrado muita força quando testado pela dopplelganger da Effy (eu achei a cara dela!), que por um acaso, também era bem maluca e além de tudo isso, era apenas a namorada do chefe traficante da vez.

Apesar do triângulo amoroso, sua história acabou ganhando força novamente quando Cook teve que enfrentar a morte de perto mais uma vez, mesmo que a principio, ele não tivesse alguma relação tão direta com o acontecido (mas de certa forma, ele tinha). Nessa hora, percebemos o quanto o personagem havia ficado marcado por seu passado semelhante de anos atrás e o quanto ele havia tentando incessantemente fugir da culpa que o perseguia por todos esse tempo.

Preciso dizer que de todas as histórias, para a minha total surpresa, essa me pareceu a mais fraca de todas elas (juro que para qual eu mantinha as maiores expectativas), apesar da honestidade e de sua conclusão também ter sido bastante satisfatória. Talvez eu tenha ficado com essa sensação por minha #CRUSH no personagem falar mais alto do que qualquer outra coisa. Mas digamos que foi sim, um tanto quanto decepcionante, apesar de não ter deixado de gostar do seu episódio.

Em meio a um clima de terror, nos despedimos do personagem mais uma vez tentando fugir da realidade, até ter que encarar de frente uma mente muito mais doentia novamente. Naquele momento, apesar de ainda não conseguir controlar seus impulsos muito bem e quase acabar manipulado pela garota da vez, ao perceber que mais uma vez o seu descontrole acabou fazendo uma nova vítima, Cook chegou a conclusão que não havia mais para onde correr e chegava a hora de encarar as consequências dos seus atos para quem sabe assim, conseguir por um ponto final em toda aquela culpa que ele sentia.

Para o personagem, seu final pode até não ser sido compensatório e ou não ter nos deixado nenhuma esperança de que daquele ponto ele conseguiria se reerguer, mas o que ficou claro mesmo foi que naquele momento, Cook conseguiu se libertar do peso que carregou em liberdade por todo esse tempo e finalmente chegava a hora de parar de vez e lidar com a consequências de tudo aquilo que ele já havia feito. I’m fucking Cook! (engraçado como ele e a Effy acabaram tendo uma conclusão com cenários semelhantes, não?)

 

Sem um final extremamente feliz e ou muito fora da realidade, com ambos os pés fincados no chão, Skins realmente acabou se despedindo da melhor forma possível, mantendo todo o seu fundamento até o final, fazendo uma série de TV através de um novo olhar (algo que eles mantiveram inclusive nessa sequência final(, sempre com aqueles figurinos invejáveis e uma trilha sonora sensacional (prestem atenção no título das músicas de cada um dos três episódios finais e me digam se não foi perfeitamente perfeito?), nos mostrando que não é preciso exatamente de um final feliz para que a gente se encontre completamente satisfeitos com os resultados e na verdade é preciso apenas encarar a realidade e talvez o mais importante seja realmente amadurecer, como a série nos provou que conseguiu fazer lindamente. Para guardar na prateleira especial (i wish, mas não vende por aqui) e mostrar para as gerações futuras.

R.I.P Skins

ps: jamais esqueceremos aquela primeira festa com direito a cortina de macarrão. (♥)

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Arrested Development e a nova forma de assistir TV que nem é tão nova assim…

Outubro 25, 2013

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Depois de muito se falar sobre o assunto, finalmente ganhamos uma nova temporada de Arrested Development (e ainda existe uma possibilidade de filme e ou nova temporada, logo, YEI!).  Para quem ainda não conhece a série (se é que existe alguém), trata-se apenas de uma das melhores comédias feitas para a TV até hoje, uma série não tão popular assim, mas com um elenco invejável, direção e desenvolvimento precisamente arrastado e deliciosamente delicioso.

Comecei a assistir a série anos atrás, em um noite de insônia, quando liguei a TV e acabei me deparando com algo diferente do habitual. Já tratava-se de uma de suas incansáveis reprises na TV e depois disso, passei a acompanhá-la, sem muita pressa, mas com a garantia de que cada novo episódio eu encontraria a diversão certa. Depois descobri que a série passava até na TV aberta, também nas madrugadas de um canal aí, onde acabei revendo um ou outro episódio, apenas para me distrair antes de dormir. Até que a série chegou ao seu final injusto, com um cancelamento precoce, como acaba acontecendo sempre com quase tudo que encontramos de realmente bom na TV. Na época, mesmo sem ter acompanhado a temporada final como deveria (só assisti depois), acabei assistindo pelo menos o series finale, porque me sentia na obrigação de me despedir da família Bluth como ela merecia.

Até que o Netflix resolveu realizar o nosso sonho e nos trouxe a história dessa família trambiqueira de volta para uma nova temporada, nos entregando os 14 novos episódio no colo, todos de uma só vez, Há quem considere essa uma nova forma de assistir TV, mas para nós que somos viciados no assunto séries de TV e acompanhamos algumas delas desde uma outra época, quando a internet não era exatamente a melhor opção (ou a mais rápida) para isso, se puxarmos na memória, vamos conseguir nos lembrar facilmente de um tempo em que acabávamos assistindo algumas séries apenas quando seus boxes eram lançados por aqui (muitos com preços absurdos), algumas com um atraso gigantesco em suas exibições na TV a cabo (que finalmente acordaram, mas ainda nem todas…) e por isso, essa sensação de “uma nova forma de assistir TV” talvez não seja tão verdadeira ou honesta assim.

A propósito, preciso reconhecer que o Netflix é uma excelente nova opção para essa tal nova forma de se ver TV, apesar da novidade não tão nova assim. Algo que acaba funcionando muito mais para suas séries originais, como foi o caso da aguardadíssima nova temporada de Arrested Development (e House Of Cards, Orange Is the New Black), do que para os demais produtos disponíveis no catálogo do serviço aqui no Brasil, que ainda não é dos mais convidativos, a não ser que você ainda seja um principiante na arte de assistir séries de TV ou filmes, porque dependendo do seu nível de interesse no assunto, você poderá se deparar com uma série de opções não tão grandes assim para a sua watchlist dos ainda não vistos. Mas de qualquer forma, vale reconhecer que o serviço funciona perfeitamente, tanto para quem assiste pela TV ou no computador (em outros meios também), além da vantagem de estar tudo disponível facilmente, sem ter que aguardar uma longa espera para que o seu programa preferido da vez seja carregado ou algo do tipo. Essa talvez seja inclusive a sua maior vantagem e com um catálogo mais completo, acredito que o serviço facilmente se tornaria um dos melhores do gênero, mas é claro que isso tudo envolve outras questões, como direito autorais e a exibição dos seus produtos na TV a cabo por aqui, que nem sempre ou quase nunca consegue acompanhar o resto do mundo.

Mas voltando a falar da nova temporada de Arrested Develpment (me sinto ridículo dizendo “nova”, sendo que ela estava disponível faz tempo e tendo visto logo que saiu, mas apenas 1 episódio por dia e só estar comentando agora #MYBAD), é sempre bom reencontrar com a família Bluth e todas as confusões que eles estão sempre envolvidos, ainda mais encontrando a história basicamente do mesmo ponto em que nos despedimos da mesma tão precocemente anos atrás. Todos juntos novamente, só que separados, tentando se adaptar a suas novas realidades e ainda tendo que se envolver com os problemas dos demais personagens dessa família, que diga-se de passagem, não são poucos.

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Michael (Jason Bateman) tentando seguir a sua vida, recomeçando após mais um fracasso, tendo que dividir a vida de universitário com o filho, George Michael (Michael Cera), que obviamente não fica nada feliz com a presença do pai. Gob (Will Arnett) perseguindo o sonho de se tornar um grande mágico, encontrando no caminho o seu pior inimigo, além dos seus problemas todos envolvendo a própria sexualidade e ou seu relacionamento anterior com uma adolescente. Tobias (David Cross) e Lindsay (Portia de Rossi) continuavam tentando viver juntos, ou separados, sempre envolvidos em novos casos amorosos nada ou pouco saudáveis para ambos e com a Maeby (Alia Shawkat) ainda perdida no meio dos dois, tentando fazer com que eles enxerguem o óbvio, algo que estava além de um peru cru e vivo servido no jantar de Thanksgiving (cena sensacional!) e nesse meio tempo, ainda encontrando tempo para ser genial e se tornar alguém bem sucedida na vida, mesmo sem ter terminado o colegial ainda e por alguns anos consecutivos, só para tentar atrair a atenção de seus pais. Isso é claro que além dos chefes dessa família, Lucille (Jessica Walter) e George Bluth (Jeffrey Tambor), com ambos envolvidos em trambiques pesados como a construção de um muro de separação do México e os USA e ainda tendo que enfrentar de perto seus respectivos irmãos do lado negro da força. E ainda tinha o Buster (Tony Hale) e a sua devoção a mãe que ele acompanhava de perto em sua prisão domiciliar, facilitando até mesmo o seu hábito proibido naquele momento de fumar (sério, não me lembro de ter tido um ataque de riso tão desesperado em muito tempo), além dos seus plots todos envolvendo o exército e o implante de uma mão gigantesca, motivo do meu segundo ataque de riso compulsivo ao longo da nova temporada.

Ou seja, toda a loucura dessa família estava reunida novamente, exceto pela forma como recebemos a nova temporada dessa vez, algo que envolvia a logística de todos os grandes nomes envolvidos em sua produção. Por se tratar de um elenco de peso, completamente envolvido com outras atividades, principalmente o cinema, a nova temporada de Arrested Development acabou tendo que ser realizada de uma forma diferente, separando seus personagens e com cada um deles ganhando um ou dois episódios ao longo da mesma, separando de vez a família Bluth, algo que sabemos que não é a melhor opção tendo um elenco tão bacana e personagens tão sensacionais nas mãos. Ainda mais com eles tendo sempre se completado tão bem, algo que acabou fazendo e muita falta ao longo dessa Season 4.

E para dar conta da demanda dos novos episódios, eles tiveram que se virar na edição, gravando inclusive utilizando o recurso do fundo verde, quando não era possível agendar os atores para a mesma data. Algo que apesar de ser prejudicial, não chegou a afetar tanto assim a produção, mesmo sendo possível perceber de longe esse tipo de montagem (o que acabou deixando tudo ainda mais engraçado), mas fato é que tudo teria sido muito melhor se a nova temporada tivesse sido gravada normalmente. Uma pena, mas é o que temos no nosso catálogo e só dela ter sido realizada, acho que nem podemos reclamar.

Separando os personagens dessa forma, alguns deles acabaram sendo bastante prejudicados, algo que deixou alguns episódios muito melhores do que os outros, por exemplo, isso é claro que levando em consideração o carisma do mesmo. Mas para nos compensar desses pequenos problemas de logística envolvendo a produção, a série acabou nos entregando junto com esses novos episódios uma série de participações mais do que especiais, mesmo que algumas delas tenham durado pouco mais de uma cena de 1 ou 2 minutos.  Isso sem contar todas as referências a mitologia da série, que foram todas sensacionais.

Assim, recebemos sim o aguardadíssimo retorno da família Bluth, que pode não ter sido como antigamente ou qualquer coisa do tipo, mas é sempre bom reencontrar com todos eles, mesmo que em um fundo verde ou acumulados em uma dose forte de episódios inéditos lançados de uma só vez, que por experiência própria, é recomendável que sejam vistos com calma, um por vez, porque apesar dessa ser uma série de comédia (que costumamos assistir em um tapa), ela não é uma série de comédia como uma qualquer. O bom de tudo isso é que além dos novos episódios e a série talvez ainda ganhar mais um pouco de sobrevida, o Netflix traz em seu catálogo as temporadas anteriores, o que chega a ser uma covardia de convite para uma maratona dessa que foi a melhor série de comédia do seu tempo.

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