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Realmente está na hora de reconhecer que alguém precisa desligar os aparelhos de Grey’s Anatomy…

Maio 28, 2013

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Depois daquele final trágico e pavoroso da Season 8 que muitos de nós gostaríamos que não tivesse sido verdade, Grey’s Anatomy estava de volta e já começou sua Season 9 discutindo a irrelevância de se manter (em alguns casos) a pessoa viva apenas por aparelhos, sendo que seu corpo já não teria mais grandes chances de se aguentar por si só. Em seu primeiro novo episódio, observamos a escolha de Mark Sloan (sim, aquele Mark Sloan, super relevante para a série durante esses anos todos, tisc tisc….), que havia pré estabelecido um contrato bem prático a respeito do seu tratamento, que se não apresentasse nenhuma melhora considerável em um período de 30 dias, deveria ser deixado de lado, simples assim e deixando a vida seguir seu curso naturalmente.

Uma escolha consciente, prática, difícil de ser tomada, algo que a gente consegue até imaginar, mas que nem foi qualquer tipo de novidade para uma série médica como Greysa, que desde sempre discutiu todas essas questões de forma corajosa até, mostrando claramente que em alguns casos, a insistência da medicina pode servir apenas para prorrogar o inevitável. Que é mais ou menos o que estamos observando acontecer com a própria série desde a estreia da Season 9, como se estivéssemos observando seu quadro clínico de perto, semanalmente, nos encontrando até que animados mesmo que bem de leve, com qualquer tipo de melhora que tenhamos encontrando durante essa nova temporada da série, mas que nem por isso chegamos a ficar com qualquer tipo de esperança de uma melhora considerável em relação ao seu atual estado e talvez já tenha mesmo passado da hora de reconhecer que do jeito que está não dá mais para continuar e se for para ser assim, talvez seja melhor mesmo que Grey’s Anatomy finalmente encontre o seu fim. Sabe aqueles 30 dias que o Sloan pediu para esperarem o seu corpo reagir ao tratamento? Para essa temporada do coma induzido em Greysa, foi o equivalente aos 24 episódios da Season 9 e apesar de ser sempre duro receber esse tipo de notícia, podemos dizer que a série não conseguiu melhorar ou responder muito bem ao tratamento da nova temporada.

A essa altura e depois daquele acidente totalmente desnecessário do qual Grey’s Anatomy talvez nunca mais se recupere (como já desconfiávamos), encontramos a série agora com a assinatura orgulhosa de sua criadora que não devemos pronunciar o nome em vão, aparecendo na “abertura” de todos os episódios, como se ela ainda tivesse do que se orgulhar do seu atual trabalho bem porco na TV, apesar de no Twitter ela parecer muito mais empolgada com o que vem fazendo em Scandal (devo aplicar meu tempo nesse escândalo ou ele é só um bafinho insosso que logo passa? Responda leitor que assista a nova série, por favor). Tudo bem, tivemos o episódio com a morte do Mark abrindo a temporada, que era a sua aposta certa para nos pegar pelo menos pela emoção, mas que em nada convenceu devido a relevância do personagem (sorry Mark, mas é verdade…) e a forma como os demais acabaram lidando com a situação, exceto por alguns poucos que souberam se comportar adequadamente dentro daquele cenário de luto.

E começar a temporada ignorando de certa forma os acontecimentos catastróficos da temporada anterior que certamente mudariam a experiência de assistir a série para muita gente, realmente não foi a melhor escolha de Shhh… quer dizer, dela. Tudo bem também que logo no segundo episódio ganhamos os aguardados flashbacks sobre o que teria acontecido na “ilha” (que na verdade, era uma floresta, mas para colaborar com o tom dramático da coisa acho que vale dizer ilha, rs), nos fazendo ficar com a sensação de que o estagiário responsável pela exibição da grade na ABC havia trocado sem querer a ordem dos episódios. Só pode, porque algo tão grandioso e importante como foi aquele acidente, merecia ter sido o grande destaque da sua volta e nem isso Greysa se preocupou em fazer. E nesse momento, a série já nos estregava descaradamente que essa seria a temporada mais cínica da sua história.

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Depois disso permanecemos durante alguns outros episódios observando todos os envolvidos com o tal acidente e terceiros (Callie), tentando se adaptar e tendo todos que lidar com suas novas realidades de os maiores médicos azarões atraí coisa ruim e que a morte parece perseguir o tempo todo do mundo. Meredith não conseguia voar. Ninguém conseguiria voar logo depois do acontecido. Yang não conseguia voar. Novamente, ninguém conseguiria voar depois de ter passado por um trauma como aquele e a propósito, antes eles pouco viajavam de avião, que a gente se lembre. Derek precisava recuperar os movimentos da sua mão, de novo (ZzZZZ) e enquanto isso fazia figuração como o melhor professor de medicina do mundo, dentro do hospital, sobrando um tempinho até para se dedicar a sua carreira de modelo (não acredita? Pois é verdade e até esse plot nós tivemos que engolir durante a nova temporada)… enquanto Arizona jogava na cara da sua outra metade o fato dela ter sido a responsável por deixá-la pela metade, que é como ela se sentia depois de ter perdido a perna. (OK, eu sei que essa line pode ter parecido horrível, mas alguém jura que eu vou receber qualquer tipo de julgamento pior do que a Shhh… quer dizer, do que aquela que não devemos dizer o nome em vão só por isso? Sei…) Até aqui, reações extremamente naturais após todos os acontecimentos, mas tudo bem dentro do esperado também, dentro de uma normalidade preguiçosa e bem óbvia, as vezes até irritante.

Com os personagens principais ainda em fase de recuperação, as coisas precisavam funcionar por ali e por isso, acabamos ganhando uma série de novos internos, tentando desesperadamente que a gente se importasse com suas histórias ou pelo menos que alguém lembrasse de seus nomes até o final da temporada. Fuén…. observando minhas anotações sobre a Season 9, percebi que em nenhum momento eu cheguei a escrever o nome de qualquer um deles, tamanha relevância (mas palavras como “chatinho”, “sono” e “preguiça” foram bem recorrentes em minhas anotações). Personagens chatinhos, sem carisma ou apelo e que nós já vimos circular por aqueles corredores anteriormente, só que em corpos diferentes e também absolutamente dispensáveis, tanto que não duraram muito, exceto pela Kepner, essa sim que a gente torce até hoje para que o azar fale mais alto com ela dentro daquele hospital, que parece ser o lugar perfeito para atrair esse tipo de coisa ruim  para todo mundo (os dois tipos inclusive, rs) mesmo por ela que por exemplo, de forma inexplicável, aquele lugar amaldiçoado é capaz de trazer um Avery ou o seu novo boy magia ambulante e virgem (não consigo lidar com esse plot de uma médica de quase 30 anos – ou mais – discutindo a virgindade como uma adolescente qualquer. Não consigo e fico constrangido toda vez). Vai entender. Vou ter que confessar também que durante boa parte da temporada, aproveitei as cenas dos novos internos todos para dar aquela olhada nos emails, cortar as unhas, fazer um Cup Noodles de  Costela com Molho de Churrasco (Cha-Ching Cha-Ching), ou um bolo de caneca (que é o meu novo vício e que eu descobri recentemente que fica bem melhor e ou perfeito com sorvete. Anotem…) ou jogar paciência contra a minha própria paciência (leia paciência como Cut The Hope). Honestamente falando.

Outro plot super dramático que aconteceu durante essa nova temporada de Greysa foi o quase fechamento do hospital, que estava prestes a acontecer devido ao processo que o grupo de médicos acidentados durante a queda do avião moveu contra a empresa/hospital, que como foram vitoriosos na causa, quase acabaram destruindo o emprego de várias outras pessoas, inclusive os deles mesmos, agora milionários. Difícil acreditar que um grupo de 6 médicos (Lexie e Mark ainda contam, não?) conseguiria levar um hospital como o Seattle Grace a falência, apesar do acontecido, mas como não entendemos muito bem de números nesse caso e não estamos em dia com a contabilidade do hospital da morte, que deve ter muitas dívidas com gente poderosa nos andares de cima e de baixo, deixamos passar.

Assim tivemos uma fusão com uma empresa de terceiros, que tinha coincidentemente uma ex aluna desistente e magoada do Seattle Grace a frente dos negócios (sei…), ensinando aqueles médicos acidentados e vítimas constantes do azar a como economizar e continuar apto a salvar vidas. Lame. Tanto que não deu muito certo e logo eles optaram por um outro plot administrativo, esse com os médicos donos da fortuna arriscando tudo e comprando o hospital, simples assim, mas não sem antes ter que contar com o apoio da insuportável, over e vulgar mãe do Avery, a “booty call” oficial do Chief (My eyes! My eyes!), ela que aproveitou o momento para quebrar o porquinho abastado de ouro cravejado de brilhantes do filho e assim o fez o sócio majoritário do novo Seattle Grace (chefe de todos os outros inclusive. O Avery, que é lindo, mas tem o carisma de uma acelga..,), que agora além de tudo passaria a se chamar Seattle Grace Mercy Death McSteamy Greysinha, para os íntimos, que para facilitar pode também se chamado como “Lar do Azar” ou “Santa Casa do vem quem tem plot dramático e ou acidente para você também”, ou qualquer outra coisa do tipo, rs.

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Sem contar que a palavra da vez dessa Season 9 de Grey’s Anatomy acabou sendo mesmo o tal cinismo mencionado anteriormente, com todos eles usando desculpas esfarrapadas o tempo todo, aceitando o peso de serem os médicos mais azarados da TV, sem o menor questionamento ou insatisfação, com sobra de espaço até para risadinhas irritante sobre tudo o que já aconteceu com eles, exceto pela Yang no começo da temporada, quando ainda no outro trabalho. Todos eles em algum momento apareceram irritantemente nos forçando essa aceitação fácil demais de que naquele lugar, tudo pode acontecer e ponto e isso foi bem difícil de engolir, ainda mais com aqueles tapinhas nas costas e uma risadinha meio torta e opaca. Mais ou menos como aquele amigo com quem você um dia resolve desabafar, reclamando sobre o quanto sua vida anda uma merda e ele escolhe assumir aquela conversa como uma competição, resolvendo contar o quão pior a vida dele anda também naquele momento. Boring.

E o pior deles todos nesse cenário, foi mesmo a Meredith, que de Medusa (apelido que eles abandonaram rapidinho porque ela estava convencendo muito mais como pedra, do que qualquer outra coisa) passou a figurar como a médica agora grávida, morrendo de medo sobre o que um lugar que só atrai coisa ruim com o agora Seattle Grace Mercy Death McSteamy Greysinha, poderia fazer com seu bebê. Sério, toda vez que ela mencionava a possibilidade do bebê nascer com duas cabeças e ou ela e o bebê acabarem morrendo no parto, eu agradecia por não estar fazendo figuração na série com uma seringa totalmente preenchida com algo letal por perto porque do contrário, alguém já tinha encontrado a morte e se a dose fosse boa mesmo, eu a dividiria em duas, uma para o cinismo da personagem e a outra para o cinismo de quem escreve a série. Arghhh!

É claro que em meio a tudo isso, algumas coisas bacanas ainda continuaram acontecendo nesse cenário, como a relação da Yang com o seu mentor do outro hospital, que acabou se tornando o grande responsável pela sua “cura” e aceitação de quem ela é de verdade (um discurso lindo por sinal), assim como um dos momentos mais esperados da série desde a temporada anterior, que foi quando sua criadora que não devemos mencionar o nome, resolveu fazer as pazes com uma das personagens mais queridas de Greysa antigo, voltando a emprestar alguma dignidade para a personagem, que já estava fazendo falta e isso desde quando ela foi esquecida como o alívio cômico que já não tinha mais a menor graça ou função dentro da série.

Que foi o que vimos finalmente acontecer com a Dra Bailey de novo, do plot do seu casamento que acabou não ocorrendo como ela esperava e que ainda terminou com um momento lindo, por conta de um outro momento bem triste, com a morte da Adele (se bem que um simples telefonema nesse caso teria resolvido boa parte do constrangimento de todo mundo ficar esperando a noiva na igreja. #OCAPETAESTADEOLHO), até a sua queda mais perto do final da temporada, com ela por questões de higiene (mentira, não foi isso, mas está valendo… rs), ter matado alguns pacientes com as próprias mãos. Literalmente. E quando envolvida em um drama novamente, Dra Bailey nos fez lembrar imediatamente o porque que nós gostamos tanto da personagem no passado e todo o seu trauma de não querer mais operar ninguém com medo do que aconteceu com seus pacientes, encontrando como resolução ela tendo que operar a Meredith as pressas durante suas complicações no parto que foi o acontecimento de maior destaque da season finale, foi verdadeiramente muito bom. Mas chegaremos a finale em instantes, porque antes disso, ainda temos mais do que reclamar…

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Antes disso, precisamos falar sobre o quanto foi preguiçoso o Karev ter ganhado uma nova Izzie, com aquele plot sem vergonha do espancamento, do qual a gente já desconfiava desde o principio sobre qual seria o seu desenrolar. E esse lado bem mais previsível também foi um dos vários pontos negativos dessa fase de sobrevida de Grey’s Anatomy, onde conseguimos visualizar e imaginar exatamente onde aquela história estava nos levando. Algo que valeu para a história da nova Izzie com o velho Karev, valeu para o “filho” do Owen, que caiu como um presente ruivo (precisava ser ruivo?) no seu colo e ele não conseguiu esconder a raiva de ver o pai do menino acordando bem da mesa de cirurgia, destruindo o seu sonho de se tornar pai de uma forma mais “fácil” até e esteve na cara desde o começo que aquele era o filho dos seus sonhos (pensando nas dificuldades maternas da Yang ou vocação, uma criança já crescida talvez fosse mesmo sua melhor opção, se ela ainda tivesse algum interesse naquela relação) e valeu também para a provocação daquela que não devemos dizer o nome, falando em seu Twitter que essa finale seria daquelas, revoltante, sanguinária, azarenta, mas que no final das contas todo mundo já desconfiava que seria algo mais café com leite com bastante adoçante, apesar daquela cena final. (que fez alguém assinar o próprio atestado de burrice não? Um fio desencapado soltando faísca e um chão completamente alagado não é um cenário que qualquer um entra sem tomar cuidado, não é mesmo? Enfim…)

Agora, outro ponto que ultrapassou as barreiras do insuportável durante toda essa temporada realmente foi a permanência da Arizona na série. Ela que foi péssima enquanto em recuperação, e digo péssima atriz, esposa, vítima, mãe, pessoa, plano de fundo, modelo de uniforme de cirurgiã pediatra e assim permaneceu até o final, quando nos entregou a desculpa mais esfarrapada para ter traído a Callie com uma total estranha, também médica e gatinha até (lembra o quanto ela demorou para trazer de volta o sexo para a sua relação? E isso com alguém que ela já dividia a vida, imaginem com um estranho? Só para deixar registrado), mas que apareceu no hospital porque era uma espécie de stalker da mesma, mesmo estando ciente de sua atual condição (acidente, estado civil, status no face), algo no mínimo creep, não é mesmo? Torço para que aquela nova médica na verdade seja uma tipo de stalker bem psicopata, que acabe sequestrando a Arizona e a mantenha em um porão escuro e seco a base de muita tortura e tudo isso ironicamente em um cenário deserto qualquer do próprio Arizona. (sabe o final da Andrea em TWD? Então, só que mais prolongado e sofrido…)

Encerrando a temporada, tivemos exatamente as resoluções que eu já comentei ao longo dessa review, com o parto da Grey, a doutrora Bailey finalmente se recuperando do seu trauma recente, Yang se separando mais uma vez do Owen e pelo mesmo motivo de sempre (super preguiça por conta de ser um repeat, porque entendemos bem os motivos de ambos nesse caso), Karev e a nova Izzie se amando loucamente se não fosse por uma árvore invadindo a sala da casa do meio do nada (Sério!), Callie descobrindo a traição da Arizona, que segundo a traidora, foi tudo culpa dela porque a médica foi quem cortou sua perna no passado (leio isso e não consigo acreditar que alguém usaria esse tipo de argumento em um DR. Simplesmente não consigo e se é comigo, apanha com a própria perna, viu E.? rs), além de um acidente que poderia ter sido fatal e que aconteceu na porta do hospital, com uma das cenas mais ridículas e clichês da história de Greysa, com o Avery saindo do meio de uma cortina de fogo com pose de herói magia, resgatando a criancinha que poderia ter morrido (se aquela for a futura filha da Yang eu vou achar ainda mais revoltante, já estou avisando) e aquela cena final, com o Chief provavelmente eletrocutado, no chão do hospital, que se morreu, morreu de forma tão ridícula como tudo o que andamos encontrando dentro da série em sua atual condição de coma induzido.

E com uma temporada que teve sim o seu mérito, mas ao mesmo tempo nos entregou tanta coisa ruim e de forma tão cínica, além de ter contado com um pedido de casamento musical para a Kepner no formato de um flash mob (nessa hora, eu rezei para que outro avião caísse e dessa vez no próprio hospital), é preciso chegarmos a conclusão de que realmente já está passando da hora de considerar desligar os aparelhos que mantém Grey’s Anatomy viva até hoje, porque uma série que você acompanha por nove temporadas, não é tão fácil assim de se abandonar afinal, temos muito apego àqueles personagens e ainda nos interessamos por eles. Mas ao mesmo tempo, ver algo que você já gostou tanto, se encontrando em um estado praticamente vegetativo em sua TV, também não é fácil para ninguém e por isso, acho que já passou da hora de aceitarmos que Grey’s Anatomy tem que morrer, não tem jeito e isso já não podem mais demorar tanto para acontecer.

 

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Como destruir uma temporada quase perfeita usando apenas um season finale bem trágico. Estrelando: Shonda Rhimes

Maio 21, 2012

Cá estava eu, pronto para distribuir elogios lindos de belíssimos para a Season 8 de Grey’s Anatomy. Uma temporada que até então estava sendo bem sensacional, principalmente em sua primeira metade, com uma série de episódios que nos mostravam o porque de Grey’s Anatomy ser a única sobrevivente com alguma dignidade das suas séries contemporâneas (Lost, Desperate Housewives…), entregando uma temporada que também nos mostrava toda a vontade de Grey’s de se manter em pé enquanto veterana, pronta para a batalha. Mesmo depois de tantas baixas e algumas temporadas meio assim.

Estava pronto para dizer o quanto Shonda Rhimes conseguiu voltar a me emocionar durante essa Season 8, com todo o drama em relação a guarda da Zola e aquela narração perfeita da própria Grey voltando para casa sem o maior amor da sua vida. Eu pelo menos sempre gosto dos textos da narração da série, mas esse realmente foi muito especial, do tipo que nós vamos nos lembrar por muito tempo. Chorei, chorei e chorei compulsivamente. Voltei, assisti só aquele final pelo menos mais umas duas vezes, de tão sensacional que eu achei (além de me perder em meio a legenda por conta das lágrimas. Awnnnn!). Até Zola voltar de brinde no disk pizza, que ainda bem que não demorou tanto tempo assim para acontecer e todo nós ficarmos como os nossos corações cheios de amor novamente. (♥)

Ai teve a Dra Yang, nos emocionando mais do que nunca com todo o plot da morte do marido da sua mentora pelas suas próprias mãos, em um procedimento corriqueiro para ela que se acha a melhor das melhores (e ao que tudo indica, ela é mesmo! rs), tudo isso as cegas, tratando o presunto do Henry como apenas mais um, até ela ficar sabendo quem de fato ele era e ter aquela reação desesperadora, que nós nem precisamos do audio para compreender o nível do drama daquele momento, que também foi um dos pontos mais altos da temporada. Com isso, aparecia até uma salvação para a Teddy, que com o luto até se tornou uma pessoa mais interessante. Pelo menos no começo, porque depois ela voltou a ser a mesma chata de sempre, principalmente pensando na sua relação com o Owen, o qual ela culpava injustamente pela morte do seu marido. Mas tudo bem, respeitamos a sua dor e aceitamos com alegria a sua demissão ao final na temporada.

Yang ainda passou por várias durante essa temporada e como se o drama de ter “matado” o marido da sua chefe/mentora não fosse o suficiente, ela ainda teve que lidar com os olhares de desejo da Sarah Connor para cima do seu homem, que mais tarde revelou que a traiu, mas não com a Terminator. Ufa! Logo o Owen, um homem ruivo que resistiu a guerra (rs), caindo nesse tipo de tentação sempre tão estúpida. Vai entender. Mas tudo bem também, porque com isso ganhamos uma discussão sensacional entre Cristina e o Owen, do tipo D.R daquelas bem boas sabe? E melhor ainda foi quando a Yang conseguiu perceber a tempo o quanto ela estava colocando de lado todos os outros plots da sua vida, apenas por uma situação, apenas por um homem. Algo que obviamente não valeria a pena e que bom que ela conseguiu perceber isso. Tudo bem que ele poderia ser o homem da sua vida, mas ela também é a mulher da sua vida e nesse empate, Owen acabou perdendo alguém que segundo o próprio, ele só queria magoar.

Enquanto isso a gente tinha todo o resto acontecendo no hospital. Karev sendo o Karev, afastando todo mundo de perto dele para tentar manter aquela postura de badass que ele insiste em forçar, mas que todo mundo já percebeu que ele não passa de um ursinho carinhoso da pediatria (♥), tomando inclusive voltas e mais voltas do próprio (ex) Chief, que seja para ensinar alguma coisa ou apenas para roubar um procedimento que ele adoraria colocar em prática ele mesmo, aproveitava toda a experiência dos seus cabelos brancos para continuar comandando o hospital, mesmo esse já não sendo mais o seu cargo faz tempo. Ele que ainda ganhou a doença da sua mulher, Adele, atingindo um estágio (rápido demais até) que já não permitia mais que eles mantivessem a mesma relação de homem e mulher de antigamente. Triste.

Até nos esportes eles se arriscaram durante essa temporada e tiveram que engolir o gosto da derrota é claro, ou vc imaginou que algum desses Doutores tenha sido destaque nas aulas de educação física? Seriously? (tirando o Mark e o Owen, vai…) E até um plot de Doctor Who eles conseguiram encaixar de forma genial na série. Agora me fala se essa temporada não tinha mesmo de tudo para ser sensacional?

Eu só não estava aceitando muito bem essa “birra” que me parecia que a Shonda tinha criado em relação ao personagem da Dr Bailey, que quase fez apenas figuração durante toda essa temporada, sempre envolvida em algo menos relevante, até ela usar um fio dental para pedir o namorado em casamento, o que também não teve muita relevância assim. No episódio que contou com a participação da menina de Switched At Birth (anteriormente filha do Luke em Gilmore Girls) por exemplo, pela reação dela ao presenciar o  caso da menina que passou anos em cativeiro sendo torturada e a abusada, eu até cheguei a desconfiar que sobraria para ela algum trauma do passado ainda a ser revelado, o que acabou nem acontecendo e só foi mesmo o combustível para ela surtar daquele jeito ao não encontrar o filho na saída da creche durante o mesmo episódio. Drama que durou 2 minutos e logo ele estava de volta. Mas foi só isso mesmo…Humpf!

Outro que permaneceu muito tempo em segundo plano foi o Derek, ele que durante algum tempo foi conhecido como McDreamy e que hoje em dia está muito mais para McPesadelo, do que qualquer outra coisa. O problema nesse caso foi pior ainda, porque antes ele tivesse permanecido como um ignorado pela Shonda durante toda essa Season 8, do que ter aparecido como o cara chatíssimo que ele foi se transformando ao longo do tempo, principalmente ainda no começo da temporada, quando o plot da adoção era o drama da vez para o casal Merder. Eu sinceramente estava até sentindo que uma morte para o seu personagem pudesse estar a caminho, uma vez que o próprio ator andou enrolando para renovar o seu contrato, se dizendo cansado da TV e tudo mais. Dizem até que o fatídico season finale dessa temporada foi gravado sob essas condições, com aquele grupo de doutores ainda sem terem seus contratos renovados e por isso teria sido usado aquele recurso da tragédia em um nível assustador e talvez até irrecuperável. Mas ainda chegaremos lá…

Quem também foi mantida na sombra foi a própria Mini Grey que sem o seu Mark, acabou ficando meio que de lado. Nem consigo me lembrar de quando ela e o Avery começaram ou terminaram a sua relação, para se ter uma ideia da sua importância. E ela ainda acabou sendo usada para substituir a Grey durante o período em que ela e o marido não estavam mais se entendendo, o que não adiantou muito também porque como eu já disse, quem foi o Derek durante toda essa temporada?

Enquanto tudo isso acontecia, os avulsos permaneciam apenas avulsos: Arizona, Callie, Mark, Avery e Kepner, essa última ocupando o posto mais alto dos avulsos insuportáveis. Eu até gosto da Callie e acho ela enquanto profisional uma mulher bem sensacional (e gostei muito que ela tomou um sacode com um erro médico primitivo), mas aí tem o plot de romance dela com a Arizona, que eu acho meio que desnecessário para o tamanho do destaque que ele acaba ganhando dentro da trama. Chato. Já o Mark… ele sempre foi aquele ator meio canastrão mesmo e até aquela cena com ele fazendo um revival do seu clássico momento saindo do chuveiro apenas de toalha no episódio com a realidade alternativa (que de bom, só teve a Yang de chapinha), já não convencia mais (e como ele emagreceu, não?). Mas aí tinha também o bromance dele com o Avery, esse sim um ponto que eu acho que ele conseguiram acertar para ambos os personagens. Mas e a Kepner, hein?

Nunca consegui aceitar muito bem a Kepner, de verdade e acho que a maior burrada da série até então (antes desse season finale…) foi a recontratação dela. Sério, que mulherzinha mais chata, Aff! E nós que imaginamos que o problema dela seria fácil de resolver com uma boa noite de trabalho em outras áreas (if you know what i mean), acabamos ainda tendo que lidar com todo aquele mimimi descabido (para o momento) do episódio final, naquela tentativa de plot cristão que eu tenho certeza que a Shonda só incluiu em Grey’s Anatomy por inveja de Glee, rs. Ahhh, faça me o favor!

Adorei que além dela ter sido reprovada, não ser mais pura aos olhos de Deus (…) e não conseguir vaga em nenhum outro hospital para trabalhar, ela ainda acabou sendo demitida pelo Owen, simplesmente por não ser a melhor para a vaga. Tem melhor pé na bunda do que esse? Que não valeu nem uma morte para a Kepner na série, que a gente sabe que é como eles adoram se despedir de seus personagens meio assim? Já vai tarde… (se ela acabar não saindo, que pelo menos receba o plot de um coma profundo por toda a Season 9, até a sua morte. Amém!)

Tudo estava tão lindo, a temporada estava tão perfeita que a promessa de um season finale “chocante” segundo a própria Shonda Rhimes em seu Twitter, já nem me assustava mais. A essa altura, o que poderia acontecer de pior que fosse capaz de estragar uma temporada tão boa quanto estava sendo essa Season 8 de Grey’s Anatomy? Nem a reprise do episódio de Valentine’s Day (que eu detestei) apresentada como finale, poderia ser capaz de estragar essa delícia. Nem um novo episódio musical, rs.

Até que o impossível aconteceu, para o nosso total desespero e isso já com aqueles segundos finais do episódio anterior (8×23 Migration) onde começamos a sentir o gostinho amargo do que estaria por vir como proposta de encerramento para essa temporada. Depois ainda teve o promo, que me fez passar uma semana inteira tentando digerir aquela proposta trágica toda, que já logo de cara me parecia ser totalmente descabida. Até que chegamos ao momento do play do último episódio dessa Season 8, um momento que uma vez começado, não teria mas volta. Talvez nunca mais até … (a não ser que a resposta quanto ao episódio acabe sendo tão negativa, que a Shonda acabe utilizando o recurso do sonho/pesadelo, o que apesar de bem sem vergonha, eu até aceitaria de coração aberto como alternativa para esquecer esse maldito 8×24 Flight. Sério)

E a pergunta que ecoava na minha cabeça desde o promo era a seguinte: Precisava mesmo disso?

Uma tragédia nesse nível, colocando seis personagens importantes para a história (sendo pelo menos quatro deles bem queridos) naquela situação lamentável, realmente me pareceu um exagero do começo ao fim. É, respondendo a pergunta que ecoava na minha cabeça desde a semana anterior, realmente não precisava disso. Não precisava mesmo. Mas eu juro que mesmo achando que tudo aquilo já tivesse uma cara de UM GRANDE ERRO desde o começo, eu permaneci acreditando que talvez a Shonda (que a partir desse episódio talvez nunca mais consiga ser a mesma para mim, sem exagero…) tivesse uma saída brilhante para aquilo tudo. Ainda mais depois dessa temporada quase perfeita, onde ela voltou a nos emocionar como antes, com casos bacanas, plots e mais plots do coração, uma trilha perfeita para o momento certo, nos fazendo lembrar dos bons tempos de Grey’s antigo até. Mas para a minha própria infelicidade, eu não estava errado e Shonda realmente havia perdido completamente a mão nessa season finale, que eu preferia que não tivesse existido e fiquei até aguardando uma parte dois, com 44 minutos de uma tela em preto, dizendo que tudo aquilo não passou de um grande pesadelo.

Tudo foi tão descabido, tão exagerado e o texto chegou a ser tão medíocre em diversos momentos, que a minha relação com esse episódio foi a pior das possíveis. Nem quando Grey’s Anatomy resolveu encerrar a temporada anterior com uma DR, fugindo totalmente do esperado, eu cheguei a ficar tão decepcionado. Quase não conseguia me lembrar do quanto essa Season 8 havia sido boa até agora, depois dessa desgraça exagerada e e totalmente descabida. Acho até que com esse finale pavoroso, a Shonda Rhimes conseguiu enterrar todo um trabalho de outros 23 episódios, que estava sendo feito muito bem novamente. Uma pena…

E com tantos personagens avulsos (dois deles pelos menos estavam no avião e poderiam ter sido as vítimas da vez), tinha que sobrar logo para a nossa queridíssima Lexie Grey? (R.I.P)

Quase não consegui acreditar naquela cena extremamente triste (e muito bem feita por sinal, pelo menos isso…) dela se despedindo do Mark, completamente ciente de que não teria a menor chance de sobreviver e ele revelando que também a amava, desde sempre. Realmente, foi um momento muito bom, apesar da perda (sim, ela morreu, Humpf!), onde eu até consegui aceitar o Mark melhor enquanto personagem e até mesmo como ator. Pena isso não ter durado muito e minutos depois ele ter uma das lines mais clichês ever, passando também por um momento entre a vida e a morte e dizendo para a Arizona (que ninguém sabe o porque de ainda estar viva até hoje) que iria ficar bem, que a Lexie o estava esperando do outro lado… Ahhhh, faça me o favor Shonda, vc já foi bem melhor do que isso! E bota melhor nisso. Sabe quando alguém atinge o limbo abaixo do fundo do poço? Então…

Tudo bem que essa é uma line típica para um momento como esses, mas não para médicos acidentados que são capazes de dar o seu próprio diagnóstico e sugerir uma opção de tratamento, mesmo quando estão sendo esmagados pelo peso dos destroços de um avião (como aconteceu com a Lexie) e muito menos para um Mark Sloan da vida, neam? Achei sofrível, tanto o momento, quanto mais ainda esse texto da sequência, que não poderia ser pior ou mais preguiçoso. Só não cai em um estado de sono profundo de tamanha raiva que eu estava sentindo naquele momento.

Aliás, o texto desse episódio final foi um dos piores da série, em todos os sentido e ocasiões, exceto pela despedida entre a Lexie e o Mark. Como por exemplo, outro momento que me irritou muito, foram as lines do plot Cristão entre a Kepner e o Avery ainda no hospital, ganhando destaque nessa reta final do caos, momento que eu até já mencionei anteriormente. Kepner que nada justifica não ter ganhado um ticket só de ida para aquela viagem para o inferno que acabou se transformando aquele voo. Quer mais um exemplo? O que foi desnecessário a line da Meredith em um momento de total desespero, falando do meio do nada que a Cristina continua sendo a sua “pessoa” mesmo com ela não sendo mais o correspondente para a amiga? Sério? O que foi aquilo? Ainda mais naquele momento, levando em consideração que ela estava a procura do marido que tinha voado para longe no acidente e sendo que Meredith, além de tudo isso, ainda poderia nunca mais ver a própria filha! Sério, eu fiquei com uma vergonha sem tamanho em todos esses momentos. Fora isso, o que foi cretina a reação da Arizona, primeiro obedecendo um cala boca da Cristina em meio ao apocalipse e depois, rindo da ironia de estar com uma fratura exposta? E o que foi completamente injusto até o piloto sobreviver e não a Lexie?

A única parte que eu achei aceitável dessa finale foi o desempenho prático da Yang diante daquela situação toda. Nessa hora, agradecemos o coração gelado de Dr Yang. Que mulher sensacional, não? Ela e a Grey foram até meio que como o Batman & Robin nessa finale, trabalhando juntas para que a tragédia não se tornasse algo ainda pior. E nada foi mais sincero do que a line da própria Yang ao dizer ainda no começo do episódio que depois disso tudo, ela só poderia mesmo é querer sair do Seatle Grace Mercy Death, o mais rápido possível assim que tudo isso se resolvesse. E quem não faria o mesmo? E como se recuperar de uma tragédia daquelas, ainda mais depois de ter passado por tudo aquilo que aquelas mesmas pessoas já passaram na série?

Arizona por exemplo, mal se recuperou de um acidente de carro e já caiu de um avião. O mesmo vale para Cristina, Derek e Meredith, que quase levaram uma bala no meio de suas fuças, entre todas as outras situações meio assim que eles já enfrentaram e agora também já podem acrescentar uma queda de avião em seus resumés. Sério, como lidar com isso tudo? E o pior, como eu disse quando comentei sobre o promo, como aceitar embarcar em um voo recheado apenas com aquelas pessoas que só atraem esse tipo de situação? Conhecendo o histórico daqueles personagens, eu jamais entraria naquele voo. JAMAIS! (rs)

Sério, eu não estava conseguindo entender o porque de tudo aquilo e na verdade, permaneço na mesma até agora. Tudo bem que não é de hoje que a gente sabe que a Shonda adora um final trágico e nós além de já termos total consciência disso, também passamos a adorar esses plots todos. Mas tudo tem um limite, não é mesmo? Pois bem, Grey’s Anatomy acaba de alcançar o seu. Seriamente falando.

Nesses oito anos de série, eles já tiveram pacientes bombas, já quase foram mortos um zilhão de bilhões de vezes, já passaram por barras de terem colegas de trabalho enfrentando um doença meio assim, ou sendo atropelados por um ônibus do meio do nada, ou até mesmo recebendo uma descarga elétrica daquelas vinda diretamente do céu, assim como já encararam até um maluco atirador dentro daquele hospital. Agora, acumular a tudo isso um acidente aereo e todo o trauma que ele deve agregar para um sobrevivente, mesmo que esse sobrevivente seja uma médico, que acima de qualquer coisa é também um simples pessoa, certamente ultrapassou qualquer limite do bom senso, do bom gosto e até mesmo um certo nível de credibilidade para a história.

Afinal, quais a chances de tudo isso acontecer apenas com um determinado grupo de pessoas? Ainda quando esses plots trágicos envolvem algum tipo de paciente maluco, ou situação inusitada, tudo bem, porque essas coisas devem acontecer mesmo em um hospital daquele porte. Agora, colocar o azar perseguindo apenas aquele grupo de pessoas constantemente, já é um pouco demais. “Premonição” demais para mim. Haja tratamento para recuperar a cabeça daqueles pés frios dessa maré de azar interminável, hein? Xocotô!

Chegando a essa reta final da Season 8, eu espero que eu tenha sido claro o suficiente para expressar o quanto eu ODIEI (sim, em caixa alta & bold) essa season finale, que para mim só serviu para passar um rasteira nessa temporada inteira, que tinha tudo para terminar de forma sensacional, mas que com esse final totalmente desnecessário, acabou fazendo com que a gente conseguisse até esquecer toda a trajetória que nos trouxe a esse ponto trágico que uma história tão boa como essa não merecia.

Grey’s Anatomy a essa altura, realmente não merecia, não precisava e nem estava carente desse tipo de emoção. Errou feio Shonda, mas feio mesmo…

E por esse final pavoroso, essa Season 8 inteira de Grey’s Anatomy vai para o nosso cantinho do “Think Again”, repensar o que eles fizeram com a gente nesse final de temporada totalmente meio assim…

ps: por isso eu não ficaria nada irritado se tudo aquilo não tivesse passado de um pesadelo…


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