Posts Tagged ‘Season 1’

Keep looking

Julho 24, 2014

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Looking começou com a promessa de ser a nova Girls em uma versão gay mais para Queer As Folk, como bem discutimos por aqui no passado. Rapidamente em seu piloto, e depois observando a sequência de seus 8 episódios para a sua temporada de estreia, percebemos que a história não era exatamente essa, tanto para a comparação com a série das meninas, quanto para a série antiga com a mesma temática.

Digamos que não foi fácil se manter interessado nessa história a princípio, mesmo com a cena gay de San Francisco colaborando para que a gente continuasse no mínimo de olhos bem abertos, nem que fosse apenas pela vista (rs). Além da trilha sonora da série, que também é bem boa e vale a pena deixar o Shazam ligado para descobrir o que está tocando em cada cena.

E grande parte dessa dificuldade em se manter interessado na série pode ser creditada a superficialidade de seus personagens, que pelo menos a principio, foi bastante evidenciada e quase a fez se perder dentro do caminho fácil de mais um pouco do mesmo do mesmo. Mas antes de apontar dedos, é preciso dizer que parte da falta de credibilidade de Looking, pelo menos durante os primeiros episódios da temporada, acabou se dando pelo fato da série não tratar de gays recém descobertos, ou jovens demais, ainda em fase de descobrimento e experimentação, como acompanhamos recentemente na deliciosa Please Like Me, que consegue te conquistar logo de cara, sem fazer muito esforço e meio que pela “inocência” de seus personagens, mas nesse caso, talvez isso tenha acontecido mesmo pela falta de apego com a própria vida sem muito propósito de cada um deles, algo que demorou a ser estabelecido ao longo da Season 1, que teoricamente, teria exatamente essa função de nos apresentá-los e digamos que nisso talvez ela tenha falhado, pelo menos no começo.

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Mas tudo ficou muito melhor a partir do momento em que fomos descobrindo mais de cada um de seus personagens principais, descobrindo suas forças e fragilidades e assim, conseguimos descobrir quem de fato eram aquelas pessoas, além de personagens gays aproveitando as possibilidades de uma cidade como San Francisco (uma vida local bastante explorada por sinal, com espaço até para a famosa Folsom Street Fair), que todos nós sabemos que não devem ser poucas. A partir desse momento, de quando eles foram se permitindo mais e mostrando mais suas fragilidades, eles obviamente foram ficando muito mais interessantes, suas histórias foram crescendo e com isso o nosso nível de interesse por cada um deles acabou sendo estabelecido de vez. Por isso ficamos e é possível garantir a essa altura que valeu bem a pena.

Patrick (Jonathan Groff) por exemplo, acabamos descobrindo que apesar de estar com 20 e poucos anos e ter se vendido no começo da temporada como alguém já bastante envolvido com a cena gay local, nada mais era do que um jovem adulto nerd ainda em fase experimental, vivendo pela primeira vez relações mais complicadas e ou duradouras, como observamos durante a construção da sua relação com sue amante latino Richie (Raul Castillo), além de como todo mundo, também enfrentar alguns problemas familiares (e quem não tem os seus, não é mesmo?) e uma série de questionamentos quanto suas preferências sexuais (isso em relação ao sexo em si mesmo e não dúvidas sobre “que sexo gostar” ou qualquer coisa do tipo), que apareceram de forma bastante realista (a cena da primeira vez dele com o namorado foi de um realismo importante de se ver na TV, porque nem tudo é tão fácil assim, não é mesmo?) e funcionaram justamente para demonstrar que apesar de Looking falar sobre a temática gay, ela trata também de questões que todos nós temos que enfrentar quando nos relacionamos com alguém, gay ou não gay. Ou seja, todo mundo sabe que as primeiras vezes são sempre terríveis e acredite, ao longo da vida, você vai enfrentá-las assim mesmo, no plural.

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Como personagem principal da série, Patrick ganha força a medida em que vamos descobrindo mais da sua personalidade, que apesar de fofa, se revela também um tanto quanto “preconceituosa”, como ele bem deixa transparecer em algum momento já no piloto, isso tanto em relação a questões de níveis sociais e diferenças culturais entre ele e o seu boy magia latino, quanto sobre questões de etnia e algumas outras coisas bem específicas e do mesmo gênero. E vamos falar a verdade, uma série que consegue fazer uma episódio inteiro sobre a temática da “gola rolê”, merece no mínimo o nosso respeito, mesmo que o assunto não seja exatamente nenhuma novidade para ninguém (apesar de ter ficado surpreso recentemente em conversas com amigas não acostumadas a esse tipo de variedade). E apesar de soar um tanto quanto preconceituoso, podemos dizer que a série não deixa de ser honesta em relação ao levantamento desse tipo de questão, que querendo ou não, são questões que aparecem facilmente em conversas soltas de qualquer grupo de amigos, sejamos honestos, vai?

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Outro ponto a favor do seu personagem é a relação deliciosamente deliciosa que ele acaba construindo com o seu chefe, que começa de forma absolutamente constrangedora, mas que depois vai se transformando facilmente em um dos maiores atrativos da série. Claro que parte disso acontece por total culpa do carisma inglês indeed do Russell Tovey (#CRUSHANTIGA por diversos motivos, sendo o maior deles esse aqui ó), que a gente sabe que é quase irresistível, mas também porque fica claro que entre os dois existe uma tensão sexual absurda. Não que isso também não tenha acontecido em sua relação com Richie, mas digamos que talvez por conta de todos os obstáculos (e novamente, todo o carisma do Russell), o fato dos dois terem um outro alguém e se relacionarem de uma outra forma entre si, essa talvez tenha sido a minha relação preferida ao longo dessa Season 1. A boa notícia é que o Kevin do Russell Tovey volta para a já confirmada Season 2, então acho que podemos esperar mais dessa relação deliciosa.

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E apesar de Patrick ser o personagem principal da série, quem acaba facilmente se destacando entre os demais é Dom (Murray Bartlett, o mais magia dos magias da série. Höy!), o personagem mais velho de Looking, que vive outros tipos de conflitos até mesmo por conta da sua idade (e o fato de fazer 40 anos é claro que também trouxe alguns issues para o mesmo). Querendo trilhar o caminho dos seus sonhos na construção do seu restaurante, é dele a maior expectativa da série, onde passamos a torcer para que seu projeto enfim dê certo. Claro que para que isso aconteça, ele acaba se aproximando de alguém bem mais experiente no ramos dos negócios, Lynn, interpretado lindamente pelo ator Scott Bakula, que é do time magia antiga e com quem Dom acaba vivendo uma história de amor “não correspondido”, bem bacana e quase cármica, porque Dom não é o tipo de homem acostumado a ouvir muitos nãos.

A verdade é que ao longo da Season 1, Dom se mostra o mais fragilizado de todos eles, muito provavelmente pelos anos de vida e experiência que ele carrega a frente dos outros dois personagens principais. A forma distante como ele se relaciona com estranhos (e super real, diga-se de passagem… tisc tisc), apenas para satisfazer suas necessidades momentâneas e ou a forma “compensatória” que ele acaba achando ideal para retribuir a ajuda de Lynn, isso tudo demonstra claramente o quanto o personagem, mesmo sendo o mais velho entre eles, também carrega suas inseguranças e ainda está a procura da sua verdadeira identidade. E parte disso fica mais claro ainda quando conhecemos o antigo amor de Dom, um ex namorado super cretino, com quem ele mantém uma dívida e não tem como julgar o personagem no momento em que após a humilhação de ter que pedir de volta o que já era seu, ele opta por fazer um escândalo, mesmo que isso não o tenha levado a alcançar o seu objetivo. Sério, e quem não faria o mesmo? Outro ponto alto da série é a sua relação com a melhor amiga Doris (Lauren Weedman), que é bastante honesta e também muito especial.

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Representando o elo mais fraco de Looking, temos Agústin (Frankie J. Alvarez), que é visivelmente o personagem menos interessante do grupo. Preso em uma crise em busca de criatividade, apesar de ser o único personagem apresentado como parte de uma relacionamento estável, fica claro que aquela relação tinha tudo para afundar a medida em que ambos os envolvidos não evoluem ao longo da temporada a não ser pelo fato de passarem a morar juntos, algo que já foi vendido desde o começo com um grande erro para o casal. E tudo só piora quando Agústin tenta levar a própria relação como seu novo projeto artístico, não exatamente pelo que esse projeto representa e sim pela superficialidade de toda a sua trajetória. Vazio e completamente sem sentido, seu personagem acaba preso em um ciclo vicioso de experimentos fadados ao fracasso e verdades ditas de forma totalmente inconveniente, principalmente quando elas foram direcionadas para os amigos, algo que talvez tenha sido perdoado (de forma bem fácil inclusive) por conta do seu vício ou pelo seu estado diante de todas essas situações.

Em um comparativo cretino com Please Like Me, por exemplo, é nítido que a série acabaria perdendo diante de tanta fofurice australiana, mas como na vida nem tudo é uma grande competição, já deu para perceber que a a nova série também tem seus atrativos e eles não são poucos (mas preciso reconhecer que em relação ao que foi a Season 1 de Girls, a série também perderia. Sorry!). O que fica bem claro durante essa Season 1 de Looking, apesar de ter demorado um tempinho para aparecer de forma mais clara, é que todos os personagens realmente estão a procura de algo, sejam seus sonhos, suas identidades ou simplesmente um propósito e a partir do momento em que conseguimos enxergar isso dentro da  nova série da HBO, ela se torna cada vez mais atrativa, por isso eu digo que apesar das notáveis derrapadas no começo, vale a pena ficar de olho em Looking.

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Por favor gostem de mim, mas gostem dele também

Julho 3, 2014

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Assistimos séries americanas o tempo todo, somos apaixonados por várias maravilhas inglesas e de vez em quando, do meio do nada, nos deparamos com algumas surpresas vindas daqui e dali: dinamarquesas, francesas, séries que com o tempo também acabam garantindo espaço em nossos corações e em nossas agendas televisivas.

Dessa vez, a surpresa veio no formato de uma comédia australiana, praticamente um canguru (rs), mas daquelas que tem muito mais cara de dramédia do que qualquer outra coisa. Ela é Please Like Me, criada e estrelada por Josh Thomas, uma série baseada em suas próprias experiências do cotidiano de um jovem adulto que descobre ser gay após se ver interrompendo um relacionamento de longa data com a antiga namorada, que a propósito, é quem acaba lhe abrindo os olhos para a aceitação da sua realidade, de forma bem madura e sem grandes dramas, conseguindo manter uma relação de amizade com o personagem mesmo depois dessa descoberta.

Até esse ponto, a série poderia facilmente estacionar em um lugar comum frequentado por diversas outras do gênero (tisc tisc… Looking… tisc tisc), mas a trama vai ganhando novas camadas e vai ficando cada vez mais adorável e interessante a medida em que vamos conhecendo um pouco mais da vida de Josh e sua família que encontra-se passando por uma crise devido ao divórcio de seus pais, algo que acabou não ficando muito bem resolvido para sua mãe e ao mesmo tempo em que o personagem se encontra diante de um novo mundo de possibilidades sendo um homem gay e finalmente livre para experimentar o novo e ainda inexplorado, ele também se encontra tendo que se aproximar mais da mãe e cuidar da mesma, uma vez que ela acabou tentando o suicídio por conta do seu drama pessoal com o divórcio.

Com isso, ganhamos uma série de outras possibilidades para Please Like Me e ao mesmo tempo em que vamos descobrindo junto com o personagem principal a sensação de finalmente poder ser quem ele é, acabamos também tendo que voltar a sua raízes, assistindo de perto todo o drama que se instaurou em sua família devido ao problema de sua mãe. E apesar do assunto recorrente em sua casa ser o “suicídio” e o medo de que sua mãe acabe atentando contra a própria vida novamente, tudo é tratado de forma muito natural também dentro desse cenário muito mais dramático do que o seu outing, o que torna a série ainda mais especial em todos os aspectos.

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Tentando restabelecer alguns laços perdidos ou distantes com sua família, Josh se vê obrigado a ter que se aproximar bastante dos pais, acompanhando de perto a forma como sua mãe (Debra Lawrance) decidiu encarar a sua atual situação enquanto uma mulher divorciada e até então sem ninguém a vista para tentar algo novo e seu pai (David Roberts), que está visivelmente passando por uma crise de meia idade, embora esteja um passo a frente no quesito evolução, já com sua nova companhia que para a nossa sorte, além de tudo, é também uma personagem bem querida e que consegue entender o seu lugar dentro dessa situação tão delicada para aquela família naquele momento. Que bom seria se fosse assim para todo mundo, não? (#aproveitandooespaçopararesolverseusprópriosissues)

Mas todo esse drama da questão mal resolvida entre seus pais acaba quando sua mãe decide também dar uma passo a frente, resolvendo começar a namorar pela internet, e tudo isso com a supervisão do filho que tenta ajudá-la a escolher o melhor modelo para um primeiro encontro ou coisas do tipo. Com seu pai tudo também é bastante tranquilo e de vez em quando pegamos Josh tentando fazer a ponte de comunicação entre os dois, que nem sempre conseguem entender quais são os limites para essa nova situação familiar na qual eles todos inevitavelmente se encontram e continuam envolvendo o filho nas mais embaraçosas situações.

Ainda falando em relações familiares, outra que acaba roubando a cena de certa forma é a relação Josh e sua tia Peg (Judi Farr), que é uma mulher mais velha e com uma cabeça um tanto quanto “diferente” para algumas questões, incluindo a homossexualidade do sobrinho, mas que uma vez que consegue entender e enxergar de perto a forma como os gays ainda são tratados por parte da sociedade hoje em dia, mesmo em um cenário tão importante para a personagem que é a igreja a qual ela frequentava, Peg não pensa duas vezes antes de defender o sobrinho diante dos “olhos de Deus”, em uma cena super clichê e nem por isso menos comovente e ou bem bacana para a história.

E o que torna a série verdadeiramente adorável é a honestidade da sua abordagem (algo que nós sempre preferimos), que é facilmente encontrada em todos os episódios dessa curta primeira temporada (são apenas 6 episódios e se até eu com a minha atual agenda consegui assistir facilmente, você também irá conseguir). Todos os assuntos, inclusive os mais constrangedores, como ficar pelado na frente de alguém pela primeira vez ou decidir as preferências no caso de uma relação gay, tudo isso acaba soando bastante natural e porque não dizer familiar em diversas ocasiões (mesmo que você não seja gay, porque amor é amor e todos nós enfrentamos algumas primeiras vezes na vida quando o assunto é qualquer tipo de relação a dois), onde é possível se identificar com os pequenos problemas do dia a dia da vida do Josh.

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É importante dizer que a série, apesar de tratar um clichê já bastante discutido na TV e no cinema, tem um tratamento bastante especial para todas essas questões, tanto as familiares quanto em relação a sexualidade do Josh, que é o plot central da série mas não é o mais importante dela e não chega a roubar a cena, apesar de estar presente em toda ela. Talvez essa sensação seja estabelecida justamente pela naturalidade com que essas situações todas nos são apresentadas ao longo da temporada, sempre de forma direta, sem muitas voltas, mas ao mesmo tempo de forma doce, conseguindo deixar bastante convincente que aquele personagem realmente ainda seja completamente inexperiente diante de todos aqueles assuntos e questões.

O personagem principal ainda divide seu espaço com o melhor amigo, Tom (Thomas Ward), que morando juntos e dividindo quase tudo e juntos, eles acabam criando uma espécie de relação de irmãos que é algo notável e adorável. Josh aproveita a vantagem de pensar rápido e amparado nessa sua facilidade, vive atacando o roommate, demonstrando logo de cara que não existe a menor tensão sexual entre os dois e a questão entre eles não se trata de um bromance (que nós também adoramos quando aparece em um cenário heterossexual), provando mais uma vez que ninguém precisa viver em pequenos nichos para se sentir compreendido e amado. Tom por sua vez, se vê absolutamente surpreso ao descobrir que seu hommie é gay e logo de cara, é quem mais quer conversar sobre o assunto com o Josh e não pela surpresa e sim, muito mais pela curiosidade e questões que o próprio acaba levantando sobre o assunto.

Através de seu melhor amigo Tom, Josh acaba conhecendo também seu primeiro namorado, Geofrey (Wade Brigs) o qual ele reluta um pouco em assumir como tal, mas logo não consegue esconder que está se apaixonando, mesmo porque, além da magia, Geofrey é super foufo e de certa forma, impulsiona Josh a se assumir diante da sua família, uma passo bastante importante e que na série, também aparece com bastante naturalidade, apesar de acontecer quase que por acaso e ou de surpresa, em uma outra circunstância.

O bacana é que dessa forma, colocando o personagem principal se descobrindo gay a essa altura da vida, conseguimos acreditar em toda aquela estranheza que ele sente ao se deparar com algumas situações pela primeira vez, dando uma maior credibilidade para o personagem, ao contrário de Looking por exemplo, que já começou com personagens completamente fora do armário, com mais ou menos 24 anos e ainda assim um tanto quando inexperientes em alguns assuntos, mesmo com eles comentando que já estão na estrada tem tempo. Mas sobre esse assunto conversaremos melhor em breve…

 

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The Leftovers, o trailer

Abril 15, 2014

Série nova da HBO, que basicamente conta com um fato misterioso que teria acontecido em um 14 de Outubro qualquer com centenas de pessoas e os deixados para trás (por isso o título da série) acabam tendo que lutar para conseguir entender o que de fato teria acontecido.

O elenco tem o boy da Jennifer Aniston, Justin Theroux, mas conta também com um nome que assusta: Damon Lindelof, que para quem não se recorda, foi um dos responsáveis por Lost.

Animados? Estreia 15 de Junho na America antiga.

 

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Renovou: Broad City + Looking

Fevereiro 27, 2014

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A primeira é Broad City, minha queridinha desde os tempos em que ainda era uma webserie (da qual falamos aqui), que ganhou a força da Amy Poehler em sua produção e acaba de ser renovada para uma Season 2 (e a Season 1 que nem acabou ainda e está sensacional! (e por sensacional eu quero dizer tudo o que elas já faziam habitualmente e que agora repetem – de outra forma – na série e também por conta de um vizinho lenhador magia que merece a nossa atenção). Yei!

E a segunda é Looking, série nova da HBO que não agradou tanto assim no começo, mas que valeu a pena insistir porque atualmente ela tem melhorado e muito, fazendo por merecer a renovação. Além disso, eles disseram que agora que a série foi renovada, o Russell Tovey vai ter um papel regular, ou seja, howcoolisthat?

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Looking e o seu começo morno que definitivamente afirma que a série não é a nova “Girls”

Janeiro 29, 2014

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Assim como aconteceu no piloto de Girls, quando percebemos que definitivamente, além de um poster na parede no quarto da Shoshanna e NYC como o quinto personagem da mesma, a nova série não tinha muita relação com Sex And The City a não ser essas inevitáveis semelhanças, em Looking também foi possível sentir logo no começo que a série ainda está bem longe de ser a versão gay de Girls, como muitos estavam especulando e até mesmo divulgando, praticamente da mesma forma que aconteceu no passado em relação a própria SATC com a criação da Lena Dunham.

Seja para se promover ou por qualquer outro motivo, a verdade é que ambas as novas séries acabaram sendo beneficiadas de alguma forma com essas comparações (prejudicadas também, para ser mais honesto), mas fato é que ambas também conseguiram se distanciar do estereotipo que de certa forma já era esperado para os dois projetos. Nesse cenário, Girls conseguiu se dar melhor logo de cara, se distanciando rapidamente de algo que com o tempo, poderia acabar sendo prejudicial para a série, que descobrimos rapidamente ser tão bacana e porque não dizer até que bem original, focando em quatro personagens de uma faixa etária que não estamos muito acostumados a ver na TV. Pelo menos não com tamanha honestidade, como desde sempre encontramos no excelente texto da nova série.

Mas em Looking, a coisa foi um tanto quanto diferente, apesar de até agora termos assistido apenas os primeiros dois episódios da série. De forma lenta, pouco interessante e extremamente morna, fomos apresentados aos seus personagens, que já se diferenciam das meninas de Girls logo de cara pela questão da faixa etária do grupo, sendo dois deles mais jovens, também na faixa dos 20 e poucos anos e encarando os anos pós faculdade e um deles mais velho, ainda decepcionado pelo fato de não ter se tornado quem ele gostaria de ser, quase como se representando um possível futuro para os outros dois.

Como personagem principal temos Patrick (Jonathan Groff), que trabalha com algo do tipo design de games (na verdade, parece que ele só cuida do design dos personagens, se é que isso é um detalhe relevante, rs), que apesar da idade, de já ter se formado e estar com a sua vida financeira aparentemente em dia (diferente da Hannah em Girls, por exemplo), ainda parece ter pouca prática em relação a suas aventuras amorosas. Algo que fica um tanto quanto confuso, porque durante o piloto por exemplo, é dito que ele não é do tipo que já namorou por muito tempo e todos os seus relacionamentos duradouros na verdade não duraram quase nada, mas já no segundo episódio, eles voltam atrás e tentam pintá-lo como o “virjão” da turma, ainda em fase de crescimento e aprendizado, sem muita intimidade com o tipo “gola rolê” (rs), em uma espécie de laboratório com seus outros dois amigos que demonstram ter muito mais experiência no assunto do que ele.

Dividindo apartamento com Patrick, pelo menos até o segundo episódio, onde ele acaba se mudando para a casa do namorado, temos Agustin (Frankie J. Alvarez), que tem uma alma de artista mais livre, do tipo que gosta de experimentar e talvez por isso, não tenha acontecido o menor drama quando ele e seu atual namorado resolveram encarar um ménage com um personagem qualquer que acaba aparecendo na série. Sem a menor culpa e sendo acordado e bom para os dois lados, ambos seguem vivendo juntos durante a sequência do piloto e é possível imaginar que para o casal sobre a dinâmica da dificuldade de dividir a vida, seu espaço e sua rotina as vezes (o equivalente a quase sempre para pessoas normais) não tão interessante assim com o outro.

Dom (Murray Bartlett) é o terceiro elemento desse trio, mais velho (e muito, mas muito mais magia. Höy!), ele que atualmente ainda se encontra trabalhando como garçom na cidade de São Francisco (que é a NYC nesse caso), estando ainda completamente distante do seu sonho de ser uma outra pessoa, principalmente profissionalmente, além de continuar repetindo os mesmos erros do passado, usando o sexo como sua maior arma para tentar fugir dos seus problemas. Em casa, o personagem vive ao lado de uma ex, com a qual ele mantém uma relação bem bacana de cumplicidade e intimidade.

Até aqui tudo bem, os personagens podem até não ser dos mais curiosos, pelos menos a primeira vista, mas ainda assim não são o maior problema da série para justificar a temperatura tão morna desse começo de temporada. Talvez o maior problema nesse caso tenha sido mesmo a questão do texto, que não é dos mais surpreendentes ou animadores e em determinados momentos, apesar de também carregar uma honestidade bacana, acaba soando bastante como arrogante e até mesmo preconceituoso, apesar de não fugir muito da realidade do que se conversa entre amigos normalmente. Nesse momento, não estamos falando de uma falsa moral ou qualquer coisa do tipo, mas é preciso reconhecer que essa talvez não tenha sido a maneira mais eficaz para a série nos apresentar seus personagens, que além de tudo, ainda não apresentam grandes dramas, frustrações e ou qualquer coisa do tipo e parecem estar apenas mesmo “a procura”, inclusive da sua linguagem, que ainda não conseguiu ficar bem clara nessa introdução a série. Ou talvez ela só não seja tão bacana mesmo…

Nesse caso, Looking acabou se prejudicando ao se distanciar tanto assim de um produto como Girls, de onde poderia até retirar algumas referências sem transformar a série em um pouco mais do mesmo e até mesmo de suas antecessoras na temática gay, como Queer As Folk, que a essa altura já pode até parecer meio datada (estava assistindo um dia desses, e realmente, a série ficou super datada), mas mesmo assim tinha uma volume de linguagem sexual bem parecido com a nova série (que até nisso ficou devendo, vai?) e conseguia ser bem mais interessante, assim como Will & Grace, essa segunda, de onde eles poderiam ter se inspirado um pouco mais na questão da linguagem do humor da série, embora Looking tenha mais aquela cara de dramédia do que qualquer outra coisa.

De qualquer forma e apesar de ainda conhecermos pouco de seus personagens, a sensação que fica é a de que Looking ainda está nos devendo alguma coisa e para facilitar, isso não poderia ser creditado a esse ou àquele problema. Para a nova série realmente se tornar interessante, ainda falta profundidade, um pouco mais de honestidade e menos superficialidade, talvez. Sexo, uma linguagem explícita, liberdade sexual, tudo isso nós já sabemos que faz parte da vida de muitas pessoas, sejam elas gays ou não. O que falta mesmo aqui é algo mais, é conseguir despertar o interesse para uma série nova que poderia entregar muito mais do que personagens que estão apenas “a procura”, algo que pode muito bem acabar apenas no limbo da diversão e se distanciar muito de uma procura por eles mesmos, algo que poderia ser bem mais interessante e que poderia ajudar um pouco a fugir de um estereotipo gay já até ultrapassado, ainda mais se tratando de uma série que não nos traz o conflito de personagens saindo do armário e coisas do tipo e sim uma série real sobre a vida de personagens homens gays que vivem em São Francisco.

Veremos…

 

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Looking, o trailer + teaser

Dezembro 5, 2013

Série nova da HBO, uma dramédia com personagens gays vivendo em São Francisco, em uma primeira temporada de oito episódios. Um deles é o Jonathan Groff (Glee) e a série contará também com o inglês Russel Tovey (que nós amamos por Him & Her e todo o resto que ele já fez na TV inglesa indeed). Dos criadores de Bored To Death, Smash, Brothers & Sisters… ou seja, um pouco de medo misturado com pânico.

Estreia dia 19 de janeiro, lá  e aqui também. Ansiosos?
#ALREADYMEIMAGINANDOATRAVESSANDOAPONTE

 

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Encontros e desencontros, mas na verdade, apenas encontros mesmo…

Outubro 29, 2013

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E quem é que não tem uma boa história de encontros meio assim (e os bons também) para contar, hein?

Sair para um encontro pela primeira vez é sempre um risco, porque as possibilidades são sempre assustadoras, para os dois lados. Você pode gostar muito e não sentir a hora passar, pode detestar e não ver a hora de conseguir sair daquele lugar ou pode simplesmente gostar da companhia e decidir ficar para ver no que vai dar. Basicamente, essas são as três opções mais óbvias quando o assunto são dates, mas a verdade é que essas opções podem ser infinitas e é exatamente nessa imprevisibilidade que o criador de Skins, Bryan Elsley resolveu focar as forças do seu novo trabalho, com a deliciosa Dates.

Uma série curtinha, com apenas 9 episódios com aproximadamente 22  minutos de duração com alguns primeiros encontros deliciosos, mesmo quando desastrosos. Quem assistiu True Love no passado e também se apaixonou, talvez goste bastante da nova proposta de Dates, que tem o mesmo fundamento de histórias soltas com alguns personagens em comum entre elas (ou não), com a diferença de que nesse caso, o assunto é muito mais cômico do que dramático nessa incessante busca de alguém.

Uma busca que parece não ter fim quando se está sozinho (tisc tisc… aquele falando por ele mesmo no momento… tisc tisc), cheia de erros e alguns acertos, mas que de certa forma, não deixa de ser uma grande diversão, mesmo que você não tenha motivos para voltar para casa com um sorriso largo de mamilo a mamilo. E Dates consegue brincar perfeitamente dentro desse universo de incertezas e possibilidades, nos trazendo uma série de situações que são obviamente muito fáceis de se relacionar. Assistindo a série, cheguei a conclusão que já estive em alguns daqueles dates, e poderia render material o suficiente para mais algumas temporadas, rs.

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Na série, observamos de tudo: o homem com mais de trinta anos, a procura de alguém para dividir a vida, sem muito trato (mas um foufo, vamos admitir, vai?), mas que ao mesmo tempo consegue deixar qualquer um completamente apaixonado por ele por tamanha honestidade, até mesmo a garota do seu blind date que chega mentindo o nome, o insulta de diversas maneiras, mas por algum motivo acaba ficando ali até o final da noite, como se algo naquele homem desconhecido e tão diferente do seu ideal estivesse a prendendo de alguma forma. Nessa primeira história, por exemplo, é impossível não reconhecer logo de cara que alguma coisa estava acontecendo entre aqueles dois e é mais impossível ainda não se encontrar completamente apaixonado pelo David (o tal cara de mais de trinta anos, vivido pelo ator Will Mellor. Höy!), nesse ou em seu segundo encontro ao longo da temporada, com uma menina que mentiu a idade, mas que com toda a coragem amparada na sua juventude, acabou trazendo para ele exatamente o que o personagem estava precisando naquele momento para resolver algumas questões de sua vida.

Em outro momento, encontramos uma adorável professora com tendência cleptomaníacas, que se vê em um encontro com o tipo coxinha creme, aquele que se acha o mais desejado do buffet de salgadinhos, meio arrogante e ou prepotente, mas que no fundo estava usando toda a sua agressividade para tentar esconder algumas tendências que ele talvez já não tivesse conseguindo esconder mais, a ponto de se arriscar dessa forma durante um primeiro encontro. Sem contar que essa história tem o melhor final de todos, com a finalização do date que não foi o melhor da vida daquela mulher, mas que de certa forma acabou sendo bastante compensador, mesmo que essa satisfação tenha vindo como brinde de um furto e um lucrativo “bilhete único” recém carregado, rs.

Mia (Oona Chaplin, de Game Of Thrones) também foi uma personagem bastante enigmática, apesar de extremamente irritante durante o seu primeiro encontro com o David, na premiere da temporada. Na verdade, ela representava exatamente aquela mulher (que poderia ser um homem também) bonita demais, do tipo que sempre teve as coisas muito fáceis e talvez por isso não soubesse até hoje exatamente o que queria. Mas a personagem era mais complexa do que isso e talvez a sua profissão também tenha colaborado e bastante para que ela não conseguisse se sentir segura com uma pessoa apenas. Seu segundo encontro não é dos meus preferidos. assim como toda a história do Stephen (que é o personagem oposto do mesmo), que não chegou a me convencer muito e na verdade, me parecia uma versão mais bem sucedida e exatamente com o mesmo perfil dela.

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E durante essa Season 1 ainda tivemos um delicioso primeiro encontro lésbico, com duas personagens extremamente diferentes. Uma completamente aberta, dona da própria vida e a segunda ainda presa a uma família oriental extremamente conservadora e com valores muito diferentes aos dela. Um primeiro encontro que apesar de ter passado para a próxima etapa (somos gratos quando isso acontece, sejamos honestos, vai?), acabou resultando em uma saída do armário acidental, o que nos levou ao segundo encontro de Erica com um homem completamente fora de seus padrões, algo que ia muito além do detalhe dele ser apenas um “homem”. Ele que ao perceber que não estava sendo bem visto, acabou provocando sua parceira, fazendo com que ela saísse da sua zona de conforto e enfrentasse de uma vez por todas a sua família, algo que foi divertidíssimo de se acompanhar. Aliás, achei bem bacana esse desprendimento de todos os personagens, do tipo que sabiam que já não tinham mais nada a perder e talvez por isso estivessem tão abertos a serem eles mesmos durante todos os encontros, apesar dos disfarces que acabamos inevitavelmente carregando para uma primeira vez.

Depois tivemos a professora cleptomaníaca de volta, achando que tinha se dado bem com uma cara que aparentemente era super bacana, gostava de artes e dividia alguns pontos em comum com ela. Isso até a manhã seguinte e as ideias começarem a se distanciar de forma assustadora, sem contar o detalhe da chegada da mulher do mesmo, que ela sequer sabia que existia (porque há quem se arrisque nesse campo mesmo sabendo da existência de um outro alguém). Mas nesse caso, temos que reconhecer que Jenny (a professora, vivida pela atriz Sheridan Smith), acabou sendo muito ingenua ou talvez não tenha assistido Sherlock, porque todo mundo sabia que sair com o Moriarty (Andrew Scott) himself, só poderia trazer consequências um tanto quanto perturbadoras. (só eu acho ele excelente e acho inclusive que o ator poderia ter sido muito mais explorado em Dates? Descubram logo esse boy, Hollywood!)

Como proposta de encerramento dessa temporada, tivemos David e Mia resolvendo suas pontas soltas, nos trazendo a mensagem de que um primeiro encontro apesar de ser sempre um risco, pode sim trazer a surpresa de algo mais, mesmo que dure apenas o tempo de uma boa história. A verdade é que a gente jamais saberia se não se arriscasse e talvez essa seja a maior mensagem da série. Se é bom ou ruim ou se vai dar certo ou não, realmente não importa. O importante mesmo é seguir em frente e no mínimo acumular boas histórias para contar. Sem contar que em menos de 22 minutos por episódio, a série conseguiu nos dar uma boa noção de cada um de seus personagens, basicamente como se estivéssemos em um encontro mesmo, ainda naquela fase de decisão para ver se você quer ficar ou não. Resumindo, a série vale mais do que um único date, confie.

 

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Orphan Black – o clube das clones do momento (passado, mas ainda no momento)

Outubro 24, 2013

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Em meio a várias séries novas bem meio assim e com temáticas sempre tão repetitivas (o anti-herói, a família moderna, o novo velho procedural ou séries de época), quem diria que em uma série sobre a temática de clones humanos, a gente encontraria uma das melhores novidades da temporada, hein?

Sim, eu estou falando da excelente Orphan Black, uma das séries novas mais queridas do momento (do momento passado, mas do momento), que tem como proposta a clonagem humana e mistura muito bem os elementos de uma série de ação, com um thriller de suspense e uma dose bem bacana de Sci-Fi, quando não exagerada e é claro, o velho e bom recurso do humor que por incrível que pareça, funciona perfeitamente também dentro desse cenário.

Logo de cara, descobrimos junto com a sua protagonista, Sarah (Tatiana Maslany), a existência de uma outra mulher exatamente igual a ela, em uma estação de trem, prestes a cometer suicídio. Como estamos lidando com uma protagonista que também tem aquele perfil de anti-herói (mas vejam bem, a série não é apenas sobre isso e por esse motivo se diferencia tão bem das demais) e não tem nada a perder em sua vida bandida totalmente desregrada, ela não pensa duas vezes em assumir uma nova identidade ocupando o lugar da suicida que coincidentemente era a sua cara e que poderia facilmente livrá-la de sua atual situação.

A partir disso, Sarah (que é órfã e tem apenas um irmão adotivo) acaba descobrindo que aquela não era a única mulher com características idênticas a ela e uma série de novas mulheres exatamente iguais porém com nacionalidades e ou costumes diferentes aos dela, acabam surgindo em sua vida de uma hora para a outra, fazendo com que a mesma se veja perdida dentro da sua própria identidade, que até então, já havia se multiplicado em 9 outras mulheres, como se todas fossem irmãs (que é a sua primeira suspeita apesar da própria abertura da série e tudo o que sabemos sobre ela já ter se denunciado) ou algo parecido.

É claro que a princípio ela não chega a imaginar a possibilidade da clonagem, principalmente antes de descobrir que suas semelhantes não são uma nem duas e sim nove outras mulheres, mas logo descobrimos que algumas dessas outras personagens já haviam se dado conta dessa assustadora semelhança e já se encontravam em um estágio avançado de investigação a respeito da origem de todas elas, que é quando descobrimos que o assunto da vez realmente é a clonagem humana e todas as questões relacionadas ao tema começam a surgir rapidamente com o desenrolar da história.

Após essa pequena introdução, já dava para perceber que a série tinha um grande potencial para se tornar algo maior e muito mais interessante e isso não só pela temática em si, mas também pelo ritmo do seu roteiro, que é bem bacana, super rápido e cheio de reviravoltas inimagináveis, recheado de surpresas. Sério, quando você imagina que está desvendando a série, ela se multiplica em novas possibilidades e todas elas conseguem ser ótimas.

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Mas o que impressiona mesmo na nova série logo de cara é o talento da sua protagonista, que se multiplica em várias outras personagens de forma tão convincente, que apesar de qualquer semelhança física, é quase impossível acreditar que todas elas são feitas pela mesma atriz, tanto quem em diversos momentos ao longo da temporada, cheguei a esquecer que todas elas na verdade eram a mesma pessoa. Mas são e em um trabalho sensacional e que merece ser reconhecido (Clap Clap Clap!), fomos apresentado a Tatiana Maslany, que de forma inacreditável, conseguiu o feito de transformar cada uma de suas personagens em figuras completamente distintas, seja em um detalhe qualquer da caracterização ou no principal mesmo, que é a sua atuação e trejeitos emprestados para a construção de cada uma de suas versões. Até uma delas tentando se passar pela outra Maslany conseguiu fazer de forma totalmente crível, algo que merece ser reconhecido com um excelente trabalho de atriz.

Além da história da clonagem, que descobrimos mais tarde fazer parte de um experimento do qual ainda não ganhamos maiores informações, a série consegue se tornar inteiramente interessante, com plots sensacionais envolvendo a vida pessoal de cada uma das personagens clonadas, que vão ganhando força ao lado da protagonista , que acaba sendo o foco central da série por se tratar da ovelha desgarrada entre todas elas. Assim, Cosima, a cientista intelectual da turma, Alison, a soccer mom que poderia ter saído diretamente de Desperate Housewives se não fosse tão sensacional como descobrimos ser ao longo da temporada e Helena, a fanática religiosa que é a cara da Shakira, mas digamos que para completar a semelhança faltou um pouco da doçura, algo que ela tenta compensar com colheradas pesadas de açúcar.

Sarah que já não tem uma vida muito fácil, com um namorado meio assim e totalmente sem grana ou qualquer condição para cuidar da própria filha, a qual ela deixou por um ano com a mesma mulher que cuidou dela ainda quando criança (a misteriosa Mrs S),  achando que se daria bem assumindo uma nova personalidade de alguém que ela descobriu que além de ser idêntica a ela, já tinha aparentemente resolvido sua vida financeiramente, acabou se envolvendo em outros assuntos mais complicados (e que mais tarde descobrimos estar envolvido com o assunto do clone club), com a descoberta de que a sua nova identidade era a de uma policial que estava envolvida em um assassinato que não havia sido muito bem resolvido e que envolvia uma série de mistérios e histórias contadas pela metade. Sem contar que no pacote da sua nova persona, ainda havia um outro personagem, um namorado magia que a princípio poderia até soar como um bônus, mas que na verdade escondia algumas coisas importantes para o desenrolar dessa história.

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E ao mesmo tempo que a nova vida da Sarah vai se complicando com sua nova identidade, vamos nos interessando cada vez mais pelas histórias das demais ovelhas, que aos poucos vão ganhando o destaque merecido. Alyson, que é a soccer mom toda certinha, está prestes a perder o controle a qualquer momento, principalmente quando descobre que todas elas são cuidadas por alguém de perto e começa a desconfiar da própria sombra, da melhor amiga bitch da vizinhança e até do próprio marido, o qual ela chega a torturar em um momento de insanidade deliciosamente delicioso (essa e a cena dela batendo na melhor amiga são as minhas preferidas!). Cosima, a mente mais brilhante entre todas elas, cientista e lésbica, acaba se aventurando no lado científico da coisa, conhecendo pessoas ligadas a experiências genéticas, trazendo a tona um personagem importante para o encerramento da temporada (esse que é o lado mais fraco da história, apesar da sua importância no episódio final e que provavelmente será o ponto de partida da próxima temporada) e Helena, a mais maluca de todas elas, que teve implantada em sua mente a ideia de que ela era a original entre todas elas e que por isso precisava eliminar todas as suas cópias impuras.

Aos poucos, todas elas acabam nos revelando um pouco mais de suas vidas e para cada um dos clones o nosso interesse começa a ser despertado a medida em que vamos descobrindo um pouco mais sobre suas histórias e pelos motivos mais variados possíveis, tanto que não é preciso muito tempo para nos apegarmos a cada uma delas. Sem contar a probabilidade de existirem novas ovelhas, o que por si só já gera para a série possibilidades quase que infinitas e por todas as que conhecemos até agora, é impossível não ficar pelo menos imaginando novas possibilidades de clones. Já imagino a orfã funkeira por exemplo, ou aquela que fez a troca de sexo e agora atende como Johh. Imaginem só? rs

Mas não são apenas detalhes todos que despertam facilmente o nosso interesse em relação a essa nova história, que consegue sobreviver perfeitamente com sua trama muito bem arquitetada, mas um dos grandes trunfos da série está concentrado no personagem do Felix (Jordan Gavaris), o irmão da Sarah que consegue roubar a cena facilmente como alívio cômico da série. Excêntrico, desbocado e com um senso de humor delicioso, Felix certamente é um dos melhores personagens da série e quando passou a ganhar a companhia da Alyson então, a dupla funcionou como uma das melhores da nova série. Por favor, concentrem esses dois mais juntos daqui para a frente.

Além de todos esses fatores que colaboram para que Orphan Black seja de fato uma das melhores séries novas, é preciso reconhecer também que a série é bem corajosa, se arriscando em diversos cenários que nos pegam de surpresa de vez em quando (o surto da Alyson, o atropelamento da filha da Sarah, o policial descobrindo a verdade sobre ela), colocando seus personagens principais em alguns cenários bem difíceis e que ainda assim sempre acabam ganhando as melhores resoluções possíveis para cada uma de suas questões.

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A única coisa irritante ao longo dessa primeira temporada realmente foi o recurso recorrente de séries do gênero de nos apresentar um personagem que aparentemente sabe das coisas, como aconteceu em Orphan Black com o surgimento da mãe da Sarah, que acabou nos revelando que ela tinha sim uma irmã gêmea (além das clones), a Helena, que pouco tempo depois acabou tirando a vida da própria mãe, fazendo com que todo o seu conhecimento sobre a verdade de todas elas acabassem morrendo junto com a personagem naquele momento. Isso e o fato da Cosima ter dado um mole gigantesco naquele apartamento com a tal ajudante do cientista super envolvido com a causa toda.

Mas tirando esses pequenos detalhes que na verdade não prejudicam em nada a nova série, com uma temática relativamente nova e um roteiro capaz de despertar a curiosidade em qualquer um, Orphan Black conseguiu rapidamente se tornar uma das melhores séries novas da atualidade, do tipo que vale super a pena de se acompanhar, apesar da season finale ter sido um tanto quanto óbvia (até nos surpreendemos, mas não tanto assim) e de não ter nos revelado muito mais do que um caminho “científico” como plot principal para a próxima temporada.

Veremos…

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Hannibal reloaded

Outubro 23, 2013

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Séries procedural ou policiais nunca foram meu forte e muito de vez em quando, uma ou outra acaba me atraindo, sempre por contar com um fator a mais do que o casinho da semana ou qualquer coisa do tipo. Foi assim com Fringe, que no começo, apesar de sempre ter sido vendida como Sci-Fi, parecia ser só aquilo mesmo em relação aos casos da semana, mas que no final das contas conseguiu nos apresentar uma trama muito mais complexa e maior do que tudo o que acompanhamos durante a primeira temporada e que para a surpresa de todos, mesmo com a série tendo deixado bastante de lado a sua alma procedural de ser, esses casos todos voltaram perto do final para nos perseguir e ajudar a esclarecer as coisas (de forma super coerente, o que foi ainda melhor). Isso sem contar os personagens, que sempre foram ótimos.

E algo muito parecido acabou acontecendo com Hannibal, apesar dessa se comportar muito mais assumidamente como uma série procedural do que qualquer outra coisa. Desde o seu piloto, já era possível perceber que estávamos lidando com um outro tipo de série do gênero, que conseguia fazer muito bem a junção entre o seu lado policial, com casos da semana cada vez mais elaborados, caprichadíssimos e com uma estética lindíssima, do tipo que já consegue te convencer apenas por esse diferencial, assim como o seu lado mais complexo e profundo de personagens que já eram conhecidos de uma maioria, nos apresentando de uma outra forma a personalidade e peculiaridades de cada um deles.

Além disso, a série já chegava com uma assinatura bacana, com o antigo dono de Pushing Daisies, outra referência visual sensacional, o senhor Bryan Fuller, que aproveitou todo o seu estilo super particular (algo próximo de um Wes Anderson) para nos entregar mais um trabalho esteticamente maravilhoso e que a essa altura já consegue imprimir toda a sua identidade esquisitona e ao mesmo tempo linda de se ver.

Do piloto até alguns episódios seguintes, é possível perceber que Will é o grande destaque da série, com sua inteligência e empatia predominando boa parte dos primeiros episódios, nos assombrando com seus pesadelos e refazendo os passos de trás para a frente dos casos da semana que mais parecem obras de arte de tão bem cuidados e muito bem executados que eles sempre são. E novamente é preciso dizer que o ator Hugh Dancy esteve maravilhosamente bem nesse papel, nos transmitindo todo o desconforto de carregar uma mente como aquela, capaz de fazer com que o personagem pense exatamente como os assassinos que ele precisa investigar. Em meio a inúmeros pesadelos que não são do tipo que te deixam assustado da forma mais fácil possível de se conseguir esse feito e ou em mergulhos profundos em sua mente completamente perturbada, ganhamos uma nova e excelente introdução ao personagem, que consegue nos convencer logo de cara que é um dos melhores personagens da TV atual.

Com isso, cheguei até a dizer que o personagem do Hannibal acabou sendo prejudicado de certa forma, pelo menos durante o começo da temporada, onde pouco ou nada havíamos visto do personagem em ação mesmo, colocando em prática sua patologia e na verdade, apenas havíamos começado a vê-lo como um grande manipulador em seu consultório muito bem decorado (lindíssimo por sinal) e ganhando de presente uma presa fácil como o Will para ser manipulada a seu favor. Isso até que começamos a ver o Hannibal Lecter em ação, que foi quando o personagem realmente acabou recuperando a sua força, encontrando o equilíbrio perfeito entre os dois lados dessa história e que era exatamente o que ainda estava faltando para que Hannibal pudesse ser declarada como uma das melhores novas séries do momento.

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Aos poucos fomos encontrando o personagem colocando em prática o seu lado negro, ou melhor, o seu lado sanguinário da força, com ele não medindo esforços para retirar do seu caminho qualquer um que conseguisse descobrir quem ele realmente era. E isso até que demorou bastante para acontecer, o que talvez tenha sido o grande erro da série durante essa Season 1, com o personagem sendo pintado a princípio apenas como um grande chef de cozinha, fazendo a sua audiência ficar com o estômago embrulhado só de ver a mesa posta para o jantar em sua casa. Pobres visitas, achando que comeram algo muito sofisticado… (e na verdade, todas as suas receitas são sim muito sofisticadas. Já os ingredientes… EW!)

E a medida em que o Will foi se aprofundando cada vez mais nesse universo de assassinos pavorosos, ganhamos o personagem se perdendo dentro dele mesmo, confuso, quase como se estivesse perdendo a sua própria identidade (que também já é bem exótica) de tanto que ele acaba absorvendo de cada um daqueles que ele investiga. Ainda mais ganhando o “auxílio” do Dr Lecter, que desde sempre enxergou no Will alguém com potencial para ser algo mais ou quem sabe até bem próximo de quem ele é. Pena esse “algo mais” ser algo nada positivo, rs. E é possível perceber que desde sempre, o Hannibal se identificou e muito com Will, exatamente por conseguir entender a mente confusa do seu paciente, além da empatia que ele acaba exercendo para o lado do mesmo também.

Apesar dos personagens famosos e já queridos de uma grande maioria e um elenco muito bem escolhido (o Dr Lecter por exemplo me dá até calafrios), Hannibal não seria metade do que é se não fosse pelo cuidado da série com a sua produção, que realmente impressiona por conta do estilo e do bom gosto sombrio que encontramos em cada um dos episódios dessa primeira temporada. Todos eles te convidam para um pesadelo que você não acharia tão ruim assim de se repetir, com cenas de crimes que chegam a impressionar por tamanha beleza e bom gosto, apesar do tema não ser dos mais convidativos ou comuns de se encontrar qualquer tipo de beleza. (para ser justo, vamos combinar que de certa forma, Dexter também já fez algo parecido – em uma escala bem menor inclusive na questão do estilo, claro – no passado)

Um estilo muito bem definido e que acaba sendo o grande diferencial de Hannibal para qualquer outra série policial do gênero, que certamente não conseguem chegar nem perto do estranho bom gosto que encontramos em todos os episódios da nova série da NBC (canal que se arriscou e muito bem nesse que não é o seu forte. Clap Clap Clap!). E esse tipo de cuidado não fica restrito apenas as cenas de crime dentro da série não e é possível perceber que tudo dentro daquele cenário foi muito bem pensado, desde os jantares para deixar qualquer um em Downton Abbey com inveja do serviço fornecido pelo próprio Lecter, até os figurinos do próprio, que tem aquele pé no cafonismo, mas que apesar dos excessos de materiais, texturas e tecidos, acabam passando como sóbrios e muito bem escolhidos, transformando a nova série em uma espécie de Pushing Daisies do mal, como se o sonho “estourado” e colorido que encontramos na série anterior do seu criador, agora tivesse se tornado um grande e lindo pesadelo.

Mas nenhuma série sobrevive apenas de referências visuais e ou bons personagens se não tiver uma boa história para contar e isso Hannibal também conseguiu nos demonstrar facilmente durante a sua Season 1. Além da complexidade da mente de ambos os protagonistas, tivemos excelentes plots de suspense em torno dos casos da semana, que também acabaram se tornando um atrativo a parte para a série, que sobrevive muito bem dentro desse universo também já tão batido das séries policiais que estamos acostumados a encontrar por aí a todo momento.

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Mas é inegável que a força da série está realmente concentrada entre o Will e o Hannibal, que fizeram uma excelente dobradinha ao longo da temporada. Só fica um pouco difícil entender como é que uma mente tão brilhante quanto a do Will, consegue permanecer tão clueless em relação ao seu psiquiatra (tá, ele já chegou a desconfiar de alguma coisa, mas sempre volta atrás por algum motivo, vai?), embora o personagem tenha ganhado seus momentos de desconfiança e tenha conseguido chegar a um passo da verdade sobre o seu médico. Mas nessa hora, acho que vale levar em consideração o lado profissional de Lecter, que deve conseguir brincar com a mente de qualquer um com certa facilidade.

E é preciso reconhecer também que ambos os atores estão excelentes dentro de cada um dos personagens principais, cada um a sua maneira. Hannibal está assustadoramente convincente, um homem frio, quase sem expressão, com uma dicção perfeita mesmo sem praticamente mexer as boca, com uma postura super elegante em meio a toda sua estranheza e um gosto sombrio para lá de duvidoso. Sério que ninguém acha muito estranho toda aquela frieza da sua sala de jantar? Já o Will do Hugh Dancy consegue ser exatamente o oposto, simples, como uma fragilidade enorme (AMO ele cuidando dos 367 cachorros abandonados que ele encontra) que acaba refletindo na sua personalidade mais reclusa, com sérias dificuldades para se relacionar com outras pessoas em todas as áreas, um personagem com quem qualquer um consegue sentir também uma forte empatia. Ou você vai me dizer que não ficou com o coração partido ao ver o Will sendo preso e já se encontrando em um estágio avançado de delírio?

Em meio a todos esses elementos que acabam complementando Hannibal e a diferenciando facilmente de qualquer outra série policial, encontramos uma nova opção excelente para a nossa agenda televisiva. O bacana também da série é que ela consegue ser muito bem resolvida, com os casos da semana tendo começo meio e fim, sem se tornar entediantes e mantendo de vez em quando alguns deles como assunto recorrente para o plot maior da temporada, fazendo perfeitamente a junção entre essas duas áreas da proposta da série. E com uma obra já tão conhecida e tendo um representante de peso no cinema, é de se espantar que Hannibal tenha conseguido se destacar de forma tão positiva, tanto pela nova introdução aos personagens que já conhecemos, quanto pelo novo olhar emprestado do Bryan Fuller, que realmente foi o que mais colaborou para que a série realmente nos chamasse a atenção e se destacasse completamente das demais do gênero, inclusive da sua versão cinematográfica.

Agora só nos resta esperar pela já confirmada Season 2 e torcer para que o seu criador consiga realizar o sonho (que na verdade foi quase que uma promessa) de ter o David Bowie como o tio do Lecter na nova temporada da série. Eu já estou na torcida faz tempo. #TEAMFULLERBOWIE

ps: recomendo que a série nunca seja assistida perto ou durante o jantar. O mesmo vale para tarde da noite, o que pode levá-los a confundir essa excelente trama com um pesadelo que de tão lindo e apesar de sombrio, a gente não se importaria de repetir, rs

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Vicious, a relação mais amarga e adorável da TV

Outubro 22, 2013

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Deixando o romantismo de lado e pensando no lado prático da história, imaginem o quanto a ideia do  “até que a morte nos separe” pode ser aterrorizante hoje em dia. Sendo bem prático mesmo e pensando no tempo de nossas avós, que se casavam bem jovens e ficavam com seus maridos por muito tempo (normalmente até o fim da vida), essa relação com alguma sorte e contando bastante com a saúde dos envolvidos, poderia chegar aos 50 anos, talvez. Em países que foram para a guerra no passado então, essa ideia não chegava a durar muito e muitas vezes acabava por motivos trágicos, muito antes do que se imaginava. Mas hoje em dia, com a expectativa de vida aumentando cada vez mais e com a possibilidade de chegarmos aos 100 anos de idade, a ideia de permanecer ao lado de alguém para o resto da vida, apesar de romântica e super poética como sempre, na realidade, pode significar que considerando que você se case antes dos 30 anos, você corra o risco de comemorar segundo uma pesquisa rápida na internet, algo que é conhecido como “bodas de vinho”, que é quando um casal completa 70 anos de casamento. Imaginem só? (eu imagino a paciência de alguém para me aguentar por 70 anos e não consigo imaginar alguém forte o suficiente para aguentar essa tarefa, rs)

Não somos exatamente preparados para isso ao longo da vida (recentemente o filme “Amour” nos deu uma bela ilustrada de uma relação duradoura bastante semelhante a questão e sobre o que tudo isso pode significar para esse amor) e tão pouco estamos acostumados a encontrar principalmente na TV, histórias de casais que dedicaram quase 50 anos de suas vidas ao lado um do outro. Pelo menos não como personagens principais. E se isso já não é muito comum, para um casal gay então, essa se torna uma experiência praticamente inédita, que é o que acompanhamos durante a divertidíssima Season 1 de Vicious, uma série inglesa deliciosa sobre a linda relação amarga de dois homens que passaram a maior parte de suas vidas juntos.

Com um humor extremamente ácido, em uma curta temporada de apenas 6 episódios (as vezes, odiamos os ingleses por isso) e um ainda inédito especial de Natal prometido para esse ano (veremos…), acompanhamos de perto o dia a dia dentro de um apartamento escuro da Londres antiga do casal de velhinhos mais adorável do momento. E sim, eles podem ser ácidos, extremamente sinceros de vez em quando, mas é impossível negar que Stuart e Freddie sejam adoráveis. E conseguimos perceber logo no piloto que o título “Vicious” poderia realmente representar muito bem a série, que apesar de não ser nada genial (temos que admitir que essa é mais uma seguindo aquela famosa temática familiar que parece ser a grande aposta da vez), logo de cara já nos apresentava a possibilidade de se tornar o nosso mais novo vício televisivo. E confirmou! Ao final dos 6 primeiros episódios de sua temporada de estreia, acho que podemos dizer facilmente que já nos encontramos completamente viciados em mais essa delícia inglesa.

Com uma longa história de 49 anos de convivência, além dos bons momentos que dividiram juntos durante todo esse tempo, ambos parecem ter focado nas mágoas que obviamente fizeram parte do relacionamento e principalmente da convivência da dupla e a partir disso, ganhamos muito daquele humor que só os ingleses conseguem fazer dessa forma, um tipo de deboche mais refinado, muitas vezes bem malvado, mas que ao mesmo tempo esconde um tipo de humor delicioso que sempre me pareceu muito bacana e atraente porque apesar de simples, é extremamente inteligente. E em meio a muitos insultos, ambos vão nos conquistando aos poucos com suas manias e costumes, além das visitas que não param de acontecer naquele apartamento a todo momento e alguns plots e personagens recorrentes que apesar de bem simples ou caricatas de vez em quando (e todos eles são bem assim, o que me fez lembrar muito de Ab Fab), conseguem nos arrancar gargalhadas extremamente sinceras e muito bem gastas.

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Stuart é quase uma dona de casa e parece gostar de se comportar como tal, do tipo que diz que abdicou do seu lado profissional para cuidar do outro, se vangloriando do fato de sempre ter sido o mais bonito do casal (há controvérsias, rs), ele que é dono de uma notável fragilidade, tanto que até pouco tempo ao longo da temporada, o personagem se manteve dentro do armário para a mãe, que não fazia ideia da verdadeira relação entre ele o seu parceiro de longa data. Mas apesar dessa fragilidade mais evidente, é preciso dizer que na hora de combater aos insultos do grande amor da sua vida, Stuart não fica atrás e acaba revidando cada um deles de forma excelente, em uma dinâmica que ambos os atores dominam lindamente.

Freddie é o mais vaidoso dos dois, muito provavelmente por conta da sua profissão de ator, que não anda lá essas coisas e parece que já faz tempo, mas mesmo assim ele não perde a pose por nada nesse mundo (tendo ele participado da série clássica de Doctor Who como um dos vilões e segundo a série, sendo esse o seu maior papel até hoje, eu também jamais perderia a pose e te entendo completamente, Freddie). Convencido de que tem muito menos idade do que aparenta ter (ambos tem muito disso, mas ele tem mais), o personagem é quem mais faz questão de se comportar como um jovem e também é dono de uma língua afiadíssima, principalmente na hora de atacar a sua companhia para a vida.

Mas apesar de viverem nesse delicioso campo minado de ofensas pessoais envolvendo o histórico de anos dos dois, o casal consegue manter a doçura necessária para que a gente acredite que eles se amam de verdade, tanto que mesmo fazendo piadas e mais piadas sobre os fracassos na vida de cada um deles, ambos não medem esforços quando chega a hora de defender o seu parceiro contra qualquer pessoa que ouse falar qualquer coisa negativa em relação ao dois, mesmo com eles praticando esse exercício quase que o tempo todo, algo muito parecido com as relações de qualquer família ou pessoas que se amam ou que passaram a conviver de perto por muito mais tempo. (inclusive, eles me lembram muito meus avós)

Apesar da limitação do cenário (algo próximo de Him & Her), surpreendentemente os atores conseguem fazer a série render e muito, mesmo quando só estão os dois dividindo um lugar no sofá do próprio apartamento. É claro que Vicious ganha muito também com as participações pra lá de especiais dos visitantes que não param de chegar no apartamento do casal, como a Violet (Frances de la Tour) ou o vizinho magia Ash (Iwan Rheon, também conhecido como o torturador de GOT), com o qual eles juravam que poderiam ter alguma chance. E tem também a dinâmica deles com o cachorro moribundo, que nunca apareceu realmente, apesar de ter estado em cena durante algumas vezes nessa temporada (e a coleção de urnas com as cinzas dos cachorros anteriores do casal? rs) Mas apesar de permanecer bastante dentro do mesmo cenário, a série até chegou a se arriscar em alguns outros, como naquele episódio em que o Stuart começa a trabalhar como vendedor em uma loja de departamento ou quando o Freedie acaba se aventurando nas noites inglesas, na companhia do Ash e seus amigos.

Além do humor super ácido entre o casal e seus amigos, Vicious também conta com uma série de referências a TV inglesa atual que são igualmente divertidas, como quando o Freedie acaba conseguindo um papel como figurante com apenas uma line em Downton Abbey, além das várias menções a Doctor Who. E além de divertidíssima, eles conseguem nos entregar um lado mais foufo para a Vicious e isso acaba acontecendo toda vez que o casal reconhece que se ama apesar de qualquer outra coisa, como no episódio que encerrou essa primeira temporada, como o Stuart finalmente saindo do armário para a mãe e sendo defendido lindamente pelo Freddie (e o mesmo, só que em outra circunstância, também já havia acontecido ao contrário ao longo dessa primeira temporada). E é importante reconhecer que entre os atores Derek Jacobi e o Ian McKellen existe uma cumplicidade e uma química que impressiona, com ambos atores veteranos dominando muito bem essa proposta, na qual eles inclusive parecem se divertir bastante. (de vez em quando eu sinto como se eles tivessem se esforçando para não cair na risada)

E por se tratar de uma temporada bem curta, a comédia inglesa acaba sendo mais um daquelas que você consegue acompanhar tranquilamente tomando um chá das cinco, do tipo que quando aparece qualquer episódio novo, você acaba dando aquele 1/2 sorriso de canto de boca, só de imaginar fazer uma nova visita no apartamento do casal mais amargo e adorável do momento na TV. E a boa notícia é que Vicious já foi renovada e ganhará uma Season 2. Hurray!

 

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