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Everyone – a despedida da terceira e última geração de Skins

Março 30, 2012

Chegou aquela hora que ninguém gosta de encarar, a hora da despedida (glupt). Embora Skins já tenha garantido mais três episódios especiais para o que será considerada como a sua Season 7, onde eles pretendem nos mostrar um pouco mais da vida de alguns personagens que já passaram pela série ao longo de todos esses anos, esse último episódio da Season 6 (6×10 Everyone) seria realmente a despedia definitiva da série como conhecemos até hoje, trazendo o ponto final para a história da sua terceira e última geração.

Mas não adianta, chegou mesmo o momento de nos despedirmos de Franky, Matty, Mini, Alo, Liv, Alex, Rich, Grace e Nick, os jovens ingleses da vez que nos fizeram relembrar novamente os bons e velhos tempos de Skins, lá no começo da sua história antiga, quando tudo ainda era novidade, mostrando a que veio com muita identidade de personalidade já na sua primorosa primeira temporada, trazendo para a TV uma série jovem das mais corajosas de todos os tempos. Corajosa e ousada, indeed. E essa terceira geração conseguiu encerrar a história de Skins da mesma forma como nos despedimos da sua primeira turma, com bastante saudade.

Tudo bem que não foi um final primoroso e isso eu tenho que ser sincero em dizer. É, não foi. Mas ao mesmo tempo foi uma boa conclusão para a história de todos eles e principalmente para aqueles que ainda tinham pendências para resolver naquele momento de suas vidas. E mesmo que não tenha sido uma despedida daquelas, o clima de saudosismo esteve no ar o tempo todo, com os personagens vagando pelos cenários da série com se estivessem se preparando para da grande despedia, refletindo e aceitando que havia chegado o “último dia de liberdade” de todos eles, com o final do ano letivo no colégio e o momento de começar a encarar a vida adulta, momento esse que aguardamos ansiosamente quando mais novos, mas que quando finalmente ele chega, nunca é fácil para ninguém, além de ser assustador. E todo esse climão de despedida somado a certeza de que não teríamos uma nova geração pela frente, acabou garantindo para a série toda a emoção que esperamos de um momento como esse. Apesar de considerar o episódio de despedida até que fraco, reconheço que me peguei emocionado em diversos momentos, contando o tempo para que o episódio não chegasse de fato ao seu fim.

Considero um empate técnico entre essa atual geração de Skins com a primeira por exemplo. Digo isso porque os personagens foram todos extremamente interessantes assim como foram durante as duas primeiras temporadas da série, cheios de camadas e com suas histórias muito bem amarradas entre as duas temporadas das quais fizeram parte (1 e 2 = 5 e 6). E essa terceira geração ainda teve uma vantagem maior porque suas histórias pareceram ter maior continuidade, com início, meio e fim, sem deixar nada pendurado para depois ou na imaginação do público, que foi o grande pecado da primeira geração por exemplo. Por esse motivo e por ainda considerar a primeira geração insuperável, considero as duas gerações bem semelhantes (1 e 3), tão boas quanto, com histórias construídas muito bem e personagens capazes de te deixar ansioso para assistir ao episódio seguinte, algo que pouco aconteceu com a segunda geração, essa sim que apesar de eu também ter gostado bastante da sua dinâmica, é inegável que podemos considerá-la como a mais fraca entre as três.

E como nunca havia sido feito antes em Skins (não dessa forma), tivemos as consequências aparecendo em boa parte dos episódios dessa temporada final da série, o que antes não era muito comum de se ver e foi o que sempre me deixou com a sensação de que ainda faltava alguna coisa em Skins para deixá-la perfeita em todos os sentidos. Seria possível que aquelas pessoas passassem pelas mais diversas situações sem deixar marcas em suas vidas? Sem que as consequências de fato aparecessem? Sempre achei que faltava esse “senso de responsabilidade”, não pelos personagens é claro, que dos alto dos seus 16 ou 17 anos seria esperar demais de qualquer um deles, mas digo isso em relação a quem escreve a série, por exemplo, que precisava mostrar esse outro lado da história. Faltava mostrar que é possível sim viver uma vida sem regras, tomada pelos impulsos e a coragem que se tem quando ainda se é jovem, porque não? Mas que é preciso encarar as consquências disso tudo quando elas aparecerem. E acreditem, elas aparecem…

Poderia até parecer um assunto super careta (o que não combina em nada com o clima da série), se essas consequências não tivessem chegado para essa terceira geração amarradas a culpa que todos eles sentiram de certa forma pela morte da Grace, ela que certamente sempre foi a mais doce e talvez até promissora do grupo. Com a sua morte, todos eles tiveram que lidar com a sua parcela de culpa nesse história com final nada feliz, ainda mais quando não tiveram nem a chance de se despedir da amiga, um momento que é sempre importante quando se perde alguém.

E como tudo isso aconteceu ainda no começo da temporada, conseguimos observar a vida de todos eles virando de cabeça para baixo por conta dessa situação, com cada uma deles enfrentando em sua individualidade (outro fator sempre importante e muito bem retratado na série) a melhor forma de lidar com essa questão.

Como conclusão disso tudo, tivemos Matty encerrando a sua história de fugitivo, se entregando para a policia e encarando as consequências dos seus atos (embora ele tenha sido considerado o culpado de algo que teve tanta culpa quanto os demais envolvidos), mas não sem antes se desculpar com Rich pelo acidente fatal com a sua namorada, Grace, sem aquele drama óbvio que seria facilmente explorado por qualquer outra série do gênero, e ainda ele finalizou de uma vez por todas a eterna disputa com o seu irmão Nick, em um momento bem foufo entre os dois que estavam disputando a mesma garota e talvez considerassem até mesmo dividi-la se necessário. (só eu tive essa impressão?)

Alo e Mini tiveram que enfrentar o momento do parto da sua filha, um momento doloroso e que certamente transformaria a vida daqueles dois para sempre a partir daquele momento, algo que eles já tinham consciência até. Mas Mini não teve apenas a companhia do pai do seu filho nessa hora e para encorajá-la naquele momento tão difícil, ela contou também com a força da Liv, que resolveu de uma vez por todas o problema com a sua melhor amiga, permanecendo ao seu lado até o fim. Liv que teve uma das cenas mais bacanas no episódio, ao lado do seu novo melhor Alex, dividindo os últimos momentos dessa adorável relação de amizade entre os dois (quase um amor platônico por parte dela), antes dele partir para a Tailândia. Ela que apesar de parecer não se encaixar ou pertencer a nenhum lugar, talvez tenha entendido que a vida continua e que para isso bastava ela encarar a sua realidade ao invés de tentar fugir e se esconder em um estado de colocação eterno.

E de todos eles, quem de certa forma foi “compensado” por isso tudo foi o próprio Rich, ele que talvez tenha sido quem sofreu com maior intensidade a perda de Grace, com que dividiu uma história de amor super foufa. Ao contrário do caminho de voltar para a sua alma de “black metal” do passado (embora tenha mantido dentro dele as suas origens, como no momento da comemoração da boa notícia que recebeu nesse episódio), Rich conseguiu encontrar na tragédia a força que ele precisava para seguir em frente, sem ignorar os fatos  que aconteceram e que marcariam a sua vida para sempre, agindo como gente grande, para a nossa total surpresa. Com isso, foi bem bacana vê-lo sendo aceito na faculdade (muito provavelmente o único deles) e ganhando aquele final com uma metáfora linda, antes do amor da sua vida sumir de vez no fundo daquela piscina. E foi através dele que nos despedimos da série, talvez na intenção de deixar um pouco de esperança para essa nova geração de jovens que se encontram em um momento parecido em suas vidas nesse exato momento, encerrando a história dessa ultima geração de Skins com o pensamento de que no final, por pior ou mais difícil que tenha sido o seu caminho, ainda pode dar certo. Um final esperançoso e com a trilha sonora perfeita para encerrar a série de forma sensacional. Impossível de não se emocionar!

Engraçado também que Rich e o Alo, eles que sempre foram os garotos que ninguém queria na escola, acabaram se tornando os personagens com a trajetória mais bacana da série, encerrando suas histórias muito bem, saindo do posto de losers do passado para ocupar o novo posto de sobreviventes da adolescência, cumprindo todas as etapas dessa fase sempre tão complicada (primeiro amor, primeira vez), de forma bem digna até então. Digna e não perfeita, o que eu acho bem importante de se destacar.

Agora, para a Franky, sobraram todos os plots dramáticos da temporada. Aff… A garota que começou lindamente a sua geração sem um gênero definido e com uma personalidade artística super interessante, acabou deixando de lado essas  suas características (bem mais interessantes até) encontrando em diversos parceiros diferentes nessa temporada o que ela acabou conhecendo como “amor”, em níveis e intensidades completamente diferentes, mesmo sem ela não parecer nunca estar apaixonada por nenhum deles. Mas talvez Franky não conseguisse entender o significado dessa palavra, devido ao seu trauma do passado, com a história do seu abandono ainda quando criança e o issue da sua adoção. Uma barra para qualquer um, mas que por outro lado, por ter tido a chance de encontrar pais adotivos tão sensacionais, o que não é regra e nem acontece para todo mundo nessa situação (infelizmente…), ela deveria se sentir recompensada de alguma forma. Mas a vida não é assim tão simples para ninguém, não é mesmo? Ainda mais para quem é o dono do problema.

Só não entendi o porque da sacanagem que aquela irmã dela fez com ela no episódio final. Poxa vida, não bastava a mãe ter aberto mão dela quando criança, mas precisava mesmo ela ter escondido que no final das contas a mãe ainda estava viva? What a  megabitch! Viva e com aptidões bem parecidas com a da Franky em todos os sentidos, da arte até a loucura e o encontro entre as duas foi bem maravileeeandro também (sua mãe estava internada no mesmo lugar que a Effy? Achei a locação super parecida…). Sendo assim, para ela eu achei que pesou um pouco demais toda essa carga dramática descontrolada e o seu personagem que apareceu de forma tão interessante no começo da temporada anterior, foi se transformando em uma megabitch sem muitos motivos aparentes para tal, mesmo que os existentes e visíveis fossem todos justificáveis. (e faltou uns tapas na cara daquela irmã sacana, não? Eu teria partido-lhe a cara. PÁ!)

Tirando tudo isso, eu só achei imperdoável  que justo a última festa da série tenha acontecido daquela forma tão meio assim. Faltou tudo para ser uma festa digna de Skins, para dizer o mínimo sobre o assunto, rs.

E mesmo com um episódio final não tão genial como merecia, Skins encerrou muito bem a sua proposta, mantendo o seu fundamento do começo ao fim, mesmo com alguns atropelos e escorregões durante essa trilogia de gerações. Fico feliz que a série tenha encerrado dessa forma a sua história de seis temporadas (e mais uma de bônus  ainda por vir), com personagens que a gente conseguia facilmente se identificar em alguns momentos e porque não até lembrar de coisas do passado que todos nós certamente vivemos. Embora a sensação seja a de tristeza por uma série tão bacana ter “chegado ao fim”, ao mesmo tempo eu me sinto aliviado por Skins não ter se tornando mais uma daquelas séries arrastadas, que passaram do prazo de validade. Antes sentir saudades com carinho do que lamentar que uma série que sempre foi tão bacana, tivesse um final totalmente descabido e sem deixar a menor saudade. Sem contar toda a coragem de bancar uma série tão cheia de assuntos polêmicos por tanto tempo, lembrando que a sua origem foi no ano de 2007, ou seja, não é de hoje que Skins vem dando tapas atrás de tapas na cara da sociedade, mostrando que é possível sim fazer uma série adolescente digna, sem apelar para o combo do sorriso perfeito do clareamento dentário a laser + bronzeamento artificial preguiça.

Dessa forma, termino essas três gerações de Skins me sentindo completamente satisfeito com o que assisti durante esse tempo todo, além de já ficar morrendo de saudades de todo o fundamento da série na moda, com todo aquele figurino sensacional e nada óbvio, de deixar qualquer um super inspirado, além da trilha da série, que eu arrisco dizer ser a melhor de todos os tempos (sério!), recheada de muitas boas novidades que sempre acabavam parando nas minhas playlists todas e que só por esses detalhes todos da produção, a série já merceria um grande mérito por toda a sua originalidade, algo que sempre foi indiscutível. E vc vai me dizer que também não ficou morrendo de vergonha quando a MTV americana tentou fazer a sua própria versão da série inglesa?

Mas agora só nos resta mesmo é morrer de saudades de Skins e torcer para o retorno dos nossos personagens preferidos para os especiais da próxima temporada. Quem será que volta, hein?

(♥³)

ps: como esquecer esse promo, ao som do Radiohead? (quando fui ao show deles eles tocaram “Nude”, me imaginei como o Maxxie , só que “flutuando in rainbows” na platéia rs)


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