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Downton Abbey, parte 2

Agosto 1, 2012

Agora, devidamente trocado por meu lacaio Jerry (inimigo #1 do Thomas, rs) e sentado na minha biblioteca esperando o jantar enquanto tomo um vinho antigo (também conhecido como chocolate quente de PJ sentando em frente ao computador, rs) estou pronto para falar da Season 2 de Downton Abbey. Tão pronto que já posso começar dizendo que eu não tenho palavras para expressar a vergonha que estou sentindo nesse exato momento por não ter começado a assistir a série mais cedo. Porque nada na vida inglesa no campo seria capaz de justificar essa minha falha comigo mesmo indeed. (#SHAMEONYOUESSY)

E seu eu já achava quase que inexplicável a quantidade de boas histórias que eles conseguiram contar com aquele número grande de personagens e em tão pouco tempo durante a primeira temporada(algo em que GOT poderia se espelhar por exemplo…), fiquei ainda mais impressionado com tudo que eles conseguiram nos contar durante essa Season 2, onde novamente de tudo aconteceu, mas de tudo mesmo. Temporada essa que teve apenas um episódio a mais do que a anterior, além de um especial de Natal, que nós esperamos que seja mantido como tradição (como em Doctor Who) ao longo dos próximos anos, só para deixar nossas noites de Natal ainda mais especiais. (esse inclusive poderia ser considerado um episódio de noite feliz, no melhor dos sentidos – ♥)

Em tempos de guerra, Downton não é mais a mesma e isso nós já conseguimos perceber durante a premiere da segunda temporada, que nos trouxe os personagens figurando em diversos outros cenários, além dos inúmeros cômodos daquela casa gigantesca. Talvez por isso eu tenha sentido que esse primeiro episódio tenha sido mais fraco do que o piloto (comparação infeliz, eu sei), mas essas mudanças de cenário foram totalmente justificáveis e serviram para nos situar sobre os atuais rumos dessa história agora enfrentando uma guerra.

Com isso, o clima em Downton não  poderia ser dos melhores. E como poderia? Afinal, aquela família embora viva bem longe da realidade de uma maioria, já mostrou que eles são muito mais do que uma fachada para a aristocracia inglesa e sendo assim, era visível a tristeza no olhar dos Crawley em tempos de guerra, eles que se sentiam quase que ofendendo o seu país mantendo um padrão de vida que naquela hora, fazia pouco ou nenhum sentido para todos eles, mesmo para os mais tradicionalistas.

Robert (Hugh Bonneville) estava visivelmente triste, ainda mais quando descobriu que o seu novo titulo impresso naquela farda militar naquele momento, só servia mesmo para mostrar o seu status para os demais e nada além disso, uma vez que ele sequer esteve em campo de batalha dessa vez. Sybil (Jessica Brown Findlay) cresceu, foi estudar para ser uma enfermeira e observando pessoas próximas a ela sendo afetadas com os efeitos da guerra (que são sempre negativos), acabou despertando para algo mais que ela poderia fazer em prol de todas aquelas pessoas ao seu redor, onde a sua pacata vida em Downton de escolhas de vestidos e jantares em família já não era mais o suficiente. Sybil queria fazer a diferença e realmente conseguiu. Primeiro ela se arriscou na cozinha, para o desespero e diversão da Mrs Patmore (Lesley Nicol) e da Daisy (Sophie McShera) e depois, conseguiu acabar trabalhando diretamente com o que ela mais gostava de fazer na vida, que sempre foi ajudar os outros.

E foi assim que Downton acabou virando uma espécie de “casa de recuperação” por boa parte dos episódios dessa temporada, que foi a forma que os Crawley conseguiram encontrar para fazer a sua parte dentro daquele período da história e que nos rendeu um entra e saí frenético dentro daquela casa, para desespero de Violet (Maggie Smith), que mais uma vez esteve impagável durante toda essa temporada, sempre com uma line divertidíssima e super apropriada para a situação, revelando toda a sabedoria dos seus fios de cabelos brancos. E mesmo um tanto quanto contrariada por ver a propriedade da família ser tomada por soldados e desconhecidos por todos os lados, ela sabia que era a coisa certa a se fazer naquele momento, desde que fosse algo temporário e no final, foi ótimo ver ela e a Cora (Elizabeth McGovern) unindo forças para acalmar o espirito benevolente e caridoso demais da prima Isobel (Penelope Wilton), mãe do primo Mattew (♥), que queria a todo custo transformar Downton em um centro de recuperação eterno.

Mas nada foi mais angustiante durante essa temporada do que todas as vezes em que o primo Matthew (Dan Stevens) partiu para cumprir o seu papel em campo na guerra. Toda vez que aquele homem partia, meu coração ficava apertado junto com o da Lady Mary (Michelle Dockery), que chegou até a rezar pedindo proteção para o homem da sua vida, que era só o que ela poderia fazer diante daquela situação.Isso, mesmo com ele me aparecendo noivo de outra durante o começo dessa temporada, a jovem Lavinia (Zoe Boyle), que escondia alguns plots em relação ao seu passado, mas nada que conseguisse a fazer ser odiada nem pela Mary e nem por nós, apesar de torcermos desde o começo para que esse noivado não chegasse ao altar. E apesar da nova pretendente, ficava cada vez mais evidente que o amor entre Mary & Matt só crescia e cada despedida dos dois envolvendo um plot de guerra, era um momento de partir o coração de qualquer um. O que foi a Mary entregando o seu amuleto da sorte para ele e depois, sua mãe querendo doar o mimo para uma criança qualquer e ele ficando totalmente desesperado? Só amor! (♥)

Matthew sofreu bastante durante essa temporada e de tudo aconteceu com o seu personagem em relação a guerra, nos trazendo um outro lado para o mesmo, esse bem mais sombrio do que o que estávamos acostumados anteriormente. E ele ficou sumido por um tempo, reapareceu em um momento super foufo, dividindo um número musical sensacional com a própria Mary, em uma das festas em Downton para entreter os soldados em recuperação. Depois ganhou o reforço do William sob seus cuidados na guerra, desapareceu de novo, dessa vez por mais tempo, ressurgiu seriamente ferido para o nosso desespero (ambos inclusive), impossibilitado de andar e com a possibilidade de nunca mais ter filhos. (DRA-MA)

E a Mary esteve ali, firme e forte ao seu lado, em todos esses momentos e tendo que esconder muito bem os seus sentimentos por conta dele estar envolvido com outra que com o tempo, acabou meio que até virando sua amiga, mesmo tendo Mary também um novo pretendente, Richard, que parecia até gostar dela, mas de uma forma obsessiva demais e que certamente não seria o ideal para a personagem. E foi linda a forma como ela acabou cuidando do Matt, mesmo com ele super amargo, fingindo não se importar mais com a vida devido a sua atual condição naquele momento e tentando afastar todo mundo, o que de certa forma também era bastante justificável. Até mesmo nesses momentos mais duros da convivência entre os dois, era nítido o amor no ar entre aquelas duas pessoas e sobrava espaço até mesmo para algumas piadinhas com o mais alto nível do humor inglês, que são sempre deliciosas em Downton Abbey. Para a sorte de todas, o diagnóstico do Matt foi errado (e quem confia naquele médico da série? Sério?) e o momento em que ele descobriu ter recuperado seus movimentos foi dos mais emocionantes possíveis, com Robert acordando a casa inteira para comemorar o que havia acontecido (AMO a forma com que o Robert trata o Matthew, praticamente como um filho), quase que milagrosamente.

Tudo bem que essa história toda super carregada no drama a princípio pode até parecer meio forçada, mas ao mesmo tempo, com uma Primeira Guerra Mundial como plano de fundo, isso antes da década de 20 (onde tudo era bem diferente), tudo se tornava bastante crível, apesar dos exageros em relação a quantidade de plots negativos para um único personagem (que em guerra, estava mais suscetível a isso também, fato). E dessa forma, eles conseguiram também mostrar o  quanto uma guerra como aquela acabou afetando o país, com o aparecimento das viúvas da guerra a procura de um emprego para sustentar seus filhos (onde até ganhamos uma nova personagem para a série, que viria a ter alguma importância mais adiante, como todos os demais personagens sempre tem, diga-se de passagem), os soldados precisando recomeçar suas vidas, passando sérias necessidades (e foi também bem lindo ver as cozinheiras juntando forças para amparar os necessitados de algo tão básico, mesmo com a tentativa da O’Brien de estragar tudo – sempre ela, bitch), voltando para a casa em busca de uma nova oportunidade e com inúmeros traumas psicológicos e até mesmo físicos.

Sem contar que as cenas da guerra foram todas muito bem conduzidas e de uma beleza absurda, se é que podemos assim dizer de uma paisagem ao mesmo tempo tão triste e devastadora. Nesse cenário, tivemos Matt, Thomas (Rob James-Collier) e depois William (Thomas Howes), dividindo o espaço em meio a trincheiras e uniformes militares (lindíssimos por sinal), lutando para sobreviver em meio ao caos. Linda também foi a forma como eles conseguiram demonstrar os dois lados dessa história, tendo o Matt e o William como heróis, capazes de arriscar a própria vida em busca de um bem maior (que eles fizeram questão de mostrar, com os adversários se rendendo no final das contas) e do outro lado, a covardia do Thomas se ferindo propositalmente apenas para sair daquele cenário pesado demais até mesmo para ele. Ainda falando em guerra, tivemos outras duas histórias bem bacanas, como a do novo empregado da casa que vivia um trauma pós guerra dos mais problemáticos, se mostrando completamente apavorado só de imaginar a hipótese de ter que voltar para aquele lugar, além da história do sobrinho da Mrs Patmore, morto em campo de batalha por covardia, uma história que apenas nos foi contada e que mesmo assim acabou funcionando muito bem, como tudo na série até aqui.

Claro que seria pouco provável que Downton não sofresse nenhuma baixa durante a guerra e acabou sobrando para o William esse plot de despedida trágica. Que foi outro momento super emocionante também, com a casa toda em luto, não só pela sua morte ter afetado diretamente a todos em Downton, mas sim pela forma como todo o seu envolvimento com a guerra foi conduzido, desde ele querendo se alistar e o pai sendo contra, depois com a Violet tentando a todo custo poupar os empregados de seguirem para o campo de batalha (#TEMCOMONAOAMAR a Violet?) inclusive ele e mais tarde com toda a sua história de amor em relação a Daisy, com direito a um casamento as pressas, recheado de muita culpa por parte dela, que acabou sendo convencida a aceitar o pedido de casamento mesmo não estando muito convicta disso. (ela que acabou ganhando um conselho lindo da Violet em um momento bem importante e mais tarde acabou lucrando uma nova família disso tudo)

E digamos que essa foi uma temporada do B Side para Downton Abbey, onde todos os personagens ou pelo menos a maioria deles, acabaram ganhando a chance de nos mostrar um outro lado de suas personalidades, algo desconhecido até então. Foi assim com o Matt da depressão por conta de tudo o que ele passou durante esse período de guerra, ou com o Thomas reforçando o seu lado megabitch mas mostrando que ele também pode ser bom e agradecido quando algo lhe convém. O’Brien (Siobhan Finneran) trabalhada na culpa, tentando se redimir a qualquer custo pelo que fez com a Cora no passado, Cora que também acabou nos revelando um lado um tanto quanto meio assim e que de certa forma, acabou colaborando para que o Robert deixasse escapar o seu lado de homem infiel também.

Mas de todos eles, quem realmente foi a grande surpresa da temporada nesse sentido foi a Lady Edith (Laura Carmichael), a filha do meio que a gente achava ser apenas uma jovem de alma bem velha e invejosa. Mas que nada, durante a Season 2, Edith conseguiu se revelar como uma boa alma, tanto quanto suas irmãs e talvez ela só tenha agido daquela forma no passado por ter sido negligenciada a vida inteira. Foi bem bacana também a forma como ela se dedicou ao tratamento dos soldados feridos, sem qualquer tipo de interesse em jogo e nada mais que justo ela ter sido reconhecida por seu trabalho durante aquele período tão sofrido para todo mundo. Com isso, sua personagem acabou mudando de lado e agora já é possível até mesmo começar a torcer para que ela também seja feliz. (e será que aquele era ou não era o primo morto no Titanic hein? Não fiquei muito convencido nem que sim, nem que não…)

Aliás, se a gente já AMAVA as filhas da família Crawley, essa temporada só veio nos reforçar o porque desse sentimento por todas elas. E como não amar o plot da Sybil apaixonada pelo motorista, Tom (Allen Leech)? Diga-se de passagem, se tem uma coisa que eles sabem criar muito bem em Downton Abbey, são as relações de amor. E essa, apesar de bastante improvável, foi das mais adoráveis possíveis, com a Violet desconfiando que a neta andava saindo com quem não deveria (mas poderia) e mais tarde, suas irmãs descobrindo o romance dos dois e de certa forma dando o apoio necessário para que aquela história tivesse pelo menos alguma chance de um final feliz para todo mundo.

E foi bem emocionante ver a forma com que o Robert se opôs em relação ao romance da filha caçula com um de seus empregados, assim como foi sensacional ver o Mr Carson (Jim Carter) visivelmente ofendido com a postura do funcionário por quem ele era responsável. Tudo bem que em um determinado ponto da história, eu acabei achando o chofer um pouco irritadinho demais, mesmo já conhecendo a sua postura política/sonhadora/irlandesa, rs. Mas quem é que nunca disse a coisa errada no calor do momento? E outro momento ótimo também dessa temporada foram as irmãs pegando o carro escondido no meio da noite, na companhia da sempre fiel Anna (Joanne Froggatt – e quem não queria ter uma Anna?), tentando evitar que Sybil tomasse a posição errada em relação ao seu futuro. Ainda bem que no final deu tudo certo e mesmo com a gente tendo ficado sem o casamento deles em Dublin (que eu adoraria ter visto, humpf!), Robert apesar de magoado, acabou tomando a atitude certa cedendo as vontades da filha, que para estar disposta abrir mão de tudo na sua vida por uma amor, só poderia estar realmente apaixonada e por alguém que deveria valer a pena. Go Sybil!

Agora, falando do lado assalariado da força em Downton, de tudo o que aconteceu com os empregados daquela casa, eu confesso que o que eu menos gostei foi o plot do drama todo envolvendo o Bates (Brendan Coyle). Gosto da relação dele com a Anna (gosto de todas em Downton), adorava a presença da sua ex diabólica sempre tentando lucrar de alguma forma, mas não gostei muito da sua resolução, apesar do seu plot ter levado alguns dos nossos personagens preferidos na série para o seu julgamento, que foi outro momento bem bacana para a temporada, além de super dramático. Entendo que nessa hora, estamos falando de um homem de meia idade, sofrido, inglês, que talvez seja exatamente daquela forma, centrado, quase frio. Mas custava ter apresentado alguma reação mais calorosa durante aquele julgamento que poderia levá-lo a morte? Fiquei me imaginando naquela posição até… (se bem que os tempos são outros e certamente eu sou bem menos educado do que qualquer um deles, rs) Mas será que aquela sua postura pode significar algo mais? Eu duvido, mas…

Mesmo assim foi ótimo ver a Lady Mary presenteando o novo casal com uma noite em um dos quartos da casa, como presente de noite de núpcias. E também foi bem bacana ter ela reconhecendo a importância da Anna na sua vida, permanecendo ao lado da empregada em um momento tão difícil e retribuindo com carinho toda a dedicação que aquela mulher sempre teve com ela. De chorar.

Ainda na parte menos nobre da casa, tivemos plots sensacionais como o Thomas quebrando a cara e tendo que enfiar o rabinho entre as penas, pedindo quase que “asilo” em Downton após a sua volta triunfal (rs) e tendo que trabalhar para merecer uma segunda chance naquele lugar, apesar dele ter tentado sumir com a Isis (sim, é uma cachorra e eu sempre tive essa dúvida, rs), na intenção de roubar o posição do Bates que naquele momento estava vaga. E só eu fiquei com o coração na mão quando ele serviu um chá para o Mr Carson? Achei que mais alguém iria cair duro no quarto em Downton e que dessa vez não seria um amante turco. (que eu tenho certeza que morreu pelas mãos do Thomas…)

O’brien também não sabia mais o que fazer para se redimir da culpa do que ela fez (criminosamente e sem perdão) ao final da temporada anterior, o que acabou a colocando em uma posição mais favorável até mesmo para os nosso olhos. Carson continuou sendo adorável e vê-lo dividido entre ter que abandonar Downton para seguira com a Mary (que ele considera como filha e já declarou ser a sua preferida) no seu casamento, foi um momento também bastante importante. Isso até ele descobrir as verdadeiras intenções do noivo da Mary e não aceitar mais partir com os dois por se recusar a trabalhar para um homem que ele não respeita (Howcoolisthat?), deixando-a bastante magoada, mas que nós sabemos que foi para o seu bem. O mesmo vale mara a Mrs Hughes (Phyllis Logan), que com uma certa parcela de culpa por ter demitido a nova empregada ruiva que se engraçou por um dos soldados que habitaram Downton durante esse período, acabou ajudando a ex empregada a criar o seu filho fruto dessa relação que obviamente não teve um final muito feliz e quase que virou um “Casos de Família”, dentro da série, rs. (e o que foi a empregada sentada com o bebê dentro daquela dispensa cheia de animais mortos pendurados no teto? EW! E viva o progresso, rs)

A season finale não poderia ter sido mais aflitiva, porque nela, além dos preparativos para o casamento do Matthew com a Lavinia (e Mary mais perto ainda de também se casar com Richard), eles que se casariam em Downton (imaginem o seu boy magia dos sonhos se casando com outra dentro da sua própria casa? #CHERMELIVRE!), ainda em meio a isso tudo tivemos a gripe espanhola chegando para atormentar a casa da família Crawley e fazer algumas vítimas fatais dentro dessa história.  Apesar desse ter sido um episódio final cheio de resoluções importantes, ele acabou deixando algumas outras questões ainda pendentes, como a história do casal Mary & Matt por exemplo, que havia ganhando um plot ainda mais dramático a essa altura da história, que chegou a soar quase como uma posição definitiva por parte do Mathew (que a gente entende também, porque ele é todo certinho, foufo, um lord! rs), assim como o futuro da Sybil e o destino de Bates, para citar apenas algumas situações que ainda não estavam muito bem resolvidas.

Com isso, acabamos ganhando aquele episódio sensacional de Natal com 1h30 de duração, que seria o tempo necessário para que essa história encerrasse muito melhor a sua Season 2, ou pelo menos, que nos deixasse um pouco mais esperançosos e porque não dizer mais felizes com suas resoluções de fim de ano. Como não é muito comum que os episódios de Natal tenham alguma relevância com a história em si na maioria das séries, acabei imaginando que em Downton Abbey teríamos algo parecido, o que para a minha sorte não passava de um engano meu. Nele tivemos a continuação dessa história, que nos levaria até o começo da década de 20, que é onde começaremos a próxima temporada, que eu mal posso esperar para ver o que eles vão fazer a respeito da moda dentro da nova década, moda que é sempre um assunto tratado de uma forma linda de ser ver na série inglesa.

Falando nisso, preciso comentar que o figurino de Downton Abbey (by Susannah Buxton) é uma das coisas mais bem feitas da TV de todos os tempos e não é a toa que já levou um Emmy por Melhor Figurino de Minissérie, Filme ou Especial e esse ano, como a temporada acabou ficando maior, irá concorrer como Melhor Figurino para Séries de TV. Tudo é muito bem cuidado e de extremo bom gosto, além de ser quase que uma aula de história da moda para quem gosta do assunto. Durante essa Season 2 com a guerra, ganhamos tecidos mais pesados e cores mais sóbrias do que os tons pasteis da temporada anterior e dessa vez tivemos o uso de muito preto para todas as personagens e um toque de vermelho, além de fardas militares e uniformes alinhadíssimos. Gosto muito dos vestidos de noite dessa temporada, pretos ou escuros, com muito bordado e mais brilho. Durante a temporada anterior, esqueci de dizer que em uma das cenas, a Violet acabou aparecendo com um vestido roxo coberto por uma blusa em renda meio off-white, que era de encher os olhos de puro amor em renda inglesa, rs. Os homens também estão sempre impecáveis e os uniformes de caça usados durante essa temporada, com muita estampa em xadrez e tecidos mais encorpados e com uma alfaiataria invejável, estavam todos sensacionais. E elas já avisaram que com a chegada da década de 20, as mulheres em Paris já estão de cabelos mais curtos, meio “masculinas” e eu estou ansiosíssimo para ver Downton ganhando esse upgrade durante a próxima temporada.

Mas voltando ao episódio especial de Natal que encerrou essa temporada de Downton Abbey, ainda tivemos o plot do julgamento do Bates que acabou abalando todos eles, ainda mais com o antigo empregado sendo declarado culpado e tendo como pena a forca e foi praticamente impossível não ficar emocionado com o grito de desespero da Anna nesse momento. Mas acabamos recebendo de última hora, como esperança de tempos melhores, a notícia de que sua pena havia sido revista e que agora ele teria que ficar preso para sempre, o que deixa uma oportunidade para que ele consiga tempo para ser declarado como inocente. Nele também tivemos um plot sensacional do jogo de tabuleiro Ouija (Jogo do Copo), que acabou ajudando a própria Daisy a resolver suas questões pessoais (e totalmente compreensíveis) em relação a morte do William e a sua relação com o pai dele, que também não poderia ter sido mais foufa.

Mas esse episódio ainda nos reservava um momento aguardado por todos nós, que seria a hora em que Robert finalmente tomaria conhecimento do que aconteceu com a sua filha Mary no passado. Até imaginei que ele fosse ficar mais indignado do que ficou, mas tendo o personagem meio que “perdido” uma filha recentemente de uma forma que ele não esperava, quase que sem volta (o que graças aos conselhos da sempre impagável Violet acabou não acontecendo) e tendo ele mesmo vivido uma história de traição a sua mulher (que quase morreu) com um empregada de Downton, estava mais do que na hora mesmo dele esquecer essa vida de aparências que eles parecem se importar cada vez menos e investir mais no suporte e na felicidade da sua família, que foi quando ele ofereceu todo o seu apoio para filha em ser feliz com quem ela quisesse, encorajando a própria a seguir seus instintos, viajar até a america (que é onde vive a mãe da Cora, que é americana) para fugir do escandâlo que sua vida pessoal poderia se tornar (a medida que o caso do passado viesse a público por meio do seu ex noivo que sabia das coisas), nem que para isso ela tivesse que trazer um cowboy americano para Downton. Sério, #TEMCOMONAOAMAR?

E apesar de quase tudo estar praticamente resolvido nessa história, uma pendência ainda me incomodava durante essa temporada, que era a história de amor entre o Matt e a Mary, que durante os especial de Natal acabou ganhando novas camadas, mas que ainda estava sem o final que a gente gostaria de ver. Tudo bem que eles dois vivem uma relação de encontros e desencontros, como se ainda estivessem desajustados ao tempo um do outro (que acontece, humpf!), mas não seria justo com os dois depois de tudo o que eles viveram juntos até então (ainda mais depois da guerra), ter que terminar separados por mais uma vez, mesmo não sendo essa a vontade de ambos e não tendo mais quem os impedisse.

Uma leitora do Guilt já havia me avisado que tudo terminaria bem durante essa temporada e eu estava ansiosíssimo a respeito da resolução para essa que é a minha história de amor preferida em Downton Abbey desde o começo. A essa ponto, já estava quase que desacreditado que essa história fosse resolvida naquele momento, mesmo como o Matt tentando se aproximar da Mary durante aquele episódio, mudando de ideia sobre o que ele achava da relação dos dois depois do que aconteceu com a Lavinia e ainda sendo provocado por sua própria mãe a tomar uma posição naquela história toda e brigar por ela, algo que era mais do que evidente para todo mundo o quando eles mereciam e deveriam ficar juntos. (quando o casal dançou no baile dos empregados, era possível observar uma discreta admiração por parte de todos que observavam os dois dançando naquele momento)

Para a nossa sorte, o episódio ainda guardava alguns minutos finais, que seriam mais do que especiais. Com a neve chegando a Downton, no clima perfeito após o baile dos empregados (que foi sensacional e teve coreôs impagáveis de casais que a gente nunca imaginou ver juntos!) e após a Mary já ter revelado a sua história com o turco no passado e o Matt aceitando que todos eles já viveram o suficiente a ponto de carregarem alguma bagagem para a vida, acabamos ganhando o final perfeito para aquela história de amor que nós tanto AMAMOS e torcemos por tanto tempo. Chorei neam? Compulsivamente e com o coração transbordando! (sim, eu sou do tipo que se envolve com os personagens que eu gosto, por isso não me julguem e me abracem, ok?)

E assim, em meio a chegada da neve e com esse momento maravileeeandro e para o qual nós estávamos torcendo faz tempo, terminamos essa Season 2 de Downton Abbey completamente satisfeitos com tantas histórias sensacionais que esses ingleses conseguem nos contar tão bem e em tão pouco tempo. Para quem não viu ainda, o Globosat HD irá exibir a Season 2 da série em Novembro desse ano (a primeira temporada acabou de ser encerrada, praticamente quando eu escrevi o meu post a respeito da Season 1) e na mesma época, o DVD da primeira temporada será lançado por aqui. (e vai direto para a minha prateleira especial)

A respeito da Season 3 de Downton Abbey, nós já sabemos de algumas informações que nos foram reveladas durante o painel da série no TCA desse ano. Além da chegada da mãe da Cora, interpretada pela atriz Shirley MacLaine, sabemos que após a guerra, muitas famílias passarão a ter alguns problemas financeiros e dentro desse cenário, teremos a família Crawley. Teremos também a visita de Sybil e do seu agora marido, algo que irá gerar um certo desconforto no resto dos empregados da casa e vamos ter algumas questões políticas relacionadas a Irlanda (que é onde Sybil vive com ele). Novidades vão surgir para a história do Bates, mesmo com ele ainda preso, onde iremos descobrir como a sua ex mulher acabou morrendo. E para o nosso total desespero, parece que a história de amor entre o casal Mary & Matt não vai estar nada bem apesar de agora eles finalmente estarem juntos e noivos (quem não tinha certeza de que isso iria acontecer, hein?). A previsão de estreia para a Season 3 é de Setembro desse ano, lá do outro lado do oceano, sendo que na america antiga a nova temporada só será exibida no começo de 2013 e por aqui ainda não há previsão. (ou seja, Setembro, rs)

Ansiosos? Eu não consigo comentar outra coisa no meu chá das cinco a não ser o meu amor inglês por Downton Abbey. E o que mais me deixa encantado com a série é que apesar da pompa e da grandiosidade de Downton, eles conseguem nos apresentar histórias super simples mais muito bem contadas, recuperando uma inocência que a gente vem sentindo falta e não é de hoje. O tipo de série para se assistir com pontualidade inglesa, pelo menos a partir de agora. (rs)

ps: não me aguento com a trilha perfeita para cada um desses promos. #SÓAMOR

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

Downton Abbey, parte 1

Julho 16, 2012

Faz tempo que eu venho procurando uma série do tipo novelão, sabe? Do tipo que reunisse um pouco de tudo. Intriga, romance, jogos de poder, humor, vilanices, tudo em um pacote só. Até que me deparei com Downton Abbey, série inglesa que a gente tem ouvido falar muito bem atualmente, que vem ganhando diversas indicações nos mais variados prêmios e que certamente deveria ter o seu mérito. Por falta de tempo e por meu interesse em histórias de época não ser dos maiores (quando é muito histórico eu até gosto, mas não de tudo…), acabei deixando a série para assistir depois, aproveitando o marasmo da summer season, que é sempre um período entregue as moscas.

Mal sabia eu que estava prestes a me apaixonar perdidamente por mais uma série inglesa indeed. Eu sei, eu sei que eu tenho repetido isso bastante ultimamente e pode parecer até um exagero do meu sangue inglês falando mais alto (se jura?), mas acreditem, Downton Abbey merece mesmo toda a comoção em torno da riqueza e detalhes de sua produção, que chega a ser assustadora quando pensamos que essa é apenas uma série de TV e não um produto do cinema, como bem poderia ser. E o melhor de tudo, a série consegue ser tudo isso sem ser pedante, chata ou datada demais, o que já é uma grande vantagem quando falamos de algo que se passa em uma outra época.

Em Downton começamos em 1912, anos antes da Primeira Guerra Mundial, em um período marcado pela tragédia do Titanic e temos como plot central a vida de uma família nobre importante da região e sua rotina em Downton, herança que eles cuidam a todo custo para que permaneça sob os cuidados da família, que funciona dentro de uma sistema de hierarquia nos moldes antigos, por isso o drama. Dentro daquela casa de campo com um arquitetura lindíssima e de tirar o fôlego, temos muitos empregados, dos tipos mais variados possíveis. Alguns bem felizes com suas posições e agradecidos pelo oportunidade de servir, outros mais ambiciosos e cada um deles carregando uma história deliciosa, seja ela envolvendo o seu passado, que vamos descobrindo ao longo do tempo, ou até mesmo falando do momento presente de suas vidas na série.

Dentro da família Crawley, que são os donos do pedaço, também temos as mais adoráveis e diferentes criaturas, como o casal Robert (Hugh Bonneville) e Cora Crawley (Elizabeth McGovern), que são ótimos juntos, de uma foufurice absurda, apesar de não esconderem ou negarem que aquele casamento a princípio tenha sido arranjado por puro interesse (por parte dele), prática mais do que comum naquela época (só naquela época? Sei…). Juntos eles tem três filhas mulheres, o que dificulta a sucessão da herança da família, que naquela época (bem injustamente) era feita apenas através de um descendente homem, o que leva a família a se preocupar e muito com o futuro de Downton e de uma herança que eles cuidam como ninguém, que vai muito além apenas da propriedade em si.

Entre as filhas temos Lady Mary (Michelle Dockery), a mais velha delas e que estava noiva de um pretendente que acabou sendo vítima do naufrágio do Titanic (que é o acontecimento histórico que data o início dessa história). Mary é super ambiciosa, mas tem algo que vai além disso na sua personalidade conflitante. Ela não gosta de ser mandada e não aceita muito bem a ideia de ter que se casar por esse ou por aquele motivo, algo que ela vem sendo pressionada a fazer rapidamente por conta da herança da família, que é algo que ela não aceita muito bem sem que a decisão seja inteiramente dela. No começo, ela pode até parecer mais interesseira do que qualquer outra coisa, mas na verdade, no decorrer da história, vamos percebendo que Mary está mais do que certa em bater o pé e não aceitar que a sua herança acabe nas mãos erradas apenas pelo fato dela ser mulher, o que acaba nos revelando um outro lado da personagem, esse muito mais interessante e apaixonante até. Mary tem a alma de uma mulher livre, do tipo que quer ser dona do seu próprio nariz.

Com filha do meio temos Lady Edith (Laura Carmichael), que cai perfeitamente naquele velho estigma do filho do meio que acaba dividindo demais as atenções com os irmãos das pontas (rs) e sempre acaba se sentindo um pouco deixado de lado. O problema é que ela, apesar de se sentir injustiçada e até mesmo os seus pais reconhecerem que ela é prejudicada por ser a filha do meio (com aquele recurso do humor inglês que é sempre ótimo), Edith carrega também aquela competição eterna muito presente dentro do universo feminino, a qual ela nutre com todas as forças contra a irmã mais velha Mary, a quem ela julga não saber aproveitar as possibilidades que para ela nunca aparecem. Verdade é que Edith não só se sente como a filha injustiçada, como ela parece ter uma inveja imensa da felicidade alheia e está sempre torcendo para que as irmãs “mais perfeitas” se deem mal para que ela possa se sentir melhor. Edith tem a alma de uma velha amarga, que não tem forças para lutar a favor de si mesmo, buscando essa força que lhe falta na inveja, o que a leva a ser facilmente apelidada de Lady Envy, rs.

Representando os sonhos da juventude e uma visão de futuro, temos Lady  Sybil (Jessica Brown Findlay), a caçula do clã dos Crawley que é a foufurice em pessoa. Linda, ela é doce com os empregados e está sempre disposta a ajudar (AMO o plot dela tentando ajudar a empregada a perseguir o sonho de se tornar secretária). Cheia de opiniões e ideais, apesar de levar uma vida considerada fácil dentro do seu “castelo” cercado de empregados, Sybil é super politizada e uma grande ativista em prol dos direitos das mulheres, que naquela época eram tratadas como seres bastante inferiores (só naquela época? Sei…), sem direito a voto ou até mesmo uma voz mais ativa em diversas circunstâncias. E ela é a mais ousada de todas as filhas e quem tem uma visão mais adequada ao futuro, arriscando-se até a ser a primeira das três a usar calças em público em noite de jantar em família. Sybil tem a alma moderna, de uma jovem sonhadora que não se importa em lutar para alcançar aquilo que deseja para ela ou para os demais.

Ainda falando um pouco mais da família, temos uma outra personagem que não mora em Downton, mas que faz visitias constantes e sempre muito divertidas, que é a Condessa de Grantham, Violet Crawley, mãe do patriarca da família e avó de todas elas, que é deliciosamente interpretada pela excelente atriz Maggie Smith (I ♥ Professor Minerva). Sério, ela é impagável para a série. Impagável! Com uma inquietude no olhar e até nos trejeitos, sempre com aquele ar de nobreza que ela não perde por nada nesse mundo e sempre lutando para manter as tradições das coisas como ela acha que devem ser, a personagem é sempre um ganho em cena, mesmo quando intolerante e até mesmo com um olhar bem preconceituoso sobre as coisas. Mas ao contrário do que se possa imaginar, Violet apesar de ter fortes posições a respeito de tudo, as vezes bem equivocadas e questionar o tempo todo as mudanças da modernidade, a personagem se mantém bastante aberta a aceitar e entender que essas mudanças sejam inevitáveis em diversas áreas, dando um banho de jogo de cintura na terceira idade daquela família e mostrando que ela pode ser uma mulher muito mais moderna do que aparenta, desde que ela seja convencida do contrário.

E #TEMCOMONAOAMAR a reação da personagem com a novidade da energia elétrica, a qual ela acha um total desperdício e diz não estar acostumada ainda, ou quando ela experimenta pela primeira vez na sua vida a sensação de se sentar em um cadeira giratória? Fora a relação em conflito que ela mantém com a prima Isobel (Penelope Wilton), que chega trazendo o possível novo herdeiro de Downton, com a qual ela trava excelentes brigas de conhecimento, como quem é capaz de dar um diagnóstico mais preciso sobre um problema de saúde de um dos empregados, ou a batalha sobre quem manda mais no conselho do hospital local, ou até mesmo a disputa para ver quem é que tem o jardineiro capaz de criar a rosa mais bonita da região. Plots divertidíssimos que terminam com a resolução de “parte” da mágoa entre as duas no season finale, de onde eu espero que surja uma amizade em nome de um bem comum de interesse de todos, inclusive de todos nós.

E esse interesse todo fica por conta do personagem Mathew Crawley (Dan Stevens), ele que é o primo magia da família e que chega para assumir a sua parte na herança, uma vez que a família não tem nenhum filho homem. Ele que não é um nobre, mas aparentemente foi um homem muito bem educado, que recebe a proposta de ter uma grande mudança na sua vida do dia para a noite, que começa no momento em que ele aceita o convite para mudar-se para Downton. Mas Mathew tem outros interesses, ele trabalha nos dias de semana (o que eles consideram um absurdo e a Condessa chega a perguntar com um certo nível de espanto sobre o significado de “finais de semana”, rs) e que obviamente não é muito bem recebido por parte de Mary, que porque não é casada ainda, é para ele que ela vai perder a sua parte da herança.

A princípio ambos não se dão muito bem, mais por parte dela do que dele, que o considera um homem comum, impossível dela se interessar. Muito disso por conta de que existe um interesse no ar por conta de sua família, onde se ela acabar se casando com Mathew, seus problemas em relação a herança estariam todos resolvidos. Uma imposição que ela não aceita e ele até entende o porque, mas que ao mesmo tempo, começa a despertar um certo clima de romance no ar entre os dois, que é construído de uma forma linda e bem natural durante a temporada, onde acaba ficando mais do que evidente que eles foram feitos um para o outro. Mas é claro que nem tudo é tão simples assim e eles até ensaiam um começo para o final feliz dessa história, que acaba logo em seguida, com um outro momento bem importante da temporada que eu não preciso contar exatamente qual para não estragar a surpresa de quem ainda não assistiu Downton Abbey.

Mas posso falar? Estou completamente apaixonado pelo casal Mathew & Mary, que rapidamente conseguiu ganhar o status do meu novo “Ross & Rachel” de época antiga, rs. Aliás, eu acho a Mary lindíssima e super entendo a personagem (além de me indentificar e muito com ela), mas é humanamente impossível terminar pelo menos essa primeira temporada da série inglesa sem não estar pelo menos um pouquinho apaixonada pelo primo Mathew. Sério. Te amo Mathew! (rs – ♥)

Do lado dos serviçais da família Crawlie, também temos ótimas figuras que são divertidíssimas e muito bem exploradas, mesmo quando em papéis menores (que são menores não por serem serviçais, tipo a Lady Edith, por exemplo). Fato é que Dowton Abbey não é uma história apenas sobre uma família rica que tem vários empregados e sim uma grande história sobre todas as pessoas envolvidas nessa trama e suas relações, sejam elas nobres ou não. E tem de tudo naquele lugar, desde as empregadas mais especiais, que dedicam a sua vida ao trabalho e acabam abdicando do sonho de constituir uma família ou uma vida fora de Downton, como a adorável Anna (Joanne Froggatt) e a Mrs Hughes (Phyllis Logan), que são super queridas com todos eles, ou tipos mais voltados para o lado negro da força que quase não conseguem enganar ninguém, sempre muito ambiciosos e visando lucrar de alguma forma com a proximidade do seu trabalho com aquela família, como os odiosos Thomas (Rob James-Collier, que o que tem de maravileeeandro tem de megabitchness) e a Sarah O’Brien (Siobhan Finneran, feia, amarga e má, rs), que como vilões da trama as vezes parecem ser apenas pessoas amargas ou revoltadas com suas condições inferiores, mas que acabam nos revelando que são realmente pessoas de caráter bem duvidoso. (imperdoável o que a Sarah fez, mesmo se arrependendo logo em seguida…)

Mas é bem bacana ver a forma como aqueles empregados dedicam o seu tempo ao trabalho que parece nunca ter fim dentro daquele lugar gigantesco e cheio de normas e regras. Um trabalho que precisa ser impecável aos olhares dos chefes de todos eles, Mr Carson (Jim Carter, que quem diria que teria uma passado daqueles hein? rs) e da Mrs Hughes, que parece durona no comando da ala feminina, mas que é uma foufa e tem escondido no seu passado uma história linda de amor. Entre eles ainda temos o doce William (Thomas Howes), que mantém um amor platônico pela Daisy (Sophie McShera), ajudante apatralhada da excelente e estressada cozinheira Mrs Patmore (Lesley Nicol), que também passa por maus bocados durante essa temporada e que não mais do que justamente, é totalmente amparada pela família. Sem contar o motorista socialista, que já começou a dar indícios de uma paixão por Sybil, com quem divide alguns interesses em comum, assim como o misterioso Bates (Brendan Coyle), que chega como um velho conhecido do Robert, mas que ainda mantém alguns segredos que nos são revelados aos poucos durante a temporada.

E essa relação entre patrão e empregado em Downton Abbey é muito bem construída também, onde fica sempre bem claro a gratidão que aquela família tem com os seus empregados e vice versa, mesmo sem que isso fique muito evidente a todo momento. Alguns conseguem perceber isso de imediato e passam a ter uma relação linda com seus patrões, como é o caso da cumplicidade da Anna ou da Gwen com as filhas do casal, enquanto outros, preferem se distanciar dessa proximidade, sem deixar se envolver demais com a situação, a não ser para tirar algum proveito daquilo tudo, como o Thomas, que não mede esforços para sair da sua vida atual, roubando e tentando ganhar qualquer vantagem com o privilégio de informações que ele recebe em Downton, assim como a O’Brien, que se sente inferiorizada, pouco querida dentro daquele cenário e por isso resolve tomar atitudes de pura crueldade, quando em uma dessas situações (a mais cruel delas) a empregada recebe de troco um tapa na cara em formato de elogio à sua importância para aquela família, que ela não foi capaz de perceber antes e agora tem que conviver com esse grande remorso em sua vida cada vez mais amarga. (bi-a-tch)

O bom é que de tudo acontece em Downton, onde as correspondências correm solto com as fofocas mais sórdidas daquele lugar, isso até a chegada do telefone agora no season finale, que deve mudar um pouco a forma de se espalhar a informação aos quatro cantos da região. E temos tudo mesmo ali, fofoca, intriga em família, plots religiosos, políticos, romances lindos, aquela dinâmica de sempre entre empregado e patrão, amantes turcos morrendo do nada no meio da noite (sabemos que foi vc, Thomas) e empregados que se atracam com os pretendentes da filha do patrão (vimos que foi vc, Thomas). Sem contar o charme de um época que não vivemos, cheia de regras de comportamento e até mesmo de educação e respeito, coisas raríssimas de serem vistas hoje em dia.

Mas é bacana como toda a história da série na verdade é bem mais simples do que pode parecer e suas resoluções todas não poderiam ter sido melhores, pelo menos não nessa Season 1. Tudo é tratado de forma bem simples e acaba funcionando mesmo assim, o que eu não acho que seja apenas mérito do nosso interesse em um tempo que não vivemos e sim uma qualidade que se encontra naquele texto delicioso, que além de ser super bacana, é também super ágil e bem dinâmico, onde há espaço para todos se destacarem nessa que já se tornou a minha série novela do momento. E que atores sensacionais, não?

Ao final da Season 1, tivemos importantes resoluções para todos os personagens, onde nada que nos foi proposto ficou pendente, além de um plot bem triste para a família, o que acabou afetando inclusive a relação entre o casal Mathew e Mary (para meu desespero), que se não fosse pelas influências externas, já poderiam ter resolvido essa situação. No final, chegamos ao ano de 1914, dois anos após a data de início da série, onde terminamos a temporada com o anúncio da notícia da chegada da Primeira Guerra Mundial, com os ingleses se declarando em guerra contra a Alemanha em um momento que certamente deverá afetar os rumos da próxima temporada, que eu começo a assistir assim que terminar de escrever essa review, rs. E apesar de avançarmos dois anos a frente dessa história, a série inglesa tem apenas sete episódios em sua primeira temporada, onde parece até impossível eles terem conseguido desenvolver tantas histórias de forma tão completa em um espaço de tempo tão curto como esse. Mas acreditem, eles são ingleses, que não tem o costume de se atrasar ou nos enrolar com episódios medianos ou fillers e mesmo com uma temporada enxuta dessas, conseguem nos entregar essa delícia de série, que justifica toda e qualquer comoção em torno do seu nome.

E a minha maratona continua indeed, onde eu fico feliz de ter mais uma temporada já exibida para acompanhar nos próximos dias, em uma Season 2 com oito episódios + um especial de Natal e já estou super ansioso para o começo da Season 3, que estreia ainda nesse semestre do lado de lá. Lembrando que a sua primeira temporada começou a ser exibida em Maio por aqui, no canal Globosat HD (pertinho do meu niver, o que só pode ter sido um presente. Thnks Família Crawley, rs) e já foi anunciado que o DVD com a Season 1 será lançado no Brasil até o final de 2012, ou seja, mais um para a nossa coleção indeed. Mas o melhor de tudo isso é saber que Downton Abbey já tem os contratos de boa parte de seu elenco muito bem renovados e garantidos até uma Season 5, ou seja, por enquanto não precisamos nem nos preocupar com o fantasma do cancelamento. Howcool&britishisthat?

E se vc conseguir assistir a esse promo sem ficar arrepiado em partes do seu corpo que vc não havia descoberto ainda, considere-se uma pessoa desalmada indeed.

 

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