Posts Tagged ‘Steve McQueen’

12 Years a Slave, o trailer

Agosto 2, 2013

Prontos para encarar mais uma parceria do Michael Fassbender e o diretor Steve McQueen? (“Shame”)

Mas dessa vez teremos que ser forte, porque ele vem malvado e com a barba mais ruiva do que nunca. Que Nossa Senhora do Filme Bom e da Pipoca com a Quantidade Certa de Manteiga nos proteja. #AMEM

Ahhh, e vale lembrar que o filme tem o Brad Pitt também, além do Cumberbatch. Animados?

 

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Shame (on you)

Abril 21, 2012

Despindo com maestria uma patologia tão marginalizada, tratada com pouco interesse e preconceituosamente pela sociedade.

Compulsão, algo que de certa forma, eu não consigo acreditar que hoje em dia muita gente não sofra desse mal. Somos compulsivos por compras, medicamentos, informação, opinião, whatever. De certa forma, estamos sempre buscando mais e mais de alguma coisa, seja ela o que for. Mas fato é que algumas dessas compulsões são melhores aceitas pela sociedade, outras sequer são discutidas, não abertamente, não publicamente. Tira já a mão dai, menino (a). Até que essa necessidade se torna um hábito que vai crescendo, em uma proporção descontrolada, onde vc passa a adequar a sua vida para suprir aquela sua necessidade incontrolável, o seu desejo constante por algo.

E é disso que trata “Shame” um filme delicadíssimo (em quase todos os sentidos da palavra) do diretor Steve McQueen, que já havia trabalhado com o ator Michael Fassbender anteriormente em “Hunger” e novamente, acertou na escolha quando lhe entregou esse novo papel no cinema, digno de todo e qualquer respeito.

O filme fala sobre a compulsão sexual de Brandon (Michael Fassbender), que vive em NY, que como em qualquer outra grande cidade, é um lugar onde opções é o que não falta para que vc possa saciar esse seu desejo incontrolável. Imagine essa situação para um viciado em sexo nos dias de hoje,  sendo estimulado o tempo todo em um mundo cada vez mais visual, que tem uma cidade que nunca dorme aos seus pés, podendo resolver o seu problema a qualquer hora do dia, sete dias por semana. Difícil, não?

Brandon é um homem distante, quase que como se ele estivesse escolhido a sua postura fria como álibi para esconder o seu grande segredo, que o persegue nas horas mais impróprias da sua vida. Segredo esse que é a vergonha pela sua compulsão sexual incontrolável, que faz com que ele viva uma vida metódica, adequando o seu dia a dia as práticas do seu desejo, para quando e onde ele aparecer.

Aparentemente, no começo do filme pelo menos, ele parece até que conviver bem com o seu problema, apesar da vergonha, ou até mesmo culpa que ele carrega por isso. Mas eu não sei exatamente se “bem” é a palavra certa, talvez seja melhor dizer que ele vive de forma “ajustada” à sua condição. Até que ele vai se vendo cercado de olhares, porque afinal, ninguém vive sozinho no mundo e de certa forma estamos sempre sendo observados pelos outros. Como quando ele vê o seu computador no trabalho sendo confiscado pela empresa, para o seu desespero, onde mais tarde, eles descobrem toda e qualquer tipo de pornografia. Mas é claro que a culpa sobra para o estagiário, rs.

E esse desconforto com a sua condição fica ainda mais notável quando ele recebe a visita surpresa da sua irmã, interpretada também de forma brilhante pela atriz Carey Mulligan. Ela é Sissy, uma jovem depressiva, totalmente carente afetivamente e que ainda carrega um histórico de tentativas de suicídio, além da prática da automutilação. Ambos mantém uma relação bem esquisita desde o começo do filme, onde não chega a ficar bem claro quando ela aparece pela primeira vez, se ela é realmente da sua família ou apenas alguém que faz parte da sua história, até que esse fato é esclarecido mais tarde no filme.

Com ela indo morar na sua casa por uns tempos, o personagem se vê completamente fora da sua zona de conforto, como se tivessem derrubado a muralha que ele mesmo construiu ao seu redor para se proteger. De certa forma, ele acaba se vendo exposto a todo tipo de vulnerabilidade que ele tenta esconder o tempo todo, como quando a irmã recebe o chefe dele em seu apartamento para dormirem juntos, algo que se transforma em um grande tormento para ele, que parece estar tentando lutar contra os seus próprios instintos, quase como se estivesse sofrendo uma crise de abstinência por exemplo.

Nessa hora, vale a pena ressaltar o excelente trabalho de ator do Michael Fassbender no papel principal, que consegue transparecer todo o desconforto da patologia do personagem de forma muito real e até impressionante, caminhando muito bem entre a boa relação com a sua doença do começo do filme, até o surto total mais próximo do final, com o ator mudando quase que fisicamente por conta do que talvez tenha sido um dos picos do seu total descontrole físico e emocional. Talvez aquele momento tenha sido uma de suas overdoses.

Um trabalho de ator realmente impressionante e digo isso por dois motivos. O primeiro, por ele se desprender de qualquer pudor em relação ao seu corpo (maravileeeandro, diga-se de passagem, do tipo de bailarino. Höy!), encarando já na abertura do filme uma cena de nudez que para qualquer outro trabalho poderia parecer totalmente desnecessária, o que não foi o caso em “Shame”. E segundo, pela coragem de interpretar um personagem facilmente “marginalizado”, que poderia ganhar uma outra conotação totalmente diferente, se não fosse por sua brilhante interpretação, além da direção que é realmente uma obra de arte, vindo de alguém que tem essa bagagem e soube aproveitá-la muito bem. Clap Clap Clap para os dois, Fassbender e McQueen)

E essa “marginalização” do personagem e até mesmo da história, poderia facilmente acontecer se o filme não fosse tratado com a dignidade que lhe foi emprestada pelo olhar e cuidado do diretor. Mesmo com um alto teor sexual, o que não poderia ser diferente no caso de um assunto como esse, tudo é tratado da forma certa, com uma grande sensibilidade, mesmo quando algo é mostrado explicitamente por exemplo, mostrando a todo momento o quanto aquele personagem sofre por sua compulsão, apesar do conflito desse sofrimento estar entre o prazer e a satisfação de atender ao seu desejo. Não me lembro de ter visto o assunto ser tocado de forma tão correta no cinema, sem transformar o personagem em uma caricatura e sem deixá-lo com ares de “narcisista egocêntrico e insensível” ou apenas uma pessoa livre que gosta de viver todas as possibilidades da vida sexual moderna.

O longa também consegue mostrar muito bem esse estimulo constante de hoje em dia, com o personagem encontrando a oferta para a sua procura nos mais diversos formatos e variaçoes. Uma cena que eu achei lindíssima apesar de ser totalmente explícita, foi quando ele começa a jogar toda a pornografia que ele encontra em seu apartamento (e tem de tudo, mesmo), e ganhamos um take em close das páginas mais variadas das revistas sendo folheadas rapidamente.

Em um tentativa de mostrar que o personagem não se encontra completamente satisfeito com a sua situação e que ele até tenta fazer algo a respeito, no longa ganhamos um momento importante com Brandon tentando se relacionar de forma comum com uma colega de trabalho. O que obviamente não dá muito certo, chegando a ser frustrante para o próprio, mesmo com ele visitando um cenário que já foi estimulante para ele no passado, onde fica claro que o sexo com compromisso é algo que não funciona para ele, o que explica um pouco da sua dificuldade em se relacionar ou acreditar em um relacionamento estável ou até mesmo em um casamento, onde para ele essa ideia de monogamia e comprometimento para ser algo inalcançável e talvez por isso seja também algo inexplicável para o personagem.

Além disso, o filme é recheado de takes bem interessantes, pouco óbvios e que transpassam um grande nível de intimidade, como se a audiência fizesse parte também daquela sensação de invasão que o personagem passa a sentir em um determinado ponto do longa. O minúsculo apartamento do personagem por exemplo, nos é apresentado de diversos ângulos diferentes, com diversas perspectivas de um mesmo ambiente. E esteticamente o filme também é sensacional, com um beleza organizada e um contraste lindo do tom azulado com respingos de amarelo. Adorei por exemplo, uma cena em que eles estão no táxi a caminho de casa e os logos da avenida se refletem no rosto maravileeeandro da magia ruiva do Michael Fassbender. Höy!

Após assistir ao filme, fiquei pensando que despir o desejo do sexo e apresentá-lo como uma doença, não deve ter sido uma tarefa fácil, apesar do diretor ter conseguido a medida certa para esse feito. Ao contrário de decidir ignorar a “pornografia” que o assunto exigia, o que poderia ser um caminho até mais fácil, na intenção de deixar o longa mais “delicado”, a escolha em “Shame” é a de simplesmente mostrá-la de forma direta e prática, mas isso com um olhar especial, com uma plástica absurda e cheia de cuidados, que mesmo que vc se sinta em um momento de total voyeurismo naquela situação enquanto audiência, o lado sério da questão que está sendo mostrada no filme está sempre presente também, martelando na sua cabeça, como naquelas cenas lindíssimas que misturam o prazer com um sofrimento quase que insuportável do personagem principal. Algo realmente de muito impacto, além de uma beleza e sensibilidade indiscutíveis.

O legal também é que no filme, nenhuma questão foi ignorada e apesar do personagem ter suas preferências bem definidas, eles fazem questão de mostrar que para buscar a satisfação do seu desejo, uma pessoa viciada em sexo é disposta a tudo e ai está o maior perigo (pensando um pouco na prevenção até…), onde para se satisfazer ele não mede esforços e também não faz diferença entre gêneros. Aliás, muito boa a cena do personagem entrando naquele inferninho gay ao final do filme, um prato cheio para uma pessoa altamente estimulada como Brandon, não?

Como o filme escolheu tratar a patologia em si no presente e não as causas dela, não fica muito claro do porque de tudo aquilo, o que de certa forma não faz a menor diferença, mostrando apenas que a doença existe e ponto. Mas em um dos telefonemas depressivos da irmã dele perto do final do filme, fica implícito que eles vieram de um lar que talvez possa ser a fonte disso tudo. Mas não estamos aqui para apontar dedos e nem o filme, então…

O final é realmente desesperador, até que por um instante vc chega a ganhar um momento para respirar em meio a aquela tragédia anunciada, mas que ele logo se passa com o grito e o choro de desespero do personagem naquela cena “final”, mostrando toda a sua dificuldade encarando a realidade de que talvez agora, além de ainda ter que lidar com a irmã completamente carente e com um comportamento altamente perigoso fazendo parte da sua vida de forma presente (o que também pode ser uma tortura para quem sofre desse tipo de problema, gerando ainda mais conflitos dentro de uma cabeça já bem confusa), ele  tenha também a certeza  de que a sua forte necessidade (que na verdade nada mais é do que uma dependência) ainda habita dentro dele e de uma forma ou de outra, ele vai ter que lidar com o problema, ao contrário de apenas acalmá-lo momentaneamente, que vem sendo a sua fuga.

Uma discussão importante, levada na medida certa, que não nos apresenta uma solução, mas que nos faz pensar sobre o problema, que muitas vezes e em diversas sociedades, ainda não é tratado propriamente como um problema, permanecendo apenas como uma descontrole mal visto e tratado até de forma marginalizada, não sendo nunca encarado como doença, como deveria ser. Um grande filme, com grandes atuações e que vale a pena um lugar especial na nossa coleção.

ps: espero que depois dessa atuação, chova bons papéis para o Michael Fassbender. Höy! (Clap Clap Clap)

Shame, o trailer

Novembro 9, 2011

Filme novo do diretor Steve McQueen (“Hunger”), que tem o Michael Fassbender, que dizem estar excelente no papel de um homen enfrentando precocemente a crise da meia idade (e só pelo trailer já dá para sentir o clima), além da sempre excelente Carey Mulligan também no elenco.

Nos cinemas da america antiga em 02/12, e por aqui, só Deos sabe, humpf!

Ansioso mil!


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