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Louie, a série que virou mainstream sem se tornar mainstream

Outubro 19, 2012

Louie is big now, HUGE. Embora continue o mesmo de sempre, um cara que tem mais de um milhão de seguidores no Twitter mas e que até outro dia não seguia ninguém de volta (agora parece que ele anda seguindo apenas uma pessoa), o mesmo comediante que vende ele mesmo os ingressos para seus shows de stand up, que é de onde vem suas raízes, mesmo já tendo recebido a essa altura um convite para se apresentar na Casa Branca, Louie agora é coisa grande, enorme e a partir dessa Season 3 deixou de ser ignorado por parte do grande público, que finalmente parece ter se rendido aos encantos desse gigante ruivo.

A série se tornou tão grande, que durante esse ano vimos Louis C.K. figurando em quase todas as grandes premiações da TV, sendo finalmente reconhecido como o grande comediante e roteirista que ele é, mesmo sendo apenas ele mesmo e o melhor de tudo isso, ainda saindo vitorioso de algumas dessas premiações, carregado de merecidíssmos prêmios como aconteceu no último Emmy, onde nós enquanto fãs do seu trabalho, nos encontramos extremamente realizados por ele ter conseguido chegar lá e porque não dizer que até ficamos emocionados apenas com a sua presença ruiva em qualquer um desses prêmios, reconhecido, sentadinho pela primeira vez de tux completo, de uma forma que não estamos acostumados a encontrá-lo normalmente.

Mas também pudera, como o mundo continuaria ignorando o brilhantismo de Louie, uma das melhores comédias (e comediante) da atualidade?

Tudo bem que a essa altura, exista uma sensação de que o personagem já se confundiu totalmente com a pessoa, mas essa sensação apesar de estranha, para quem acompanha a trajetória do Louis C.K. já a algum tempo, parece mais do que natural, onde já aceitamos e entendemos que Louie é aquilo mesmo, Louis C.K. é a série e a série é o Louis. Por esse motivo, apesar de agora já poder ser encarada como mainstream devido ao seu grande sucesso, a maior parte dele ainda por parte da crítica, é verdade, ficamos também com a sensação de que apesar do reconhecimento de agora, Louie continua a mesma série de sempre, com o mesmo fundamento e identidade e é exatamente esse tipo de detalhe que faz da série algo tão especial e que muito provavelmente por isso, só venha enfrentando uma crescente em sua trajetória.

E essa Season 3 é uma prova disso, tamanha qualidade dos textos e de cada um dos seus 13 episódios. Com quase nenhuma exceção (talvez por alguns momentos isolados, nunca por um episódio inteiro por exemplo), todos foram excelentes em um nível difícil de se atingir, ainda mais tratando-se de uma série de humor que não se parece em nada com as demais que encontramos por aí. OK, temos sim um pouco de Larry David na persona do Louie (Larry David e não Seinfeld), afinal, ninguém sobrevive sem nenhuma referência, mas como tudo é tão pessoal e particular em cada um dos dois universos desses dois comediantes, apesar de qualquer semelhança, é possível encarar o trabalho de ambos com uma grande diferença e por esse motivo, continuo achando Louie uma série praticamente única na TV atual.

Claro que como a série vem enfrentando essa crescente que certamente a levou para o sucesso e reconhecimento de hoje, algumas adaptações precisaram ser feitas ao longo da temporada, como a diminuição da presença do seus próprio stand up dentro da série, que ainda é presente mas de forma bem mais pontual do que durante as temporadas anteriores, assim como a divisão cada vez mais clara de duas histórias na maioria dos episódios, mais ou menos como duas longas sketches de comédia de situação. Como se o próprio Louis C.K. estivesse apostando cada vez mais na fórmula criada por ele mesmo, entendendo de uma vez por toda qual deveria ser o caminho a ser seguido, mas isso sem se corromper ou perder qualquer parte da sua identidade em meio a essas adaptações todas, que a princípio foi o que o trouxe ao caminho certo a ser percorrido nessa nova temporada.

Sem contar as participações, que acabaram se tornando cada vez mais recorrentes na série, dessa vez reunindo uma série de nomes com um certo peso ainda maior, como a Parker Posey, que fez uma das melhores tentativas amorosas do Louie até hoje (Daddy’s Girlfriend: Part 1/Part 2), destruindo alguns clichês de histórias de amor com finais felizes, assim como a Chloë Sevigny, que também teve uma participação excelente nessa temporada, dentro do mesmo cenário da Parker (3×09 Looking for Liz/Lilly Changes). Fora a lista extensa de comediantes que participaram dessa Season 3, alguns em papéis maiores e com alguns importância para a história, outros apenas em pequenas cameos, muito provavelmente afetivas, como a Amy Poehler (lembrando que o Louie himself foi um dos seus ex namorados em Parks & Rec), Sarah Silverman, Jay Leno, Jerry Seinfield, Chris Rock, Robin Williams (3×06 Barney/Never, um episódio sensacional sobre a morte de um colega de trabalho deles) e uma participação especialíssima do David Lynch como uma espécie de mentor para o novo sonho do Louie, que foi mais do que sensacional! (Clap Clap Clap!)

Em meio as maravilhas dessa Season 3, tivemos momentos excelentes por conta da história e do texto sempre ótimo da série, como todas as situações envolvendo as tentativas amorosas do Louie, que costumam ser sempre um desastre (a temporada já começa com um D.R daquelas, para aplaudir de pé no 3×01 Something Is Wrong), com o nosso ruivo se arriscando com os tipos mais variados possíveis, mulheres completamente complexas (como a do episódio 3×02 Telling Jokes/Set Up, que foi divertidíssima), cheias de camadas (rs) e um tanto quanto malucas, mas nada muito fora da realidade ou caricatas demais, onde ele acabou se deparando até que com tipos bem possíveis atualmente. Mas o meu momento “romântico” preferido da temporada foi mesmo o bromance que surgiu da visita do próprio a Miami (3×03 Miami), onde ele acabou descolando uma amigo salva-vidas para chamar de seu e acabou perdidamente apaixonado pelo novo companheiro, rs.

E a história do bromance entre os dois foi tão bacana, que em um determinado momento do episódio, Louie ultrapassou as barreiras de qualquer tipo de preconceito, apesar desse não ter sido exatamente o tom da coisa toda, e se encontrou verdadeiramente apaixonado pelo novo amigo, que infelizmente no final da história, não conseguiu entender muito bem o que estava acontecendo de especial entre os dois. Apesar do climão gay no ar, que diga-se de passagem que foi divertidíssimo de acompanhar, ficou claro que aquela era uma crítica ao comportamento dos homens, que até hoje não conseguem expressar muito bem seus sentimentos e muitas vezes preferem até mesmo aceitar um crédito/rótulo equivocado qualquer, por não ter coragem de assumir seus verdadeiros sentimentos, inclusive entre eles. (mas nada me tira da cabeça que talvez o Louie tenha mesmo se apaixonado pelo boy magia de Miami…rs)

Outra sensação que essa temporada nos deixou foi a de que o personagem acabou se permitindo um pouco mais, onde ele acabou visitando cenários diferentes da sua zona de conforto, apesar de que nesse caso, essa tal zona parecer ser bem limitada, porque ele quase nunca parece estar muito confortável em qualquer situação. Talvez Louie estivesse enfrentando uma antecipação da sua crise da meia idade, o que acabou mexendo um pouco com a sua própria identidade. Já começamos a temporada com sinais claros dessa mudança, com ele encarando uma moto como seu novo brinquedinho preferido e logo de cara se metendo em um acidente com a mesma, onde tivemos a introdução da sua ex mulher na história.

Mas se Louie agora cresceu em uma proporção considerável, quem acabou crescendo junto com ele foram suas duas filhas, que estiveram cada vez mais inseridas na história, além de terem ganhado uma participação muito maior ao longo dessa temporada. E #TEMCOMONAOAMAR aquelas duas? Lilly (Hadley Delany) que está crescendo com toda sua seriedade, mais introspectiva, cheia de manias e personalidade forte e que deixou o pai de cabelo ruivo em pé quando ele achou que ela havia fugido de casa (AMO a resolução desse plot) e a adorável Jane (Ursula Parker), que é extremamente foufa e que talvez tenha sido a responsável pela melhor piada da temporada. Ela que além de tudo ainda nos mostrou um pouquinho dos seus dotes no violino, instrumento que para quem não sabe, a pequena atriz domina como ninguém na vida real (que estava ou não estava vestida de Alice nesse vídeo? ♥). E #TEMCOMONAOAMAR a falta de sensibilidade do Louie bancando o single daddy naquele momento?

Muito provavelmente por começar a perceber as proporções que a sua série estava prestes a atingir, Louis C.K. acabou inserindo esse contexto dentro dela, com a história  deixada para encerrar a temporada em uma sequência de três ótimos episódios (3×10, 3×11, 3×12 Late Show Part 1/2/3), sobre ele ganhar a chance de se tornar algo maior do que apenas um comediante de stand up, com a possibilidade dele ser o possível novo Letterman, isso se o Seinfeld não acabasse fazendo aquele precinho mais justo para o canal, claro (até nesse momento, Louie se coloca com uma segunda opção. #TEMCOMONAOAMAR?). Uma sequência de episódios onde vimos a transformação do personagem se tornando ou pelo menos tentando se tornar algo muito maior do que ele mesmo achou que chegaria a ser um dia (quase como uma metáfora ao seu atual momento com o sucesso da série), recebendo os ensinamentos do David Lynch, vivendo uma espécie de coach para apresentadores de TV e tudo isso na companhia do seu sempre impagável agente que parece ter apenas 15 anos de idade. (rs)

Bacana que nem mesmo nessa hora, brincando com a realidade, Louie não fugiu da sua proposta que sempre foi bem crítica em relação a maiorias das situações do cotidiano da sua série e enquanto tudo dava errado para ele no seu caminho rumo ao Late Show, ele cabou mostrando a concorrência que existe dentro do meio, com todos os seus “amigos” o traindo pelas costas, tentando roubar a chance de ouro de todo comediante, que naquele momento havia aparecido para ele. Mind games, puxões de tapetes, aquela coisa toda da concorrência desleal de sempre, ou você está pensando que isso é uma exclusividade do seu mercado de trabalho? rs

Mais o mais legal dessa história toda foi o personagem tendo que lidar com sua nova realidade, que para se tornar quem ele não conseguia acreditar que poderia vir a ser, seria necessário alguns sacrifícios e o maior deles seria ter que ficar longe das filhas por muito mais tempo do que o costume, algo que o Louie não estava preparado para encarar ou abrir mão assim tão fácil, mesmo com tamanha oferta. E foi lindo ver que essa na verdade é a sua maior fraqueza, onde todos os obstáculos que foram colocados no seu caminho ele até que conseguiu vencer bravamente, mas foi totalmente vencido pelo olhar de decepção/tristeza das duas filhas entendendo que teriam que ficar longe do pai por mais tempo para que ele se tornasse o novo âncora do talk show do momento. Sério, que coisa mais foufa! (♥)

Claro que como Louie é uma comédia sobre a “derrota”, ele acabou perdendo a chance de ser tornar o novo Letterman, mas não sem antes pelo menos sentir o gostinho de como seria ter o seu próprio talk show, com convidados como o Paul Rudd e a sempre deliciosa Susan Sarandon, para a qual ele acabou fazendo uma confissão super constrangedora, porém adorkable. E aquela cena onde ele ficou gritando para o Letterman de frente ao prédio do Late Show em NY foi SENSACIONAL (juro que eu fiquei super emocionado por ele naquele momento), uma derrota que para ele teve sabor de vitória e que certamente, para todos nós também. Go Louie! Go Louie! (detalhe que a temporada não termina nesse episódio e ainda temos uma season finale, com o retorno do pato, só que de uma forma bastante diferente. Repito: #TEMCOMONAOAMAR?)

O que mais ou menos prova o que eu tentei dizer com o título desse post, (que é sim uma declaração de amor para o Louis C.K. Te AMO Louie. ♥), que é exatamente a ideia que encerrou essa trilogia de episódios sobre a sua ascensão, onde ele conseguiu nos provar que mesmo que Louie não tenha se tornando exatamente uma série mainstream, das mais populares e do tipo que todo mundo assiste, mesmo assim ele agora é SIM bem mainstream. He did!

Uma temporada sensacional do começo ao fim, que só não nos deixou mais feliz porque recebemos a informação de que a sua Season 4 já garantida faz tempo só deverá acontecer em 2014, o que consideramos uma grande sacanagem!

 

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E quem se importa com a idade? Hein?

Novembro 22, 2010

Hein Susan Sarandon?

Hein Jane Fonda?

Hein Sigourney Weaver? (AMO dizer Sigourney Weaver, rs)

Todas muses e maravileeeandras, com a idade que cada uma delas tem na capa da V, tsá?

E quem realmente liga para a idade, neam?

The Greatest e as diferentes formas de se encarar o luto

Junho 11, 2010

Uma rápida história de amor entre o casal Rose & Bennett que termina em tragédia. Assim começa a história de “The Gretatest”, um jovem casal que se apaixona e em pouco tempo depois dos primeiros encontros, um acidente trágico acaba interrompendo de forma inesperada essa história de amor que tinha tudo para acontecer.

Mas esse não é o foco do filme. Essa relação de amor e tragédia que fica por conta do casal protagonista é apenas plano de fundo para essa história que trata do luto em si e das diferentes formas de lidar com essa situação, que em algum ponto de nossas vidas torna-se inevitável.

O foco maior do filme é dessa difícil tarefa de enfrentar uma grande perda. O filho mais velho Bennett, que se apaixona pela primeira vez em sua vida e que pouco tempo depois disso acaba morto em um trágico acidente de trânsito ao lado de sua namorada, que sobrevive. Uma família devastada e entristecida com essa grande perda, acaba se encontrando com um desafio maior do que esperavam com a morte do filho: sua namorada, sobrevivente do acidente do qual levou a vida do seu filho, se encontra  na porta de sua casa, sem ter para onde ir e grávida. Dramático

A partir disso essa família tem que aprender a enfrentar essa situação. O pai parece ser o mais sensato a princípio, a mãe recusa a se relacionar com uma desconhecida que diz ser o amor da vida do seu filho morto e um outro filho, mais novo, problemático e viciado.

Atuações impecáveis de Susan Sarandon e Pierce Brosnan que ganha (ele) com esse papel a chance de se tornar um atorzão. Já fiquei surpreso com ele em Mamma Mia, fatão. Só eu não sabia que ele cantava?

Anyway, aqui em “The Greatest” (que tem o título da minha música preferida da Cat Power)  o assunto é outro, drama, luto. E ele consegue emocionar do começo ao fim, com o silêncio dentro do carro da cena inicial, seguindo do funeral do seu filho. De cortar o coração a cena quando ele se desespera com o seu outro filho dando um simples mergulho na praia, ou quando ele finalmente se permite chorar a morte do seu filho. Chorei com ele.

Susan Sarandon nos emociona sempre neam? Para ela no filme sobra o papel de revoltada com a morte do filho, a mãe inconformada e a beira do desespero, tentando entender de qualquer forma o que foi que aconteceu com o seu filho em seus últinos minutos de vida. Quando ela finalmente consegue conversar com o outro motorista envolvido no acidente e que ficou por muito tempo em coma após o ocorrido, vc entende o que realmente é ser atriz sabe? Uma mãe desesperada, sofrendo a morte do seu filho, frente a frente com alguém que viu tudo o que aconteceu com ele minutos antes de sua morte, contando com detalhes mórbidos o que exatamente aconteceu naquela noite, minuto a minuto antes da morte de Bennett. Fiquei um pouco surpreso com a franqueza desse dialogo e emocionado tmbm.

Cada integrante da família tem o seu próprio jeito de encarar o fato da morte de Bennett. E não trata-se de uma família perfeita não: o pai teve um caso recente, do qual a mulher descobriu e tenta perdoa-lo. Ela, por sua vez é meio neurótica, controladora. O filho que tem problemas com drogas é obrigado a fazer testes de urina a cada duas semanas para que seus pais tenham certeza de que ele esta limpo. Típica família americana atualmente, fatão!

Até o filho, o ator Johnny Simmons se mostrou um ótimo ator com a sua interpretação de jovem rebelde. Já tinha gostado dele em Jennifer’s Body e agora fiquei surpreso com o seu talento para papéis mais dramáticos.

Carey Mulligan faz o papel da então namorada de Bennett. Grávida, com uma mãe problemática e em rehab, ela se vê em uma situação estranha ao ter que procurar a família do seu namorado para abriga-la. Para ela o momento agora é de tentar conhecer melhor o pai de sua filha (sim é uma garota) e para isso ela vai buscar na família dele o conforto que precisa para preencher as lacunas do seu “diário de gravidez”.

Como a história de amor dos dois é tão repentina, vc até consegue entender o trauma após o acidente, mas fica meio vago o tamanho desse sentimento que eles diziam sentir um pelo outro. Com o tempo, durante o filme, vamos percebendo que essa história de amor era antiga, quase que platônica por ambos, que com tanta timidez não tinham coragem de conversar um com o outro, até que um deles resolve finalmente dar o primeiro passo. Bem foufo!

Mas o maior defeito do filme é o tempo que ele dura. É muito rápido e nem é tão dramático assim quanto ao trailler, que esse sim eu achei que vende muito melhor a história, que no final das contas nem é tudo isso.

Vale a pena ver para se emocionar e para entender um pouco mais desse sentimento horrível que é o luto e que funciona de forma tão diferentes para cada um de nós. (tears)


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