Posts Tagged ‘Woody Allen’

Da série casais que nós amamos e fazemos questão de confundir com os personagens: Spidey + Gwen

Maio 2, 2013

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Também conhecidos como Andrew Garfield e Emma Stone (ela que está no elenco do novo filme do Woody Allen. Yei!), que são do tipo de casal que nós não cansamos de encontrar.

#TEMCOMONAOAMAR?

(♥)

 

♥ Já está seguindo a magia do Guilt no Twitter? Ainda não? @themodernguilt

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To Rome With Love, o trailer

Abril 4, 2012

Novo filme do Woody Allen, dessa vez em Roma e com o próprio como ator, acompanhado de um elenco sensacional que dispensa apresentações.

Louco para ver o encontro Ellen Page e Jesse Eisenberg

Ansioso mil!

Os vencedores do Oscar 2012

Fevereiro 27, 2012

Uma premiação cheia de nostalgia, a começar pela decoração, que por si só, já entregava quem provavelmente seriam os grandes vencedores da noite. Filmes que tratavam de assuntos antigos, de forma antiga, em preto e branco, mudo, em pleno 2012.

Uma das poucas premiações que foram bem justas, mesmo com alguns dos meus favoritos não levando nada para casa. Humpf!

Então, vamos conferir?

Filme

“Cavalo de guerra”

“O artista” (vencedor)

“O homem que mudou o jogo”

“Os descendentes”

“A árvore da vida”

“Meia-noite em Paris”

“História cruzadas”

“A invenção de Hugo Cabret”

“Tão forte e tão perto”

 

Mais do que mercerido. “The Artist”, com toda a sua simplicidade e coragem, se tornou um filme grandioso, muito maior do que qualquer efeito especial de última geração ou um som qualquer do tipo bem sensacional, além de ser uma ótima reflexão sobre os caminhos do cinema de hoje. Adoraria ter visto o Woody Allen ganhar também porque eu simplesmente AMO esse seu trabalho (que já esta em pré-venda por aqui), mas acho que estamos mais do que bem representados com o vencedor da noite. Clap Clap Clap!

 

Diretor

Michel Hazanavicius – “O artista”  (vencedor)

Alexander Payne – “Os descendentes”

Martin Scorsese – “A invenção de Hugo Cabret”

Woody Allen – “Meia-noite em Paris”

Terrence Malick – “A árvore da vida”

 

Melhor filme, melhor diretor. Uma dobradinha que quase sempre faz muito sentido. Nesse caso então, acabou sendo nada mais do que justo. 

 

Ator

Demián Bichir – “A better life”

George Clooney – “Os descendentes”

Jean Dujardin – “O artista”  (vencedor)

Gary Oldman – “O espião que sabia demais”

Brad Pitt – “O homem que mudou o jogo”

 

Dujardin realizou o sonho de qualquer ator no cinema de hoje que algum dia se interessou pelos grandes trabalhos do nosso passado.  E realizou muito bem, além de ser um homem francês maravileeeandro (Höy!), sapateando na nossa cara lindamente no final do seu filme, e como bem lembrou a Natalie Portman em seu discurso, escolheu uma forma e tanto para se apresentar à america antiga. Clap Clap Clap!

 

Atriz

Glenn Close – “Albert Nobbs”

Viola Davis – “Histórias cruzadas”

Rooney Mara – “Os homens que não amavam as mulheres”

Meryl Streep – “A dama de ferro”  (vencedor)

Michelle Williams – “Sete dias com Marilyn”

 

Ahhh… Meryl Streep. A senhora aceita interpretar a minha mãe quando finalmente sair o filme sobre a minha vida? rs. Meryl foi de Lanvin dourado, indicando que só a sua presença naquela platéia já era o maior prêmio da noite. E a gente sabe que esse não foi o seu último, porque talento não tem limite. Go Meryl! (e o discurso de introdução feito pelo Colin Firth foi excelente, um dos melhores da noite)

 

Ator coadjuvante

Kenneth Branagh – “Sete dias com Marilyn”

Jonah Hill – “O homem que mudou o jogo”

Nick Nolte – “Warrior”

Max Von Sydow – “Tão forte e tão perto”

Christopher Plummer – “Toda forma de amor”  (vencedor)

 

Fiquei tão feliz com esse prêmio? Me apaixonei por “Beginners” e ainda mais pelo seu personagem, que é algo além do adorável no filme. E já está em pré-venda o DVD por aqui hein? Ou seja, não tem desculpa para não ver…

 

Atriz coadjuvante

Octavia Spencer – “Histórias cruzadas”  (vencedor)

Bérénice Bejo – “O artista”

Jessica Chastain – “Histórias cruzadas”

Janet McTeer – “Albert Nobbs”

Melissa McCarthy – “Missão madrinha de casamento”

 

Essa todo mundo sabia que iria levar. Mas depois de assistir “The Artist”, eu mais do que acho que a Bérenice Bejo deveria ter levado essa hein? Que mulher maravileeandra! Agora, falando bem sério, o cúmulo seria mesmo se a Melissa McCarthy tivesse levado esse prêmio. Sério, não engoli essa indicação até agora, mesmo AMANDO a sua Sookie antiga em Gilmore Girls

 

Melhor filme em língua estrangeira

“Bullhead” – Bélgica

“Footnote” – Israel

“In Darkness” – Polônia

“Monsieur Lazhar” – Canadá

“A separação” – Irã  (vencedor)

 

Dizem que “A Separação” é ótimo e eu já pedi para o Paolo providenciar…

 

Melhor animação

“A Cat in Paris”

“Chico & Rita”

“Kung fu panda 2”

“Gato de botas”

“Rango”  (vencedor)

 

Não assisti “Rango” até hoje, vcs acreditam? Estou perdendo muito? Muito mesmo? 

 

Documentário (longa-metragem)

“Hell and Back Again”

“If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front”

“Paradise Lost 3: Purgatory”

“Pina”

“Undefeated”  (vencedor)

 

Roteiro adaptado

“Os descendentes”  (vencedor)

“A invenção de Hugo Cabret”

“Tudo pelo poder”

“O homem que mudou o jogo”

“O espião que sabia demais”

 

Um roteiro realmente muito bom. Talvez, seja até o que o filme tem de melhor, além da parceria do Geroge Clooney e as suas filhas no longa.

 

Roteiro original

“O artista”

“Missão madrinha de casamento”

“Margin Call”

“Meia-noite em Paris”  (Woody Allen – vencedor)

“A separação”

 

Seria praticamente impossível ou até mesmo um crime tirar esse prêmio das mãos do nosso Woody Allen. Tem roteiro mais original do que o de “Midnight in Paris”

 

Fotografia

“O artista”

“Os homens que não amavam as mulheres”

“A invenção de Hugo Cabret” (Robert Richardson – vencedor)

“A árvore da vida”

“Cavalo de guerra”

 

Não assisti “Hugo” ainda, mas já adianto que será a minha missão do momento. Mas do que eu relamente vi, acho a fotografia de “The Tree Of Life” uma das coisas mais maravileeeandras dos últimos tempos, quem sabe até das que eu já vi em toda a minha vida cinematográfica. 

 

Direção de arte

“O artista”

“Harry Potter”

“A invenção de Hugo Cabret”  (vencedor)

“Meia-noite em Paris

“Cavalo de guerra”

 

Dizem que o filme é realmente muito bem cuidado, então tudo bem. 

 

Figurino

“Anonymous”

“O artista”  (vencedor)

“A invenção de Hugo Cabret”

“Jane Eyre”

“W.E.”

 

Apesar de concordar que o figurino de “The Artist” é maravileeeandro, acho que o “W.E” da Madonna estava merecendo bastante esse prêmio também, hein? 

 

Maquiagem

“Albert Nobbs”

“Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 2”

“A dama de ferro”  (vencedor)

 

Realmente deve ser muito mais difícil deixar a Meryl Streep com cara de alguém que realmente existiu, do que criar um monstro qualquer de 7 cabeças, rs. 

 

Edição

“O artista”

“Os descendentes”

“Os homens que não amavam as mulheres”  (vencedor)

“A invenção de Hugo Cabret”

“O homem que mudou o jogo”

 

Desde quando os concorrentes foram anunciados, eu achei que faltou “The Tree Of Life” nessa lista. Humpf!

 

Edição de som

“Drive”

“Os homens que não amavam as mulheres”

“A invenção de Hugo Cabret”  (vencedor)

“Transformers: o lado oculto da lua”

“Cavalo de guerra”

 

Mixagem de som

“Os homens que não amavam as mulheres”

“A invenção de Hugo Cabret”  (vencedor)

“O homem que mudou o jogo”

“Transformers: o lado oculto da lua”

“Cavalo de guerra”

 

Efeitos visuais

“Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 2”

“A invenção de Hugo Cabret”  (vencedor)

“Gigantes de aço”

“Planeta do macacos”

“Transformers: o lado oculto da lua”

 

Parece mesmo que o filme é bem bacana nesse sentido e dizem ainda que a história é excelente. O que anda me deixando ainda mais curioso a respeito…

 

Trilha sonora original

“As aventura de Tintim” – John Williams

“O artista” – (Ludovic Bource – vencedor)

“A invenção de Hugo Cabret” – Howard Shore

“O espião que sabia demais” – Alberto Iglesias

“Cavalo de guerra” – John Williams

 

Realmente, a trilha sonora de “The Artist” além de ter uma importância fundamental para o filme, é mais do que sensacional. Super justo.

 

Canção original

“Man or Muppet”, de “Os Muppets”, música e letra de Bret McKenzie (vencedor)

“Real in Rio”, de “Rio”, música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett

 

Suck it, Carlinhos Brown! SUCK IT! Pior é que eu acabei lendo em algum lugar que alguns artistas da Bahia comentavam e comemoravam o “vice” dele no Oscar. Mas gente? Se tratavam-se de apenas dois concorrentes, além de poder ser considerado vice, ele também pode ser considerado como o último da lista ou o grande perdedor,  não? Quer dizer que só depende dos olhos de quem vê? Axé para todos. 

 

Curta-metragem

“Pentecost”

“Raju”

“The Shore”  (vencedor)

“Time Freak”

“Tuba Atlantic”

 

Documentário (curta-metragem)

“The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement”

“God Is the Bigger Elvis”

“Incident in New Baghdad”

“Saving Face”  (vencedor)

“The Tsunami and the Cherry Blossom”

 

A história desse documentário pelo menos me pareceu linda. Mas talvez eu não tenha coragem de assisti-lo, sou fraco para essas coisas. 

 

Curta-metragem de animação

“Dimanche”

“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”  (vencedor)

“La Luna”

“A Morning Stroll”

“Wild Life”

 

Mais do que merecido. Um dos curtas de animação mais maravileeeandros ever!

 

E essa foi a lista dos vencedores do Oscar 2012? Mas e vcs, queridos leitores? Ficaram felizes ou pelo menos satisfeitos com os resultados?

A nostalgia em preto e branco de The Artist

Fevereiro 24, 2012

Um filme lindamente nostálgico. Talvez não tenha melhor definição para descrever “The Artist”, produção independente francesa, dirigida por Michel Hazanavicius, em preto e branco e quase inteiro mudo, e que se não fosse por esse detalhe, o de ser um filme quase que inteiro mudo, “The Artist” seria apenas um outro filme qualquer seguindo a linha do fundamento antigo do cinema.

Mas será possível fazer cinema hoje em dia, sem utilizar dos grandes recursos tecnológicos de Hollywood?

E a resposta é SIM (em caixa alta + bold), é possível fazer cinema com qualidade abrindo mão de todos os recursos tecnológicos que nós temos hoje em dia,  e sapateando lindamente na nossa cara, “The Artist” chega dando muito bem o seu recado e de cera forma até acaba colaborando para que todo mundo comece a pensar, pelo menos um pouco, na velocidade dos avanços que hoje nós enfrentamos quase que diariamente. (…)

O filme se passa entre as décadas de 20 e 30 e com isso ganhamos todo o charme e o romantismo de uma época que não vivemos (mas adoraríamos dar umas voltinhas por lá, não é mesmo Woody Allen? 20’s, junto com os 70’s,  sempre foram as minhas décadas preferidas). Figurinos sensacionais, extremamente românticos, chapéus deliciosos e um tipo de beleza feminina que hoje em dia quase que não se é mais valorizada. Algo que eu pelo menos considero uma pena.

No longa, temos o personagem George Valentin, interpretado maravilhosamente pelo ator Jean Dujardin, que já vem de fábrica francesa com essa cara pronta de galã antigo (Höy!) e todo o seu talento demonstrado no longa justifica e muito todas as suas indicações aos grandes prêmios do cinema desse ano. No longa, Valentin é um ator do cinema mudo em bastante evidência durante os anos 20, cercado do sucesso e dos benefícios que a fama de ser um grande astro naquela época pode lhe trazer.

Ao final da década, um grande avanço acontece na indústria do cinema com a chegada do som, uma novidade que viria para acabar inevitavelmente com o cinema mudo. O ator, conhecido por ser o grande representante dessa arte agora já considerada obsoleta pelos grandes diretores e investidores do cinema, acaba rejeitando completamente a novidade, tirando sarro do assunto e não aceitando nada bem essa novidade e com isso, acaba também se tornando um ator decadente entrando em esquecimento por não ser mais nenhuma novidade, encarando o fato do seu tempo já ter passado.

No meio desse drama todo de encarar a evolução, o que nunca é fácil para ninguém (e para isso, podemos pensar um pouco em como os nossos avós se sentem vivendo no mundo cada vez mais eletrônico de hoje em dia, por exemplo…) temos ainda uma personagem em destaque, Peppy Miller (Bérénice Bejo), uma aspirante a atriz que acaba entrando sem querer na vida de Valentin, com quem ela acaba trabalhando uma única vez no cinema. Entre inúmeros takes e ensaiando uma coreô animada de charleston nesse único trabalho dos dois juntos, eles acabam se envolvendo e se apaixonando, mesmo sem se declarar abertamente uma para o outro, além do que, Valentin é um homem casado.

E enquanto George Valentin continua insistindo em não se render ao poder do som da indústria do cinema, Peppy Miller acaba ganhando espaço na nova forma de se fazer filmes, fechando contrato com o antigo estúdio de Valentin, tendo o seu nome subindo aos poucos nos créditos dos filmes, de extra a coadjuvante a atriz principal  (detalhe que eu achei delicioso) e se tornando em pouco tempo, a nova queridinha da america antiga.

Bacana que para mostrar esse evolução, eles acabam utilizando o recurso do sonho (pesadelo na verdade), para mostrar que o mundo todo agora pode ser ouvido. Para isso, a trilha sonora que é tão presente no longa quase todo (como na maioria dos filmes do cinema mudo) acaba ficando de lado, dando espaço para o barulho do vidro tocando a mesa, o latido do cachorro, gargalhadas de bailarinas que circulam pela vizinhança ou até mesmo o barulho de uma pena caindo do céu. Outro detalhe importante para determinar a passagem do tempo no filme, são os cartazes da atriz Peppy Miller em suas produções, capas de revistas e outdoors que vão surgindo para demonstrar como ela está fazendo um grande sucesso naquele período, o que é uma delícia para quem estudou um pouquinho que seja de história da arte, do design ou tipografia por exemplo.

Peppy é uma mulher a frente do seu tempo, ousada, focada em sua carreira, ela acaba conseguindo todo o sucesso que merecia, com uma pequena ajudinha de Valentin até (brilhante essa ajuda, que acaba trazendo a tona uma lenda antiga que nós conhecemos), mas não sem antes magoar o seu grande amor, mesmo sem ser essa a sua intenção, com um entrevista dizendo que os velhos atores deveriam abrir espaço para a nova geração.

Valentin por sua vez, apesar de ser cabeça dura em relação as mudanças e insistir no seu fundamento, acaba tentando resistir bravamente as novas técnologias e passa a escrever, dirigir e atuar em suas próprias produções, tentando manter viva uma arte que já estava sendo esquecida.

Mas é claro que o interesse das pessoas já não é mais o mesmo e encarando os cinemas cada vez mais vazios para os seus filmes ainda mudos, o ator agora também diretor, acaba se afundando em dívidas e consequentemente vai se tornando uma pessoa amarga em relação a vida e suas próprias frustrações. Em casa, por exemplo, sua relação fria com a mulher acaba se esgotando por completo e Valentin se vê sozinho, sem dinheiro, tendo que se desfazer dos seus bens para sobreviver e tudo isso sem muito reconhecimento por seu trabalho no passado, mostrando como tudo sempre foi tão efêmero (beijo Professor Tarcísio!, que é sempre de quem eu lembro quando uso essa palavra, rs) dentro dessa indústria que sempre movimentou milhões. O que nos faz lembrar de grandes atores que enlouquecem do dia para a noite por encarar o declínio em suas carreiras.

E sutilmente a expressão do ator vai ganhando mais peso, o seu corpo também, vai ficando mais pesado e o olhar de galã de antes, dá espaço para um homem enlouquecido e desesperado por não conseguir viver de suas paixões. Paixões dito no plural, por ele manter em segredo o seu interesse por Peppy, mesmo depois de estar separado da esposa, além do seu amor pelo cinema mudo, é claro.

O engraçado é que “The Artist”, apesar de ser uma produção francesa, conta também com atuações de atrizes e atores veteranos do cinema americano, como o John Goodman, Malcolm McDowell, Beth Grant e James Cromwell, esse último que aliás, tem um papel excelente de lealdade  na pele do motorista Clifton, que permanece ao lado do ator mesmo estando sem receber nada por mais de um ano. E a cena em que ele é despedido e mesmo assim, aparece no outro dia pronto para trabalhar, é uma das mais sensíveis do filme.

Outra das minhas cenas preferidas do filme é quando ainda no começo da sua carreira, durante o primeiro trabalho ao lado de George Valentin, Peppy Miller acaba invadindo o seu camarim e ensaia uma espécie de “mímica” com um de seus tux pendurados no cabideiro.

Discutindo um pouco agora sobre o tipo do filme, não deve ser nada fácil interpretar no cinema mudo, onde todo o trabalho está na linha dos olhos, na expressão corporal, onde vc não tem um recurso natural para se comunicar. E ambos os atores principais fazem um ótimo trabalho nessa área, onde em companhia da trilha sonora perfeita para cada cena, vc pouco sente falta da fala nesse caso, que é substituída vez ou outra por legendas. Algo que funciona também como um ótimo exercício de leitura labial, rs.

Mas como eu cheguei a esse ponto do filme sem mencionar a participação mais do que ilustre  e fundamental do grande coadjuvante em cena, o cachorro Uggie da raça Jack Russel Terrier em “The Artist”?

O cachorro realmente rouba a cena em diversos momentos do filme, com uma química fora do comum até, como o ator Jean Dujardin. Em um determinado momento do longa, ambos mantém a mesma expressão e gestos, de uma forma encantadora. Ele que tem um importante papel na vida do ator, que acaba funcionando com um dos seus grandes heróis nessa história, salvando a vida do seu dono no momento de um incêndio quase que fatal para ele.

A reta final do filme caminha para o desespero de um homem disposto a tudo, menos dar o braço a torcer, enfrentando o novo desafio em sua carreira, mesmo ganhando pelas mãos da Peppy Miller a possibilidade de voltar a atuar, desde que ele aceitasse as novas possibilidades no cinema. Nesse momento, eu já estava até cansado de pensar no porque que ele não aceitou entrar para o cinema com som e o porque de tanto terror em aceitar a evolução da arte que ele dizia amar? Não seria possível que todo esse drama fosse apenas para bater o pé e sustentar algo que ele acreditasse…até que, BANG!

Com um detalhe sensacional e que eu não vou contar aqui, tudo é explicado sutilmente no final 9talvez algumas pessoas nem percebam), após uma coreografia maravileeeandra de sapateado e o único momento com a voz dos atores no filme se fazendo presente. Sencacional! Clap² Clap² Clap²! (dessa vez duplos, pq são palmas e eu sapateando ao mesmo tempo, rs)

Com uma história simples, deliciosa e reflexiva, usando de uma técnica esquecida de se fazer cinema, “The Artist” se consagra como um filme audacioso, capaz de levar as pessoas as salas de cinema para assistir um filme mudo, isso em 2012 e todo o excesso de Kinoplex e sistemas de som super potentes  que nos cercam e tomaram conta de todos os cinemas antigos e de rua que hoje quase que já não existem mais (aqui em SP pelo menos, eu só conheço uns 2 que são do tipo que  passam filmes fundamento e não de sacanagem, rs), mostrando que é possível sim fazer cinema de qualidade sem recorrer aos recursos facilitadores e preguiçosos de Hollywood.

Ainda assim, preciso dizer que “Midnight In Paris” continua sendo o meu favorito ao Oscar do finde, mas confesso que se “The Artist” acabar levando o prêmio, embora a armação preta e grossa dos meus óculos entregue a minha torcida para o Woody Allen (armações que poderiam ser confundidas também na torcida do Scorsese), eu vou ficar bem feliz se o filme mudo e em preto e branco acabar levando o grande prêmio da noite.

Vou me sentir no mínimo vingado, por todos os outros filmes preguiça que ocupam espaços na salas de cinema o tempo todo, onde hoje em dia está cada vez mais difícil encontrar uma sala em horário descente para se assistir um filme sencaional como “The Artist”. Humpf!

O que fazer a meia-noite em Paris?

Dezembro 6, 2011

Belle Époque, 20’s, ou os dias de hoje? Qual foi a era de ouro em Paris? Preguntinha difícil essa que o senhor Woody Allen nos propõe  em seu filme “Midnight In Paris”, com a sua deliciosa proposta de uma viagem no tempo na Paris antiga, o que só de se propor como tema já me parece covardia.

Confesso que pela importância e pelo romantismo dos anos 20 eu também escolheria essa década como o melhor período a ser ter vivido no passado, ainda mais visto sobre o olhar do cineasta, que empresta dessa vez para Paris, a sua visão já tão característica sobre o cotidiano das cidades, e a deixa ainda mais convidativa, com ou sem chuva. (rs)

O filme já não é nenhum lançamento, mas acabei assistindo no finde e fiquei enlouquecido com a beleza “simples” que o diretor consegue arrancar de qualquer lugar. Tudo bem que nesse caso, não estamos falando de uma cidade qualquer e tão pouco de nenhum patinho feio do mundo, além do que, Paris por toda  sua história e perfume já tem o seu próprio charme e todo mundo sabe disso. Mas pensando em um diretor que sempre escreveu muito bem para a cidade de NY, trabalhando dessa vez com Paris, ele conseguiu impor o seu estilo, mantendo as mesmas características dos seus inúmeros longas anteriores que tiveram Manhattan com plano de fundo para suas histórias. Isso considerando os seus trabalhos mais antigos, antes da sua mudança para locações na Europa em seus filmes mais recentes.

O que me fez ficar ainda mais esperançoso que um dia de fato ele venha filmar por aqui, no Rio, e consiga mudar a visão que o mundo tem daquela cidade. Agora, se nessa viagem ele acabasse escolhendo São Paulo, lá vou eu para as locações de gravação para tentar uma pontinha como extra, é claro. Imagina se eu que nem ator sou (embora tenha feito teatro quando criança, e isso é sempre bom de se mencionar, embora seja totalmente irrelevante, rs) aparecendo ao fundo de uma cena qualquer de um filme do Woody Fucking Allen? iDie!

(pausa dramática pós surto da minha imaginação figurando em um filme do diretor)

Anyway…

Em “Midnight In Paris” temos o casal Gil (Owen Wilson) & Inez (Rachel McAdams, mais linda do que nunca!) que estão prestes a se casar e que antes disso decidem fazer uma viagem até Paris. Mas desde o começo do filme fica bem claro que eles não foram feitos um para o outro e em nada se parecem, na-da. Ele tem o seu lado mais aventureiro, do tipo de pessoa que gosta de explorar o desconhecido, do tipo sonhador, e ela parece estar bem mais preocupada com coisas mais fúteis e assim preencher o formulário padrão do que muitas pessoas acabam comprando como modelo de felicidade, com o seu casamento perfeito e a sua casa perfeita em Beverly Hills. Aquela preguiça de sempre que estamos acostumados…

Mas toda a trama do filme é muito maior do que uma simples discussão de uma relação que obviamente não terá um futuro feliz, nem insistindo muito. Ela na verdade esconde deliciosas viagens no tempo, que são feitas de forma divertidíssima e sem a menor necessidade de uma explicação lógica para tal. Woody Allen se arriscando na temática Sci-Fi, que todo mundo que se arrisca dentro do tema acaba se complicando e que nesse caso o cineasta facilita como ninguém brincando com a fantasia.

Isso porque Gil tem uma verdadeira paixão por aquele lugar e insiste em dizer que o seu sonho seria ter vivido na Paris dos anos 20, o que ele considera ter sido a era de ouro da cidade. Como ele  acaba sempre sendo abandonado pela futura esposa nessas férias do casal (porque ela parece estar muito mais interessada na companhia de  um certo amigo do qual ela já teve uma certa queda no passado), ele acaba vagando pela cidade sozinho a noite, em busca de inspiração para escrever o seu livro, algo que ele encara com um hobbie por enquanto, mas que no fundo ele reprime esse desejo de se tornar um escritor com a sua profissão atual que é a de roteirista bem sucedido em Hollywood. Afinal, porque largar uma carreira que esta dando certo para ir atrás dos seus sonhos?

E com essas caminhadas a meia-noite em Paris começam as suas viagens no tempo, onde ele acaba caindo direto nos anos 20 e com isso, vamos ganhamos todo o charme de uma época que não podemos viver, com o olhar do Woody Allen, um detalhe que já garante a qualidade dessa visão.

Figurinos deliciosos de época, pouco óbvios até, focados mais nas cores da época e no shape, pouco exagerado ou caricata e de muito bom gosto. O que ganha um peso maior ainda com os cabelos e makes de época, esses sim que juntamente com o figurino, completam a caracterização do filme e nos fazem acreditar que estamos de fato nos anos 20 e não em uma festa temática, como acaba acontecendo em muitos filmes que exageram nessa caracterização.

E o personagem não só caminha pelos anos 20 da Paris antiga, como acaba cruzando com grandes nomes de todas as áreas. Nessa divertida passagem pelo década, ele acaba ficando amigo de alguns dos seus ídolos, como Hemingway (Corey Stoll), do  casal Fitzgerald (Tom Hiddleston, Alisson Pill), e também tem passagens e encontros divertidíssimos com Picasso e Salvador Dalí (Adrien Brody).

Uma viagem no tempo com um banho de cultura, onde eu tenho a impressão que o diretor tenha escolhido os seus personagens preferidos da história para brincar em um de seus filmes, algo quem vem certamente de alguém que ama a cultura.

Uma série de outros nomes importantes da época aparecem no filme, como Cole Porter, Matisse, Gauguin, Degas ou a Gertrude Stein, mas não se intimide se vc não reconhecer alguns deles e recorra a o Google, porque vale a pena. Nessa hora devo dizer que eu fiquei agradecido por ter tido ótimos professores de História da Arte e História Geral ou Contemporânea, dos quais eu lembrei muito em diversos momentos no filme. Obrigado!

Aliás, do Picasso ele até ousa roubar a amante, Adriana, vivida lindamente pela atriz Marion Cotillard, que já tem aquele rosto de época  e que esta particularmente ainda mais maravileeeandra nesse longa.

E esse primeiro encontro entre Gil, Picasso e sua amante Adriana, acaba rendendo uma das melhores cenas cômicas do filme, com a vingança de Gil para cima do Paul (o tal amigo pseudo-intelectual do casal por quem a sua mulher tem algum interesse), que é aquele tipo de expert em arte que pensa que sabe tudo e isso de uma forma bem arrogante e que com certeza vc vai conseguir relacioná-lo com alguém que vc tenha conhecido ao longo da vida. Eu poderia citar nesse momento pelo menos uns 12 nomes, fácil…

E com a companhia de Adriana, ele começa a perceber que a sua relação no seu tempo, em 2010 com a sua futura esposa, não esta das melhores e a partir disso o personagem começa a repensar os rumos de sua vida para o futuro.

É claro que no filme não poderiam faltar aquelas cenas que o Woody (íntimo de Oliveira) sabe fazer como ninguém, como divertidas discussões com vários personagens em cena, com aquele humor tão caracteristicos dos seus filmes e que nós a essa altura já conhecemos tão bem.

Confesso que o nome do Owen Wilson sempre pesa pra mim, e talvez o seu passado com comédias tolas e o seu corte de cabelo de sempre, tenha me deixado com o pé atrás a seu respeito. Mas nada que uma boa direção não resolva e nesse caso, arrisco até a dizer que ele me pareceu ser a escolha certa para o papel do típico americano desconfortável, meio bobalhão até, sonhador, que se vê caminhando em direção a uma vida sufocante da qual talvez ele nunca tenha se imaginado pertencer.

Uma outra discussão que o filme propõe é a questão da nostalgia, que cedo ou tarde todo mundo acaba sentindo. Em um certo momento, o personagem rival de Gil no longa, Paul (Michael Sheen), chega a sugerir que sentir nostalgia é negar o presente, o que na hora que ele disse eu já queria debater por não concordar com essa teoria. Mais tarde no filme, novamente essa discussão volta a tona, com o Gil e Adriana viajando no tempo até a Belle Époque,  que é a era de ouro na visão da personagem de Marion Cotillard.

O que nos leva a discussão que é sempre saudoso um tempo que nós não podemos recuperar, porque o presente, por mais direito e feliz que ele possa estar naquele exato momento da sua vida, ele é baseado na realidade, no agora, e isso por si só já parece bem tedioso. Imaginar o futuro também, muitas vezes, chega a ser até assustador. Eu por exemplo sempre me recuso a responder aquela pergunta “onde vc se vê daqui 10 anos”, isso para evitar qualquer frustração futura. Agora, do passado, a gente lembra com saudades, por ter vivido ou não aqueles momentos, e isso é bem diferente de negar o presente, é apenas saudade, algo muito mais simples para os saudosistas de nível controlado.

Outro fato é que toda geração se sente preguiçosa e essa não é só uma percepção que nós temos do tempo de agora, o que pra mim particularmente funcionou como um alívio quando no filme os personagens da Belle Époque já se queixavam da falta criatividade da geração daquela época. Imaginem como eles não se sentiriam agora, com essa crise de identidade do século XXI? O século das releituras…(em algumas áreas)

Um grande filme, não é a toa que tenha sido a maior bilheteria do diretor, e que ainda tem participações da Carla Bruni e da Kathy Bates no elenco. (Bruni maravileeeandra como guia de museu que entra em conflito com o Paul, o personagem “pedante” da história)

A ideia principal do longa talvez seja mesmo essa de mergulhar nos seus sonhos, mesmo que eles pareçam tão distantes e irreais e por mais que o presente pareça chato e monótono, porém aparentemente confortável, é o que temos para hoje e só nos resta valorizar esses momentos do agora, reinventando o presente  e tentando deixá-lo até mais interessante, porque não? E assim garantirmos boas recordações para se lembrar com saudades no futuro, quando isso tudo que esta acontecendo aqui e agora, não passar de simples lembranças.

E quem sabe de quebra a gente não consiga garantir também alguém que não se importe de  andar na chuva em Paris ao nosso lado?

Um filme de Woody Allen, que só pela assinatura já merece até um altar especial no meio da  sua coleção.

Posso ser um extra no seu filme Woody Allen?

Maio 11, 2011

Meosonho nº 14455575452 é ser um extra em um filme do Woody Allen, fatão!

Como eu não tenho talento para estrelar o longa, muito embora há quem diga o contrário porque dizem que eu sou beeem dramático (e quem não é? rs), me contento em aparecer no fundo de qualquer cena, tsá?

Caso o senhor resolva vir mesmo gravar um longa por aqui, me liga tsá? Quem sabe uma versão brasileira tipo “Meia-noite em São Paulo”, hein? Euri

AMO o Woody Allen, AMO!

Segundo Woody Allen, tudo pode dar certo

Outubro 18, 2010

Bom, não é exatamente isso que ele quis dizer na verdade com o título do filme, mas isso é culpa da tradução dos títulos, o que eu sou bem contra. Seria algo mais como “o que funcionar”, mais ou menos por ai.

Amargo, falastrão e delicioso. Woody Allen retorna a NY para nos presentear com mais um dos seus personagens no divertido “Whatever Works”, que certamente carrega um pouco dele mesmo.

Dessa vez temos Larry David, a mente responsável por Seinfeld e atualmente por Curb Your Enthusiasm, essa segunda eu confesso que até mereceu algumas das minha risadas, agora de Seinfeld eu nunca fui fã. Nunca achei graça e nunca enxerguei a tal da genialidade da série. Talvez eu seja burro, talvez eu tenha um gosto mais refinado para comédia, não sei…

Outro fato é que Larry não é o melhor ator do mundo, acho ele muito melhor escrevendo do que atuando (sem dúvidas!), mas para a minha grata surpresa,  não é que ele funciona muito bem na pele do Boris, o personagem central dessa comédia? Talvez por ele e Allen terem características muito parecidas.

E a comédia é deliciosa, com diálogos francos que são vomitados diretamente na cara do telespectador (ew, isso ficou meio nojento não?), tirando sarro de tudo,  da religião, da burrice, do conformismo. E o seu personagem conversa direto com a audiência em alguns momentos do filme, algo bastante divertido. O que são as broncas que ele da nas crianças enquanto as ensina a jogar xadrez? Sem contar a cena com ele correndo em direção a janela, em sua tentativa de suicídio. Ro-lei

E piada sobre Deus ser decorador foi a melhor ever! Bati até palmas. Clap Clap Clap!

O humor é peculiar, totalmente “Woddy Allen”, que é um gênio e que tem aquele humor politicamente incorreto, humor esse que eu tanto gosto e sinto cada vez mais falta no cinema, fatão!

Como sua coadjuvante no filme temos Evan Rachel Wood, mas eu confesso que achei o seu personagem um tanto quanto “exagerado”, mas foi divertido vê-la experimentando uma vida um tanto mais inteligente e  bem menos mediócre intelectualmente. Mas não gosto muito desse tipo dele, que humilha quem não tem o mesmo nível do seu conhecimento. Isso eu acho sinônimo de burrice, por mais irônico que possa parecer.

E ela ainda ganha a companhia do Henry Cavill durante o filme. Höy!

Agora, quem roubou a cena foi aquela mãe, não? Divertidíssima a personagem Marietta (Patricia Clarkson) implicando com o novo marido bem mais velho de sua filha, tramando para que a jovem descubra um novo amor que ela acha mais “compatível” a idade da filha. E o mais divertido de tudo isso é vê-la se descobrindo como artista em NY, experimentando coisas mil. Coisas que talvez ela nem imaginasse no passado em sua vida simples no interior.

O filme ainda deixa uma lição, algo que me fez pensar…

O amor não é lógico

E realmente não é neam? Quando tudo parece fazer muito sentido, ou parece perfeito demais, talvez algo esteja errado, fikdik. E não é que eu sempre gostei mais do improvável? Talvez por isso essa teoria tenha feito tanto sentido pra mim, afinal, nunca gostei de nada muito previsível.

No final temos uma excelente opção de comédia romântica, com a assinatura do Woody Allen, o que já é uma grande garantia de coisa boa, não?

Vale uma barra de chocolate grande + nachos


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